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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

eterno mito

Proezas de Bruce Lee (re) surgem 

na era digital

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  Não há dúvidas de que o artista marcial Bruce Lee é o maior mito contemporâneo das artes marciais tanto quanto Elvis Presley é o maior mito do rock ou Picasso o maior ícone das artes plásticas. Cada área humana tem seu representante maior e vários deles com o passar das décadas ganham destaque principalmente devido ao advento da internet e o espantoso crescimento das redes sociais que disseminam inúmeras informações e diversas curiosidades a respeito de celebridades tanto do presente quanto do passado. 
  De alguns anos para cá Bruce Lee tem ganho destaque em meio a tais informações e curiosidades tanto em páginas diversas do Facebook dedicadas à ele quanto no Youtube em curiosos vídeos que pipocam em vários canais de entretenimento, os quais mostram as incríveis façanhas do artista marcial mais popular e influente de todos os tempos. Mesmo com a baixa resolução da maioria dessas filmagens é possível apreciar as façanhas de Lee e ficar impressionado com suas habilidades físicas, fruto de seu intenso treinamento e extrema dedicação ao Kung-fu. Embora algumas de suas proezas possam parecer mero exibicionismo, não deixam de ser impressionantes já que também demonstram o inigualável talento do artista marcial. Nos atuais tempos modernos o saudoso mestre parece mais vivo do que nunca. (R.A.)

Demonstração do famoso soco de uma polegada



Alguns momentos de sua vida pessoal



Jogo de ping-pong com nunchako



Uma rara demonstração de luta em um torneio 
de Karatê em Long Beach (1967)


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

justa homenagem

A ORIGEM DO DRAGÃO

Filme explora o mito de Bruce Lee e faz uma bela homenagem

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  O mito de Bruce Lee é sem dúvida o ponto de ignição das artes marciais no cinema mundial já que o artista marcial foi o primeiro astro internacional do gênero e também o primeiro a conseguir adentrar as portas de Hollywood, pois antes dele o cinema estadunidense não tinha interesse algum em explorar o gênero cinematográfico do oriente. A origem de Lee ou sua biografia não é nenhuma novidade já que pode ser conferida no ótimo documentário Bruce Lee, A Lenda (1984) além de outras produções semelhantes como A Maldição do Dragão, produzido em 1993. Contudo o filme A Origem do Dragão que estreou nos cinemas na última semana de dezembro não se trata de uma biografia, mas de um retrato alegórico sobre uma fase de sua vida que fora determinante para o surgimento de sua lenda.
   Roteirizado por Stephen J. Rivele e Christopher Wilkinson, a trama se passa no ano de 1964 quando Lee dava aulas de Kung Fu em sua academia e sua fama  de instrutor começava a se espalhar pelos Estados Unidos já que costumava participar de eventos de esporte para demonstrar suas técnicas  além de já participar de filmagens em algumas produções de Tv. O jovem artista marcial chinês já começava a construir sua carreira na América e seu nome começava a ecoar por todos os cantos.

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  Contudo ao roteiro do filme pareciam faltar informações para compor uma biogafria. O diretor George Nolfi resolvera então junto com os roteiristas criar uma narrativa repleta de elementos ficcionais que pudessem render uma história para uma produção de cinema. A princípio o filme tem o objetivo de narrar o embate de uma luta entre Bruce Lee (Philip Ng) e Wong Jack Man (Yu Xia), um mestre de Kung Fu Shaolin do norte que foi viver por algum tempo na América e mostrou-se desapontado com a postura de Lee em ensinar Kung Fu para pessoas ocidentais. Um desafio fora lançado talvez por Lee, talvez por mestre Wong e o resultado de tal luta até hoje é considerado um mistério já que nunca houve uma divulgação oficial de tal coisa, apenas relatos de testemunhas e quase nenhuma informação de ambos os lutadores.

