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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

ação setentista

OS IMPLACÁVEIS - Fuga perigosa

Há pouco mais de 40 anos, Steve McQueen e Ali MacGraw realizavam uma audaciosa fuga


  Em 1972, estreava nos cinemas estadunidenses um dos melhores filmes do então astro Steve McQueen, Os Implacáveis - Fuga perigosa (The Getaway, 1972), escrito por Walter Hill e dirigido por Sam Peckinpah. Com um sólida carreira pavimentada por grandes sucessos como Sete homens e um destino (The Magnificent Seven, 1960), Fugindo do Inferno (The Great Scape, 1963) e Bullit (1968), McQueen era considerado o maior astro de ação da época e em The Getaway, finalmente o ator seria dirigido pelo cineasta Peckinpah que em pouco tempo também tornara-se uma lenda por ter dirigido Meu ódio será sua herança (The Wild Bunch, 1969), simplesmente um dos melhores westerns de todos os tempos.

Sam Peckinpah e Steve McQueen

  O roteiro baseado num livro escrito por Jim Thompson traz a história de Doc McCoy (McQueen), um famoso ladrão de bancos que cumpre uma longa pena de 10 anos numa penitenciária do Texas. Após cumprir 4 anos de prisão, ele entra com um pedido de liberdade condicional que lhe é negado, mas sua última esperança é sua esposa Carol (Ali MacGraw), que faz um acordo com Jack Beynon (Ben Johnson), um político corrupto da região que precisa de um bom ladrão profissional para roubar um banco da pequena cidade de Beacon City, que guarda uma grande quantia de dinheiro advindo de uma companhia petrolífera da qual Beynon é sócio.


  McCoy consegue sua liberdade, e junto de Carol e outros dois assistentes, Rudy (Al Lettieri) e Frank Jackson (Bo Hopkins), contratados por Beynon, assaltam o tal banco numa ação um tanto desastrosa, pois após o assalto Rudy mata Jackson e algum tempo depois tenta matar McCoy, que obviamente leva a melhor de modo que já desconfiava que Rudy trata-se de um sujeito traiçoeiro. De posse do dinheiro e após outras reviravoltas que resultam na morte de Beynon, McCoy e Carol fogem pelas estradas do Texas atravessando pequenas cidades tendo que fugir da polícia e do irmão de Beynon, que precisa vingá-lo e recuperar os 500 mil dólares que McCoy roubou.


  The Getaway é um dos melhores filmes de McQueen e seu personagem anti-herói é a prova disso - o roteiro foi adaptado de um livro escrito por Jim Thompson, famoso escritor norte-americano de histórias policiais que chegaram a se tornar best-sellers como por exemplo The Killer Inside Me (O assassino em mim), escrito nos 50 e ganhou uma adaptação para as telas em 2010. Entretanto, apesar de Thompson ter sido inicialmente contratado para adaptar seu próprio livro para as telas chegando a finalizar o roteiro, Steve McQueen não aprovou o trabalho do roteirista / escritor, o que resultou na contratação de Walter Hill para reescrever o roteiro do filme que fez uma bilheteria de aproximadamente US$ 26 milhões para um orçamento de cerca de US$ 3,3 milhões.


  E como era típico de seus filmes, essa foi mais uma oportunidade de McQueen demonstrar suas habilidades em automobilismo, pois o astro era piloto profissional e ele próprio gostava de fazer as cenas de perseguição de automóveis dispensando dubles, algo que aumentava seu prestígio junto aos fãs que além de admirarem seu talento como ator, também apreciavam suas proezas atrás do volante, e ainda consta que todas as cenas foram filmadas seguindo a exata sequência dos fatos apresentados na narrativa.

  Ali MacGraw, atriz conhecida pelo sucesso Love Story - Uma história de amor (1970) teve de aprender a atirar e também dirigir, para poder atuar em The Getaway, ou seja, ela teve de entrar em ação literalmente. Também é fato conhecido que MacGraw se apaixonou por McQueen durante as filmagens, e iniciaram um romance que perdurou, de modo que a atriz chegou a se divorciar do marido Robert Evans, produtor da Paramount Pictures. 
  Além da mudança de roteirista, McQueen também interferiu na escolha do músico que comporia a trilha sonora, e a escolha do ator foi ninguém menos que Quincy Jones, o que resultou em uma indicação ao Globo de ouro de melhor trilha sonora para a película. Enfim, não faltam motivos para apreciar The Getaway nos formatos digitais. Vale lembrar que ocorreu uma refilmagem em 1994 estrelada por Alec Baldwin e Kim Bassinger, e que no Brasil ganhou o título de A Fuga. Mas... filmes originais costumam ser insuperáveis, ainda mais quando estrelados por lendas como Steve McQueen.

