Mostrando postagens com marcador policial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador policial. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de setembro de 2017

policial brasileiro

POLÍCIA FEDERAL: A LEI É PARA TODOS

Sucesso em exibição nos cinemas, filme brasileiro retrata a cruzada dos agentes federais 

contra a corrupção

Resultado de imagem para polícia federal: a lei é para todos

  Em meio a diversidade de filmes brasileiros cada vez mais expressivos presentes nas salas de cinema, eis que surge uma produção com proposta no mínimo curiosa. Polícia Federal: A lei é para todos, estreado em 7 de setembro faz um interessante retrato dos acontecimentos que abalaram (e ainda abalam) a opinião pública do país nesses últimos anos, o cenário político cada vez mais atolado no eterno lamaçal de corrupção, ou seja, o filme se propõe a contar uma história que ainda está acontecendo, haja vista os vários desdobramentos das investigações da operação lava-jato que rendem inúmeras pautas nos noticiários.
  Dirigido por Marcelo Antunez e escrito por Thomas Stavroz e Gustavo Lipsztein, a narrativa é iniciada de modo bem explicativo, mas também muito significativo ao dizer claramente que a corrupção existe desde a formação do país, ou seja, é um mal enraizado na própria história do Brasil, a qual é mostrada em traços animados. Trazendo um elenco encabeçado por Antonio Calloni como Ivan, o principal protagonista da trama, a produção se vale de outros atores bem conhecidos como Flávia Alessandra no papel da agente Bia, Marcelo Serrado como Sergio Moro e Ary Fontoura interpretando o ex-presidente Lula.

Resultado de imagem para policia federal a lei é para todos

  O ponto mais interessante do filme é procurar retratar os eventos do ponto de vista dos agentes federais e sua dura batalha para combater o crime organizado e a corrupção para depois verem poucos resultados na justiça, afinal, a sensação de impunidade que infelizmente caracteriza nosso país é sentida primeiramente pelos agentes da lei, aqueles que arriscam a vida para manter a lei e a ordem na sociedade. Embora o filme tenha postura apartidária segundo e o diretor e os próprios atores, esta prerrogativa entretanto parece não ser muito exata já que Ary Fontoura em sua interpretação estabelece de forma um tanto sutil Lula como um vilão de um modo até precipitado, além do que arquivos reais de reportagem sobre o ex-presidente inseridos no final, de certo modo enfraquecem a atuação de Fontoura.

Resultado de imagem para policia federal a lei é para todos
 
  Marcelo Antunez até consegue criar certa tensão como por exemplo na cena da apreensão de um caminhão carregado de palmito com drogas escondidas na carga, algo que foi o passo inicial para a criação da operação Lava-jato e também na sequencia de eventos que levaram a polícia à captura do doleiro Alberto Youssef, interpretado por Roberto Berindelli.

Resultado de imagem para policia federal a lei é para todos

  Contudo, a produção não é livre de problemas já que o roteiro traz certos diálogos sofríveis, principalmente nas falas dos agentes federais que embora sejam retratados como heróis incorruptíveis carecem argumentos à altura da importância de seus cargos. Ainda assim Policia Federal: A lei é para todos é mais um ponto positivo do cinema brasileiro no gênero policial a exemplo de Tropa de Elite 1 e 2 e Operações Especiais (2015) estrelado por Cléo Pires. Ao final é anunciado a sequência Policia Federal 2, o que confirma os rumores de que haverá trilogia. O filme já é a produção brasileira de maior bilheteria do ano visto por mais de 1 milhão de espectadores e embora não seja nada superior a Bingo: O Rei das Manhãs, não deixa de ser uma grata surpresa, principalmente para o cinema nacional, cada vez mais prolífico. (R.A.)


TRAILER


Resultado de imagem para policia federal a lei é para todos

Polícia Federal: A Lei é para todos (Brasil, 2017)

Direção: Marcelo Antunez

Roteiro: Thomas Stavroz e Gustavo Lipsztein

Elenco: Antonio Calloni, Flávia Alessandra, Bruce Gomlevski, Marcelo Serrado, Ary Fontoura, Roberto Berindelli

