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sábado, 9 de setembro de 2017

fantasia sombria

A TORRE NEGRA

Adaptação da obra de Stephen King resulta em filme pouco inspirador

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  Após tantas discussões e polêmicas sobre como seria o formato da adaptação de A Torre Negra, se iria para a Tv como minissérie ou para as telas do cinema como uma franquia e após o roteiro ser adquirido pelo estúdio responsável (Columbia Pictures), finalmente a decisão fora tomada e a saga épica originária dos livros de Stephen King ganhou as telas do cinema. Estreado no final de agosto, o filme vem rendendo boa bilheteria ao redor do mundo e teoricamente é um sucesso, mas... isto é bem relativo haja vista as reclamações dos fãs da obra que não estão gostando da aventura cinematográfica tanto quanto a crítica norte-americana que já havia reprovado o longa após exibição prévia antes da estréia oficial.
  Com direção do novato Nikolaj Arcel que escreveu o roteiro em parceria com Akiva Goldsman, o filme não apresenta a grandiosidade que se esperava embora tenha Ron Howard como produtor. Arcel  foi roteirista do filme sueco Os Homens Que Não Amavam As Mulheres. Especialmente fãs da obra literária de King ficaram bastante desapontados com a aparência comum que o filme apresenta como se fosse uma sessão da tarde - algo bem diferente, por exemplo, de O Senhor dos Anéis cuja composição envolvente e carregada de ostentação conquistou o grande público e não apenas os fãs dos livros de J. R. R. Tolkien.

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  Contudo a produção tem seus pontos positivos ao escalar atores talentosos e carismáticos como Idris Elba que interpreta o pistoleiro Roland Deschain e Mathew McConaughey que encarna o vilão Walter Padick, mais conhecido como o homem de preto. Mas quem realmente rouba a cena é Tom Taylor, que interpreta o garoto Jake Chambers, o protagonista desta fantasia épica. Apesar de a princípio ser um garoto normal, Jake sente-se um tanto perturbado por visões que ele não sabe explicar, sonhos lúcidos ou alucinações sobre um mundo paralelo interligado ao nosso, mas que só ele vê, incluindo aí o pistoleiro e o homem de preto, os antagonistas da grande batalha desse outro mundo.
  O melhor trunfo é o fato de a narrativa ser embasada no ponto de vista do garoto Jake, o que obviamente pode agradar e muito o público juvenil embora a estória na tela seja contada tão rápido quanto os disparos da arma do pistoleiro. Entretanto, é nítida e muitíssimo estranha a sensação de que o filme não parece ser adaptação de alguma obra de Stephen King, já que o renomado escritor é bem mais conhecido por estórias de horror e suspense das quais resultaram em grandes filmes em décadas anteriores.

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  Contudo, King não escreve apenas literatura de horror e suspense já que alguns dos melhores dramas que o cinema produziu são adaptados de obras dele tais como os excelentes À Espera de Um Milagre e Um Sonho de Liberdade. Vale lembrar também que elem começou a escrever a saga de A Torre Negra há cerca de trinta anos e a concluiu somente após os anos 2000, ou seja, é compreensível que a narrativa de Dark Tower fuja um pouco ao estilo de horror que consagrou o escritor, pois trata-se essencialmente de fantasia, embora sombria.

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O vilão Walter Padick não utiliza armas de fogo,
mas possui poderes de magia
  Trazendo um empolgante confronto decisivo entre Roland e Walter, o filme não parece deixar ganchos para uma sequência embora os produtores tenham anunciado que haverá uma trilogia. O confronto final do filme não chega a ocorrer nos livros e é bastante comum que filmes sigam rumos diferentes da obra escrita. Ainda assim, o futuro de A Torre Negra no cinema ainda é incerto, pois não se sabe se as sequências realmente ocorrerão já que apesar do aparente sucesso comercial a composição do filme vem causando repercussão negativa em boa parte do público. Tomara que a obra de King esteja mesmo num rumo certo e cause boas surpresas caso as sequências aconteçam... e que a Torre mantenha-se em pé nas telas do cinema. (R.A.)



