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quarta-feira, 31 de maio de 2017

ação road movie

COMBOIO DE CARGA PESADA

Há 40 anos Chuck Norris estrelava sua primeira aventura nos cinemas

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  Em 1977 estreava nos cinemas norte-americanos o primeiro filme da carreira do então futuro astro Chuck Norris. O campeão norte-americano de karatê já aparecera nas telas anos antes, em 1972 no filme O Vôo do Dragão, num papel coadjuvante travando um confronto épico com o lendário Bruce Lee em meio às ruínas do coliseu de Roma.  Por indicação e incentivo do astro Steve McQueen, Norris decidiu seguir o conselho de seu amigo e aluno e tomou a sábia decisão de ingressar no mundo do cinema e seu primeiro papel como protagonista se deu neste Comboio de Carga Pesada (Breaker Breaker), o início de jornada de sua longa carreira.
  Na década de 1970 dentre várias tendências cinematográficas surgiu em Hollywood uma onda de filmes com estórias de caminhoneiros valentões e bons de briga, subgênero conhecido como trucksploitation, fórmula que deu muito certo resultando numa boa safra desse tipo de aventura que perdurou até meados dos anos 80 com sucessos como Agarra-me Se Puderes (1977) e Desta Vez Te Agarro (1980), dentre outros.

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  Dirigido por Don Hulette e roteirizado por Terry Chambers, Comboio de Carga Pesada funciona como uma aventura de western contemporâneo já que se ambienta em uma pequena cidade chamada Texas City, obviamente localizada no estado do Texas num local um tanto afastado de grandes cidades. Dominada por um juiz maluco e policiais corruptos que costumam indiciar caminhoneiros e viajantes por infrações não cometidas a fim de estorquir dinheiro dos pobres desavisados. Billy (Michael Augestein), um jovem e inexperiente caminhoneiro tem a infelicidade de parar nesta cidade e como não tem grana para se livrar do jogo sujo dos policiais, ele permanece preso aguardando a sentença.

O juiz de Texas City
   J.D. Dawes (Norris), experiente caminhoneiro e irmão mais velho de Billy, percebe o sumiço de seu irmão que já não liga há dias e para descobrir seu paradeiro resolve fazer uma busca por conta própria pegando estrada rumo à Texas City à bordo de sua estilosa van. Dawes, além de caminhoeiro é perito em artes marciais, combinação perfeita para o herói que protagoniza tal tipo de aventura na qual terá de enfrentar os policiais e mais um bando de sujeitos briguentos da pequena cidade para poder resgatar seu irmão caçula e enfrentar a fúria do juiz Joshua Trimings, interpretado pelo ótimo ator George Murdock.
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  Recheado de situações inusitadas e um tanto engraçadas, o filme parece não se definir exatamente como uma aventura ou comédia de ação, o que revela a falta de experiência tanto do diretor quanto do roteirista, tornando-se em alguns momentos uma comédia involuntária, pois é difícil segurar o riso ao ver os tipos patéticos da pequena cidade que parecem estar no filme apenas para servir de alvo dos chutes e socos de Dawes. Entretanto Hulette consegue demonstrar certo talento em cenas de ação bem filmadas e especialmente nos momentos finais numa cena de luta entre Dawes e o chefe de polícia. A cena que é um duelo desarmado foi belamente retratada em câmera lenta e ambientada num curral com a presença de um belo cavalo preto dando algum significado de força e selvageria ao duelo.


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Norris coreografou todas as cenas de luta do filme


  Por incrível que pareça apesar do título do filme aqui no Brasil, não há exatamente um comboio, exceto no final quando aparecem alguns caminhões e invadem a pequena cidade embora não sejam tantos para justificar o nome de Comboio de Carga Pesada, o que torna o título apenas sugestivo. Não chegou a ser um grande sucesso de bilheteria já que no mesmo ano de estréia o grande sucesso truckploistation foi Agarra-me Se Puderes, estrelado por Burt Reinolds. Contudo valeu para Norris demonstrar suas habilidades em cenas de luta e definir o perfil de ação que o tornaria um astro nos anos seguintes. Exibido poucas vezes na Tv aberta, o filme pode agora ser melhor apreciado em dvd e blu-ray. (R.A.)


