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domingo, 22 de outubro de 2017

lenda recontada

REI ARTHUR: A LENDA DA ESPADA

Lenda de Arthur ganha nova roupagem pela visão do cineasta Guy Ritchie

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  O mito do rei Arthur já rendeu boas produções ao longo da história do cinema de modo a alimentar o imaginário popular em torno deste emblemático personagem cuja veracidade é uma incógnita para a história científica, pois não há vestígios consistentes que possam atestar de modo seguro sua existência. Assim restam apenas os vestígios do mito que ajudam a compor as lendas arturianas sobre um heróico rei que entre os séculos V e VI defendeu a Grã-Bretanha contra os invasores saxões. O diretor Guy Ritchie com grande inspiração resolveu recontar tal lenda imprimindo nela seu estilo urbano que o consagrou em filmes como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e as duas recentes aventuras de Sherlock Holmes com Robert Downey Jr. 
  Pode parecer estranho o uso da palavra "urbano" em um contexto medieval, mas em se tratando de Ritchie este conceito torna-se bastante crível já que o diretor consegue adaptar seu estilo para narrar esta nova versão do lendário rei da mesma forma que o fez em filmes anteriores de modo que fica estabelecido uma ligação entre todos os filmes que assim compõem o estilo narrativo do cineasta. É interessante notar por exemplo em Rei Arthur personagens construídos com base em tipos contemporâneos e até mesmo o modo como os personagens interagem tornando o ritmo da narrativa até mais ágil e envolvente. 


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  Escrito por Joby Harold, Lionel Wigram, David Dobkin e o próprio Ritchie, o filme procura explorar as origens do reinado do qual o jovem Art, órfão que foi criado em um bordel e nem faz idéia que é o herdeiro legítimo do trono real, o qual foi tomado pelo traiçoeiro príncipe Vortigen (Jude Law), que utilizando-se de feitiçaria mata seu irmão, o rei Uther para assumir o comando da Inglaterra a fim de satisfazer sua sede de poder absoluto. 


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   O britânico Charlie Hunnam, astro da série Sons of Anarchy e do filme Círculo de Fogo foi a escolha certa para interpretar Arthur, que compõe o personagem como um rebelde que precisa buscar suas origens após ser o único dentre vários homens a conseguir retirar a espada mágica excalibur de uma pedra, ou seja terá de lidar com seu destino e aprender a tornar-se rei para comandar a Grã-Bretanha se conseguir retirar do trono seu tio, o cruel Vortigen interpretado por Jude Law. 




  A trilha sonora hipnotizante ao som de guitarra e tambores e a fotografia de cores frias e aspecto empoeirado completam o tom da narrativa com um ritmo intenso que uma aventura épica merece. Contudo, o roteiro toma certas liberdades em relação à lenda original do rei Arthur deixando de lado alguns personagens importantes como mago Merlin, Lancelot e Guinevere, que não aparecem nesta história embora Merlin seja apenas citado. Tanto quanto nos filmes de Sherlock Holmes, Guy Ritchie demonstra seu insuspeitável talento para comandar cenas de ação de modo detalhado valorizando as coreografias de combate. A lenda de Arthur enfim foi recriada de modo digno e respeitoso passando pelos cinemas em maio deste anoe agora encontra-se disponível em dvd e blu-ray. Só nos resta aguardar que sua saga prossiga nas telas do cinema. (R.A.)

TRAILER




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Rei Arthur: A lenda da Espada (King Arthur: Legend of the Sword, 2017)

Direção: Guy Ritchie

Roteiro: Joby Harold, Lionel Wigram, David Dobkin e Guy Ritchie

Elenco: Charlie Hunnam, Eric Bana, Jude Law, Djimon Hounsou, Tom Wu, Astrid Bergès-Frisbey