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O lendário embate determinou a trajetória de Bruce Lee como instrutor

  Pra se ter uma idéia do quanto há de ficção no filme, conta-se que na história verdadeira tanto Bruce Lee quanto mestre Wong davam aulas de Kung Fu para a comunidade chinesa de San Francisco, porém Lee tinha alunos ocidentais e isso incomodou Wong, pois este acreditava que a arte marcial só deveria ser ensinada a ocidentais e como Lee estava quebrando a tradição chinesa tal afronta poderia ser resolvida em combate. No filme mestre Wong viaja para os Estados Unidos apenas para "lavar pratos" conforme o personagem diz repetidamente na narrativa, já que tal tipo de trabalho era para ele uma forma de redenção pelo pecado de arrogância que cometera num combate ocorrido na China, no qual ele  quase matou seu adversário que também é um mestre de Kung Fu.

Resultado de imagem para a origem do dragão   Na trama a ponte de ligação entre os dois mestres é o aluno Steve Mckee (referência à Steve McQueen?), um rapaz que é aluno (possivelmente fictício) de Lee, mas torna-se amigo de mestre Wong ao recepcioná-lo quando este chega na América e no decorrer da trama o rapaz envolve-se com uma moça chinesa que é escrava da Tríade, e isto é uma clara referência às atividades da máfia chinesa naquela época no bairro chinês da cidade de San Francisco - tal argumento também refere-se a alguma rivalidade entre Lee e a máfia chinesa segundo relatos da época e no contexto do filme a  famosa luta dos mestres gerou um lucro de 15 milhões de dólares que a Tríade receberia em apostas. Tais argumentos narrados de forma fictícia obviamente convertem a trama do terceiro ato num filme repleto de ação já que Lee e Wong decidem ajudar McKee a resgatar a moça.
  Coreografias belamente filmadas e até certo ponto impactantes honram a memória do artista marcial de modo digno, especialmente no combate com Wong Jack Man, mas obviamente no ato final ocorre certo exagero no confronto de ambos os mestres com os capangas da Tríade, algo que ficou mais parecido com os filmes de Lee do que o que poderia ser uma história verídica.

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  Contando com boas atuações do competente elenco o filme retrata Lee como um jovem instrutor muito seguro de sua inigualável habilidade e por isso mesmo muito arrogante e muito cheio de si - já mestre Wong Jack Man interpretado pelo ator Yu Xia, é retratado de modo sábio e humilde justamente por ser um monge shaolin - embora a atuação de Philip Ng soe um tanto caricata já que ele se limita apenas a reproduzir os trejeitos de Bruce Lee, o rapaz funciona bem no papel para que se estabeleça o conflito necessário à trama.
  A grande vantagem de Birth of the Dragon é justamente não ser biográfico, o que possibilita que o filme funcione livremente como uma bela homenagem ao lendário artista marcial e obviamente consegue ser superior ao fraquíssimo Dragão: A história de Bruce Lee (1993) que embora se diga biográfico, diz muito pouco ou quase nada sobre a vida do astro. A Origem do Dragão é uma justa homenagem ao lendário ator e um bom filme para este início de ano nos cinemas. No mínimo uma diversão garantida para honrar o legado do mestre. (R.A.)


TRAILER


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A Origem do Dragão (Birth of the Dragon, 2016)

Direção: George Nolfi

Roteiro: Stephen Rivele e Christopher Wilkinson

Elenco: Philip Ng, Yu Xia, Billy Magnussen, Janet Wei, Simon Yin, Terry Chen


   
   
   

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

clássico marcial

O VÔO DO DRAGÃO

Há 45 anos Bruce Lee estrelava e dirigia um de seus 

melhores filmes

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  Em 1972 estreava em Hong Kong O Vôo do Dragão (The Way Of The Dragon), escrito, dirigido e produzido por Bruce Lee por meio de sua produtora, a Concord Films em parceria com Golden Harvest, produtora pioneira em filmes de artes marciais no cinema chinês. Lee, que então já era um astro na China bem como na Ásia após o estrondoso sucesso de O Dragão Chinês (1971), resolveu investir seriamente no cinema não apenas atuando, mas também atrás das câmeras, já que o artista marcial demonstrava domínio em ambas as funções e sabiamente escolheu a sétima arte para melhor disseminar sua arte marcial em todo o mundo.