   

quarta-feira, 27 de abril de 2016

nostalgia policial

OPERAÇÃO FRANÇA

Há  45 anos estreava nas telas um clássico do

 cinema policial 


   Em 1971 uma obra de gênero marcou a história do cinema inovando a linguagem do típico filme policial, Operação França (The French Connection) estrelado por Gene Hackman e co-estrelado por Roy Scheider conquistava público e crítica com a adaptação de uma história verídica sob o comando de Willian Friedkin. Operação França narra o caso da maior apreensão de heroína ocorrida nos Estados Unidos até então, na cidade de Nova Iorque numa operação que dá título ao filme e conforme é mostrada na narrativa foi realizada pelos investigadores Jimmy "Popeye" Doyle e Buddy "Cloudy" Russo, respectivamente interpretados por Hackman e Scheider.
  O roteiro escrito por Ernest Tidyman baseado no livro escrito por Robin Moore apresenta logo no início da narrativa a dupla de policiais resolvendo um caso em algum canto violento de Nova Iorque com Cloudy e  Popeye disfarçado com uma roupa de papai noel (já que o mês é dezembro) perseguem um criminoso numa corrida a pé desenfreada até o alcançarem em um terreno baldio e o espancam duramente para depois interrogá-lo em um beco - uma demonstração de força um tanto exagerada, mas expressam a idéia do quanto a dupla de policiais é implacável não dando trégua para nenhum bandido como pode ser visto ao longo do filme.



   Hackman e Scheider demonstraram uma química perfeita em seus personagens e dada à época da produção do filme, pode-se notar que serviu de modelo para as diversas produções do gênero policial até os dias de hoje em que se vê uma dupla de policiais que se completam em seus atributos. Neste caso nota-se claramente que Popeye é o casca grossa que dá porrada nos bandidos enquanto que Cloudy é mais ponderado e investigativo.
  Willian Friedkin explora o submundo das drogas em Nova Iorque de uma maneira nunca vista antes de modo que os verdadeiros policiais Doyle e Cloudy levaram a equipe de produção do filme para conhecer uma espécie de centro de consumo de drogas, onde usuários frequentam e todos ficaram chocados ao verem pessoas com seringas penduradas nos braços e o mais espantoso foi saber que tal local é em plena área central da cidade de Nova Iorque, algo que sem dúvida reforçou bem mais a motivação dos personagens na investigação do tráfico.


  Conta-se que Gene Hackman não gostava de seu personagem já que este é muito grosseiro e racista além do que o ator não simpatizou com o Popeye da vida real e também teve alguns desentendimentos com o diretor, mas felizmente Hackman aceitou e permaneceu no filme, o que enriqueceu muito a obra de Friedkin com seu talento e presença marcante, e é até difícil imaginar outro ator no papel e que combinasse tão bem com o parceiro Cloudy, vivido por Roy Scheider.

  A dupla de policiais investiga dois figurões franceses que estão hospedados na cidade e tem comportamento um tanto suspeito, o que leva Popeye a desconfiar de um forte esquema de transação de drogas que ocorre em pleno centro nova iorquino - daí o título da investigação que dá nome ao filme: operação França. A intrigante investigação rende ótimos momentos de suspense como na cena extremamente tensa em que Popeye persegue o suspeito francês no metro e é surpreendido pela inesperada esperteza do mesmo.
   Mas o grande e esperado momento do filme é sem dúvida a longa perseguição que Popeye faz a outro francês que toma de sequestro um trem cujos trilhos ficam suspensos acima das ruas da cidade e o policial dirigindo um carro a mais de 100 km/h no conturbado trânsito persegue o trem numa corrida louca e desenfreada como nunca se viu até então - e aqui Friedkin mostra seu inigualável talento para filmar perseguições, algo que o tornou muito famoso, pois ele pretendia fazer a melhor cena de perseguição da história do cinema, algo que até então o público só vira no filme Bullit (1968), sucesso de Steve McQueen. Para tal feito o diretor pegou um carro com um motorista no banco da frente e um câmera no banco de trás para filmar tudo a cerca de 140 km/h.


Friedkin recebendo o Oscar
    The French Connection ganhou nada menos que 5 premiações no Oscar de 1972 sendo que foram 8 indicações e ainda levou o premio de melhor filme. Willian Friedkin foi o diretor mais jovem a ganhar um oscar na história do cinema, pois na época tinha apenas 36 anos de idade. Dois anos mais tarde o diretor tornara-se bem mais famoso por comandar o estrondo sucesso O Exorcista (1973), o filme de horror mais polêmico de todos os tempos. Porém, infelizmente Friedkin não se tornou um dos diretores mais requisitados de Hollywood apesar de seu insuspeitável talento, de modo que não conseguiu repetir a fórmula de sucesso que o consagrou na década de 70. Entretanto, de um modo geral grandes diretores sempre são lembrados por poucos filmes e... felizmente Friedkin é um deles.  (R.A.)