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A Torre Negra (The Dark Tower, 2017)

Direção: Nikolaj Arcel

Roteiro: Akiva Goldsman, Nikolaj Arcel

Elenco: Tom Taylor, Idris Elba, Matthew McConaughey, Dennis Haysbert, Ben Gavin, Claudia Kim, Jack Early Haley.

domingo, 9 de julho de 2017

clássico revisto

A MÚMIA

Continua em exibição nos cinemas filme que inaugura a franquia Dark Universe

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  Um dos grandes monstros da história do cinema tem sua lenda reinventada pela Universal estúdios neste filme estrelado por Tom Cruise que teve estréia no início de junho com fraca bilheteria nos Estados Unidos, porém sucesso mundial agora contabilizando 300 milhões de dólares ao redor do mundo. Dirigido por Alex Kurtzman e escrito por Jon Spaiths esta reinvenção da Múmia refaz a história do mito situando-se nos dias atuais com a trama tendo início no deserto do Iraque onde numa antiga cidade, Nick Morton (Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), dois militares do exército americano e tmabém dois curiosos trambiqueiros descobrem acidentalmente um misterioso sarcófago subterrâneo, algo que rapidamente chama a atenção da doutora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), pesquisadora e especialista em artefatos egípcios.

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Russel Crowe, Tom Cruise, Johnny Deep, Sofia Boutella
e Javier Bardem: elenco do Dark Universe

   O tal sarcófago é egípcio e por algum motivo misterioso fora construído no Iraque, possivelmente na tentativa de sepultar para sempre algum terrível segredo que remonta ao tempo dos faraós - o cinéfilo atento obviamente sabe que tal segredo trata-se da maldição da múmia, pois este é o argumento central de qualquer filme do clássico monstro egípcio que desta vez é interpretado pela atriz argelina Sofia Boutella. A princesa Ahmanet, que no antigo Egito assassinou toda a família com a intenção de ressuscitar o deus Set, fora sepultada viva e amaldiçoada por toda a eternidade. Agora, com seu túmulo violado, o poder maléfico de sua maldição é despertado e a humanidade corre sério perigo já que a múmia é capaz de provocar uma espécie de apocalipse.

Princesa Ahmanet, uma úmia de 5000 anos 

   Tanto quanto o filme de 1999 estrelado por Brendan Fraser, este novo A Múmia entrega-se totalmente à aventura e também abre espaço à tiradas de humor, ou seja, a Universal mantém a fórmula de sucesso do filme anterior e embora Tom Cruise não demonstre o mesmo carisma de Fraser, ele funciona apenas como o típico herói de ação, papel oportuno para o astro que reinventou sua carreira com o sucesso da franquia Missão Impossível, além de outros filmes bem sucedidos como por exemplo Jack Reacher: o último tiro (2012).

Resultado de imagem para a múmia 2017  Além da exótica figura da múmia muito bem interpretada por Boutella, a trama ganha contornos mais sombrios com a muito bem vinda presença do Dr. Henry Jekyll, outro personagem clássico do cinema e da literatura, inserido no roteiro com ótima interpretação de Russel Crowe. A presença do médico e monstro Dr. Jekyll é vital para o desenrolar da trama, afinal é o primeiro cross-over que dá início ao Dark Universe, nova franquia da Universal Studios que unirá todos os monstros clássicos pela primeira vez no chamado universo expandido.

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   A despeito das críticas negativas, A Múmia cumpre muito bem seu papel como uma aventura sombria assim como o filme de 1999, embora as idéias ainda continuem longe do gênero horror que caracterizou o filme clássico preto e branco de 1932 cujo monstro fora interpretado pelo lendário ator inglês Boris Karloff e dirigido por Karl Freund, época de ouro que marcou a Universal como um grande estúdio de filmes de horror. Contudo, os novos tempos prometem idéias brilhantes e como se pode notar, o novo e sombrio universo do lendário estúdio é muito bem vindo. (R.A.)