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  A trama é ambientada na Itália, mais precisamente na cidade de Roma. Tang Lung (Lee), vindo de Hong Kong para visitar Cheng Chin Hua, amiga sua e dona de um restaurante em parceria com o tio Wang (Wang Chung Hsin), um negócio de família no qual os funcionários são primos de Chin Hua. Porém, trabalham com certa dificuldade já que o local é muito visado e constantemente atacado pelos capangas de Thugs, chefe de uma organização criminosa que parece controlar forçadamente os negócios de empreendedores imigrantes, nesse caso os chineses - ou seja, a organização de Thugs é uma espécie de máfia que vive da exploração de negócios de famílias imigrantes.

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  O jovem Tang Lung, embora um pouco tímido e às vezes desajeitado, empenha-se em ajudar e proteger sua amiga Chin Hua e seus familiares contra as investidas da máfia local. Lung demonstra sua notável habilidade na arte do kung fu contra os homens de Thugs que tombam como bonecos pela força dos punhos do jovem chinês. E para a alegria dos fãs, Lee demonstra com muita energia sua performance que o tornou rapidamente conhecido em O Dragão Chinês (1971) e a Fúria do Dragão (1972).

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  O roteiro escrito pelo próprio Lee embora simples apresenta uma trama até bem resolvida, um elenco modesto e pouco conhecido com exceção do próprio Bruce Lee e da atriz Nora Miao, uma bela e jovem estrela do cinema chinês. Por trás das câmeras Lee demonstra uma direção correta, porém um tanto modesta valendo-se de retratar as belas paisagens de Roma ainda que o filme não apresente uma fotografia espetacular. Obviamente Bruce empenhou-se bem mais na composição de cenas de lutas espetaculares nas quais ele faz questão de mostrar toda sua habilidade não só com os punhos e os pés como também com bastão longo e o par de nunchakus, sua arma preferida não só dentro como fora das telas.

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    Bruce Lee ao ladeador por Bob Wall e Chuck Norris. Ambos
    campões mundiais de Karatê durante a década de 60

  Entretanto a cereja do bolo fica reservada para o final da aventura, um épico confronto entre Tang e Colt, o maior lutador da América e um dos melhores do mundo que Thugs resolveu contratar para eliminar o chinês. Colt é vivido por ninguém menos que Chuck Norris, na época 7 vezes campeão norte-americano de karatê, foi a escolha perfeita para o papel de um rival à altura de Lee.
  O combate belamente filmado no interior do Coliseu, não poderia ter local mais apropriado por ser uma espécie de templo de grandes batalhas dos gladiadores da Roma antiga. A idéia de Lee foi simplesmente genial e até hoje muitos consideram este como o melhor  combate de todos os tempos nas telas do cinema. Tecnicamente O Vôo do Dragão é um dos melhores filmes de artes marciais já feitos e a genialidade de Lee não deixa sombra de dúvida. (R.A.)






TRAILER



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O Vôo do Dragão (The Way of the Dragon. China, !972)

Roteiro: Bruce Lee

Direção: Bruce Lee

Elenco: Bruce Lee, Nora Miao, Wang Chung Hsin, Jon T. Benn, Bob Wall, Chuck Norris

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

duplo golpe

A ASCENÇÃO DO DRAGÃO

No início da década de 70, Bruce Lee assinava seu nome na história do cinema



   Respectivamente em 1971 e 1972, Bruce Lee iniciava sua meteórica carreira nas telas do cinema exibindo suas notáveis habilidades que rapidamente o tornaram o primeiro astro internacional de artes marciais. O ator e mestre já era conhecido pelo seriado O Besouro Verde (The Green Hornet), exibido na TV norte-americana em 1966, o que lhe deu fama e destaque nas mídias da época. Antes de estrear em Hollywood no ano de 1973, o artista voltou para a China onde estrelou dois filmes de ação que o tornaram o maior astro do oriente: The Big Boss e Fists of Fury.



