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domingo, 3 de julho de 2016

dossiê: super-poderes II

FILMES SUPER-HERÓICOS: parte 2

Marvel segue novos rumos no cinema e na TV


  Após iniciar sua trajetória na TV com produções regulares em meio a erros e acertos, a Marvel Comics ganhou melhor definição no cinema por volta do final dos anos 90 e início dos anos 2000 quando então os personagens da lendária editora foram aos poucos sendo adaptados em produções de primeira linha dos grandes estúdios de Hollywood.
  Em 1998 estreava nas telas do cinema, Blade: o caçador de vampiros, estrelado por Wesley Snipes esta foi a primeira produção de um personagem da Marvel bancada por um grande estúdio, neste caso Warner Bros. O herói completamente desconhecido do grande público e até mesmo desconhecido por muitos leitores de quadrinhos foi o personagem escolhido para estrear nas telas em grande estilo sob a direção de Stephen Norrington e roteiro escrito por David Goyer, o roteirista apaixonado por quadrinhos que vários anos mais tarde escreveu Batman Begins (2005) bem como a trilogia O cavaleiro das trevas.
  Blade surpreendeu o público e também a crítica, já que na época o cinema estava um tanto carente de filmes de super-heróis. Afinal as últimas produções adaptadas de quadrinhos foram Batman Eternamente e Batman & Robin não muito bem aceitos e como todos sabem o último foi um grande fiasco dos anos 90 chegando a ser considerado um dos piores filmes de todos os tempos. 


 O grato sucesso de Blade rendeu duas sequências, a segunda, de 2002, infinitamente superior ao primeiro filme, foi comandada por Guilhermo Del Toro, o carismático diretor mexicano apaixonado por fantasia e fã confesso de quadrinhos que alguns anos mais tarde dirigiu  os dois filmes do Hellboy.

  O terceiro filme intitulado Blade Trinity (2004) foi escrito e dirigido por David Goyer, mas teve sérios problemas no decorrer das filmagens como brigas entre ele e Snipes o que ocasionou mudança de argumento no roteiro e comprometeu o resultado final de um franquia que poderia ir um pouco mais longe.  Houve também uma tentativa de refazer o herói numa série de Tv de baixíssimo orçamento que durou apenas 13 episódios e foi cancelada. 

Anos 2000...

    A partir do ano 2000, a Marvel começava a escrever sua história de modo convicto nas telas do cinema para que realmente seus heróis passassem a habitar o imaginário popular da maneira mais crível possível, com seus diversos personagens ganhando vida em produções de primeira linha na interpretação de talentosos atores, vários dos quais vieram a se tornar astros destes novos tempos.
  Em meados do ano 2000, estreava nos cinemas de todo o mundo a adaptação de X-men, produzida pela Fox Films o filme que praticamente anunciava a era Marvel nos cinemas, já que o sucesso de Blade (1997) pode-se dizer que foi uma adaptação experimental mais bem aceita até o final do século XX. Feito isso era chegada a hora de personagens mais conhecidos serem transpostos das páginas dos quadrinhos para as telas gigantes do mundo do cinema. 
Hugh Jackman, Halle Berry, Famke Jansen, James Marsden, os veteranos
Patrick Stwart e Ian McKellen e os demais astros e estrelas da franquia mutante
   O sucesso estrondoso de X-men teve duas sequências como era de se esperar tornando-se então a primeira trilogia realmente bem sucedida do cinema com filmes de grande sucesso, embora a saga dos mutantes a princípio encerrada no terceiro filme gerou várias controvérsias entre a os fãs das histórias em quadrinhos, já que em geral as adaptações ganham muita liberdade criativa nos cinemas e às vezes distanciam-se demais do que foi concebido originalmente nas HQ´s. O primeiro e o segundo (2003) filmes comandados por Brian Singer foram muitíssimos bem aceitos pelo fãs em geral - no entanto, o terceiro capítulo intitulado X-men: o confronto final (2006), dirigido por Brett Ratner foi o alvo de polêmicas para os fãs.

  Foi também  no início da então nova década, mais precisamente em 2002 que um certo herói aracnídeo lançava suas teias nas telas do cinema em grande estilo. Homem-Aranha surpreendeu público e crítica sob a direção de Sam Raimi, cineasta que se consagrou na década de 80 com sua trilogia  autoral de horror The Evil Dead. O filme do aracnídeo realizou a incrível façanha de quebrar recordes de dois super-heróis da editora concorrente, DC Comics. Afinal como todos sabem Super-Man (1978) foi o filme de super-herói de maior bilheteria da história até a estréia de Batman (1989) de Tim Burton que quebrou o recorde do homem de aço. O enorme sucesso do aracnídeo resultou numa trilogia, porém assim como ocorreu com X-men, o terceiro filme também foi considerado de gosto duvidoso. 

Novas adaptações / Novos tempos


  Com o estrondoso sucesso das franquias de X-men e Homem-Aranha, vários outros personagens foram aos poucos sendo adaptados e apresentados ao grande público, e em 2004 um certo gigante esverdeado ganhava as telas do cinema sob a direção de Ang Lee, famoso cineasta chinês recém chegado em Hollywood, Lee retratou o Hulk traçando um paralelo entre os quadrinhos e a série de TV. 
  Contudo, o resultado do trabalho de Lee dividiu opiniões já que parte do público conhecia apenas a atuação de Lou Ferrigno e estranharam ver uma criatura enorme e totalmente digital, pois isso agradou apenas os fãs das HQ´s que sabem que efeitos em CGI são altamente necessários para reproduzir o personagem tal qual ele é nos quadrinhos. Em 2008, quando a Marvel fundou seu próprio estúdio houve um reboot estrelado por Edward Norton e Liv Tyler.