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

remake épico

BEN-HUR

Refilmagem do grande épico já se encontra 

disponível em DVD e Blu-Ray

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   Uma das mais belas estórias épicas já concebida e adaptada para o cinema ganhou este ano uma refilmagem pelas mãos do cineasta Timur Bekmanbetov e estrelado por um jovem elenco desconhecido trazendo Jack Huston como Judah Ben-Hur, Toby Kebell como Messala, a pouco conhecida Ayelet Zurer como Naomi e os únicos atores realmente conhecidos pelo grande público: Morgan Freeman como Ilderim e Rodrigo Santoro interpretando Jesus Cristo.
  Roteirizado por Keith R. Clarke a partir do livro Ben-Hur: A Tale of the Christ escrito por Lew Wallace em 1880, o filme de Bekmambetov soa como um esforço para tornar a estória mais adequada às novas gerações que talvez nunca viram o clássico de 1959 estrelado por Charlton Reston e dirigido por William Wyler, filme que ganhou nada menos do que 11 Oscars e ainda considerado por muitos como o maior épico da história do cinema. No entanto, o Ben-Hur de 2016 obviamente não atingirá tais honras embora possua ótimas qualidades técnicas, mas... o fato é que não vai muito além disso.
  Embora narrado de modo ágil e até atraente para fisgar as novas gerações que frequentam o cinema, trazendo bons atores, uma bela fotografia (embora não supere a fotografia do original) o remake mantém-se bem distante da obra prima de 1959 e provavelmente diretor e produtores não se preocuparam tanto em fazer um filme à altura do clássico até porque a idéia possivelmente não era essa, mas sim recontar a clássica história de um novo modo e mais adequado à cinematografia dos tempos atuais.
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  Jack Huston, ator inglês e neto do lendário cineasta John Huston, foi uma escolha certa para viver o protagonista Ben-Hur já que o ator consegue demonstrar tanto a fragilidade do personagem ao ser escravizado e separado de sua mãe e irmã, quanto consegue encarnar a força que o personagem adquire em sua busca por justiça e redenção. Já Toby Kebell revela-se uma escolha razoável em sua interpretação de Messala, o irmão adotivo de Ben-Hur que após ser nomeado tribuno do exército romano torna-se arrogante e condena Ben-Hur à escravidão sob uma falsa acusação de tentativa de assassinato do imperador romano. Por outro lado, Morgan Freeman repete o papel de mentor que já interpretou inúmeras vezes ao longo de sua carreira o que sempre garante seu carisma em cena, ao passo que Rodrigo Santoro embora ficou bem caracterizado como Jesus, teve poucas cenas e praticamente ele mais apareceu do que interpretou e de certo modo seu talento é mais uma vez desperdiçado como em tantos outros filmes de Hollywood.

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A história de Ben-Hur ocorre simultaneamente à trajetória de Jesus de modo que
seus caminhos se cruzam



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  Timur Bekmambentov dirigiu corretamente o longa ao criar belos planos e concentrar seus esforços na corrida de bigas, a cena mais esperada de todo o filme e que não deixa nada a desejar em relação ao clássico, trazendo a mesma energia e tensão mas com recursos visuais mais apurados. Bekmambetov tem pouco trabalhos em sua filmografia sendo os mais conhecidos Guardiões da Noite (Night Watch), blockbuster russo de 2004, Procurado (Wanted) de 2008 estrelado por James McCavoy e Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (2012). Como se pode notar Ben-Hur parece ser o maior acerto do cineasta embora teve fraco desempenho nas bilheterias. Mas obviamente o remake épico terá um melhor desempenho em Dvd e Blu-Ray. Pelo menos é o que se pode esperar. (R.A.)


TRAILER


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Ben-Hur (EUA, 2016)


Roteiro: Keith R. Clarke


Direção: Timur Bekmambetov


Elenco: Jack Huston, Toby Kebell, Ayelet Zurer, Rodrigo Santoro, Morgan Freeman


  

terça-feira, 1 de março de 2016

faroeste / sobrevivência

O REGRESSO

Filme estrelado pelo agora oscarizado Di Caprio ainda pode ser conferido nas telas do cinema



   Melhor ator, melhor direção e melhor fotografia. Três merecidíssimas vitórias que fazem valer a pena para um grande filme, embora tenha recebido 12 indicações para o Oscar que foi ao ar na noite do último domingo. Dirigido pelo mexicano Alejandro G. Iñarritu, que ano passado ganhou os prêmios de melhor direção e melhor filme (Birdman), O Regresso traz Leonardo Di Caprio num momento muito significativo de sua brilhante carreira, pois agora o talentoso ator finalmente alcançou o devido reconhecimento, embora suas atuações anteriores fossem até melhores que esta, mas o personagem Hugh Glass não é menos digno de levar o ator ao merecido premio, pois a jornada do histórico personagem é razão mais do que suficiente para a repercussão que o filme vem causando nas telas do cinema. 