A brilhante estréia 

 Seu primeiro longa-metragem nas telas foi O Dragão Chinês (The Big Boss, 1971), dirigido e escrito por Lo Wei e foi um sucesso absoluto, conta-se que na época foi o filme de maior bilheteria de todos os tempos em Hong Kong e instantaneamente o jovem ator atingiu o estrelato em sua terra natal, tornando-se mais popular que o astros até então conhecidos. Na trama de The Big Boss, Lee interpreta Cheng Chao-an, um jovem chinês recém chegado em uma pequena cidade e que procura trabalho, hospedando-se na casa de seus primos que logo lhe arranjam emprego numa fábrica de gelo, local onde eles trabalham.
  Em pouco tempo, Cheng descobre que dentro dos bloco de gelo drogas são armazenadas e contrabandeadas secretamente, de modo que a fábrica de gelo é uma fachada para o tráfico de drogas, o que obviamente é mais lucrativo do que o gelo. Ao mesmo tempo ocorre uma série de desaparecimentos e e aos poucos Cheng descobre que os desaparecidos, na verdade foram mortos por descobrirem o tráfico de drogas, e entre os mortos está Hsiu Chien (James Tien), um de seus primos. Logo Cheng é perseguido pelos capangas do tráfico e terá de lutar ferozmente para sobreviver e ainda salvar Chow Mei (Maria Yi), sua prima que foi raptada pelo chefão do tráfico.


Cheng contra o senhor Hsiao Mi, o chefão do tráfico

  Também conta-se que a trama do filme é baseada na história real de um jovem que viveu na Tailândia entre a passagem do século XIX para o XX, e que lutou contra tiranos tornando-se uma lenda local, de modo que uma estátua foi erguida em sua homenagem em um jardim de Bangkok há mais de 80 anos.
  O filme tem um alto nível de violência e contém cenas um tanto fortes mesmo para a época de produção, e ainda teve cenas cortadas na edição final. Lee compõe coreografias que logo o tornariam um artista inigualável na época, distante de cenas fantasiosas das demais produções do cinema de Hong Kong. Ainda assim, o ator teve divergências com o diretor Lo Wei, pois Lee não queria cenas fantasiosas, embora teve que aceitar, como a cena em que ao socar um adversário que com o impacto atravessa uma parede de madeira, o buraco na parede tem o formato do contorno de seu corpo, como ocorre em desenhos animados. Porém, nada prejudicou ou impediu o desempenho do filme nas telas, tendo um sucesso estrondoso e sem precedentes no gênero de artes marciais.


O segundo sucesso

  Em 1972, o astro estreava seu próximo filme, A Fúria do Dragão (Fists of Fury), novamente dirigido e roteirizado por Lo Wei, porém com uma boa produção bem melhor que The Big Boss e também um elenco melhor contando novamente com a presença de James Tien e Nora Miao, além de outros conhecidos atores chineses. A trama se passa na década de 1930, quando a China estava sob ocupação do japoneses que subjugavam os chineses para fins de domínio político. O jovem Chen Zhen ao chegar de uma longa viagem, depara-se com o funeral de seu  mestre Ho Yuan-chia, morto de forma misteriosa, segundo rumores acometido por alguma doença.


  Chen Zhen, não acredita em tal teoria e nem seus amigos da escola de Kung-Fu também não acreditam em tal hipótese. Entretanto Zhen resolve investigar a fundo para descobrir o real motivo da morte do mestre Yuan-chia, que sempre fora um homem  forte e saudável, além de ter sido um grande lutador em sua juventude. Tomado de fúria Zhen parte para cima dos japoneses que logo experimentam a fúria de seus punhos, tal como diz o título cuja tradução é Punhos de Fúria.


  Nesta elaborada produção com grandes cenas de luta coreografadas pelo próprio Lee, o ator prova que além de sua conhecida habilidade marcial, também tinha certo talento para atuar, já que interpreta um homem muito amargurado na figura de Chen Zhen, obcecado por descobrir a verdade e vingar seu mestre, pois mesmo a justiça chinesa pode estar submetida ao domínio japonês, o que pode dificultar a vida dos discípulos do falecido mestre Yuan-chia.

  À medida que vai investigando e fazendo terríveis descobertas, Zhen deixa um rastro de sangue por onde passa, pois começa a matar aqueles que ele descobre estarem envolvidos com a morte de seu mestre e Zhen passa então a ser perseguido como criminoso pela polícia da cidade de Shangai.