  Outros personagens menos conhecidos também tiveram suas adaptações com pouca aceitação pelo público como por exemplo O Justiceiro (2004) interpretado por Thomas Jane e Justiceiro: Em Zona de Guerra (2008) com Ray Stevenson, ambos fracassos de bilheteria assim como a versão de 1989 estrelada por Dolph Lundgren. Demolidor (2003) seguido de Elektra (2005) também foram grandes fracassos de público. Motoqueiro Fantasma também deu as caras no cinema com dois filmes de razoável sucesso em 2008 e outro em 2011.

Em 2009 Wolverine teve seu primeiro filme solo, o medíocre
X-men Origens: Wolverine; e em 2013 o ótimo Wolverine Imortal,
bem mais fiel à essência do personagem

 Após tantas adaptações que caracterizaram um verdadeiro desfile de histórias em quadrinhos nas telas de cinema, entretanto, o melhor ainda estava por vir, após a Marvel ser adquirida pela Disney no ano de 2009. Em 2012 estreou mundialmente Os Vingadores, dirigido por Joss Whedon após uma longa espera precedida de filmes solo de cada um dos heróis que compõem a equipe mais poderosa do universo das HQ´s. Uma justa vitória para a ansiedade dos fãs e a maior realização da Marvel nos cinemas até então já que um filme desta super equipe é algo bem mais ousado do que foi a franquia X-men. E a grande vitória dos super-heróis foi muito bem expressa em números: nada menos que cerca de 1,5 bilhão em bilheteria em todo o mundo.

A Marvel foi comprada pela Disney em 2009 por 4 bilhões de
 dólares, e assim os filmes dos principais heróis passaram
a ser lançados sob o selo Marvel / Disney

   Após Vingadores vieram as sequências solo: Capitão América: Soldado Invernal, Thor: Mundo Sombrio e Homem de Ferro 3. Em 2015 teve a estréia de Vingadores: Era de Ultron que mais uma vez reuniu a super equipe e ainda trouxe novos personagens desconhecidos do público: Mercúrio, Feiticeira Escarlate e o andróide Visão. Em abril de 2016  como todos sabem estreou Capitão América: Guerra Civil, para muitos o melhor filme da Marvel até o momento inclusive apresentando pela primeira vez o Homem-Aranha nos estúdios Marvel / Dinsey.

Homem-Formiga, personagem que também não era conhecido
 do grande público teve sua estréia em 2015 com muito sucesso

 Personagens que estrearam no inícios dos anos 2000 tiveram reformulações como por exemplo Homem Aranha que ganhou um reboot desnecessário em 2012 com o ótimo ator Andrew Garfield e uma sequência em 2014 sub-intitulada A ameaça de Elektro, dois filmes que acrescentaram quase nada ao perfil do herói aracnídeo nos cinemas a não ser efeitos visuais um pouco melhores que os da trilogia original.

A Marvel / Disney também pretende fazer adaptações que não sejam
apenas de super-heróis, e a primeira aposta num universo um pouco
diferente foi Guardões da Galaxia, o maior sucesso de 2014



  Além do Aranha a franquia da equipe mutante também teve seu reboot só que bem melhor, trazendo a origem da equipe e do professor Xavier em X-men: Primeira Classe (2011), seguido de Dias de um Futuro Esquecido (2014) e recentemente finalizada com X-men: Apocalypse, agora em 2016. Este ano, também dos estúdios Fox teve a surpreendente estréia de Deadpool, o anti-herói falastrão interpretado por Ryan Reinolds.


Novos tempos na Tv

  Como era de se esperar, a televisão também não ficaria de fora desta nova era de produções baseadas em histórias em quadrinhos, patamar que a Marvel alcançou ao longo de 19 anos de grandes filmes nas telas do cinema. Faltava ainda a lendária editora conquistar também seu espaço na TV com produções fílmicas de melhor qualidade em relação ao passado quando ainda não havia efeitos visuais mais convincentes e os telefilmes eram apenas produções de baixo orçamento.

  O estrondoso sucesso de Vingadores não deixou dúvidas para que surgisse uma série derivada para o formato televisivo e assim a agência de espionagem S.H.I.E.L.D tão presente nas diversas HQ´s da editora ganhou seu primeiro seriado de Tv em grande estilo e com produção de qualidade não apenas em efeitos visuais, mas também com um elenco de bons atores para interpretar os vários agentes da sofisticada organização, além da presença do agente Coulson, que apareceu no primeiro Vingadores e também em alguns filmes solo dos heróis.

  A editora firmou uma interessante parceria com a Netflix para adaptar Demolidor em uma série de Tv já que as estimativas do personagem não pareciam ser das melhores para o cinema, não apenas pelo péssimo filme de 2003 estrelado por Ben Afleck, mas também pelo risco de que certos heróis pouco conhecidos não emplacam em produções de cinema assim como o Justiceiro ou o Motoqueiro Fantasma.
  Porém, o herói cego parece encontrou seu caminho definitivo na Tv, já que o seriado é um sucesso e já está sua segunda temporada e o Justiceiro também terá seu próprio seriado já anunciado há algum tempo e não é a toa que o personagem é coadjuvante na segunda temporada de Demolidor.