  Ambientado 1823, The Revenant narra a história verídica de Hugh Glass, um caçador de peles que junto com seus companheiros fazia uma perigosa expedição na região que hoje forma o estado de Dakota do Sul. Durante uma caçada numa densa floresta, Glass é atacado por um feroz urso que o deixa gravemente ferido e à beira da morte. Após receber os cuidados de seus companheiros que fazem de tudo para mantê-lo vivo, o grupo toma a dura decisão de deixar alguém para que cuide de Glass até que ele se recupere ou morra devido ao seu grave estado de saúde, pois a expedição precisa seguir em frente. 

   
  No entanto, o homem que se encarrega de cuidar de Glass não é totalmente confiável e seu temperamento duvidoso o leva a entrar em conflito com Hawk, o filho indígena de Glass, e após matar o rapaz, Fitzgerald, muito bem interpretado  por Tom Hardy abandona Glass com vida e segue viagem a fim de alcançar o grupo. O roteiro escrito por Mark L. Smith e Iñarritu com base no livro homônimo escrito por Michael Pumke traz uma narrativa simples ao apresentar o protagonista e os demais personagens e suas motivações.

Tom Hardy brilha no papel de Fitzgerald, vilão da trama que
lhe rendeu indicação ao oscar de ator coadjuvante

  Entretanto o roteiro do filme é preenchido de alguns elementos fictícios o que o torna um tanto extenso, mas necessário para compor a jornada de Glass nas telas do cinema, afinal na história real não há relatos suficientes para compor a trama de um filme, pois o que se sabe ao certo é que o verdadeiro Hugh Glass de fato sobreviveu arrastando-se pela floresta e se alimentando de plantas e peixes além de enfrentar o rigoroso inverno, e tudo isso num período de dois meses, algo que já é muito inspirador para um livro ou um filme.

O termo Revenant tem significado de regresso,
mas num sentido sobrenatural
  Belamente fotografado por Emmanuel Lubezki  (habitual colaborador do diretor Terrence Mallick) a narrativa de Iñarritu traz planos bem abertos e extendidos principalmente nas cenas de ação quando a camêra passeia entre os personagens mostrando em detalhes tudo o que fazem sem quebra de ritmo de modo que nestas cenas há quase uma ausência de cortes. É notável também a escolha do diretor pelas chamadas lentes grandes angulares que captam toda a extensão do ambiente, o que valoriza a fotografia e confere maior elegância à narrativa, especialmente nos momentos em que Iñarritu retrata a imensidão das árvores durante o percurso dos exploradores, ressaltando de certo modo a pequenez dos personagens diante da natureza que os cerca ou a grandeza dos mesmos quando retratados em contra plongué (de baixo para cima).



    Leonardo de Caprio  pode não estar em um de seus melhores papéis em comparação a sua brilhante galeria de personagens, mas esta pode ser sua mais profunda experiência como ator pois é notável sua total entrega ao inspirador personagem que literalmente enfrenta a fúria da natureza em meio ao inferno branco da neve que o cerca a correnteza de um rio ao fugir do ataque de índios além das terríveis dores das cicatrizes das garras do urso em seu corpo - Di Caprio transmite com intensidade toda a dor e toda mágoa que seu personagem sente em todo o seu ser.

   
 Pontuado com momentos de espiritualidade que sugerem algum tipo de redenção, O Regresso revela-se bem mais do que uma estória de caçada ou vingança, tratando-se de uma profunda jornada  humana e inspiradora, com certeza uma obra prima na filmografia de Gonzales Iñarritu, ao contrário de Birdman, ganhador do Oscar 2015 e que não chega a ser um grande filme. Sem dúvida, um grande épico que merece muito ser visto na tela do cinema. (R.A.)

TRAILER



O Regresso (The Revenant, 2015)

Roteiro: Mark L. Smith, Alejandro Iñarritu

Direção: Alejandro G. Iñarritu

Elenco: Leonardo Di Caprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Pouter, Melaw Nakehk'o. 



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

novela filmada



OS 10 MANDAMENTOS

Filme adaptado de novela televisiva leva multidões aos cinemas embora tenha sérios problemas