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A Múmia (The Mummy, 2017)

Direção: Alex Kurtzman

Roteiro: Jon Sphaits

Elenco: Tom Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Russel Crowe, Jake Johnson

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ação horrorosa

DYLAN DOG E AS CRIATURAS DA NOITE

Em 2010 o famoso "detetive do pesadelo" ganhou uma estranha versão nas telas do cinema

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  Dylan Dog, célebre personagem dos quadrinhos italianos bastante conhecido pela alcunha "detetive do pesadelo" ganhou há seis anos uma adaptação norte-americana que pode ser considerada um verdadeiro pesadelo, só que no mal sentido do termo. Estrelado pelo apagado Brandon Routh, que alguns anos antes fez a pior interpretação do Super-Homem em Superman Returns (2006) e dirigido por Kevin Munroe, o filme explora muitíssimo mal o universo de Dylan Dog que sem dúvida é uma das melhores HQ´s de horror de todos os tempos de modo que o personagem tornou-se apenas nos quadrinhos um importante ícone da cultura pop em boa parte do mundo.
  Roteirizado por Thomas Dean Donelly e Joshua Opppenheimer, o longa é recheado de elementos que por mais que sejam sobrenaturais vão se tornando cada vez mais absurdos ao longo da narrativa e como se não bastasse nem mesmo as referências aos quadrinhos conseguem funcionar direito, e por um simples motivo: é tudo muito mal e escrito e mal desenvolvido. E embora o parceiro de Dylan seja o razoavelmente divertido Marcus (Sam Huntington) em substituição ao Grouxo, nem mesmo isso consegue salvar o filme de ser um completo desastre em termos de adaptação.

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Dylan Dog foi criado pelo escritor italiano Tiziano Sclavi em 1986 e alcançou tanto
sucesso na Itália que depois de Tex tornou-se o segundo personagem
mais popular dos quadrinhos italianos

  Além da escolha ruim para o ator principal o segundo e óbvio erro do filme é ambientar o universo do personagem nos Estados Unidos e não na Inglaterra como é originalmente nas HQ´s, ou seja, nas telas Dylan Dog é norte-americano ao invés de inglês, de modo que é apenas um detetive particular e não um ex agente da Scotland Yard ou de alguma corporação policial. Porém Brandon Routh não é o único ator mal escalado já que Anita Briem que interpreta Elizabeth é também péssima atriz.

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  Elizabeth após testemunhar a misteriosa morte de seu pai, contrata Dylan para investigar a estranha causa, o que o leva a descobrir uma conspiração de vampiros querendo dominar a raça humana, embora o pai da garota fora morto por um lobisomen conforme conclui o detetive. Trata-se de uma trama um tanto indigesta com reviravoltas que não convencem e não surpreendem em momento algum. O ótimo ator Peter Stormare faz uma participação como Gabriel, o patriarca da família de lobisomens que inicialmente é o principal alvo da investigação de Dylan. Stormare é bem conhecido por interpretar vilões e como todos sabem o ator chegou a interpretar Lúcifer no filme Constantine (2005), adaptação de quadrinhos protagonizada por Keanu Reeves. Pena que em Dylan Dog o talento de Stormare é desperdiçado num roteiro raso e quase sem conteúdo.

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  Em meio a toscas maquiagens e falta de melhores argumentos há pelo menos algo de bom que merece destaque, já que para matar vampiros Dylan utiliza uma pistola cujas balas ao invés de ter ponta de chumbo, tem ponta de madeira em substituição à estaca de madeira, este sim é um elemento no mínimo inteligente em meio ao amontoado de bobagens que compõem a fraca produção. Com um orçamento de apenas 20 milhões de dólares o filme revelou-se um grande fracasso não chegando a faturar nas bilheterias nem a metade de seu custo.

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  Enfim, enquanto não surge um adaptação decente do detetive do pesadelo, resta ao fãs assistirem Pelo Amor e Pela Morte (Dellamorte Dellamore), filme italiano de 1991 que trata-se de uma adaptação não oficial de uma das estórias de Dylan Dog, porém com os nomes dos personagens alterados já que Tiziano Sclavi, o criador do herói não autorizou a adaptação. Também resta ao fãs aguardar que o personagem futuramente encontre o caminho certo nas telas do cinema. (R.A.)