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Um dos cartazes originais


TRAILER



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Comboio de Carga Pesada (Breaker Breaker, 1977)

Direção: Don Hulette

Roteiro: Terry Chambers

Elenco: Chuck Norris,George Murdock, Terry O´Connor, Don Gentry, Michael Augenstein


domingo, 21 de maio de 2017

aventura estradeira

LOUCA ESCAPADA

Há mais de 40 anos Spielberg fazia sua grande estréia nas telas do cinema

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  Em 1974 estreava nos cinemas norte-americanos o primeiro filme dirigido por Steven Spielberg bancado por um estúdio de Hollywood. Louca Escapada (Sugarland Express) marcava então a estréia do jovem cineasta nos grandes estúdios. Após o estrondoso sucesso de Encurralado (Duel, 1971) três anos antes, filme televisivo que deu destaque à Spielberg, ele fora então escalado para dirigir uma aventura um tanto hilária e ao mesmo tempo dramática ao contrário de Duel que era um filme de suspense e trazia uma trama extremamente tensa. Porém, Sugarland Express é também uma história ambientada em um longo percurso de estrada e o talento do diretor para tal empreitada resultou também em um grande sucesso, o início da brilhante carreira do lendário cineasta de hoje.
  Roteirizado por Spielberg em parceria com Hal Barwood e Matthew Robbins, Sugarland Express é baseado em uma história real ocorrida em 1969 no Texas, na qual o casal de fugitivos Robert e Ila Fae Dent sequestraram o policial Kenneth Crone e sendo perseguidos por carros de polícia, helicópteros e a imprensa local, empreenderam uma incrível fuga passando por diversas cidades do estado até chegarem à casa da mãe de Ila Fae. Uma história no mínimo curiosa que cedo ou tarde ganharia alguma adaptação nas telas do cinema.

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  O casal em questão tiveram seus nomes alterados na versão cinematográfica para Lou Jean Poplin e Clovis Michael Poplin, respectivamente interpretados por Goldie Hawn e Willian Atherton. O talento cômico e o carisma de Hawn que a tornou famosa na época deu o tom adequado de descontração para que a trama fosse menos tensa embora seja repleta de situações ora engraçadas, ora dramáticas, mas sem perder o ritmo contagiante típico de aventura road movie.

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  A trama tem início com Lou Jean visitando seu marido Clovis Michael em um presídio em que ele está cumprindo pena. Lou Jean executa um surpreendente plano de fuga do qual Clovis obviamente não esperava e acaba aceitando para não decepcionar a esposa, pois Lou Jean, uma ex-detenta recém liberta quer desesperadamente viajar para reencontrar seu filho que é pouco mais que um bebê e fora adotado por um casal que reside na cidade de Sugarland, o destino do casal numa fuga alucinada pelas estradas do Texas.
  Após a fuga discreta o casal Poplin pega a autoestrada e num trecho são parados pelo policial Maxwell Slide (Michael Sacks) por estarem em alta velocidade. Entretanto, durante a abordagem o casal aproveita-se de uma leve distração do policial e lhe roubam a arma passando a dominar a situação. E para que não sejam pegos pela polícia já que seus nomes começam a circular pelos noticiários, resolvem sequestrar o patrulheiro para que ele sirva de escudo para uma fuga bem sucedida.
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Resultado de imagem para sugarland express  De modo parecido com a história verdadeira, o casal logo ganha fama em boa parte do país e nas cidades por onde passam são amparados pela população local que passa a admirá-los por saberem que o motivo da fuga é tão somente para reverem o filho pequeno que se encontra sob a guarda de outra família e a fuga do casal é garantida de forma pacífica por capitão Tanner, o chefe de polícia que por meio do rádio controle negocia com Lou Jean para que não firam o policial e não façam nada de errado durante percurso no qual serão acompanhados por um comboio da polícia. Capitão Tanner, figura austera e um tanto paterna foi seguramente interpretado por Ben Johnson, ator veterano que atuou em diversos faroestes.

