domingo, 28 de agosto de 2016

spaghetti épico

O Bom, O mau e o Feio

Há 50 anos estreava uma obra prima do cinema italiano para reescrever a trajetória do faroeste nos cinemas

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  Em 1966 estreava nos cinemas da Itália e logo em seguida no restante do mundo o filme que passou a ser considerado a obra prima de Sergio Leone, bem como um dos grandes filmes de todos os tempos: Il Buono, Il Brutto, Il Cativo, intitulado no Brasil como Três Homens em Conflito, nome pelo qual tornou-se mais conhecido aqui. Estrelado por Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach, com roteiro de Luciano Vicenzoni, Sergio Leone, Agenori Incrocci e Furio Srcapelli, o filme estabeleceu-se como uma espécie de marco definitivo no gênero spaguetti western, mas também pode ter servido de modelo para uma reinvenção do faroeste norte-americano.
  Ambientado em plena Guerra Civil americana, o filme de Leone retrata com precisão o conflito entre as tropas do norte cujo uniforme dos soldados é azul e as tropas confederadas do sul cujo uniforme é de cor cinza e embora a passagem da importante batalha seja um pano de fundo, é notável o cuidado do cineasta em retratá-la de modo respeitoso, especialmente o empenho dos soldados tanto quanto o sofrimento dos mesmos no campo de batalha. Enquanto reinava um clima de tensão em todo o território norte-americano causado pela guerra que dividia o país, muitos lutavam no front para matar ou morrer por uma causa. Já outros faziam a própria sorte para sobreviver independente de qual lado ganhasse a guerra... e é aí que entram os três personagens em questão: Blondie, Tuco e Angel Eyes.

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Sergio Leone junto ao elenco do filme

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Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach: três grandes atores, um 
elenco simplesmente perfeito

  Clint Eastwood interpreta Blondie (lourinho), um sujeito que parece não ter nome e nem passado sendo conhecido apenas por tal apelido. Blondie a princípio é um caçador de recompensas, porém ele mantém um acordo com Tuco que é um criminoso procurado em várias cidades. Blondie sempre captura Tuco e o entrega ao xerife e sempre o liberta na hora do enforcamento e após a fuga ambos dividem o dinheiro da recompensa que em cada cidade torna-se cada vez maior. Tuco na verdade tem nome: Benedito Pacífico Ruan Maria Ramírez e também tem um passado que ele cita em certo momento ao reencontra-se com um irmão que se tornou padre.

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Eli Wallach na pele de Tuco: interpretação hilária
e brilhante

  Angel Eyes assim como Blondie também não tem nome e nem passado. Entretanto ao contrário de Blondie ele tem características que o definem perfeitamente como o mau do título do filme, pois é um sujeito bastante ardiloso e cruel capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos além de ser um assassino frio e calculista. Embora haja questionamentos sobre até que ponto Blondie é bom, a resposta não é difícil de deduzir: o lourinho é bom porque ele é o oposto da crueldade e da vilania de olhos de anjo.

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  O mau obtém a informação sobre uma grande quantia em dinheiro que foi roubada pela bando de um sujeito chamado Bill Carson. Cerca de 200 mil dólares, uma verdadeira fortuna foi escondida em algum lugar distante e bastante seguro diga-se de passagem. Como é de se supor Blondie e Tuco também descobrem tal informação e seus caminhos se cruzarão com os de Angel eyes. Entretanto somente Blondie sabe o local exato onde tal fortuna está escondida, uma cova em um cemitério, já que o próprio Bill Carson lhe disse um pouco antes de morrer. Os três homens então passam toda a trama em busca do dinheiro e tendo seus caminhos cruzados em meio ao clima da guerra civil. 
  
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  Não é difícil entender porque este filme rapidamente conquistou público e principalmente a crítica logo tornando-se um clássico instantâneo. Sergio Leone que antes deste dirigira Por um Punhado de Dólares (1964) e Por Uns Dólares a Mais (1965) concentrou todo seu talento e estética apurada neste terceiro filme para intencionalmente compor uma obra épica como se nunca se viu no cinema italiano e nem mesmo em Hollywood em se tratando de faroestes. Planos extendidos, closes  e cenas bem detalhadas para descrever seus personagens e todo o contexto da engenhosa trama demonstram um cuidado especial que só poderia vir de um cineasta realmente apaixonado pelo gênero que se propôs a filmar como se estivesse lapidando uma jóia. E tal preciosismo se completa na trilha sonora composta pelo mestre Enio Morricone, que por fim emoldura a obra de Leone.