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Dylan Dog e as Criaturas da Noite (Dylan Dog: Dead of Night, 2010)


Direção:Kevin Munroe


Roteiro:Thomas Dean Donnelly e Joshua Oppenheimer


Elenco: Brandon Routh, Sam Huntingotn, Anita Briem, Peter Stormare, Taye Diggs

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

ação & magia

O ÚLTIMO CAÇADOR DE BRUXAS

Novo filme de Vin Diesel prova que não é só de alta velocidade que sua carreira sobrevive


  Longe de carrões movidos a possantes motores, Vin Diesel emprega sua energia em aventura sombria regada a feitiçaria e encantamentos pontuada com ação. O último caçador de bruxas (2015), que teve estréia bem apropriada em 30 de outubro, véspera de halloween, é a nova cartada do astro da franquia Velozes e Furiosos, que após a histórica bilheteria de Velozes 7, agora resolve no mesmo ano brindar os fãs com esta inusitada produção.
  Sob a direção de Breck Eisner o roteiro escrito por Cory Goodman, Matt Sazama e Burk Sharpless, pincelado com as idéias de Diesel revela-se mais um bom entretenimento típico de sessão da tarde e diga-se de passagem uma empreitada original na carreira do astro, pois até o momento Diesel nunca protagonizou uma aventura com elementos sobrenaturais.
  A trama tem início na idade média quando o guerreiro Kaulder (Diesel) junto com alguns companheiros faz uma caçada definitiva à bruxa mais poderosa que existe, com o intuito de destruí-la e por um fim em seu reinado de morte e horror. Entretanto, antes que Kaulder a matasse, a rainha bruxa amaldiçoou o guerreiro a vagar por toda a eternidade.



 Passados cerca de 800 anos, Kaulder permanece vivo até os atuais dias, perseguindo e caçando bruxas para proteger a humanidade contra os poderes das trevas. Apesar de Vin Diesel ser o protagonista, é interessante notar que o herói que ele compõe utiliza apenas sua apurada inteligência e um vasto conhecimento sobre magia acumulado ao longo de séculos de existência - e Kaulder conta sempre com o auxílio do padre Dolan, interpretado pelo sempre bem vindo Michael Cane. O padre pertence à uma ordem secreta da igreja, incubida de perseguir e caçar as bruxas que agem pelo mundo a séculos, e assim tradicionalmente todo padre ordenado por tal ordem é chamado de Dolan, desde os tempos da idade média.




  A trama faz uma interessante transição da idade média para os dias atuais e ainda conta com a presença do sumido Elijah Wood e a novata Rose Leslie de Game of Thrones, que aqui interpreta uma jovem bruxa que ao longo da narrativa torna-se ajudante do herói na batalha contra as forças das trevas.
  O roteiro recheado de elementos mágicos e personagens fantásticos lembra um pouco jogos de RPG (Role Playing Game), pois muitos desses jogos tem esse estilo do qual Vin Diesel é fã e é daí que provem as idéias por ele sugeridas aos roteiristas do filme,  Reviravoltas bem construídas e um certo clima de suspense podem agradar mesmo que não seja fã de Diesel que mesmo tendo uma atuação sempre limitada consegue vender bem a idéia de que ele pode ser um caçador de bruxas e não apenas um piloto de carros turbinados.


  The Last Witch Hunter teve uma ótima estréia nos cinemas brasileiros sendo visto por cerca de 625 mil espectadores entre 29 de outubro a 1º de novembro, tornando-se o filme mais assistido do citado período com uma arrecadação em torno de R$ 8,5 milhões, ótimo sinal da popularidade do astro nas telas brasileiras. Em contrapartida teve péssima abertura nos cinemas dos EUA ocupando o 62º lugar no ranking de aberturas dos cinemas norte-americanos.
  Embora o longa torne-se naturalmente ofuscado pela bilheteria histórica de Velozes 7, O Último Caçador de Bruxas é a opção certa para os fãs do ator que querem vê-lo em produções diferentes, mas igualmente divertidas. E que venham mais caçadas para o deleite do público.