  Grande sucesso de público na TV, a novela Os 10 Mandamentos trouxe algo de inovador ao universo das telenovelas brasileiras, pois é a primeira novela bíblica, algo que provavelmente a Tv Record já estava planejando há algum tempo haja vista as minisséries religiosas que a emissora produziu alguns anos atrás, as quais tem sido reprisadas ultimamente como Rei Davi e José do Egito. Escrita por Vívian de Oliveira e dirigida por Alexandre Avancini, a produção investiu pesadamente em grandes cenários, figurino e efeitos visuais de ponta para a recriação da famosa história bíblica de Moisés, o último grande profeta hebreu que libertou seu povo da opressão do império egípcio. 
  Contando com um extenso elenco, a telenovela descreveu com muita precisão ao longo de seus 176 capítulos a origem de Moisés, a história do sofrido povo hebreu, o domínio do império egípcio e a jornada de Moisés para libertar seu povo e conduzí-los rumo à terra prometida. Entretanto, não se vê nas telas do cinema uma descrição tão detalhada quanto no folhetim televisivo, e infelizmente o tão esperado filme bíblico traz sérios problemas narrativos.
   Embora tenha boa premissa com Josué (Sidney Sampaio) contando a história de Moisés para várias pessoas ao redor de uma fogueira, o roteiro narra com certa precisão a origem do protagonista desde o seu nascimento como hebreu, sua criação no Egito como um príncipe e sua jornada como o profeta. E os problemas do longa-metragem começam na metade da projeção, quando Moisés retorna ao Egito e se encontra com o faraó Ramsés a quem ele tinha como irmão antes de fugir do Egito na época em que ambos eram príncipes. 


  A narrativa do filme simplesmente atropela tudo o que foi concebido pela telenovela ao longo de seus mais de cem capítulos de modo que ignora completamente a morte de Seti (José Carlos Machado), primeiro faraó e pai de Ramsés e também as histórias de vários personagens que tiveram certa relevância na trama televisiva.

  Isso sem contar que Ramsés quase não teve tempo de respirar para que se tornasse o grande vilão da trama, já que logo após o retorno de Moisés uma série de acontecimentos foram jogados na tela numa espécie de flashback dos melhores momentos da novela desde as 10 pragas que Deus lançou no Egito até a travessia do povo hebreu pelo mar, uma narrativa muito apressada que tudo pareceu um mero pretexto para mostrar de uma só vez a magia dos belos efeitos visuais da produção.

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   Contudo, o que se salva do filme é o que já se viu na Tv nas boa interpretações de Guilherme Winter, ótima escolha para interpretar Moisés, Sergio Marone como Ramsés, Giselle Itiê como Zípora embora no filme tenha aparecido pouco, além de alguns outros atores que tiveram desempenho cênico melhor retratado no folhetim televiso. Duas horas é um tempo precioso, mas muito pouco para transformar uma novela em filme, por mais cinematográfica que seja. Enfim, fica a dica de que certas produções ficam melhores em seu formato original caso não sejam bem adaptadas ou neste caso bem editadas para o cinema. (R.A)

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Os Dez Mandamentos (Brasil, 2016)

Roteiro: Vívian Oliveira

Direção: Alexandre Avancini

Elenco: Guilherme Winter, Sergio Marone, Jose Carlos Machado, Giselle Itiê, Paulo Gorgulho, Sidney Sampaio, Samara Felipo


    

segunda-feira, 13 de abril de 2015

épico religioso

ÊXODO - Deuses e Reis

Grande sucesso recente nos cinemas dirigido por Ridley Scott já está disponível nos formatos digitais


  A jornada bíblica de Moisés para conduzir o povo hebreu à terra prometida ganhou uma nova visão pelas mãos de Ridley Scott, versão esta não menos grandiosa que o clássico Os dez mandamentos (1956) dirigido pelo lendário Cecil B. de Mille. Embora muitos possam considerar Êxodo - deuses e reis como uma refilmagem do clássico dos anos 50, na verdade não se trata de refilmagem, considerando que é uma história pertencente à bíblia sagrada e como tantas outras histórias, pode ser recontada várias vezes pelo cinema e assim apresentar diferentes visões de vários cineastas. 
  Neste filme a jornada de Moisés é iniciada já a partir de fase de sua vida adulta, de modo que partes sua infância e juventude retratados no clássico de 1956 não são mostrados aqui, além do fato de Ridley Scott retratar um Moisés essencialmente guerreiro, que ao lado de Ramsés, filho legítimo do faraó, tem também a honra de ser considerado príncipe, embora seja um filho adotivo, além de não ser egípcio. O antagonismo entre os distintos irmãos não demora a aparecer, tal como muitos já sabem com base no filme clássico.



  Demonstrando sua experiente habilidade em comandar épicos a exemplo de Gladiador e Cruzada, Scott repete todo o cuidado estético de seus filmes anteriores e ao que parece vários dos cenários retratados em Êxodo parecem ser reais tendo poucos efeitos digitais para completar a concepção visual. Inclusive nas cenas que retratam a invasão das pragas do Egito foram utilizadas rãs verdadeiras pelo que se pode notar.