TRAILER



Operação França (The French Connection, 1971)

Roteiro: Ernest Tidyman

Direção: Willian Friedkin

Elenco: Gene Hackman, Roy Scheider, Fernando Rey, Tony Lobianco, Marcel Bozzuffi


terça-feira, 12 de maio de 2015

caçada noturna

NOITE SEM FIM

Liam Neeson e Ed Harris travam uma incansável perseguição nas ruas escuras de Nova Iorque


  Dando prosseguimento à sua atual carreira de astro de ação, Liam Neeson estréia o interessante filme policial Run All night (2015) que já é seu terceiro trabalho em parceria com o diretor espanhol Jaume Collet-Serra que o dirigiu nos sucessos Desconhecido (Unknown, 2010) e Sem Escalas (Non Stop, 2014). Aqui o cineasta e o astro repetem a parceira e Noite Sem Fim traz uma trama mais voltada para a construção do suspense, embora traga também uma boa dose de ação. 
  Neeson é Jimmy Conlon, um veterano matador de aluguel que há décadas trabalha para o mafioso Shawn Maguire (Ed Harris). Ambos são grandes amigos de infância, mas tal amizade será brutalmente abalada e desfeita, pois Shawn perderá o que tem de mais precioso: a vida de seu único filho Danny Maguire (Boyd Holbrook), tirada pelas mãos de Conlon. O motivo foi um tanto justo, por legítima defesa sendo que Danny iria matar Mike Conlon (Joel Kinnaman), filho de Jimmy, pelo fato de Mike ter visto Danny cometer um crime durante um acerto contas.


  Shawn fica sabendo da morte do filho por meio de um telefonema de Conlon, que honestamente lhe explica o que ocorreu, mas a partir de tal momento Shawn movido por desejo de vingança se vê forçado a encerrar sua amizade com Conlon e fará de tudo para caçá-lo e matá-lo e também matar Mike para que tenha uma vingança completa e sem testemunhas.
Jimmy e seu filho Mike

 Uma perseguição desenfreada ocorre então ao longo de uma única noite que como bem diz o título parece ser uma noite sem fim, na qual Jimmy fará uso de toda sua longa experiência de matador para proteger a si mesmo e principalmente ao seu filho Mike - e pai e filho ao longo dessa noite unirão forças e terão de superar desavenças que os manteve distantes por muito tempo, pois Mike nunca aceitou o estranho ofício de Jimmy que sempre foi um pai ausente e nada exemplar.




  Suspense corretamente construído pelas frágeis relações humanas trazidas pelo bom roteiro de Brad Ingelsby dá o tom trhiller criminal que se desenrola ao longo da trama também enriquecida pelos talentos de Liam Neeson que faz um matador tão fragilizado quanto o agente de Sem Escalas (2014), Ed Harris que também interpreta um personagem fragilizado embora sedento por vingança e o jovem ator sueco Joel Kinnaman que ano passado interpretou o novo Robocop e aqui interpreta Mike Conlon - a presença dos também talentosos Vincent D'onofrio e Boyd Holbrook confirmam o bom gosto de Jaume Collet-Serra para compor o elenco de seu filme.



  Cenas de perseguição na estação do metrô e violentos tiroteiros nas ruas filmados à noite confirmam o espanhol Serra como um dos melhores cineastas da atualidade para o gênero de ação, e pelo realismo demonstrado em Run all night percebe-se o cuidado do diretor com as cenas físicas, principalmente ao empregar tomadas dinâmicas e sem utilizar cortes muito bruscos de modo que o público entenda perfeitamente o que ocorre em cena mesmo em ambientes pouco iluminados. Noite Sem Fim pode ser o melhor filme da parceria Neeson e Serra até o momento, mas torçamos para que tal parceira dure por tempo tão indeterminado quanto o título do filme sugere.

TRAILER



Noite Sem Fim (Run all Night, 2015)

Direção: Jaume Collet-Serra

Roteiro: Brad ingeslby

Elenco: Liam Neeson, Ed Harris, Joel Kinnaman, Vincent D'onofrio, Boyd Holbrook



terça-feira, 28 de abril de 2015

ação cega

DEMOLIDOR

Um dos heróis mais sombrios das Hq´s da Marvel conquista o público subitamente num dos melhores seriados da atualidade pela Netflix


  Criado por Stan Lee e Bill Everett em abril de 1964, o herói cego que usa uma fantasia demoníaca e combate o crime organizado na cidade de Nova Iorque é um personagem respeitado pelos leitores dos quadrinhos Marvel embora sua legião de fãs não seja tão extensa quanto os demais super-heróis da famosa editora tais como Homem-Aranha, X-Men ou Capitão América. Demolidor (Daredevil) tornou-se conhecido pelo grande público 12 anos atrás por conta de um péssimo filme cujo desempenho garantiu o sepultamento do herói nas telas do cinema de modo que a Marvel nem arriscou tentar fazer algum rebooth em todo esse tempo. 
  A demora compensou e resultou numa parceria entre Marvel e o canal Netflix que numa proposta inovadora produziram este seriado que pelo visto inaugura um novo ramo de investimento dos estúdios Marvel em adaptar para a TV personagens menos conhecidos e que dificilmente teriam um bom desempenho nas telas do cinema, e o Demolidor é prova concreta disso, além de outros que tiveram baixo desempenho cinematográfico como Justiceiro e Motoqueiro Fantasma.