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O Último Caçador de Bruxas (The Last Witch Hunter, 2015)

Roteiro: Cory Goodman, Matt Sazama e Burk Sharpless

Direção: Breck Eisner

Elenco: Vin Diesel, Michael Cane, Elijah Wood, Rose Leslie, Rena Owen, Olafur Darri Olafson


  

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

ação apocalíptica

FIM DOS DIAS 

Há 15 anos, Schwarzenegger enfrentava forças das trevas para salvar o mundo


  O ano era 1999 e o mundo estava prestes a presenciar virada do século XX para o século XXI, e o jubileu que marcava entrada de um novo milênio na história da humnidade vinha cercado de temores e crenças seculares a respeito do suposto fim do mundo ou fim dos tempos como se diz popularmente. E o cinema não poderia ficar indiferente diante de tais crenças que na verdade sempre foram uma boa fonte de idéias que normalmente resultam em filmes interessantes -  e o resultado disso no final da década de 90 foi Fim dos Dias (End of Days, 1999), estrelado por Schwarzenegger alguns anos antes de sua candidatura política. 
  Dirigido pelo competente Peter Hyams quem em 1994 dirigiu Van Damme no sucesso Timecop - O guardião do Tempo (Timecop), End of Days trazia um Schwarzenegger levemente revigorado após uma cirurgia cardíaca que fizera em 1998 e cujo último filme fora o grande fiasco Batman & Robin (1997) dirigido por Joel Schumacher, filme excessivamente cartunesco e muito aquém da boa filmografia do astro, não que Fim dos Dias seja o seu melhor filme, mas certamente é um dos mais interessantes. 


  A proposta para que Schwarzie estrelasse um filme de horror já era mais do que interessante, pois como seria um filme de horror estrelado pelo brutamontes? A resposta que não é tão obvia resultou num trhiller de ação e suspense mesclado com elementos de horror que não fazem feio a nenhum típico filme de terror, pois o vilão da trama é ninguém menos que Lucifer, interpretado pelo magistral Gabriel Byrne, que vem à Terra  para implantar seu reino e escravizar a humanidade. 

  Jéricho Cane, interpretado por Schwarzie, é um simples policial da cidade de Nova Iorque, que leva uma vida um tanto vazia e até sentido após perder sua esposa e sua filha alguns anos antes quando seu apartamento foi invadido por criminosos alguns anos antes. No início da narrativa ele está prestes a cometer suicídio ao apontar uma pistola na testa, mas antes que puxe o gatilho, alguém bate a porta, e Cane resolve atender, pois é seu amigo e colega de trabalho, Bobby Chicago (Kevin Pollak) que veio chamá-lo para mais um dia de trabalho, mas que não será muito rotineiro, pois ambos foram designados pelo para escoltar e proteger um importante banqueiro que estava de passagem pela cidade para o reveillon. 



  O magnata interpretado por Gabriel Byrne é o hospedeiro de Lucifer cuja vinda à Terra é justamente na cidade de Nova Iorque para encontrar aquela que lhe foi prometida para gerar o anti-cristo, e a tal moça destinada a esse fardo é Christine York (Robin Tunney), pois ela faz parte de uma profecia que a torna a genitora da criança que dará início ao fim dos dias. 


  O roteiro escrito por Andrew H. Marlowe traz boas surpresas que vão desde conspirações religiosas até momentos de puro horror como a arrepiante cena que mostra um padre crucificado no teto no quarto de um hospital, algo difícil de imaginar num filme estrelado por Schwarzenegger, mas houve também alguns furos tal como uma perseguição entre Jericho e um padre homicida que tenta matar o banqueiro, pois tal perseguição se passa antes de o banqueiro ser possuído pelo demônio, quando na verdade deveria se passar depois da possessão. Outra boa surpresa é apresentar um Schwarzenegger num personagem fragilizado pela dor de suas perdas e por sua crise de falta de fé, embora o ator tenha pouco alcance dramático para tal papel. 