  Como sempre Scott demonstra bastante cuidado na escolha do elenco, trazendo Christian Bale como um imponente Moisés, o ótimo Joel Edgerton que interpreta um Ramsés que gradativamente vai revelando profunda arrogância necessária ao vilão, e demais rostos conhecidos tais como Sigourney Weaver (sempre rejuvenescida), John Turturro no papel do faraó e Ben Kingsley bem representado num escravo hebreu embora tenha feito poucas cenas.


  Assim como no clássico de 1956 tanto como em diversas produções da TV, Scott retrata Moisés também como um sujeito heróico e faz questão de representar o príncipe adotivo do Egito como um autêntico militar, tanto que Moisés não abandona sua espada egípcia nem mesmo depois que se torna um profeta, além do que o próprio Deus representado na figura de um simples menino lhe diz que precisa de um general para cumprir sua missão. Quem já leu a passagem bíblica do Êxodo sabe muito bem que Moisés não foi um guerreiro e nem mesmo tinha perfil para ser líder de um povo, pois não tinha nenhuma empatia com as pessoas, além do fato de ser gago. Além disso, quem realmente se comunicava com todos era Aarão, considerado o primeiro sumo sacerdote dos hebreus e um tipo de porta-voz que sempre acompanhava Moisés para ajudá-lo em sua nobre missão.


  Atualizando os efeitos visuais em relação às produções antigas, Êxodo se mostra bastante original em retratar o milagre da abertura das águas do mar de um modo diferente e um pouco inesperado o que nos faz lembrar que a produção não se trata de refilmagem e sim de uma nova visão de uma história bíblica que pode ser recontada inúmeras vezes, tanto é que aqui as tábuas da lei que contém os 10 mandamentos só aparecem nos momentos finais da trama.
  Extremamente superior a Noé (Noah, 2014), que para muitos foi uma produção apenas medíocre, Êxodo - deuses e reis tem tudo para ser relembrado e revisto quantas vezes for necessário à satisfação dos cinéfilos. Enfim, um novo clássico bíblico e cinematográfico que após o sucesso nas telas pode ter uma trajetória promissora nos formatos  digitais. E que venham mais épicos bíblicos dos estúdios de Hollywood.

TRAILER


Êxodo - deuses e reis (Êxodo - gods and kings, 2014)

Direção: Ridley Scott

Roteiro: Adam Cooper, Bill Collage, Jeffrey Cane, Steven Zaillian 

Elenco: Christian Bale, Joel Edgerton, John Turturro, Ben Kingsley, Sigourney Weaver, María Valverde, Aaron Paul 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

épico bárbaro

CONAN - O DESTRUIDOR

Há 30 anos um bárbaro retornava às telas do cinema para novas batalhas



Ps: este post foi publicado originalmente em agosto de 2013, e agora esta atualizado para comemorar os 30 anos do filme :-)

  Em 1984 um guerreiro bárbaro retornava em uma nova aventura: Conan, o Destruidor (Conan, The Destroyer) estreava nos cinemas estadunidenses, cerca de um ano e meio após o estrondoso sucesso de Conan, O Bárbaro (1982), trazendo os músculos de Arnold Schwarzenegger de volta à ação. Desta vez a direção ficou a cargo de Richard Fleisher, pois John Milius não pôde retornar porque estava envolvido em outros projetos e a produção ficou por conta de Raphaela de Laurentis, filha do produtor Dino de Laurentis (1919-2010). A nova aventura do cimério trazia bem mais ação que o filme anterior, porém um roteiro mais simples e até inferior ao do outro filme, embora bem elaborado por Stanley Mann e argumento concebido pelos quadrinhistas Roy Thomas e Gerry Conway.
  Logo no início da trama Conan é encontrado pela rainha Taramis em um lugar deserto e sua habilidade é colocada à prova, pois a rainha que vai pessoalmente ao encontro do guerreiro bárbaro leva uma escolta de soldados fortemente armados para capturá-lo ou testá-lo, já que obviamente ele mata todos utilizando apenas sua afiada espada e a admirável força de seus músculos, enquanto Malaki (Tracey Walter), seu frágil parceiro e alívio cômico da aventura, assiste a tudo escondido atrás de uma rocha quase o tempo todo.