  Longe de convenções que ditam as produções de Hollywood, esta série traz um certa dose de violência que dificilmente seria aceita para um filme de super-herói, o que na verdade é uma idiotice dos produtores de cinema com a velha mania de querer "maquiar" adaptações de quadrinhos retratando menos violência possível e adicionando elementos fantasiosos demais o que acaba descaracterizando o personagem original. Felizmente o que se vê aqui é algo muito próximo do que está originalmente nos quadrinhos do herói cego cujas estórias (as melhores) que foram escritas e desenhadas pelo genial Frank Miller são a base necessária para compor a saga do seriado.

  Apresentar a origem e detalhes da infância em flash back enquanto a jornada do herói vai se desenvolvendo a cada episódio é uma decisão mais do que certa e bem melhor do que se sua origem fosse contada de uma só vez como normalmente ocorre em várias produções do gênero, pois quando o personagem é apresentado de forma gradativa, o público vai sendo conquistado aos poucos até familiarizar-se cada vez mais com o herói a ponto de importar-se verdadeiramente com ele.


  Além de se ancorar nos elementos que consagraram o herói nas histórias em quadrinhos, o seriado ainda conta com um ótimo elenco a começar por Charlie Cox, o desconhecido ator principal que encarna o herói com talento e habilidades físicas mais do que necessárias para viver o "homem sem medo"; Elden Henson, ator também desconhecido que aqui interpreta Foggy Nelson, o melhor amigo de Murdock  - alguns rostos mais conhecidos do grande público também enriquecem a produção, como a bela morena Rosário Dawson que interpreta Claire, uma prestativa enfermeira que passa a cuidar dos ferimentos de Matt Murdock após conhece-lo e Vincent D'onofrio, ator que já esteve no seriado Law & Order além de várias participações em filmes de sucesso como Homens de preto (MIB, 1997), encarna no seriado ninguém menos que Wilson Fisk, o temido rei do crime, arquiinimigo do Demolidor.


    A primeira temporada é composta de 13 episódios, cada um com duração em média de 50 minutos, todos disponíveis no canal Netflix. Com o ótimo elenco àcima citado, ótimas direção e fotografia a série já conquistou grande parte do público que não tinha afinidade com o personagem, além de agradar muito os leitores das HQ´s do herói cego. Demolidor chegou pra ficar e possivelmente não vai demorar muito para que a Marvel adapte outros de seus heróis menos conhecidos para séries de TV, e não é à toa que recentemente o próprio ator Charlie Cox comentou sobre a série do Demolidor ter possíveis aparições de Frank Castle (Justiceiro) e do Dr. Estranho, mas no momento são apenas rumores. De qualquer modo, a única certeza no momento é que a "cozinha do inferno" estará sempre sob a guarda do homem sem medo. (R.A.)

TRAILER

domingo, 31 de agosto de 2014

drama familiar

TUDO POR JUSTIÇA

Cristian Bale retorna às telas em drama sobre justiça e vingança


  O cineasta Scott Cooper, que dirigiu o drama Coração Louco, retorna em mais uma história dramática, e desta vez explora o talento de Cristian Bale para contar a estória de um homem que se vê numa jornada em busca de justiça a fim de manter o que resta de sua dignidade. Out of the furnace, lançado recentemente em dvd e Blu Ray traz Bale na pele de Russell Haze, um sujeito honesto que vive uma pequena cidade cuja principal fonte de economia é uma usina metalúrgica na qual ele trabalha, de certo modo herdando o oficio de seu pai que passou metade da vida trabalhando no mesmo local. 
   Leonardo Di Caprio que é um dos produtores do longa e chegou a ser cotado para interpretar Russell, mas felizmente deixou o papel para Bale, decisão mais do que certa para o roteiro escrito por Scott Cooper e Brad Ingelsby, que narra a estória de pessoas que vivem numa pequena cidade do interior, onde pouca coisa acontece e não há muitas opções de buscar algo melhor na vida além do que a cidade oferece. Neste cenário de simplicidade, Rodney (Casey Affleck), o irmão caçula de Russell tenta buscar um norte melhor para sua vida desde que não seja um trabalho na velha usina, e então se envolve em lutas clandestinas promovidas por John Petty, interpretado por Willem Dafoe, dono de um bar e que mantém algumas atividades obscuras para ganhar mais dinheiro.