TRAILER 





Os Implacáveis - Fuga Perigosa (The Getaway, 1972)

Roteiro: Walter Hill

Direção: Sam Peckinpah

Elenco: Steve McQueen, Ali MacGraw, Ben Johnson, Al Lettieri, Bo Hopkins



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

cult veloz

AS 24 HORAS DE LE MANS
Há quatro décadas Steve McQueen atingia os limites da aceleração em filme clássico sobre automobilismo



 “Pilotar é importante para quem o faz bem. Pilotar é... viver”, diz Michael Delaney, personagem de Steve McQueen (1930-1980) num momento em que é questionado a respeito de seu oficio profissional – questionamento feito por Lisa Belguetti (Elga Andersen, 1935-1994), esposa de um amigo dele, morto em um acidente de corrida. A competição intitulada 24 horas de Le Mans, que ocorre anualmente na França e dá título ao filme produzido em 1971 é a segunda maior corrida do mundo, perdendo apenas para as 500 milhas de Indianápolis. McQueen, mito e saudoso astro de ação da época de ouro de cinema, era um habilidoso piloto e fazia questão de fazer as cenas de perseguição de carros em seus filmes, o que o favoreceu bastante para viver o protagonista de Le Mans.


 










 O desconhecido diretor Lee H. Katzin foi uma escolha mais do que certa por indicação do próprio McQueen e o talento do cineasta é perceptível ao empregar longas tomadas para mostrar detalhadamente estradas, percursos, um autódromo lotado e o desempenho dos carros possantes em alta velocidade, tudo retratado com uma precisão cirúrgica, fazendo com que nos sintamos dentro da corrida. As cenas que mostram ocasionais acidentes, Katzin filmou de modo quase ritualístico empregando câmera lenta e tomadas de vários ângulos para mostrar os estragos provocados no veículo. E o silêncio devidamente valorizado pelo diretor, ganha especial significado. 





protótipo Porsche 917
  O silêncio em questão não é apenas na cenas de ação mostradas àcima, pois nos 37 minutos iniciais não há um único diálogo compreensível na película - afinal, cineastas do passado realmente sabiam valorizar o silêncio e utilizá-lo de forma expressiva demonstrando que de fato as imagens falam por si tanto quanto o estrondoso ronco dos motores. Com orçamento estimado em US$ 7. 573.797 o filme teve locações na França, na cidade de Le Mans onde ocorre o torneio anualmente, cujos cenários dão à produção um aspecto ultra-realista e quase documental. Conta-se que cerca de 45 pilotos participaram do filme a bordo dos mais possantes carros da época e McQueen pilotou um protótipo de Porsche 917. 





 




 

 O realismo do filme parece ter chegado a níveis extremos, pois um dublê chamado David Piper sofreu um grave acidente em uma das cenas perigosas do longa e infelizmente teve uma perna amputada e até ganhou um agradecimento especial nos créditos finais. 
  O filme apesar de visualmente impecável apresenta poucos elementos dramáticos que apenas servem como pano de fundo para a trama escrita por Harry Kleiner, tendo seu maior foco nas corridas que preenchem a tela de modo proposital, a fim de recriar com perfeição uma das maiores competições do mundo, composta das mais poderosas máquinas sobre rodas que podem satisfazer plenamente os mais ardorosos fãs de automobilismo. Entretanto, os sentimentos dos pilotos estão impressos em seus olhares, expressões e posturas; e já que "pilotar é viver" como disse Delaney, o filme não deixa dúvidas quanto à isso. Um verdadeiro épico da velocidade. 



TRAILER







Le mans (1971)

Direção:Lee H. Katzin

Roteiro:Harry Kleiner

Elenco: Steve McQueen, Elga Andersen, Siegfried Rauch, Ronald Leigh-Hunt