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  Com orçamento de 3 milhões de dólares, o filme foi bem nas bilheterias e colocou Spielberg devidamente dentro dos grandes estúdios de Hollywood. O jovem diretor teve o privilégio de estrear um novo tipo de câmera, Panaflex, o que lhe permitir elaborar cenas complexas filmadas dentro dos carros dos patrulheiros. O filme chegou a ganhar premio de melhor roteiro no Festival de Canne (França) e teve uma indicação na Palma de Ouro.  A fama do cineasta cresceria ainda mais de modo que seu próximo filme foi o que lhe deu fama mundial, Tubarão (Jaws, 1975) que como todos sabem já nasceu clássico tornando-se um dos maiores filme de todos os tempos. A grande jornada de Steven Spielberg estava iniciada rumo ao inevitável sucesso. (R.A.)

TRAILER


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Louca Escapada (Sugarland Express, 1974)

Roteiro: Steven Spielberg, Hall Barwood e Matthew Robbins

Direção: Steven Spielberg

Elenco: Goldie Hawn, Willian Atherton, Ben Johnson, Michael Sacks, Gregory Walcott, Steve Kanaly



  


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

estrada perigosa

BLACK DOG: ESTRADA ALUCINANTE

Há quase 20 vintes anos Patrick Swayze trilhava percursos perigosos a bordo de um caminhão

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   Em 1998 Patrick Swayze estrelava um de seus filmes menos conhecidos, já que esta pérola de ação classe B não chegou a ser exibido nos cinemas pelo menos não aqui no Brasil. Entretanto a película tornou-se bastante conhecida junto ao público que frequentava as vídeo-locadoras, pois o VHS ainda reinava absoluto até o final da década de 1990. Dirigido por Kevin Hooks e roteirizado por Willian Mikelberry e Dan Vinning, Black Dog: Estrada Alucinante trata-se de uma aventura rodoviária, porém não muito comum já que as perseguições e cenas de ação são protagonizadas por possantes caminhões ao invés de carros, o que torna aventura até certo ponto empolgante por esta idéia. 
  A trama acompanha a trajetória de Jack Crews, o personagem de Swayze que após cumprir uma pena de prisão devido à um acidente no passado que ocasionou em morte, retorna para sua casa e recomeça sua vida ao lado da esposa e de sua pequena filha. Crews então consegue emprego em uma empresa de transportes, mas como funcionário operacional. Contudo, Cutler (Graham Beckel), seu patrão lhe oferece um serviço de transporte de carga de um estado a outro, algo que ele simplesmente não pode aceitar já que teve sua carteira suspensa após a prisão. Porém Jack acabará aceitando o serviço já que  a grana irá ajudá-lo a pagar a hipoteca da casa, informação esta que sua esposa  lhe disse algum tempo depois.  
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Imagem relacionada  A princípio Crews pensa que fará uma viagem tranquila inclusive com direito à escolta para não ter maiores problemas com autoridades, porém o que ele não imagina é que o percurso será o mais tortuoso e perigoso que ele jamais percorrera antes em sua vida de caminhoneiro. Até porque ele não sabe que a carga que transporta não é exatamente o que parece, pois no baú do caminhão não há apenas um carregamento peças de banheiro, mas também um carregamento de armas escondidas ilegalmente no interior da carga. E o ambicioso Red (Meat Loaf) sócio de Cutler e encarregado de monitorar a viagem é quem trará dores de cabeça à Crews e à toda equipe de escolta, pois Red trai a confiança de Cutler e quer a todo custo interceptar a carga.