  Rodney que é um ex-combatente da guerra do Iraque, representa muito bem uma situação constante nos Estados Unidos, o drama de soldados que voltaram da guerra e não conseguem melhores oportunidades na vida. Russell, na qualidade de irmão mais velho se sente responsável em cuidar para que seu irmão caçula não se meta em grandes encrencas. Porém, Russell se mete numa grande encrenca ao envolver-se num acidente de carro com vítimas, numa noite qualquer após tomar algumas cervejas e por conta disso passa cerca de 1 ano na prisão.
  A vida de Russell parece virar do avesso após sair da prisão, pois além de ser abandonado por Lena (Zoe Saldana), a mulher que amava e convivia, enfrentar a dor da perda de seu pai adoentado que havia morrido recentemente, ele ainda terá de lidar com o sumiço de Rodney, que junto com Jhon Petty desapareceu após envolver-se em mais uma luta clandestina, negociada com Harlan Degroat (Woody Harrelson), um sujeito desajustado e perigoso que habita numa região isolada em colinas um pouco afastadas da cidade e lidera uma quadrilha de tráfico de drogas e vários negócios ilícitos.





  O drama de Russell é o fio condutor da trama muito bem representando na interpretação de Bale que expressa o sofrimento de um homem que aos poucos perde tudo o que dá sentido à vida e que pela lentidão da autoridades, resolve investigar o caso do sumiço e morte de seu irmão e fazer justiça a seu próprio modo e assim passa por um tipo de redenção que o leva a decidir o que fazer de seu próprio destino: ficar de braços cruzados esperando pela investigação da polícia ou agir sozinho movido por sua honra e o que lhe resta de dignidade.


  Embora a discussão sobre que é justiça e o que é vingança seja um tema batido e já muito explorado no cinema, continua rendendo bons filmes, principalmente quando conduzido por um diretor talentoso como Scott Cooper e um elenco afiado de ótimos atores como Harrelson, Bale, Dafoe e o jovem Affleck (irmão de Ben). O resultado costuma ser satisfatório.

TRAILER





Tudo por Justiça (Out of the Furnace, 2013)

Roteiro: Scott Cooper e Brad Ingelsby

Direção: Scott Cooper

Elenco: Cristian Bale, Casey Affleck, Zoe Saldana, Willem Dafoe, Woody Harrelson


quinta-feira, 24 de julho de 2014

dossiê: clássico policial

DESEJO DE MATAR

Há 40 anos, Charles Bronson iniciava uma caçada solitária nas ruas mais escuras de Nova Iorque



  Em 1974 estreava nas telas estadunidenses e logo em seguida em todo o mundo Desejo de matar (Death Wish), filme dirigido pelo inglês Michael Winner, e que alçou Charles Bronson ao estrelato na América do norte e marcou para sempre o gênero policial, bem como o cinema físico como um todo.  Bronson vinha de uma carreira bem sucedida na Europa, onde era aclamado como astro, admirado pelo público e pela critica, tendo atuado nas produções francesas O Passageiro da chuva (Le Passager de la Pluie, 1970), Cold Sweat (1970), ou em produções italianas como Cittá Violenta (1970), e o mítico faroeste Era Uma vez no Oeste (Cera Uma volta i´l West, 1968).
  Desejo de matar surgia num momento em que a cidade de Nova Iorque enfrentava uma forte onda de violência com suas ruas e becos aterrorizados por gangues, ladrões e até estupradores e desde então e por muito tempo chegou a ser considerada a metrópole mais violenta do mundo – nesse contexto brutal, o filme acendia uma polêmica que decisivamente impulsionaria o sucesso de bilheteria, a aclamação do público e o ódio da critica especializada: a justiça com as próprias mãos. A idéia de que um cidadão comum pudesse armar-se de uma pistola e executar criminosos à noite era algo inspirador e ao mesmo tempo muito perigoso, pois não cabe ao cidadão (de nenhuma sociedade) as funções de júri, juiz e carrasco.