  Uma personagem feminina bem pouco conhecida também já se encontra na plataforma da Netflix com 13 episódios de sua primeira temporada: Jéssica Jones, uma detetive com poderes psíquicos derivada da série de quadrinhos intitulada Alias. Interpretada pela atriz Kristen Ritter, a carismática personagem já conquistou o público com estórias sombrias e violentas, e pelo jeito terá vida longa no formato televisivo. Enfim... não há melhor meio de concluir este dossiê do que numa afirmação por mais que pareça clichê: o cinema e a Tv não serão mais os mesmo depois da Era Marvel ;)  (R.A)






  

quinta-feira, 16 de junho de 2016

dossiê: super poderes

FILMES SUPER-HERÓICOS: Parte 1



A trajetória da Marvel na TV e no cinema

   


  Marvel Comics, uma das maiores editoras de histórias em quadrinhos dos Estados Unidos e uma das mais populares do mundo encanta gerações de leitores há cerca de 70 anos tendo sido fundada no ano de 1939 com o nome de Timely Comics e no ano seguinte, 1940 rebatizada como Marvel Comics atravessou mais da metade do século XX com seus inúmeros personagens e diversos super-heróis para cumprir a dura missão de divertir milhares de pessoas em todas as partes do mundo que se converteram em legiões de fãs em sua maioria jovens, mas sem deixar de conquistar o público adulto, pois a verdadeira diversão  não tem idade definida.

  Inicialmente a editora Timely Comics publicava revistas de faroeste com estórias mais comuns e personagens menos fantasiosos ou mais próximos da realidade como por exemplo Apache Kid. Tendo surgido um pouco antes da Segunda Guerra, evento que sucedeu a grande depressão econômica norte-americana, é compreensível deduzir que personagens de histórias fantásticas foram uma perfeita válvula de escape para boa parte do público a fim de contrapor o clima de insatisfação e insegurança no qual a população mergulhara devido à inquietações políticas e sociais bem como quebra da bolsa de valores de 1929, o que gerou alto índice de desemprego e queda de poder aquisitivo, mas o que restava porém, especialmente ao publico mais jovem era a diversão simples proporcionada pelas revistas em quadrinhos ou comic book´s em geral com preços bem acessíveis por serem publicações populares.

Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko foram os grandes idealizadores do universo
Marvel. Lee o criador dos personagens e Kirby e Ditko, os desenhistas

A primeira adaptação

  A relação da editora Marvel com o cinema á mais antiga do que possa parecer. Embora muitos pensem que as primeiras produções em filmes foram as séries de TV do Hulk e do Homem-Aranha, o primeiro personagem a ganhar uma adaptação para as telas do cinema foi o Capitão América com estréia em 1944. Tratava-se de um seriado de aventuras composto de episódios curtos (cerca de 15 minutos) e em sequência como numa mini-série. Naquela época, provavelmente o seriado era exibido nos cinemas em sessões matinê, bem como vários seriados de faroeste como Roy Rogers e Tom Mix , que faziam tanto sucesso numa época em que ainda não existia a TV.



Cartaz da aventura de
estréia do herói.
  Contudo, a produção em questão era levemente inspirada no herói originalmente criado por Joe Simon e Jack Kirby de modo que apenas o visual do personagem foi mantido, mas sua identidade e o enredo de suas estórias foi totalmente alterado distanciando-se das HQ´s. Produzido pela Republic Pictures, a produção era estrelada por Dick Purcell  que interpretava o Capitão América cujo nome era Grant Gardner, e não era um super-soldado como nos quadrinhos, mas um promotor de justiça e um combatente do crime e ao invés do escudo utilizava uma arma de fogo como faz todo agente da lei.
  O enredo das aventuras não tinha nada a ver com a Segunda Guerra Mundial, portanto não havia nazistas e o arquiinimigo do Capitão era intitulado Escaravelho e utilizava inventos tecnológicos para por em prática seus planos mirabolantes. A produção foi muito bem aceita pelo público tornando-se a primeira adaptação de sucesso inspirada em um personagem da editora Marvel.


Adaptações para a TV
  Por volta da década de 1960, quando surgiram os vários super-heróis tais como Hulk, Homem de ferro, Homem Aranha, Thor e vários outros criados por Stan Lee, o sucesso de vendas impulsionou a idéia de adaptar os personagens para outra mídia a fim de conquistar novos públicos. E assim surgiram as primeiras animações feitas para a TV, mas que eram nada mais do que as artes originalmente desenhadas por artistas de quadrinhos como Jack Kirby e eram capturadas diretamente das páginas das revistas e adaptadas ao formato de vídeo. Entretanto, os desenhos permaneciam estáticos como nas páginas desenhadas de modo que a animação era apenas nos movimentos dos olhos, algo sutil e bem limitado, mas já era um passo inicial para produções televisivas sobre super-heróis.







  Em 1977 Homem Aranha estreava sua primeira versão live action num filme que chegou a ser exibido nos cinemas e deu origem a uma série de TV sem muito sucesso com apenas 13 episódios divididos em 2 temporadas exibidas entre 1978 e 1979. A série produzida pela Charles Fries Productions era estrelada por Nicholas Hammond, ator norte-americano que teve uma participação em A Noviça Rebelde (1965) e posteriormente algumas participações em outras séries de TV como 20 Mil léguas submarinas e Flipper.