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Jack Crews dirige um PeterBilt 379, motor Caterpilar

   Com a ajuda de Earl (Randy Travis), Sonny (Gabriel Casseus) e Wes (Brain Vincent), Crews tem de fazer verdadeiros malabarismos na estrada para escapar das investidas dos perseguidores enviados por Red que quer interceptar a valiosa carga a todo custo e não mede esforços para tal feito. Basicamente a ação do filme é composta de perseguições entre caminhões, embora haja alguns carros também, mas possivelmente Black Dog é o único filme que consegue realmente fazer cenas de perseguição na estrada com esses veículos brutos e nesse ponto o diretor Kevin Hooks merece créditos ainda que seja perceptível alguns erros grosseiros de continuidade ou cenas exageradas. 



  O título Black Dog (cão negro) refere-se ao mito folclórico do cachorro preto, conta-se que é um animal de olhos brilhantes que aparece do nada nas estradas e assombra os viajantes - diz a lenda que quem o vê pode ter muito azar, "ele tira tudo de você" conforme diz Earl em um certo momento da trama. Além de boas cenas de ação é muito bom ver ou rever o saudoso Patrick Swayze embora no final dos anos 90 não estivesse em seus melhores momentos no cinema e já não era um grande astro, contudo escolheu um roteiro que rendeu um filme divertido para uma boa sessão da tarde. Para completar, a ótima trilha sonora é embalada só com repertório de músicas country. Nostalgia pra ninguém botar defeito. (R.A.)


TRAILER



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Black Dog: Estrada Alucinante (EUA, 1998)

Direção: Kevin Hooks

Roteiro: Willian Mikelberry e Dan Vinning

Elenco: Patrick Swayze, Randy Travis, Meat Loaf, Brenda Strong, Gabriel Casseus, Brian Kelly, Graham Beckel

domingo, 31 de maio de 2015

jornada solitária

MAD MAX - A caçada continua

Em 1981 o guerreiro das estradas retornava às telas do cinema



 "Minha vida se esvai, minha visão se embaça. Tudo que me resta são recordações. Eu me recordo de uma época caótica, de sonhos arrasados, de uma terra devastada, mas acima de tudo, me recordo do guerreiro das estradas, um homem que chamávamos de Max"... - este trecho narrado por um narrador personagem dá abertura ao segundo filme da saga apocalíptica estrelada por Mel Gibson e novamente comandada por George Miller. Mad Max - The Road Warrior  dava sequência à jornada de Max Rockatansky iniciada no filme de 1979 e que pelo grande sucesso que fez, merecia uma continuação urgente, e que chegou no tempo certo para mais uma vez surpreender público e crítica numa nova aventura road movie.

  Escrito por George Miller e Terry Hayes, a película australiana trazia novamente Mel Gibson na pele de Max e a bordo de seu potente V8 e na companhia de um simpático cachorro, vagando pelas estradas desertas da Austrália em busca de combustível que normalmente pode ser encontrado no tanque de veículos tombados acidentalmente pelo caminho. Porém, logo no início d aventura, o herói solitário já se encontra em uma perseguição, fugindo de alguma gangue que quer o seu carro e seus pertences, mas graças à sua experiência e habilidades no volante, ele consegue intimidar seus perseguidores que logo desistem de caçá-lo.

As gangues que saqueiam viajantes nas estradas, agem e se
travestem como piratas
  Em sua caminhada ele encontra no deserto um sujeito atrapalhado chamado Gyro, que lhe indica a existência de uma pequena aldeia, onde parece haver uma refinaria de petróleo e portanto, combustível de sobra. Obviamente tal refinaria é visada pelas gangues de saqueadores que querem obter combustível e bens diversos à todo custo, espalhando o terror pelas estradas. Ao salvar a vida de um dos habitantes da aldeia na estrada, Max fica conhecendo os habitantes do local e em meio à varias circunstâncias, resolve ajudá-los a defenderem da gangue de saqueadores, o que resultará numa batalha entre ambos os grupos pela posse do petróleo.