  A história se passa em uma época que Conan era um ladrão e agia em parceria com Malaki - a rainha de Shadizar contrata o bárbaro, pois ela precisa de suas habilidades em combate e de sua perspicácia de ladrão para que ele roube uma gema mágica que está em poder do mago Toth-Amom, numa fortaleza de gelo localizada em um local distante. Taramis, que além de rainha é também feiticeira, promete a Conan que trará de volta à vida Valéria, sua amada morta no filme anterior. Tomado por certa ingenuidade e sem saber que está sendo manipulado para um plano maléfico da feiticeira, o bárbaro aceita a oferta e parte para a missão.



  O longa traz um elenco de ponta com rostos bem conhecidos da década de 80: Sara Douglas como rainha Taramis, famosa por sua participação em Super-Man II (1980); Mako volta à cena como o mago Akiro; a cantora e atriz Grace Jones no papel de Zula; a estreante Olívia d´Abo no papel de princesa Jehnna; e o campeão de basquete da NBA Wilt Chamberlain em esua estréia como ator ao interpretar o gigantesco guerreiro, Bombaata.

  O experiente diretor Richard Fleischer comanda a ação com maestria, conduzindo empolgantes cenas de batalhas mais violentas do que o filme anterior. Conta-se que no Reino Unido o longa sofreu alguns cortes devido ao excesso de violência; uma cena em que Conan derruba um cavalo com um soco no focinho do animal e uma outra em que ele derruba um camelo com um soco na cabeça, pois tais cenas parecem demonstrar crueldade com os animais. Entretanto, Conan, o Destruidor é a aventura que mais se aproxima do universo das histórias em quadrinhos do herói bárbaro, e além da violência, a história também é repleta de magia, o que exigiu o uso de efeitos visuais para dar vida à fantasia vista nas histórias do personagem.



 A fotografia á assinada por Jack Cardiff (1914-2009), um dos melhores fotógrafos de Hollywood e as locações que compõem as paisagens da aventura ocorreram no México, onde há vários lugares desertos e rochosos. Novamente a trilha sonora é assinada pelo músico greco-americano Basil Poledouris (1945-2006) e fica evidente que seu trabalho é uma derivação da trilha de Conan - O Bárbaro, pois traz alguns sons característicos, porém num ritmo mais agitado - e embora não seja tão grandiosa quanto quanto a do filme anterior, é também envolvente bem ao estilo da aventura.


  Orçado em US$ 18 milhões, o longa arrecadou cerca de US$ 31 milhões nos cinemas estadunidenses, menos dinheiro que a aventura anterior que fez um pouco mais de US$ 39 milhões segundo dados do IMDB. O filme tornou o personagem ainda mais icônico e popular e por mais que os produtores se esforçaram para convencer Schwarzenegger a estrelar um terceiro filme para contar como foi o reinado de Conan, o que fecharia a saga fílmica com chave de ouro, o astro sempre recusou as propostas. Entretanto, recentemente, o ator agora envelhecido garantiu que realmente fará um terceiro filme do guerreiro bárbaro e o mostrará também envelhecido na aventura que será intitulada The Legend of Conan, e segundo boatos está prevista para estrear em 2014. Mas esta é uma outra história a ser contada...



TRAILER




Conan - O Destruidor (Conan, The Destroyer, 1984)

Direção: Richard Fleischer

Roteiro: Stanley Mann

Elenco: Arnold Schwarzenegger, Sara Douglas, Grace Jones, Mako, Tracey Walter, Olivia d´Abo, Wilt Chamberlain

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

aventura marcial

47 RONINS

Keanu Reeves retorna às telas do cinema com aventura lendária sobre samurais


 Honra e lealdade são temas recorrentes no cinema físico, especialmente em aventuras épicas onde tais preceitos tornaram-se o fio condutor de muitos filmes que marcaram a história do cinema e hoje são cultuados como clássicos. Apesar de 47 Ronins ser mais uma aventura de artes marciais com efeitos visuais espetaculares, o filme estrelado por Keanu Reeves e um elenco japonês tem os argumentos que sustentam o caráter épico de estória: honra e lealdade.
 A história dos 47 ronins, capítulo importante da história do Japão e por isso mesmo bastante popular na cultura daquele país, se passa no ano de 1701, época de reinado do Imperador Tsunayoshi - como o imperador não tinha muito tempo para visitar todas as províncias do país, ele designava alguns nobres oficiais que pudessem representá-lo e em certa ocasião o imperador enviou lorde Yoshinaka Kira-Kozukenosuke para representá-lo na província de Harima, governada por lorde Naganori Asano-Takuminokami, que recebeu lorde Kira com todas as honras necessários ao enviado do imperador.