  A exemplo de o Dragão Chinês, A Fúria do Dragão também foi um grande sucesso de bilheteria no Oriente, produzido pela Golden Harvest, a famosa produtora de filmes de luta de Hong Kong. Lançado também sob o título The Chinese Connection (A Conexão Chinesa), o filme tornou-se referência no gênero de modo que a cena em que Lee enfrenta vários oponentes em um dojo japonês foi homenageada em Lutar ou Morrer (Fist of Legend, 1994) e O Beijo do Dragão (Kiss of the Dragon, 2001), ambos interpretados por Jet Li.







Chen Zhen Vs Petrov
  Apesar da aparente boa parceria entre Lee e Lo Wei, após este filme o ator não quis mais trabalhar com Wei, pois assim como ocorreu no filme anterior (The Big Boss), em Fists of Fury também há algumas cenas distantes da realidade, o que não agradava Lee, pois o artista sempre buscava retratar realismo em suas coreografias, como pode ser visto posteriormente em O voo do Dragão (1972).
  Dentre os vários oponentes de Lee em A Fúria do Dragão, destaca-se num dos confrontos finais a luta entre Zhen e o lutador russo Petrov, interpretado por Robert Baker, campeão de Karatê e discípulo de Lee na vida real - conta-se que Baker era guarda costas do ator.



 Com um final tão chocante quanto The Big Boss, Fists of Fury surpreende até hoje e pode ser visto como uma obra atemporal, pois Lee deixou retratado em seus dois principais papéis não apenas um invencível lutador mas sobretudo personagens humanizados que numa dramática busca por justiça, provavam o sabor amargo da injustiça. Enfim, um clássico imortal e obrigatório para todas as gerações. (R.A.)

TRAILERS





 

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

homenagem

JUBILEU MARCIAL

Há 75 anos nascia Bruce Lee, o dragão eterno



  Em 27 de novembro de 1940 nascia Lee Jun Fan, aquele que viria a se tornar o artista oriental mais influente do século XX e também uma das maiores personalidades da história contemporânea. Bruce Lee fez da sua arte sua vida e de sua vida fez uma arte. Mais do que lutar com técnica e habilidades inigualáveis, o artista chinês mostrou ao mundo a importância da milenar arte marcial chinesa e a sua beleza maior, que não reside tão somente na plasticidade de movimentos ou na potência de golpes mortais, mas sim, na forma expressa pelo artista, forma esta que provem de seu interior. 
  O professor e mestre a quem os chineses de modo honroso chamam de dragão, demonstrou inúmeras vezes e em várias circunstâncias o poder de sua arte do Kung-Fu estilo Wing Chun, fosse em apresentações públicas ou mesmo em combates quando era desafiado. 
  Na década 60 ao migrar para os Estados Unidos em busca de seus sonhos e objetivos, sua influência como professor de artes marciais atraiu diversos seguidores, praticantes, leigos e vários atletas que buscavam em seus ensinamentos orientações que não encontrariam em outras escolas de treinamento.  


Bruce em treinamento com seu grande mestre Yip Man

  Ainda em sua trajetória nos Estados Unidos, Lee tornou-se bastante conhecido na TV por volta de 1966 num seriado chamado Besouro Verde, no qual ele interpretava Kato, assistente do herói referido pelo título. Entretanto sua fama na tv norte-americana não pareceu suficiente para ingressar em Hollywood ainda que ele tivesse amizade com grandes atores como Steve McQueen e James Coburn. 
O Dragão Chinês

 
 Lee então retornou à China, onde atuou em O Dragão Chinês (The Big Boss, 1971) e A Furia do Dragão (Fists of Fury, 1972), filmes que o alçaram ao estrelato imediato e ainda em 1972, estreava O Voô do Dragão, sucesso com a participação do então campeão de karatê Chuck Norris, discípulo de Lee e também um futuro astro do cinema de ação. 