   Em 1978 a Marvel atingira o seu momento máximo na TV com a estreia de O Incrível Hulk, a adaptação fílmica de maior sucesso da editora até então e um dos maiores sucessos da história da TV norte-americana tendo rendido altos índices de audiência de modo que o gigante verde dos quadrinhos tornou-se o personagem mais popular da editora naquele momento e sem dúvida até hoje o sucesso do herói esmeralda junto ao público é originário desse seriado estrelado por Bill Bixby, que interpretava David Bruce Banner, o cientista que devido ao acidente com raios gama se transformava em momentos de raiva no gigante verde interpretado pelo fisiculturista Lou Ferrigno.


  Assim como ocorreu com Homem Aranha, o episódio piloto que conta a origem do herói foi exibido nos cinemas dando origem posteriormente ao seriado de enorme sucesso que chegou a prêmios Globo de ouro de melhor ator para Bixby e melhor série de TV. A série produzida por Kenneth Johnson durou 5 temporadas (1978 a 1982) e ainda teve como complemento três longa metragens televisivos: O Retorno do Incrível Hulk, O Julgamento do Incrível Hulk e A morte do Incrível Hulk.


  No final dos anos 70, a Marvel continuou apostando em produções televisivas e acreditando no potencial de outros de seus personagens, em 1978 o escolhido da vez foi Dr. Estranho, o herói místico que domina as artes da magia. O filme foi então produzido pela MCA e assim como ocorreu Homem-Aranha e Hulk, a proposta era de que o longa metragem também desse origem a uma série de TV, o que infelizmente não ocorreu já que a produção estrelada por Peter Hooten e dirigido por Philip Deguere resultou em um filme tão estranho quanto o nome do personagem com um elenco apenas razoável e embora sombrio apresentava um clima pesado demais para uma adaptação de quadrinhos.
   Em 1979 o herói patriótico também ganhou adaptação para a TV em dois filmes produzidos pela emissora CBS: Capitão América e Capitão América II, ambos estrelados por Reb Brown, ator de filmes B que já atuou em vários filmes televisivos e ostentava uma forma física adequada para viver o personagem. O herói bandeiroso tem um retrato um pouco distante das histórias em quadrinhos e um visual não muito fiel utilizando um capacete com asas desenhadas ao invés da máscara de capuz além de um escudo extremamente tosco que parece ser feito de ... plástico. Contudo havia algumas coisas bacanas como a moto que o herói utilizava para perseguir os vilões em alta velocidade e até mesmo uma asa delta.



Em 1990 o herói bandeiroso ganhou uma versão de cinema
dirigida por Albert Pyun bem mais fiel aos quadrinhos
do que as versões anteriores.

  Na década de 90 a Marvel voltaria a apostar em novas experiências televisivas apresentando personagens diferenciados para o grande público e o resultado foi uma adaptação experimental de X-men num filme intitulado Geração X, produção de 1996 dirigida por Jack Shoulder e estrelada por um elenco nada conhecido, bem como os heróis mostrados no filme também não são dos mais conhecidos da escola de mutantes: Banshee (Jeremy Hatchford), Rainha Branca (Finola Hughes), Jubileu (Heather McComb) e mais alguns jovens alunos que se reúnem para enfrentar o vilão cientista Russel Trask.

   Dois anos mais tarde estreava (possivelmente) o último filme televisivo da Marvel, Nick Fury: Agente da S.H.I.E.L.D., produção de 1998 dirigida por Rod Hardy e estranhamente estrelada por David Husselhoff, o astro do seriado oitentista A Super máquina fez uma interpretação nada convincente do agente Nick Fury nesse que pode ser considerado o filme mais tosco já feito para a TV ostentando os efeitos visuais mais precários que se possa imaginar para a idéia proposta. Nem mesmo o roteiro escrito pelo talentoso David Goyer conseguiu dar alguma dignidade ao filme do agente caolho que encara a dura missão de salvar o mundo da ameaça neo-nazista da organização Hidra.
  De todo modo, a Marvel moldou seu universo nas telas da TV ao longo de décadas fosse para o amor ou ódio dos fãs em relação a maioria destas adaptações que serviram de mera diversão para um público menos exigente e de modo despretensioso. Em meio a idéias boas e outras nem tanto, a jornada de muitos icônicos personagens já estava iniciada... e o percurso mais adiante seria longo e tão brilhante do que se poderia imaginar, mas este é um assunto para a próxima parte deste super dossiê. (R.A.)





quinta-feira, 24 de julho de 2014

dossiê: clássico policial

DESEJO DE MATAR

Há 40 anos, Charles Bronson iniciava uma caçada solitária nas ruas mais escuras de Nova Iorque



  Em 1974 estreava nas telas estadunidenses e logo em seguida em todo o mundo Desejo de matar (Death Wish), filme dirigido pelo inglês Michael Winner, e que alçou Charles Bronson ao estrelato na América do norte e marcou para sempre o gênero policial, bem como o cinema físico como um todo.  Bronson vinha de uma carreira bem sucedida na Europa, onde era aclamado como astro, admirado pelo público e pela critica, tendo atuado nas produções francesas O Passageiro da chuva (Le Passager de la Pluie, 1970), Cold Sweat (1970), ou em produções italianas como Cittá Violenta (1970), e o mítico faroeste Era Uma vez no Oeste (Cera Uma volta i´l West, 1968).
  Desejo de matar surgia num momento em que a cidade de Nova Iorque enfrentava uma forte onda de violência com suas ruas e becos aterrorizados por gangues, ladrões e até estupradores e desde então e por muito tempo chegou a ser considerada a metrópole mais violenta do mundo – nesse contexto brutal, o filme acendia uma polêmica que decisivamente impulsionaria o sucesso de bilheteria, a aclamação do público e o ódio da critica especializada: a justiça com as próprias mãos. A idéia de que um cidadão comum pudesse armar-se de uma pistola e executar criminosos à noite era algo inspirador e ao mesmo tempo muito perigoso, pois não cabe ao cidadão (de nenhuma sociedade) as funções de júri, juiz e carrasco.