Michael Winner orientando Bronson


Hope Lange
  O roteiro de Death Wish foi escrito por Wendell Mayes, com base no livro homônimo escrito por Brian Garfield, romance e escritor desconhecidos até hoje pelo grande público. E como normalmente acontece, a adaptação teve algumas alterações em relação ao material original, pois o personagem principal que no livro se chama Paul Benjamim, teve seu nome alterado para Paul Kersey, e sua profissão também foi alterada de contabilista para arquiteto, mas os motivos que transformam o personagem num justiceiro são os mesmos tal como é visto no filme, o protagonista perde a esposa Joana, de maneira brutal e tem sua filha Carol violentada por 3 marginais que invadem o apartamento, respectivamente interpretadas por Hope Lange e Kathleen Tolan numa cena revoltante que chegou a provocar escândalo na época de lançamento do filme. Carol ficou em estado catatônico e após ser medicada teve de ser encaminhada à um hospital psiquiátrico para a tristeza de seu pai Paul e de seu marido Jack Toby, interpretado por Steven Keats.

Kathleen Tolan









Jeff Goldblum a esquerda
  É interessante notar que no trio de jovens marginais que atacam as mulheres há um ator em início de carreira que mais tarde, na década de 80 tornaria-se um astro por sua interpretação no grande sucesso A Mosca (The Fly, 1986), Jeff Goldblum, à época com 22 anos de idade.




A adaptação para as telas

  O livro apesar de não ter grande sucesso nas vendas, chamou a atenção de dois produtores de cinema, Hal Landers e Bobby Roberts, que em 1972, mesmo ano de lançamento do livro, compraram os direitos para uma possível adaptação às telas do cinema, e a obra encontrou um caminho certeiro nas mãos do cineasta Michael Winner, do lendário produtor Dino De Laurentis e dos estúdios United Artists, únicos a se interessarem pelo projeto.


 Consta que também foi um grande problema encontrar o ator certo para o papel que foi recusado por atores bem mais cotados na época como Steve McQueen, Clint Eastwood e até o cantor Frank Sinatra - e também Henry Fonda que chegou a considerar o papel como "repulsivo". Felizmente, Bronson aceitou o papel após ler o roteiro que Winner lhe ofereceu não à toa, pois o ator já havia trabalhado com o diretor anteriormente em 3 ótimos filmes, Renegado Impiedoso (Chato´s Land, 1972), Assassino a preço fixo (The Mechanic, 1972) e Jogo Sujo (The Stone Killer, 1973). Portanto, Death Wish concretizou a continuidade da ótima parceria entre o diretor e o ator.

Kersey ganha de presente de um amigo uma pistola 
Colt Positive. 32, durante uma viagem ao Arizona

  Bronson, à época com 52 anos de idade foi a escolha mais do que certa para o papel e ao contrário dos atores citados no parágrafo àcima ainda não era um astro para o público de seu país, sendo apenas um ator popularmente conhecido pelos bons filmes que fizera recentemente em Hollywood, além dos filmes europeus que não atraíam muito a atenção das platéias norte-americanas. Era chegada então a hora de Charles Bronson brilhar intensamente nas telas de seus país.


  Embora Death Wish tenha marcado o ator para sempre como um sujeito eternamente "durão", Bronson era bastante versátil e tinha um bom domínio de interpretação como já demonstrara anteriormente no obscuro filme francês Alguém atrás da porta (Quelqu'un derrière la porte /  Someone behind the door, 1971) e em The Bull of the West (1972), um western dramático feito para a Tv. E o ator interpretou correta e humanamente, mesmo sem muito esforço, a gradativa transformação de um cidadão comum e pacifista em um justiceiro frio e cada vez mais sanguinário - lembrando sempre que Death Wish não é exatamente um filme de ação, mas sim, um drama policial.

A repercussão

   A adaptação para as telas foi um grande sucesso de público com renda de mais US $ 22 milhões nas bilheterias para um orçamento de apenas US $ 3 milhões, segundo consta no IMDB. Contudo, o filme provocou bastante polêmica devido ao delicado tema e muitos críticos de cinema atacaram duramente a obra, inclusive rendeu críticas negativas do jornal The New York Times, mas também rendeu respostas inteligentes como a do carismático ator Vincent Gardenia: "Eu não aprovo o vigilantismo, mas também não aprovo que os marginais levem a melhor".
  No filme, Gardenia interpreta Frank Ochoa, o detetive que persegue Kersey para tentar desencorajá-lo. Afinal,  o trabalho do vigilante estimulou vários outros cidadãos comuns a se defenderem de modo que o crime reduziu cerca de 50% nas ruas da cidade, conforme revelava as estatística da imprensa e assim o vigilantismo ganhava cada vez mais força preocupando a polícia e também o prefeito de Nova Iorque.