Neste filme há uma mulher guerreira, idéia que foi melhor
explorada no filme de 2015, segundo Miller

A refinaria foi o maior set de filmagens do cinema
australiano na época
  Orçado em cerca de US$ 2 milhões foi até então a produção mais cara do cinema australiano, pois demandou muito investimento tanto na grande quantidade de veículos que preenchem as estradas nas perseguições quanto na concepção da refinaria no meio do deserto, uma idéia que remete muito aos "fortes", que eram bases militares das cavalarias do velho oeste norte-americano, o que reforça o argumento de faroeste pós-apocalíptico. As perseguições nas rodovias também remetem ao gênero faroeste, especialmente no final da trama numa longa cena que preenche pelo menos 14 minutos de ação ininterrupta com Max a bordo de um possante caminhão numa batalha contra a gangue de malucos à bordo de carros e motos sucateados e remodelados. Uma perseguição espetacular e possivelmente a mais longa já filmada até então.


A gangue liderada por um vilão misterioso
 Durante a premier de estréia de Mad Max - Fury Road (2015), George Miller comentou que no segundo filme da franquia há uma mulher guerreira na qual ele ficou pensando, e o que o levou a desenvolver a personagem Furiosa, interpretada por Charlise Theron - ou seja, revendo os filmes anteriores pode-se perceber que (quase) todas as idéias para o filme de 2015 já existiam o que demonstra que o universo apocalíptico criado por Miller é totalmente coeso embora o novo filme não seja uma sequência dos anteriores.

O visual de Mad Max 2 inspirou James Cameron
na concepção de Exterminador do futuro, segundo
o próprio cineasta canadense


 Sucesso de público e aclamado pela crítica como um dos melhores filme de 1981, Mad Max - The Road Warrior apresentou o herói Max de forma definitiva, com bem diz o subtítulo "o guerreiro da estrada", e a partir de então o personagem passou a habitar o imaginário popular em todo o mundo consagrando-se como um dos personagens mais marcantes do cinema oitentista tais como Rambo, Conan ou Indiana Jones, embora a franquia de Max não pertença aos estúdios de Hollywood. De qualquer maneira o mundo do cinema ganhou pela obra de Miller o maior guerreiro pós-apocalíptico. Uma nova estrada estava aberta para os novos rumos do cinema e até hoje os fãs agradecem. (R.A.)

TRAILER





Mad Max 2 - A Caçada continua (Mad Max - the road warrior, 1981)

Roteiro: George Miller, Terry Hayes

Direção: George Miller

Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Michael PrestonMax Phipps, Vernon Wells, Virginia Hey, Emil Minty


quinta-feira, 28 de maio de 2015

caçada rodoviária

MAD MAX

Em 1979 tinha início uma caçada futurista nas estradas australianas 


  Bem no final da década de 70 surgia dos confins da Austrália uma modesta produção que inovou de modo surpreendente o gênero de ação e a concepção de filmes futuristas. A película Mad Max comandada pelo diretor estreante George Miller trazia uma estória aparentemente simples ambientada num futuro distópico e quase mergulhado no caos. Uma crise de falta de petróleo desencadeia uma recessão aparentemente mundial e o resultado disso é uma desordem social provocada por gangues de motoqueiros que percorrem as rodovias para saquear viajantes a fim de roubar combustível e o que mais lhes interessar, causando assim pânico e terror cujo cenário retratado no filme são as estradas australianas.
  Neste futuro caótico a única força de resistência para combater tais gangues a fim de proteger inocentes e tentar manter alguma ordem, é a polícia rodoviária denominada Main Force Patrol (MFP) que age mantendo uma vigilância intensa nas estradas, dispostos a matar ou até mesmo morrer para fazer cumprir o que ainda resta da lei, pois já estão vivendo em meio à uma guerra urbana não declarada. Dentre vários policiais corajosos e até certo ponto muito bem preparados para a batalha está Max Rockatansky, um jovem agente considerado o melhor dentro da corporação.

Mel Gibson numa estréia triunfal

  A breve descrição àcima expôe o argumento do roteiro nada menos que genial concebido por George Miller, e o que torna o filme uma obra genial e singular foi sem dúvida a habilidade que o australiano demonstrou na direção de seu longa de estréia, feito com pouquíssimos recursos, mas que ainda assim alcançou resultados satisfatórios visualmente em cenas de perseguição belamente elaboradas com direito à diversas capotagens e explosões, além de ser um dos primeiros filmes australianos gravado em formato anamórfico.