  E o cuidado de Leone para compor uma obra original também se faz notar além do roteiro, a elaboração da ação desde a explosão de uma imensa ponte de madeira sobre um rio que servia de campo de batalha dos soldados até a cena final que resulta num belíssimo duelo entre os três adversários, algo realmente original e que provavelmente nunca se viu nem nos westerns norte-americanos. O palco de batalha do duelo se dá em um cemitério cujo local de forma circular é muito parecido com uma arena. Closes nos olhares dos pistoleiros, em suas expressões e em suas armas filmados em vários takes constroem a mais bela cena de duelo jamais vista até então num faroeste... e mais uma vez a regência de Morricone completa o espetáculo.


  Por fim falar muito bem de O Bom, O Mau e o Feio parece nunca ser suficiente, pois pode soar como mero elogio fazer uma análise de uma obra prima do cinema que tornou-se unanimidade entre público e crítica e grande parte dos críticos chegaram a considerá-lo como o western definitivo, inclusive consideraram este e os dois anteriores como a trilogia dos dólares, embora O bom, O Mau e o Feio não tem uma ligação exata com Por Um Punhado de Dólares e Por Uns Dólares a Mais que são realmente uma sequência.

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  O terceiro apenas se assemelha aos dois anteriores pelo enredo envolvendo uma grande quantia de dólares e o pistoleiro sem nome interpretado por Eastwood que praticamente é o mesmo personagem. Outra grande obra de Leone à altura deste filme foi Era Uma Vez Oeste (1968) tão bom quanto ou superior em vários aspectos mas... de qualquer maneira o divisor de águas do faroeste surgiu assim: O Bom, O Mau, O Feio e... O Mestre Leone. (R.A.)

TRAILER

Ps: Há um erro grosseiro no trailer, pois (sabe-se lá porque..) Lee Van Cleef é descrito como o Feio, mas como todos sabem ele é o Mau. (R.A.)


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Três Homens Em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly;Itália, 1966)

Roteiro: Luciano Vicenzoni, Sergio Leone, Agenori Incrocci e Furio Srcapelli

Direção: Sérgio Leone

Elenco: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Eli Wallach

sábado, 20 de agosto de 2016

super dica

Clássicos do Tarzan são lançados em 

box de coleção


  Os fãs do rei das selvas tem motivos de sobra para se alegrar. Os primeiros filmes de Tarzan estão sendo relançados numa coleção exclusiva em dvd e o primeiro volume traz os filmes: Tarzan: O Homem Macaco (1932); Tarzan e sua Companheira (1934) e A Fuga de Tarzan (1936), todos remasterizados e com áudio em inglês e português para o deleite dos fãs mais nostálgicos. Os três filmes são estrelados por Johnny Weissmuller, um grande atleta do passado e o segundo ator a interpretar o homem macaco nos cinemas e dono do potente grito que ecoava pelas selvas; Jane é interpretada por Maureen O´Sullivan. O primeiro volume pode ser encontrado em diversos sites e lojas físicas, mas esta coleção tem edição limitada.




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

spaghetti western

KEOMA

Há 40 anos estreava um clássico do western italiano estrelado por Franco Nero


  Em 1976 estreava nos cinemas italianos um dos melhores filmes estrelados por Franco Nero: Keoma. O ator que dez anos antes interpretara Django, estava de vola em mais um personagem icônico e por sinal num western atípico, muito diferente dos westerns hollywoodianos, ou seja, um típico spaguetti western, gênero que então já estava enraizado no imaginário das platéias graças aos grandes filmes que brilharam a partir da metade da década de 1960 como Três Homens em Conflito (1966), Era Uma Vez No Oeste (1968) e outros, os quais inauguraram o gênero italiano de faroestes.
  Dirigido e roteirizado por Enzo G. Castellari a trama do filme  tem sua ambientação no oeste pós Guerra Civil norte-americana e é interessante notar como esse evento foi um tema muito recorrente nos westerns de um modo geral dada a importância fundamental desse período histórico que foi determinante para o desenvolvimento sócio-político dos Estados Unidos como um todo.


  Keoma, um mestiço (meio índio, meio branco) e destemido pistoleiro após o final da guerra civil resolve retornar para sua cidade natal em busca de um novo norte para sua vida. O roteiro de Castellari tem uma premissa muito parecida com Django, já que no início da trama Keoma salva uma mulher chamada Lisa, aprisionada por um bando de malfeitores que pretendiam executá-la, sob alegação de que a mesma é portadora de uma peste, uma doença fatal que se abatera sobre uma cidade e outros prisioneiros também estavam condenados a morrer sob tal acusação.