  E como não poderia faltar, a produção também contou com ótimos efeitos visuais que vão desde efeitos em CGI até maquetes extremamente realistas como a igreja de São João, onde Jericho trava o confronto final com o demonio. Os efeitos foram produzidos pela Rhythm and hues, empresa que anos depois produziu os efeitos de O incrível Hulk (2008). 


  O clima extremamente macabro é favorecido pela excelente fotografia assinada pelo próprio Hyams que além de comandar o filme demonstra talento para a direção de fotografia que é um outro oficio, o que o torna um bom realizador, além do ótimo cineasta que é, embora tenha pouco reconhecimento. End of Days infelizmente foi um fracasso de bilheteria fazendo pouco mais de US$ 66 milhões para um orçamento estimado de US$ 83 milhões, o que é uma pena, pois este é certamente um dos filmes mais interessantes de Schwarzie que mais uma vez provou não ter medo de propostas diferentes e mais ousadas para reinventar sua carreira. E com certeza, Fim dos Dias é uma boa opção para assistir num feriado de ano novo ;-)

TRAILER





Fim dos Dias
(End of Days, 1999)

Direção: Peter Hyams

Roteiro: Andrew H. Marlowe

Elenco: Arnold Schwarzenegger, Kevin Pollak, Robin Tunney, Gabriel Byrne, Rod Steiger, Udo Kier, CCH Pounder
  

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

épico vampírico

DRÁCULA - A história nunca contada

Filme estrelado por Luke Evans refaz a lenda do grande vampiro


  Dos confins da Europa medieval, mais precisamente de um país chamado Romênia, por volta do século XV, lendas e mistérios em torno da figura de um príncipe guerreiro aclamado como herói por ter libertado seu povo do domínio turco, séculos depois influenciou profundamente o folclore, a literatura universal e posteriormente o cinema de um modo irreversível... e por isso mesmo, surpreendente. Drácula, o grande vampiro foi protagonista de tantos filmes, chegou a aparecer em histórias em quadrinhos e até séries de TV, que provavelmente é impossível alguém não ter ouvido seu nome, inclusive as novas gerações. E é justamente para o atual público que frequenta os cinemas que o personagem foi reformulado num interessante filme que mescla horror e aventura épica.
O príncipe romeno Vlad Dracul,
 mais conhecido como Empalador 
foi a fonte de inspiração para
Bram Stocker na criação
do vampiro Drácula
  Quando o escritor irlandês Bram Stocker (1847-1912) inspirado na história do Príncipe Vlad, resolveu criar um personagem vampiro utilizando a figura do citado nobre, talvez nem imaginasse que seu personagem alcançaria tal sucesso ao longo dos tempos, tanto quanto seu romance literário intitulado Drácula viria a se tornar um clássico da literatura universal tal como Frankenstein de Mary Shelley, O médico e o monstro de Robert Louis Stevenson, e vários outros clássicos tão conhecidos.

 Tamanho legado histórico citado nos parágrafos àcima justificam perfeitamente a inspiração do diretor Gary Shore para comandar a super produção que está em cartaz atualmente nos cinemas, Drácula - a história nunca contada (Drácula Untold, 2014), roteirizado por Matt Sazama e Burk Sharpless que fizeram um interessante cruzamento entre parte da história do príncipe Vlad, o empalador, e o personagem vampírico de Bram Stocker. Entretanto convém lembrar que Francis Ford Copolla foi o primeiro a fazer algo assim no filme Drácula de Bram Stocker, porém sendo mais fiel ao material do livro.
  Mas o filme de Shore toma rumos diferentes ao transformar Vlad em um herói que quer mais do que tudo defender seu povo e sua família a qualquer custo e o personagem embora bem representado pelo ator galês Luke Evans, não tem o menor traço de loucura ou alguma centelha de maldade ao contrário do vampiro literário e do filme de Copolla interpretado por Gary Oldman, e os demais filmes clássicos do vampiro. Em outras palavras, o Drácula de Evans é retratado como um verdadeiro herói, o que o torna menos complexo e mais aceitável para o atual público jovem que frequenta as salas de cinema em busca de aventura.