Michael Winner orientando Bronson


Hope Lange
  O roteiro de Death Wish foi escrito por Wendell Mayes, com base no livro homônimo escrito por Brian Garfield, romance e escritor desconhecidos até hoje pelo grande público. E como normalmente acontece, a adaptação teve algumas alterações em relação ao material original, pois o personagem principal que no livro se chama Paul Benjamim, teve seu nome alterado para Paul Kersey, e sua profissão também foi alterada de contabilista para arquiteto, mas os motivos que transformam o personagem num justiceiro são os mesmos tal como é visto no filme, o protagonista perde a esposa Joana, de maneira brutal e tem sua filha Carol violentada por 3 marginais que invadem o apartamento, respectivamente interpretadas por Hope Lange e Kathleen Tolan numa cena revoltante que chegou a provocar escândalo na época de lançamento do filme. Carol ficou em estado catatônico e após ser medicada teve de ser encaminhada à um hospital psiquiátrico para a tristeza de seu pai Paul e de seu marido Jack Toby, interpretado por Steven Keats.

Kathleen Tolan









Jeff Goldblum a esquerda
  É interessante notar que no trio de jovens marginais que atacam as mulheres há um ator em início de carreira que mais tarde, na década de 80 tornaria-se um astro por sua interpretação no grande sucesso A Mosca (The Fly, 1986), Jeff Goldblum, à época com 22 anos de idade.




A adaptação para as telas

  O livro apesar de não ter grande sucesso nas vendas, chamou a atenção de dois produtores de cinema, Hal Landers e Bobby Roberts, que em 1972, mesmo ano de lançamento do livro, compraram os direitos para uma possível adaptação às telas do cinema, e a obra encontrou um caminho certeiro nas mãos do cineasta Michael Winner, do lendário produtor Dino De Laurentis e dos estúdios United Artists, únicos a se interessarem pelo projeto.


 Consta que também foi um grande problema encontrar o ator certo para o papel que foi recusado por atores bem mais cotados na época como Steve McQueen, Clint Eastwood e até o cantor Frank Sinatra - e também Henry Fonda que chegou a considerar o papel como "repulsivo". Felizmente, Bronson aceitou o papel após ler o roteiro que Winner lhe ofereceu não à toa, pois o ator já havia trabalhado com o diretor anteriormente em 3 ótimos filmes, Renegado Impiedoso (Chato´s Land, 1972), Assassino a preço fixo (The Mechanic, 1972) e Jogo Sujo (The Stone Killer, 1973). Portanto, Death Wish concretizou a continuidade da ótima parceria entre o diretor e o ator.

Kersey ganha de presente de um amigo uma pistola 
Colt Positive. 32, durante uma viagem ao Arizona

  Bronson, à época com 52 anos de idade foi a escolha mais do que certa para o papel e ao contrário dos atores citados no parágrafo àcima ainda não era um astro para o público de seu país, sendo apenas um ator popularmente conhecido pelos bons filmes que fizera recentemente em Hollywood, além dos filmes europeus que não atraíam muito a atenção das platéias norte-americanas. Era chegada então a hora de Charles Bronson brilhar intensamente nas telas de seus país.


  Embora Death Wish tenha marcado o ator para sempre como um sujeito eternamente "durão", Bronson era bastante versátil e tinha um bom domínio de interpretação como já demonstrara anteriormente no obscuro filme francês Alguém atrás da porta (Quelqu'un derrière la porte /  Someone behind the door, 1971) e em The Bull of the West (1972), um western dramático feito para a Tv. E o ator interpretou correta e humanamente, mesmo sem muito esforço, a gradativa transformação de um cidadão comum e pacifista em um justiceiro frio e cada vez mais sanguinário - lembrando sempre que Death Wish não é exatamente um filme de ação, mas sim, um drama policial.

A repercussão

   A adaptação para as telas foi um grande sucesso de público com renda de mais US $ 22 milhões nas bilheterias para um orçamento de apenas US $ 3 milhões, segundo consta no IMDB. Contudo, o filme provocou bastante polêmica devido ao delicado tema e muitos críticos de cinema atacaram duramente a obra, inclusive rendeu críticas negativas do jornal The New York Times, mas também rendeu respostas inteligentes como a do carismático ator Vincent Gardenia: "Eu não aprovo o vigilantismo, mas também não aprovo que os marginais levem a melhor".
  No filme, Gardenia interpreta Frank Ochoa, o detetive que persegue Kersey para tentar desencorajá-lo. Afinal,  o trabalho do vigilante estimulou vários outros cidadãos comuns a se defenderem de modo que o crime reduziu cerca de 50% nas ruas da cidade, conforme revelava as estatística da imprensa e assim o vigilantismo ganhava cada vez mais força preocupando a polícia e também o prefeito de Nova Iorque.