 Para combater tal batalha nas auto-estradas com a máxima eficácia, nada mais justo que os patrulheiros pilotassem os carros de maior potência possível, equipados com motor V8, tal como é visto nos momentos iniciais quando o agente Max está a bordo de seu carro de patrulha chamado de Interceptor e que na verdade é um Ford Falcon XB GT.


Joe Toecutter, o grande vilão da trama

  Devido ao orçamento um tanto "apertado", cerca de  US$ 300 mil, Miller chegou a utilizar seu próprio veículo, uma van que obviamente ficou destruída numa cena violenta nos momentos iniciais da trama. O diretor demonstrou também uma notável inventividade tanto nas perseguições em alta velocidade filmando em primeira pessoa, ou seja, com a camêra simulando o olhar do piloto, quanto como nos efeitos improvisados, especialmente na cena dos "olhos arregalados" que anunciam desastres prestes a acontecer.

  "Se eu ficar muito tempo na estrada, vou ficar igual eles, louco de pedra. E o meu distintivo de bronze é que me torna bonzinho", é o que diz Max ao seu chefe quando este lhe pergunta porque ele quer se demitir da polícia, pois Max ficou assustado e um tanto perturbado após ver no hospital como ficou o agente Goose, seu parceiro de trabalho e melhor amigo que foi surpreendido por alguns motoqueiros na estrada e queimado vivo dentro de um carro. Entretanto, mais tarde Max terá de enfrentar vários outros motoqueiros malucos da mesma gangue que atacou seu amigo, até porque a mesma gangue o encontrará e atingirá o que ele tem de mais precioso: sua esposa e filho.


 Mel Gibson em seu longa de estréia consegue interpretar sutilmente a transformação que seu personagem exige apesar de ser um ator ainda muito jovem com apenas 23 anos. Conta-se que a Miller procurava um ator que aparentasse ser bruto para o papel, e um dia antes do teste de elenco, Gibson envolveu-se em uma briga de bar levando um pequeno corte no rosto, algo que de certa forma o ajudou a conseguir o papel. Tal como o protagonista, o carro patrulha também passa por uma brutal transformação, na verdade o interceptor amarelo é trocado por um potente carro preto também com motor V8, mas com 600 cavalos de potência, ou seja, uma máquina à altura da fúria de seu condutor.


Ford Falcon XB - GT



 O filme foi lançado na América do Norte somente no ano seguinte, em 1980 e logo em seguida no restante do mundo alcançando grande sucesso. Consta no Guiness Book, o livro dos recordes que a obra de George Miller permaneceu até 1998 como o filme de baixo orçamento mais lucrativo da história tendo faturado cerca de US$ 100 milhões nas bilheterias mundiais, tornando Mel Gibson um astro precoce que em pouco tempo seria "fisgado" por Hollywood.


  A obra de Miller abriu as portas do cinema australiano para o mundo com alguns filmes de sucesso como Crocodilo Dundee (1986), além das duas sequências Mad Max - The Road Warrior (1981) e Mad Max Beyond Thunder Domme (1985). Enfim, o road movie australiano é um importante divisor de águas na história do cinema e portanto clássico obrigatório para todo cinéfilo que se preze! (R.A.)