Na trama o sultão turco Mehmed II (Domic Cooper) faz um pedido um tanto inusitado: ele quer que o príncipe romeno lhe entregue mil garotos para serem treinados para futuramente serem soldados de seu poderoso exército, inclusive ele quer o filho de Vlad, que a princípio concorda em cumprir a tal ordem sob pena de alguma represália do sultão para com o povo romeno.



  No dia em que entregaria seu filho aos oficiais de Mehmed, Vlad se rebela e os mata rapidamente com sua espada - obviamente Mehmed se irrita e fará uma retaliação e Vlad numa tentativa desesperada de salvar sua família e seu povo, faz um estranho acordo com um homem misterioso que habita uma caverna e ganha poderes obscuros após beber o sangue que o estranho ser lhe oferece para que ele adquira a força necessária para derrotar o exército turco.

  Vlad então adquire poderes sobrenaturais, força e velocidade que parecem ilimitadas, audição muito apurada e o poder de se comunicar com animais e as forças da natureza, ou de transformar seu corpo físico num bando de morcegos ferozes num show de efeitos visuais que dão o tom da aventura. Em outras palavras, ele parece se tornar um "super-homem das trevas" e seus homens tem pouca chance de lutar contra os turcos já que ele com suas novas habilidades os derrota sozinho nas batalhas que se seguem. Entretanto o preço a ser pago por tais poderes é alto, e Vlad terá de resistir à sede de sangue até o fim do acordo ou viverá eternamente sob o domínio das trevas.


  Embora o personagem ou mesmo o filme não superem clássicos como O Vampiro da noite (Horror of Drácula, 1958) ou o já citado Drácula de Bram Stocker (Bram Stocker´s Drácula, 1992), o roteiro refaz a lenda de forma engenhosa e satisfatória e até os fãs mais nostálgicos que "torçam o nariz" para este novo Drácula podem se surpreender com a sombria aventura épica que resgata a dignidade dos vampiros que havia se perdido pela mediocridade da saga Crepúsculo. E embora a performance de Luke Evans não possa ser comparada à de Christopher Lee, não se pode negar que é o único vampiro de respeito no cinema dos tempos atuais.

TRAILER






Drácula - A história nunca contada (Drácula Untold, 2014)

Direção: Gary Shore
Roteiro: Matt Sazama e Burk Sharpless

Elenco: Luke Evans, Sarah Gadon, Dominic Cooper, Charles Dance, Art Parnkinson

  

sábado, 18 de agosto de 2012

estrada infernal

MOTOQUEIRO FANTASMA -

 Espírito de Vingança

Herói mais sombrio da Marvel retorna em aventura

estilo road-movie


  Em 2007 quando estreou o primeiro Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider), o público leitor de quadrinhos foi "presenteado" com uma trama rasa e longe do clima altamente sombrio dos quadrinhos, pois os produtores que insistem em "fazer filmes família" transformaram o infernal personagem da Marvel em herói divertido numa aventura pobre de espírito e recheada de efeitos visuais que mais pareciam uma justificativa perfeita para disfarçar as péssimas atuações e a direção medíocre de Mark Steven Johnson, responsável pela direção de Demolidor - O Homem sem medo (Daredevil, 2003), que é simplesmente a pior adaptação de quadrinhos da história do cinema.

Ciaran Hinds
  Esta nova aventura porém prova que ainda é possível salvar o personagem do esquecimento apesar do filme anterior ter alcançado relativo sucesso. Motoqueiro Fantasma - Espírito de Vingança (Ghost Rider - Spirit of Vengeance, 2012) que foi exibido nos cinemas no mês de fevereiro, não tem a pretensão de ser uma sequencia do primeiro e mesmo trazendo de volta o ator Nicolas Cage, este filme esta mais para reboot do que continuação - a história em questão se passa 9 anos após os eventos do primeiro filme, trazendo Johnny Blaze (Cage) numa incursão pelas estradas da  Europa Oriental montado em sua possante moto e carregando em seu interior a maldição do pacto que fizera com Mefistófeles, ou o diabo, desta vez interpretado pelo ator irlândes Ciaran Hinds que apesar de fazer caras e bocas, consegue representar a figura demoníaca. E até Nicolas Cage consegue melhorar a atuação ao interpretar um Johnny Blaze bastante perturbado e até pendendo para o desequilíbrio.
O personagem foi criado em 1972 pelo desenhista Mike Ploog
e os roteiristas Roy Thomas e Gary Friedrich. O espírito da
vingança que dá subtítulo ao filme e ao personagem nos
quadrinhos conforme é explicado no filme é Zarathos,
um anjo que parece ter enlouquecido e caído do céu, 
e ao possuir o corpo de Johnny Blaze lhe confere os poderes
que o transformam no Motoqueiro Fantasma