Capitão Caldwell
  Entretanto o filme assemelha-se a Django apenas nessa idéia central, mas os rumos de Keoma são bem diferentes já que o mestiço retorna à cidade para visitar seu pai, o velho Shannon interpretado por Willian Berger  e confrontar uma antiga richa familiar com seus meio-irmãos, Butch (Orso Maria Guerrini), Lenny (Antonio Marsina) e Sam (John Loffredo). Os planos de Keoma para viver uma vida pacífica falham totalmente de modo que o mestiço coloca-se num fogo cruzado para proteger Lisa (Olga Karlatos) e proteger a população da cidade que encontra-se sob a ameaça do bando do Capitão Caldwell (Donald O´Brian), um tirano que dominou completamente a cidade controlando a entrada de carregamento de remédios, único meio de tratamento para a tal doença que assola o local.

Os irmãos Shannon
  Produzido por Manolo Bolognini, mesmo produtor de Django, o filme de Castellari traz uma produção bem mais apurada em termos de cenário e também de figurino a começar pelas vestimentas de Keoma que reforçam suas raízes indígenas tanto quanto sua criação urbana. A narrativa de Castellari é envolvente e muito primorosa chegando a render momentos de contemplação não apenas pela ação retratada numa câmera lenta que beira a perfeição, mas também pelo modo como retrata os atores cujas interpretações são o grande alicerce desta obra.



  Franco Nero brilha como sempre conferindo força e energia necessária ao seu personagem como poucos atores conseguem realmente fazer, principalmente devido ao seu olhar altamente expressivo demonstrando que parece ter nascido para interpretar personagens que possuem uma força interior sobre-humana parecendo torná-los maiores que a vida. O elenco também conta com a presença do grande ator norte-americano Woddy Strode como o gigante negro George e ator austríaco Willian Berger no papel de William Shannon.



Lisa, interpretada pela atriz grega
 Olga Karlatos

  O roteiro traz profundas metáforas sobre a vida e a morte representadas na figura de uma velha bruxa que parece ser onipresente, pois só o mestiço a vê em certos momentos, enquanto que Lisa, a mulher salva por Keoma no início do filme parece representar a vida, já que traz uma criança em seu ventre e pode dar à luz a qualquer momento. Dentre as inúmeras qualidades, a narrativa é embalada pela excelente trilha sonora interpretada pela dupla Sibyl & Guy.



  Conta-se que Keoma é um dos últimos spaguetti western, pois o ciclo de filmes do então gênero italiano de faroeste já estava chegando ao fim bem como o western de Hollywood também já vinha se desgastando e rendendo cada vez menos produções de modo que o western americano caminhava para um fim definitivo que se daria no início dos anos 80. É lamentável que Keoma não tornou-se um ícone como Django, embora teve sucesso no cinemas e fora reprisado inúmeras vezes na Tv aberta. Entretanto, se o filme de Castellari é mesmo o último representante do spaguetti western não é nada difícil concluir o porquê. Simplesmente uma obra prima. (R.A.)

TRAILER



Keoma (1976, Itália)


Direção e roteiro: Enzo G. Castellari

Elenco: Franco Nero, Olga Karlatos, William Berger, Woddy Strode, 
Donald O´Brian, Orso Maria Guerrini, Antonio Marsina, John Loffredo






sábado, 6 de agosto de 2016

prévia

Capitão América: Guerra Civil já está disponível para pré-venda em dvd e blu-ray

 O maior sucesso da Marvel Estúdios este ano nos cinemas acaba de ser anunciado para pré-venda nos formatos digitais. O terceiro capítulo de Capitão América, sub-intitulado Guerra Civil já pode ser conferido por aqueles que não viram o filme nos cinemas ou pelos fãs que querem rever este que vem sendo considerado o melhor filme de super-heróis da lendária editora de HQ´s adaptado para o cinema. Comando pelos irmãos Joe e Anthony Russo, o roteiro dá continuidade aos eventos de Capitão América: Soldado Invernal e Vingadores: Era de Ultron. 

  O governo norte-americano decreta a lei que consiste em registrar os heróis como agentes para que ajam somente sob ordens oficiais, possivelmente devido aos inúmeros desastres causados em vários lugares do mundo em virtude das batalhas travadas anteriormente ainda que fossem em defesa da segurança mundial. O soldado invernal Buck Barnes passa a ser perseguido pelo governo como o mais perigoso terrorista, porém o Capitão América age em sua defesa por saber que Buck não tem plena consciência de seus atos e vem sendo manipulado secretamente pela HIDRA, a facção nazista da época da Segunda Guerra. Com os heróis divididos em dois respectivos grupos com diferentes posições ideológicas sobre a lei de registro, uma batalha épica será inevitável. 

TRAILER