TRAILER



Mad Max (Austrália, 1979)

Roteiro: George Miller, James McCausland

Direção: George Miller

Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keyas Byrne, Steve Bisley


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

rota traiçoeira

BREAKDOWN - IMPLACÁVEL PERSERGUIÇÃO

Há 17 anos Kurt Russell trilhava uma estrada impiedosa para encontrar sua mulher desaparecida



  Em 1997 estreava nos cinemas estadunidenses Breakdown - Implacável Perseguição, um filme tenso e com uma trama intrigante roteirizado por Jonathan Mostow e Sam Montgmorey trazendo o astro Kurt Russell no papel de Jeff Taylor, um sujeito bem sucedido que leva uma vida normal ao lado da esposa Amy (Kathleen Quinlan) e juntos viajam em seu carro novo, um Ford Grand Cherokee, por uma estrada de longos percursos desérticos, cujos postos de parada são bem distantes, o que é um péssimo sinal caso o carro apresente algum defeito pelo caminho - e é o que infelizmente acontece ao carro de Taylor.
  O roteiro simples nos conduz à uma trama angustiante quando no segundo ato Amy some misteriosamente após ter aceitado carona de um caminhoneiro que lhes ofereceu ajuda na estrada e o mesmo caminhoneiro algum tempo depois negou que sabia de tal fato quando um policial rodoviário o abordou junto com Jeff que para o maior desespero nada conseguiu pois o agente inspecionou o caminhão e não encontrou nenhum sinal ou indício que pudesse incriminar o caminhoneiro chamado Warren "Red" Bar.



  Sem ter o que fazer a não ser abrir um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima, Jeff empreende uma busca solitária investigando todos os lugares por onde esteve ao longo do percurso a fim de encontrar alguma pista que pudesse levá-lo ao paradeiro de sua esposa - e assim o filme que é um dos mais tensos do sub-gênero rodoviário, segue num suspense crescente e ao mesmo tempo sufocante de modo que posteriormente o caminhoneiro "Red" Bar volta a encontrar Jeff para finalmente lhe revelar o paradeiro de Amy, que ele sequestrou para devolvê-la a Jeff em troca de muito dinheiro.


  Além ótimo suspense, no terceiro ato o longa traz cenas de ação muito bem vindas e ainda que sejam poucas são mais que suficiente para que o diretor Jonathan Mostow mostre seu talento para cenas físicas o que anos mais tarde lhe rendeu a direção de O Exterminador do Futuro 3 - A rebelião das máquinas (Terminator 3 - Rise of the machines, 2003). O elenco de Breakdown é pequeno, mas bastante funcional encabeçado por um sempre versátil Kurt Russell como o protagonista Jeff, Kathleen Quinlan  também versátil como Amy e o saudoso J. T. Walsh (1943-1998), figura tarimbada em vários filmes de sucesso e aqui interpreta o misterioso vilão "Red" Bar.

Jeff pegando uma carona forçada











 A produção assinada pelo lendário Dino De Laurentis (1919-2010) conta com uma bela fotografia retratada na região sudoeste dos Estados Unidos, e o local específico onde o carro de Jeff quebra é localizado próximo à cidade de Moab, no estado de Utah, região um tanto desértica onde mais de 400 filmes já haviam sido rodados 4 anos antes de Breakdown - segundo consta nos extras do DVD, em 12 semanas de filmagens a produção teve que fazer 17 mudanças ao longo de 500 milhas para concluir as cenas gravadas na estrada.

Mostow, Russell e Dino di Laurentis
  Breakdown fez um notório sucesso nos cinemas estadunidenses e apesar do modesto orçamento de US$ 36 milhões arrecadou surpreendentes US$ 50 milhões nas bilheterias de seu país; entretanto passou um tanto despercebido pelos cinemas brasileiros e foi pouco visto em home vídeo, mas foi reprisado várias vezes na Tv aberta. De qualquer forma o filme deixou sua marca na década de 90 e merece ser lembrado como o melhor thriller rodoviário desde o sufocante Encurralado (1971) ou o surpreendente A Morte Pede Carona (1986). Enfim, com psicóticos atrás do volante ou pedindo carona ou ainda sequestradores de viajantes, as estradas cinematográficas nunca mais foram as mesmas.

Trailer



Breakdown - Implacável Perseguição (1997)

Roteiro: Sam Montgomery, Jonathan Mostow

Direção: Jonathan Mostow

Elenco: Kurt Russel, Kathleen Quinlan, J. T. Walsh, M. C. Gainey, Jack Noseworthy, Moira Sinise, Rex Linn