Lorde Asano

Lorde Kira
  Entretanto, lorde Kira era um homem bem arrogante e demonstrava gestos que desagradaram lorde Asano, o que culminou em desavenças entre ambos quase chegando a um confronto de modo lorde Asano chegou a sacar sua espada e ferir levemente lorde Kira, o que para o imperador era uma grave ofensa, pois qualquer agressão a um enviado oficial era tida como um insulto - e para pagar tal desonra, Shogun Tsunayoshi condenou lorde Asano à morte pela prática do seppuku, ritual de suicídio que confere ao condenado morte honrosa, segundo a tradição. Logo depois, shogun Tsunayoshi declarou todos os samurais de lorde Asano como ronins, samurais sem mestre ou sem senhor, inclusive Oishi, que era braço direito de Asano.



  A trama narrada àcima corresponde à história verdadeira que se conta no Japão. Entretanto o filme dirigido por Carl Rinsch e roteirizado por Chris Morgan e Hossein Amini, preenche a história com vários elementos de fantasia, entre os quais os poderes mágicos de uma bruxa interpretada por Rinko Kikuchi (Círculo de Fogo), que serve à lorde Kira, alguns piratas que aparecem na metade do filme e também a presença de Kai, um samurai branco interpretado por Keanu Reeves e que não existiu na história verdadeira, tratado com menosprezo pelos demais samurais que o chamam de mestiço. Oishi, interpretado pelo ótimo Hiroyuki Sanada, é o único que trata Kai com respeito, além da princesa Mika (Ko Shibasaki) que ama o mestiço e é filha única de lorde Asano.
Oishi e seus guerreiros

  A estória segue num ritmo enérgico de aventura com cenas de batalhas belamente filmadas e por incrível que pareça com ausência de sangue, talvez para garantir uma censura mais leve ao filme. Sanada confere à Oishi a postura altiva do guerreiro que se torna o protagonista da trama e que junto de seus 46 ronins irão planejar um massivo ataque contra lorde Kira a fim de vingar lorde Asano (Min Tanaka) e restaurar a honra de sua província, o que realmente aconteceu na história verdadeira - e é na lealdade indestrutível dos 47 guerreiros que o roteiro encontra o tom épico necessário ao filme também ancorado pela boa fotografia de John Mathieson, cujos trabalhos anteriores são Gladiador e X-Men - Primeira Classe.



 Contudo, o filme tem pouco sustento num elenco mediano com uma bruxa que rouba algumas das melhores cenas do longa chegando a superar Tadanobu Asano que interpreta um lorde Kira de forma muito inexpressiva, e assim não é de se estranhar o mal desempenho desta produção hollywoodiana de US$ 175 milhões que  embora tenha sido filmada no Japão, fracassou nos cinemas japoneses, bem como nos países ocidentais onde vem sendo exibido, ainda que seja estrelado por Keanu Reeves que ficou mais de 1 ano na terra do sol nascente trabalhando neste filme.
  A história dos 47 Ronins já foi filmada anteriormente pelo cinema japonês nos filmes A Vingança dos 47 Ronins, dirigido em 1941 por Kenji Mizoguchi, e Os Vingadores, de 1962 comandado por Hiroshi Inagaki. Talvez o filme de Hollywood não se torne tão memorável como se espera, porém os aficcionados por artes marciais e cultura oriental poderão, quem sabe, torná-lo um cult... Só o tempo dirá. (R.A.)

TRAILER






47 RONIN (2013)

Direção:Carl Rinsch

Roteiro:Chris Morgan

Elenco: Keanu Reeves, Hiroyuki Sanada,Min Tanaka, Rinko Kikuchi, Tadanobu Asano, Cary-Hiroyuki Tagawa, Ko Shibasaki  




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

épico nostálgico

CONAN - O BÁRBARO

Há três décadas surgia um guerreiro cimério nos cinemas


  Em meados de 1982, exatos 31 anos atrás, estreava nos cinemas estadunidenses o filme que lançou ao estrelato o fisiculturista Arnold Schwarzenegger que, anos antes, já estreara nos cinemas em filmes poucos expressivos e que só serviram para torná-lo mais popular. Conan - O Bárbaro (Conan, The Barbarian) produzido por Dino di Laurentis (1919-2010) trazia no comando o diretor John Milius, que escreveu o roteiro em parceria com Oliver Stone. Milius até hoje é pouco conhecido como diretor e talvez menos ainda como roteirista, embora tenha escrito ótimos roteiros, como por exemplo, do clássico de guerra Apocalipse Now (1979), o trhiller Perigo Real e Imediato (1994) e do recente e elogiado seriado, Roma (2005-2007). O diretor e roteirista encontrou na figura de Schwarzenegger, o ator ideal para encarnar o guerreiro bárbaro, e conta-se que na época, chegou a dizer que se Arnold não existisse, eles teriam que inventá-lo.