No filme, o Inspetor Ochoa investiga os passos do vigilante 
e o persegue para atender ao pedido que o prefeito lhe fêz
pessoalmente: "assuste ele" 

  Convém lembrar que este clássico pertence à agitada década de 1970, período de grandes discussões e profundas transformações sociais, algo que refletiu, e muito nas telas do cinema. Desejo de matar nasceu polêmico e como tal, provocou debates e discussões como tantas outras obras setentistas, como o clássico absoluto do horror O Exorcista (1973), por sinal estreado no anterior, ou o complexo Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971), até hoje muito discutido, só para citar dois grandes exemplos de obras polêmicas.
  O sucesso de Desejo de matar gerou uma febre de vários filmes de justiceiros, o que não deixa de ser admirável embora o tema "justiça com as próprias mãos" nem fosse algo totalmente novo, já tendo sido abordado nas décadas anteriores em westerns e alguns thrillers. O que explica o enorme sucesso de Death Wish é o fato de o público ter se identificado rapidamente com o personagem Paul Kersey, um cidadão até então pacifista que após ter a família vitimada pela violência urbana resolve agir por conta própria a fim  de tentar reduzir a criminalidade em sua cidade.



  Entretanto, é bom notar que o filme não retrata Paul Kersey como um herói, mas sim um anti-herói que aos poucos se torna tão frio e violento quanto os marginais que ele caça. Mas infelizmente grande parte do público o viu como uma espécie de herói revolucionário, um sujeito acima da lei com motivos o suficiente para sair matando todos os criminosos que encontra pela noite. E este pensamento do público se estende até os dias atuais, pois em 2007 aqui no Brasil a platéia aclamou o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite como um grande herói e não como o personagem complexo que Wagner Moura interpretou tão bem.

  Dentre várias cenas memoráveis destaca-se uma cena filmada nas escadarias de um parque, quando Kersey ao descer os degraus é abordado por 3 ladrões, um no alto da escada e mais dois no final dos degraus, e então travam um tiroteio e logo em seguida uma perseguição que leva aos momentos finais do longa. Numa das primeiras caçadas Kersey salva um sujeito desconhecido em um beco, matando 3 assaltantes. Um dos bandidos é interpretado por um desconhecido Denzel Washington com apenas 19 anos de idade e em pleno início de carreira.


  Até hoje o filme gera discussões polêmicas e há até quem acuse a obra de "racista", pois boa parte dos criminosos que Paul Kersey mata são negros. Entretanto, o roteiro do filme não foge da discussão sobre racismo e em certo momento numa cena que mostra uma importante festa, aparece um casal discutindo a respeito das ações do vigilante, de modo que o homem diz que: "vou lhe dizer uma coisa, o cara é racista. Já reparou que ele matou muito mais negros?", e a moça rapidamente responde: "Pelo amor de Deus! Existem muito mais assaltantes pretos do que brancos! O que vc queria que ele fizesse?! Que aumentasse os assaltantes brancos pra termos uma igualdade racial?". Porém, se o filme propõe que criminosos não tem cor, isto fica a cargo da interpretação do espectador.
  Como ocorre com muitos filmes de sucesso, Desejo de Matar inevitavelmente virou franquia ganhando uma sequencia mediana no ano de 1982, e anos depois mais três sequencias desnecessárias e até desprezíveis que infelizmente chegam a ofuscar o brilho do primeiro filme que deveria ser único, e o personagem que Bronson compôs tão bem originalmente, transformara-se num mero e descartável anti-herói de ação.
  Death Wish nunca foi refilmado, exceto se considerarmos que um certo thriller policial intitulado Valente (The Brave One, 2007), estrelado pela atriz Jodie Foster e dirigido por Neil Jordan trata-se de uma refilmagem disfarçada, trocando Paul Kersey por uma mulher chamada Erica Brain, e que resolve caçar criminosos à noite, também na cidade de Nova Iorque, após perder o noivo de forma violenta, inclusive com direito a uma cena que se passa no vagão do metrô, muito parecida com a cena do filme de Michael Winner.

  Em 2008, quando estreou nos cinemas Rambo IV, Stallone chegou a dizer em entrevistas que tinha interesse em refilmar Death Wish, ambientado nos dias atuais. Felizmente o interesse de Sly ficou só na promessa, pois refilmar uma obra tão enraizada na década de 70 seria algo muito arriscado - afinal, atualmente Nova Iorque já não é uma das cidades mais violentas do mundo e ambientar tal história em outro lugar poderia não surtir o mesmo efeito. E para todos os efeitos, desde que Paul Kersey resolveu fazer caçadas noturnas 40 anos atrás, os becos e ruas escuras jamais foram os mesmos. (R.A.)

TRAILER




Desejo de matar - Death Wish, 1974

Roteiro: Wendell Mayes

Direção: Michael Winner

Elenco: Charles Bronson, Hope Lange, Kathleen Tolan, Steven Keats, Vincent Gardenia


domingo, 22 de junho de 2014

dossiê: resgate

SEGUINDO PISTAS ...

Um retrospecto das melhores histórias de sequestro e resgate já vistas no cinema 




   Ligações telefônicas inesperadas, ameaças, más notícias... dos temas que rendem ótimas estórias para o cinema, sem dúvida sequestro ocupa lugar de destaque em filmes que brilharam nas telas e alcançaram satisfatórios números em bilheteria cativando público e crítica de modo que ainda rendem boa audiência em exibições na tv aberta ou em canais pagos. Tramas engenhosas sobre sequestro de reféns transitam entre o suspense e a ação, além de conferirem um aspecto mais realista e menos fantasioso ao cinema físico, pois trazem personagens com maior densidade psicológica, algo que exige maior alcance dramático dos atores, além de cenas físicas mais bem elaboradas do que em filmes de ação convencionais. 