No filme, o Inspetor Ochoa investiga os passos do vigilante 
e o persegue para atender ao pedido que o prefeito lhe fêz
pessoalmente: "assuste ele" 

  Convém lembrar que este clássico pertence à agitada década de 1970, período de grandes discussões e profundas transformações sociais, algo que refletiu, e muito nas telas do cinema. Desejo de matar nasceu polêmico e como tal, provocou debates e discussões como tantas outras obras setentistas, como o clássico absoluto do horror O Exorcista (1973), por sinal estreado no anterior, ou o complexo Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971), até hoje muito discutido, só para citar dois grandes exemplos de obras polêmicas.
  O sucesso de Desejo de matar gerou uma febre de vários filmes de justiceiros, o que não deixa de ser admirável embora o tema "justiça com as próprias mãos" nem fosse algo totalmente novo, já tendo sido abordado nas décadas anteriores em westerns e alguns thrillers. O que explica o enorme sucesso de Death Wish é o fato de o público ter se identificado rapidamente com o personagem Paul Kersey, um cidadão até então pacifista que após ter a família vitimada pela violência urbana resolve agir por conta própria a fim  de tentar reduzir a criminalidade em sua cidade.



  Entretanto, é bom notar que o filme não retrata Paul Kersey como um herói, mas sim um anti-herói que aos poucos se torna tão frio e violento quanto os marginais que ele caça. Mas infelizmente grande parte do público o viu como uma espécie de herói revolucionário, um sujeito acima da lei com motivos o suficiente para sair matando todos os criminosos que encontra pela noite. E este pensamento do público se estende até os dias atuais, pois em 2007 aqui no Brasil a platéia aclamou o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite como um grande herói e não como o personagem complexo que Wagner Moura interpretou tão bem.

  Dentre várias cenas memoráveis destaca-se uma cena filmada nas escadarias de um parque, quando Kersey ao descer os degraus é abordado por 3 ladrões, um no alto da escada e mais dois no final dos degraus, e então travam um tiroteio e logo em seguida uma perseguição que leva aos momentos finais do longa. Numa das primeiras caçadas Kersey salva um sujeito desconhecido em um beco, matando 3 assaltantes. Um dos bandidos é interpretado por um desconhecido Denzel Washington com apenas 19 anos de idade e em pleno início de carreira.


  Até hoje o filme gera discussões polêmicas e há até quem acuse a obra de "racista", pois boa parte dos criminosos que Paul Kersey mata são negros. Entretanto, o roteiro do filme não foge da discussão sobre racismo e em certo momento numa cena que mostra uma importante festa, aparece um casal discutindo a respeito das ações do vigilante, de modo que o homem diz que: "vou lhe dizer uma coisa, o cara é racista. Já reparou que ele matou muito mais negros?", e a moça rapidamente responde: "Pelo amor de Deus! Existem muito mais assaltantes pretos do que brancos! O que vc queria que ele fizesse?! Que aumentasse os assaltantes brancos pra termos uma igualdade racial?". Porém, se o filme propõe que criminosos não tem cor, isto fica a cargo da interpretação do espectador.
  Como ocorre com muitos filmes de sucesso, Desejo de Matar inevitavelmente virou franquia ganhando uma sequencia mediana no ano de 1982, e anos depois mais três sequencias desnecessárias e até desprezíveis que infelizmente chegam a ofuscar o brilho do primeiro filme que deveria ser único, e o personagem que Bronson compôs tão bem originalmente, transformara-se num mero e descartável anti-herói de ação.
  Death Wish nunca foi refilmado, exceto se considerarmos que um certo thriller policial intitulado Valente (The Brave One, 2007), estrelado pela atriz Jodie Foster e dirigido por Neil Jordan trata-se de uma refilmagem disfarçada, trocando Paul Kersey por uma mulher chamada Erica Brain, e que resolve caçar criminosos à noite, também na cidade de Nova Iorque, após perder o noivo de forma violenta, inclusive com direito a uma cena que se passa no vagão do metrô, muito parecida com a cena do filme de Michael Winner.

  Em 2008, quando estreou nos cinemas Rambo IV, Stallone chegou a dizer em entrevistas que tinha interesse em refilmar Death Wish, ambientado nos dias atuais. Felizmente o interesse de Sly ficou só na promessa, pois refilmar uma obra tão enraizada na década de 70 seria algo muito arriscado - afinal, atualmente Nova Iorque já não é uma das cidades mais violentas do mundo e ambientar tal história em outro lugar poderia não surtir o mesmo efeito. E para todos os efeitos, desde que Paul Kersey resolveu fazer caçadas noturnas 40 anos atrás, os becos e ruas escuras jamais foram os mesmos. (R.A.)