Cena de A Fúria do Dragão

Confronto precocemente épico: Bruce Lee Vs Chuck Norris
  Com fama mundial e tendo se tornado o primeiro astro internacional de artes marciais no cinema, o sucesso de Bruce Lee despertou a atenção dos estúdios de Hollywood e que finalmente se interessaram em contratar o ator para estrelar um filme ousado para os padrões da época e também grandioso para uma produção do gênero. 
  E o resultado no ano de 1973, de uma grande parceria entre Warner Bros e a produtora chinesa Golden Harvest foi Operação Dragão (Enter the Dragon) com locações no oriente e a hipnotizante trilha sonora composta pelo músico argentino Lalo Schifrin, o filme foi um estrondoso sucesso em todo o mundo, embora marcado pela mais triste notícia daquele ano, pois o artista morrera uma semana antes da estréia vitimado por um aneurisma cerebral segundo o laudo médico na época.





  Enter the Dragon foi prolífico na história do cinema e abriu as portas de Hollywood definitivamente para as artes marciais de modo que nos anos e décadas seguintes surgiriam novos astros de ação exibindo habilidades marciais dentre os quais seu próprio discípulo Chuck Norris e vários anos depois Van Damme e Steve Seagal, além é claro, dos astros chineses Jack Chan e Jet Li. 
  Também é fato conhecido que Lee deixou gravações do que seria seu próximo projeto intitulado Jogo da Morte (Game of Death), e que produtores resolveram lançar nos cinemas em 1979 utilizando trucagens além das cenas realmente filmadas pelo astro.
  Hoje, passados 42 anos de sua partida precoce, Bruce Lee é eternamente lembrado como o maior astro de artes marciais no cinema e mais do que isso, além das telas um grande artista marcial, verdadeiro mestre da arte à qual devotou sua vida fazendo-o transcender para o mundo de modo atemporal e... para a eternidade, como um eterno dragão.  (R.A.)










sábado, 27 de julho de 2013

jubileu marcial

OPERAÇÃO DRAGÃO

Há quarenta anos um dragão partia para a eternidade e uma nova lenda nascia na Terra...



  Um dos muitos acontecimentos que marcaram a badalada década de 70, foi sem dúvida a morte de Bruce Lee, o primeiro astro mundial de artes marciais do cinema. A partida precoce do artista chinês de apenas 32 anos de idade abalou profundamente o universo das artes marciais, tanto quanto os bastidores do cinema que perdera um astro que acabara de surgir. Operação Dragão (Enter The Dragon, 1973) estreou em 26 de julho de 1973, e seu astro principal morrera alguns dias antes da estréia do filme que representava um novo marco na história do cinema, pois tratava-se da inserção do gênero de artes marciais nos estúdios de Hollywood.
  Bruce Lee já tinha uma recente carreira na China tendo o alcançado o estrelato com apenas 3 filmes de sucesso absoluto: O Dragão Chinês (The Big Boss, 1971), A Fúria do Dragão (Fists of Fury, 1972) e O Vôo do Dragão (The Way of the Dragon, 1972) e até abrira sua própria produtora, a Concord Productions. Lee, que tinha dupla cidadania já tentara carreira nos Estados Unidos em meados da década de 60, mas só atingira certa popularidade com um seriado de TV intitulado O Besouro Verde (The Green Hornet, 1966-1967) no qual ele interpretava Kato, um personagem japonês que era ajudante do herói que dava nome à série; antes disso, a fama de Lee na América do Norte era devido à sua influência nas artes marciais, pois o ator e mestre abrira uma escola onde ensinava Kung-Fu aos estadunidenses, inclusive celebridades do cinema como James Coburn, Steve McQueen e vários outros.
cartaz oriental
  Lee havia sido cotado para interpretar o monge lutador do seriado de TV intitulado Kung-Fu, mas um pouco antes do contrato, os produtores optaram por um ator norte-americano chamado David Carradine, até hoje lembrado por este trabalho. Lee então decidiu voltar para a China e dar continuidade à sua carreira, porém pouco tempo depois, produtores de cinema o procuraram para oferecer-lhe a oportunidade de estrelar um filme em Hollywood, um roteiro intitulado Enter The Dragon. O ator chinês concordou com a realização do projeto, mas com a condição de trabalhar com sua própria equipe de profissionais que já trabalhavam com ele na China, e ainda acrescentar ao filme algo de sua liberdade criativa.