Moreau
  Numa bela manhã ao despertar de mais uma noite de sono pertubadora devido a terríveis pesadelos, Blaze é encontrado por Moreau (Idris Elba), um estranho religioso que parece ser um ex-padre e está justamente à procura de Blaze, pois ele precisa da ajuda do Motoqueiro Fantasma e ainda lhe oferece a chance de se livrar da maldição infernal - a ajuda em questão é para que Blaze encontre e proteja um garotinho chamado Danny (Fergus Ryordan), pois sua mãe (Violante Placido) teve uma relação com Mefisto em sua forma humana e a criança herdara os poderes  das trevas, o que pode torná-lo uma espécie de anticristo e com isso o inferno poderá reinar sobre a Terra.  Convencido por Moreau e movido pela esperança de encontrar a cura para sua maldição, Blaze parte junto com ele na missão de proteger o garoto e sua mãe, Nadya.


Danny
    O longa traz cenas de ação impactantes com direito a perseguições belamente filmadas em alta velocidade em ângulos baixos com planos abertos e extensos permitindo máxima visualização, mérito dos diretores Mark Neveldine e Brian Taylor que numa dupla direção conferem um aspecto road-movie à aventura do Motoqueiro pois a ação é ambientada em estradas desertas e perigosas. A experiênte dupla tem um currículo razoável tendo comandado os dois filmes da franquia Adrenalina ambos estrelados por Jason Statham, o filme Gamer, estrelado por Gerrard Butler e Jonah Hex, com Josh Brolin. Os efeitos visuais melhoraram consideravelmente em relação à produção de 2007 pois aqui o personagem parece bastante real ostentando um cranio chamuscado soltando uma frumaça preta que parece enxofre e a jaqueta de couro queimada pelo fogo que mantém seu corpo, algo que não se via no filme anterior, além do que em momento algum ele soa artificial mesmo dividindo cena com pessoas de verdade ou aparecendo em plena luz do dia, como pode ser visto nas cenas finais da aventura.

  O roteiro escrito por David Goyer junto com Scott M. Gimple e Seth Hoffman trata o personagem com muito mais respeito do que o filme anterior ao conferir um melhor clima mais próximo do horror e um pouco mais de violência por parte do personagem que pune os algozes sem piedade queimando-os literalmente com o fogo sobrenatural dos golpes de sua longa corrente. Talvez até os leitores mais fanáticos dos quadrinhos consigam apreciar a nova aventura do Motoqueiro Fantasma embora esta também não traga a total "seriedade" dos quadrinhos que conquistaram as legiões de fãs que veneram o personagem. Contudo, vale a pena esquecer o filme anterior e "pegar estrada" nesta nova aventura do Motoqueiro já disponível nos formatos digitais.

Trailer






Motoqueiro Fantasma - Espirito de Vingança (Ghost Rider - Spirit of Vengeance)
Diretor: Mark Neveldine, Brian Taylor
Elenco: Nicolas Cage, Idris Elba, Ciarán Hinds, Christopher Lambert, Johnny Whitworth, Fergus Riordan
Produção: Ashok Amritraj, Ari Arad, Michael De Luca, Steven Paul
Roteiro: Scott M. Gimple, Seth Hoffman
Fotografia: Brandon Trost
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Imagem Filmes
Estúdio: Columbia Pictures Corporation / Crystal Sky Pictures / Marvel Enterprises