John Milius orientando Schwarzenegger


James Earl Jones interpreta
Thulsa Doom - um dos grandes
vilões do cinema oitentista
  A história de Conan situa-se na chamada Era Hiboreana, período desconhecido e mitológico que seria anterior à Idade Média e posterior à Idade da Pedra - ou pode até mesmo ser interpretado como um período mitológico da Idade Média, porém, anterior à era Cristã. Nesse mundo repleto de reis, guerreiros, bruxos, criaturas bizarras e belas mulheres, inicia-se a jornada de Conan, que na infância viu sua aldeia, localizada na Ciméria, ser atacada e destruída e seus pais serem brutalmente mortos. Capturado, o pequeno Conan passou a trabalhar como escravo até a fase adulta, tornou-se um campeão de lutas brutais de arena, foi treinado nas artes da espada tornando-se um guerreiro imbatível e por fim conquistou a liberdade, partindo para uma jornada pessoal em busca de vingança contra Thulsa Doom, um rei e poderoso feiticeiro que no passado matou a família do jovem Conan e saqueou sua aldeia.

o pequeno Conan e seu pai

Ilustração de A fênix na Espada
  Schwarzenegger no auge de sua forma física e com 35 anos de idade encarna literalmente o guerreiro bárbaro e realmente é difícil imaginar outro ator no papel, pois além do invejável físico, o austríaco ostenta traços rústicos essenciais para compor um personagem que é quase um selvagem, e dificilmente Conan tornaria-se tão icônico na pele de outro ator. Criado pelo escritor Robert Erwin Howard (1906-1936), o guerreiro bárbaro só veio a estrear nas histórias em quadrinhos por volta da década de 1970, pois Howard o concebeu como personagem literário no conto A Fênix na Espada, publicado em 1932 na revista Weird Tales.


Thulsa Doom transformado em cobra
Conan e seus parceiros: Valéria e Sabotai













  A trilha sonora é simplesmente primorosa e comparável à de grandes filmes épicos da história do cinema. A composição do músico greco-americano Basil Poledouris (1945-2006) é seguramente uma das melhores do cinema oitentista e toda a sinfonia incrementada dos mais belos arranjos casa perfeitamente com todas as cenas, conferindo à película toda a grandiosidade de uma obra épica. Conta-se que Poledouris teve o apoio de uma orquestra composta por 90 músicos e cerca de 24 vozes. Algo realmente maravilhoso de se ouvir.


   Com uma produção orçada em U$20 milhões, custo alto para os padrões da época, o filme faturou alto nas bilheterias tendo feito cerca de US$ 38 milhões só nos Estados Unidos segundo dados do IMDB; alcançou sucesso mundial, e Conan tornou-se um dos personagens mais icônicos do cinema da década de 80, tanto quanto Rambo ou Indiana Jones. Entretanto, o filme não contém todos os elementos que consagraram as histórias em quadrinhos, de modo que quase não se vê criaturas bizarras e demoníacas ou monstros gigantescos, pois isso tornaria o projeto bem mais caro e até inviável para um orçamento que já se encontrava inflado para tal tipo de produção.


  Com locações na Espanha e Canadá, o longa tem belas paisagens para compor a fotografia e um impecável figurino que não deixa nada a desejar, nem mesmo às atuais produções de Hollywood. Com todos estes atributos, Conan - O Bárbaro tornou-se atemporal, pois sua composição visual fica ainda melhor nos formatos digitais da atualidade, principalmente por ter poucos efeitos visuais, o que o torna um jovem clássico. Obrigatório para os fãs de todas as gerações.

TRAILER 




Conan - O Bárbaro (Conan, The Barbarian, 1982)

Estúdio: Universal Stúdios

Roteiro: John Millius e Oliver Stone

Direção: John Millius

Elenco: Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones, Sandahl Bergman, Mako, Max von Sydow, Gerry Lopez