 Dirigido por Robert Clouse (1928-1997), roteirizado por Michael Allin e produzido por Fred Weintraub e Paul Heller nascia Operação Dragão (Enter The Dragon), oficialmente a primeira produção dos estúdios de Hollywood no gênero de artes marciais, trazendo o maior astro do oriente como protagonista e uma notável equipe de diversos lutadores de diferentes estilos marciais para compor o elenco de apoio do mais ambicioso projeto deste gênero até então. Dentre os muitos confrontos que preenchem a tela, há um momento específico em que Lee quebra o pescoço de um oponente interpretado por um certo Jackie Chan, que posteriormente tornara-se um super astro do cinema chinês.

Lee e o produtor Fred Weintraub
Robert Clouse












Han
  Na trama o personagem de Lee é recrutado por um serviço secreto de espionagem para investigar as atividades criminosas que ocorrem numa ilha localizada no Oriente. Tal ilha pertence a Han (Shih Kien), que anualmente organiza um torneiro de artes marciais, reunindo lutadores do mundo todo. Contudo, tal evento é mera fachada para disfarçar o que realmente ocorre na ilha, uma forte produção de tráfico de ópio.




a atriz Ana Capri 

Angela Mao
  A direção segura e ágil de Robert Clouse garante belas tomadas para retratar a habilidade dos lutadores e na famosa cena do confronto entre Lee e O´Hara, o guarda-costas de Han, Lee sofre um acidente, pois no momento em que ele quebra uma garrafa com um chute, sofreu um corte na mão ao esbarrar no vidro quebrado, pois segundo os produtores não havia vidro cenográfico em Hong Kong, apenas vidro de verdade e assim tal acidente atrasou um pouco o restante das filmagens. Entretanto a cena é uma das melhores em filmes do gênero.



  Para compor a trilha sonora, os produtores contrataram o músico argentino Lalo Schifrin, pois o próprio havia sido procurado por Lee, que disse ao músico que treinava em Hong Kong ao som da música do seriado Missão Impossível, composta por Schifrin. Em Operação Dragão, o músico teve a difícil missão de compor uma música que não fosse totalmente oriental e nem totalmente ocidental - para tal feito, Schifrin introduzira sons característicos do oriente e criou sons que remetem ao ocidente, utilizando sintetizadores de som, equipamentos eletrônicos muito utilizados naquela época.




  O Produtor Paul Heller ao frequentar um restaurante deparou-se com vários espelhos em um banheiro e ficou maravilhado a ponto de sugerir a Bruce Lee que criassem para o filme uma cena em que houvesse uma sala repleta de espelhos. A interessante idéia resultou num belo cenário composto por cerca de 8 mil espelhos e a complicada cena foi filmada em várias tomadas com as câmeras posicionadas precisamente de modo a não refletirem nos espelhos. Sem dúvida uma das cenas mais difíceis e geniais da história do cinema.



  Orçado em US$ 850 mil o filme dominou as bilheterias estadunidenses e alcançou sucesso mundial, projetando o nome do já saudoso astro para as telas do mundo todo, porém não foi muito bem nas bilheterias chinesas em relação aos filmes anteriores do ator. O sucesso absoluto de Operação Dragão no Ocidente abriu um novo capítulo na história do cinema, pois a partir dele o gênero de artes marciais ganhou definitivamente as telas de cinema do mundo todo e vários astros surgiram posteriormente: Chuck Norris, Van Damme, Dolph Lundgren, Steven Seagal e também astros orientais como Jackie Chan e Jet Li tornaram-se conhecidos mundialmente. Todavia, a partida precoce de Bruce Lee ocasionada por um edema cerebral, deixou um vazio que ao que parece jamais será preenchido no cenário das artes marciais, pois um mito nasceu e sua arte esta eternizada na sétima arte. (R.A.)

TRAILER


Operação Dragão - Enter The Dragon (1973)

País: EUA / China

Direção: Robert Clouse

Produtores: Fred Weintraub, Paul Heller
Roteiro: Michael Allin

Elenco:Bruce Lee, John Saxon, Jim Kelly, Ana Capri, Angela Mao, Shih Kien, Yang Tzé