Duro de esquecer...

  O primeiro filme que pode seguramente abrir qualquer lista de filmes de sequestro é o inesquecível Duro de Matar (Die Hard, 1988), grande sucesso estrelado por Bruce Willis e comandado por John McCtiernan, o filme, que na verdade é adaptado de um livro desconhecido (?!!) consegue agregar facilmente os elementos citados no parágrafo acima, pois além de um suspense crescente, tem muita ação e de modo surpreendente consegue divertir - afinal, é raro um filme estrelado por Willis que não seja divertido, graças ao despojamento e o carisma contagiante do astro. Para quem não se lembra, a trama segue a inusitada jornada de John McClane, que sozinho precisa agir rapidamente para não ser pego por terroristas que sequestraram reféns em um prédio, isolando completamente o local - entre os reféns está a mulher de McClane e ele é o único que tem mínimas condições de perseguir os sequestradores enquanto o FBI tenta fazer negociações. Duro de matar é um considerado um dos maiores filmes de ação de todos os tempos e um divisor de águas por apresentar uma trama até então, bem original.


Desespero a bordo

  Em 1994, há exatos 20 anos estreava nos cinemas Velocidade Máxima (Speed), um dos filmes mais tensos dos anos 90, dirigido por Jan de Bont. Jack Traven, um eficiente policial interpretado por Keanu Reeves viu-se forçado a entrar num ônibus em movimento após atender uma estranha chamada num telefone público - se o veículo transportando vários passageiros parasse por um apenas 1 segundo explodiria, porquê uma bomba foi instalada no ônibus por um psicopata chamado Howard Payne (Dennis Hopper). Para piorar a situação o ônibus precisa manter a velocidade entre 50 km e 80 km/h para que a bomba não exploda, além do que o motorista leva um tiro acidental disparado por um dos passageiros. Para contornar a situação, a passageira Annie Porter (Sandra Bullock) assume a direção do veículo enquanto Traven que é um especialista da Swat tenta acalmar os passageiros enquanto pensa em qual será a melhor saída para a terrível situação.





Tensão nas alturas

 O filme de sequestro aéreo mais tenso desde o final doi século XX até agora certamente é Momento Crítico (Executive Decision, 1996), até porque há poucos filmes, de um modo geral, ambientados no interior de aviões. Neste thriller dirigido por Stuart Baird e estrelado por Kurt Russel, um boeing 747 é sequestrado por um grupo de terroristas islâmicos que em pleno voô fazem dos passageiros e a tripulação de reféns e exigem do governo norte-americano a libertação de seu líder. Entretanto David Grant (Russel), um analista especializado em terrorismo, acredita que o pedido dos terroristas é apenas uma jogada para distrair as autoridades, pois assim que a aeronave entrar em solo americano, os terroristas pretendem detonar uma bomba contendo o gás tóxico mais letal do mundo sobre Washignton. Grant, então, parte junto com uma equipe de agentes em um pequeno jato e numa manobra muito arriscada invadem avião sequestrado por uma pequena passagem na parte debaixo da aeronave e em meio à turbulência o coronel Austin Travis interpretado por Steven Seagal, sacrifica a própria vida para que todos os agentes consigam entrar no avião para cumprir a dada missão. E de fato, a missão é cumprida de forma muito eficiente de acordo com o plano de David Grant e o treinamento avançado dos corajosos agentes.



Travessia arriscada

  É muito comum encontrar extensos túneis ao dirigir nas malhas viárias de grandes cidades, no mundo todo. O difícil é imaginar o que pode acontecer se uma dessas enormes construções rodoviárias desabar e suas rotas de entrada e saída ficarem obstruídas, tanto quanto imaginar o pânico de quem estiver lá dentro. Esta é a premissa de Daylight, sucesso dirigido por Rob Cohen e estrelado por Stallone em 1996, por sinal mesmo ano de Momento Crítico, traz uma trama angustiante, mas não sobre sequestro e sim sobre o resgate de várias pessoas que ficam confinadas dentro de um túnel que desabou após uma explosão provocada por um caminhão que continha carga perigosa. Stallone é Kit Latura, um ex-bombeiro que por sorte passava pelo local no exato momento da explosão e por mais sorte ainda, ficou do lado de fora do túnel chegando a socorrer algumas vítimas até a chegada dos socorristas e paramédicos que já estavam a caminho do local e obviamente, após os eventos iniciais, o personagem de Stallone se envolverá na dura missão de resgate dos desafortunados sobreviventes. Ou alguém duvida?!!



Valor inestimável?..

  Ao que parece, 1996 foi o ano dos filmes de sequestro, pois além dos dois filmes àcima citados estreou também nos cinemas O Preço de um Resgate (Ransom), trazendo Mel Gibson na pele de Tom Mullen, um empresário bem sucedido e pai desesperado pelo sequestro de seu filho, o pequeno Sean. A quadrilha que sequestrou o garoto pede US$ 2 milhões pelo resgate e obviamente Tom se mostra disposto a pagar tal quantia, mas... a grande surpresa que realmente torna esse thriller intrigante é quando Tom resolve não pagar o dinheiro e além disso toma a decisão de dizer publicamente na Tv que dará a polpuda recompensa a quem capturar os criminosos. Entretanto para o desespero de sua esposa Kate, o empresário chega a dizer que quer o filho de volta vivo ou morto!! A angustiante trama dirigida com muita competência por Ron Howard é a refilmagem de um suspense de 1956 chamado Decisão Amarga.