TRAILER




Desejo de matar - Death Wish, 1974

Roteiro: Wendell Mayes

Direção: Michael Winner

Elenco: Charles Bronson, Hope Lange, Kathleen Tolan, Steven Keats, Vincent Gardenia


terça-feira, 6 de maio de 2014

caçada policial

FÚRIA MORTAL

Há cerca de duas décadas Steven Seagal buscava justiça nas ruas e becos do Brooklin



 "Ele é um policial fazendo um trabalho sujo, mas... Alguém tem que fazê-lo" - era o que dizia a frase na tagline do cartaz do filme Fúria Mortal (Out for Justice, 1991), sucesso do início dos anos 90 estrelado por Steven Seagal, astro em ascenção na época despontando com filmes que dominavam as bilheterias e traziam para as telas um novo artista marcial para o típico gênero de ação que até então lotava as salas de cinema.
  Em Fúria Mortal, Seagal é Gino Felino, um policial novaiorquino de descendência italiana nascido e criado no Brooklin, um dos bairros mais violentos da cidade de Nova York, com muitos locais dominados por prostituição e tráfico de drogas - e neste cenário Gino é um eficiente policial, imponente e destemido ele encara o duro trabalho tentar limpar as ruas de seu bairro e o faz de modo natural e com muita eficiência, o que fica claro desde o início da narrativa.

  Num típico dia de folga, o policial Bobby Lupo (Joe Spataro), melhor amigo de Gino é baleado à queima-roupa na rua defronte uma mercearia na frente da esposa e de várias testemunhas. O assassino é Richie Madano, interpretado por Willian Forsythe, um dos melhores atores dos anos 90 que infelizmente nunca atingiu o estrelato.


  Madano é o bad-boy do bairro, encrenqueiro desde criança e inimigo ferrenho de Gino e Bobby desde a infância e ao contrário dos rivais que se tornaram policiais, Madano enveredou pelos caminhos do crime tornando-se um temido traficante do Brooklin - e este personagem é que basicamente sustenta o roteiro escrito por David Lee Henry que apesar de mediano para um filme policial é eficiente e apresenta uma trama bem construída com direito a uma pequena reviravolta para justificar o assassinato de Bobby. Há também a presença da máfia novaiorquina, algo que torna o roteiro mais interessante no gênero policial.
  Tomado de ressentimento e movido pelo dever, Gino inicia uma busca incessante para encontrar Richie Madano e fazer justiça, mesmo que seja a seu próprio modo, afinal, o trabalho da polícia parece não ser o suficiente para conter a violência e a criminalidade desenfreadas no perigoso bairro. Seagal obviamente faz o mais do mesmo em sua limitada atuação, entretanto, o mestre de Aikido e perito em várias lutas marciais estava em sua melhor forma e suas exclusivas habilidades fazem de Out For Justice um de seus melhores filmes até então. Numa das melhores cenas, Gino persegue os homens de Richie até um açougue e obviamente não é para comprar carne...



 O saudoso John Flynn (1932-2007) comandou a direção e já demonstrara ser um ótimo diretor anteriormente ao trabalhar com Stallone no drama de ação Condenação Brutal (Lock Up, 1989) e Seagal teve a sorte de ser dirigido pelos melhores diretores do gênero na época como Andrew Davis, em seu primeiro filme Nico - Acima da lei (Above the law, 1988), que posteriormente voltou a dirigi-lo em A força em Alerta (Under Siege, 1992), além de Dwight H. Little em Marcado para a morte (Marked for death, 1990) e alguns outros bons cineastas.

  Além de ótimas sequências de luta, há também violentas cenas de tiroteio com um realismo que se tornara marcante nos filmes do ator que conquistou rapidamente o público que aprecia ação com estilo brutal e mais próximo da realidade sobrando pouco ou nenhum espaço para cenas fantasiosas. Numa das cenas de luta há uma especial dentro de um bar em que Seagal faz um rápido confronto de bastões com o mestre coreano Dan Inosanto, discípulo e amigo do lendário Bruce Lee.


  O longa figurou entre os grandes sucessos do cinema físico no início dos anos 90 tendo alcançado ótima bilheteria nos EUA, pouco mais de US$ 39 milhões, que cobriu satisfatoriamente o orçamento de US$ 14 milhões segundo consta no imdb. Fúria Mortal foi o quarto filme da então promissora carreira de Seagal que na época ainda era um astro em ascenção e emplacava um sucesso atrás do outro desde sua estréia em Nico - Acima da lei. Enfim, é um cult muito recomendado especialmente para os fãs de ação mais nostálgicos e principalmente para os que conhecem apenas a recente (e medíocre) carreira do agora ex-astro.

TRAILER






Fúria Mortal (Out for Justice, 1991)

Direção: John Flynn

Roteiro: David Lee Henry

Elenco: Steven Seagal, Willian Forsythe,Joe Spataro, 
Jerry Orbach,Jo Champa, Gina Gershon