Estrada traiçoeira

 Estradas rodoviárias guardam perigos inesperados além do risco de problemas mecânicos ou do risco de acidentes. É um terreno propício e perfeito para um sequestro que praticamente não deixa pistas e nenhuma possibilidade de um resgate formal. Em 1997, Kurt Russell mais uma vez estrelava uma ótima história de sequestro no filme Breakdown - Implacável Perseguição - ao viajar de carro junto com sua esposa Amy  (Kathleen Quinlan) pelo  sudoeste dos Estados Unidos, Jeff Taylor mal imagina que estará fazendo o percurso mais angustiante de sua vida depois que seu carro apresenta um defeito no meio de uma longa estrada e sua esposa some misteriosamente ao aceitar carona de um caminhoneiro que lhes oferece ajuda. Sem dúvida este é um dos melhores filmes de sequestro da década 90 e embora já tenha sido comentado aqui no blog, este dossiê não ficaria completo sem este thriller rodoviário.


Sem acordo

 Um negociador é um policial designado e altamente treinado para atuar em situações de sequestro para justamente negociar com os criminosos na tentativa de salvar reféns. Mas e se um negociador agir como sequestrador e tomar várias pessoas de reféns, o que fazer?? A resposta não é nada óbvia, mas a questão é mais do que suficiente para assistir A Negociação (The Negotiator), produção de 1998 dirigida por F. Gary Gray e estrelada pelo talentoso Samuel L. Jackson na pele de Danny Roman, um policial tido como honesto e também um excelente negociador no departamento de polícia de Chicago, tendo uma carreira heróica e muito bem sucedida em situações de sequestro. Entretanto, quando Danny é supostamente acusado de corrupção além de também ser acusado de assassinar seu parceiro de trabalho, Danny toma seu chefe e alguns colegas como reféns dentro do departamento para negociar com as demais autoridades que cercam o prédio e tentar desesperadamente provar sua inocência.


Cativeiro domiciliar

  No início dos anos 2000 surgiu nos Estados Unidos um novo conceito de segurança domiciliar. O chamado Quarto do pânico consistia em construir um cômodo blindado dentro da residência cuja porta possui uma senha secreta para que os moradores possam se esconder quando a casa for invadida por criminosos - em outras palavras, um cofre para guardar gente. Com base neste engenho, em 2002 Hollywood produziu um dos melhores filmes de sequestro, O Quarto do pânico (Panic Room) estrelado por Jodie Foster no papel de Meg Altman, uma mulher recém separada que mora com sua pequena filha, Sarah. Quando sua casa é invadida por um grupo de bandidos liderados por Burham (Forrest Whitaker), o único meio de Meg e sua filha se protegerem é escondendo-se no quarto blindado que dá título ao suspense dirigido com maestria por David Fincher, que em 1995 comandou Seven, os sete crimes capitais.


Chamada fatal

 Também em 2002 surgira uma história de sequestro mais engenhosa do que a citada àcima. Por um Fio (Phone Booth), dirigido por Joel Schumacher traz a tensa e surpreendente história de Stuart Shepard (Colin Farrel), um morador de Nova York e também um publicitário mal-sucedido e bem pouco confiável, tanto que todos os dias no mesmo horário costuma usar a única cabine telefônica localizada na Oitava Avenida, para conversar com sua amante Pamela (Katie Holmes) e assim evitar que sua esposa (Radha Mitchell) descubra seu caso extraconjugal. Num dia qualquer ao entrar na cabine, Stuart atende uma chamada e para sua surpresa e desespero quem está do outro do lado da linha não é sua amante e nem sua esposa, mas sim um homem que diz estar o observando e o ameaça de lhe dar um tiro caso ele não diga o que ele quer saber.


Desaparecimentos

  Recentemente tensão e angústia em nível extremo invadiu as telas do cinema no suspense policial dirigido por Denis Villeneuve, o sucesso Os Suspeitos (Prisioners) de 2013, estrelado por Hugh Jackman no papel de Keller Dover, um sujeito bom e honesto que leva uma vida feliz ao lado de sua esposa Grace (Maria Bello) e filhos na cidade de Boston. Entretanto, a felicidade de Keller logo se converte em angústia e desespero após o misterioso sumiço de sua fillha, a pequena Anna, que pode ter sido raptada, embora ao longo dos dias e semanas seguintes não surja nenhum pedido de resgate. Keller passa então a agir secretamente e por conta própria raptando e torturando o suspeito mais próximo, seu vizinho Alex, que é um jovem de 26 anos, mas com um mentalidade de criança. Enquanto isso, o detetive Loki (Jake Gyllenhall) investiga incansavelmente cada canto da região e cada um dos possíveis suspeitos descobrindo uma misteriosa teia de conexões onde nada é o que parece.

  A relação dos filmes citados neste modesto dossiê procura trazer uma visão geral dos filmes de sequestro ou resgate, e possivelmente estes são melhores dentro dessa temática. Todos estão disponíveis em dvd e alguns em blu-ray também. Portanto vale a pena seguir as sugeridas pistas para resgatar estas ótimas histórias e iniciar uma bela maratona :-)