quinta-feira, 26 de abril de 2012

deuses em guerra

FÚRIA DE TITÃS 2
A jornada mitológica continua em nova aventura épica 

  Quando o Fúria de Titãs (Clash of the Titans) estreou nos cinemas em 2010 dividiu opiniões pois a refilmagem atualizou uma história bem conhecida de uma produção do início dos anos 80, trazendo um visual bem mais arrojado e efeitos visuais de ponta, além de uma fotografia sombria, porém com atuações medianas e um 3-D completamente dispensável e desnecessário.  A história mitológica deixou questões em aberto e óbvios ganchos para uma sequência, pois apesar da vitória de Perseu contra o deus Hades e o monstruoso Kraken, os humanos não estão completamente salvos, pois continuam sua vidas quase não tendo fé alguma nos deuses. Em Fúria de Titãs 2, dez anos após os eventos do primeiro filme, a Terra é invadida por vários titãs, criaturas horrendas que vieram para dominar e destruir a raça humana. 

Perseu e seu filho Hélio
  Os deuses estão enfraquecidos pela falta de fé da humanidade, pois os poderes divinos são alimentados pela fé humana e sem isso os deuses não tem força suficiente para deter o avanço devastador dos titãs que estão escapando do Tártaro, região localizada nas profundezas do solo, local onde Zeus aprisionara tais criaturas num passado distante. Sem ter poder sificiente para deter o avanço dos titãs que invadem a Terra, Zeus (Liam Neeson) recorre ao seu filho Perseu que mais uma vez como na aventura anterior, mostra-se relutante em encarar tal missão pois ele acredita que "isso seja um trabalho para os deuses, e não para um humano".  Perseu leva uma vida tranquila como pescador e agora viúvo ele cuida de Hélio, filho que teve com sua companheira Io.
   
Na mitologia grega Tártaro é o mundo inferior repleto de
cavernas e grutas profundas. No filme Zeus é caputrado
 por Hades e Ares e fica aprisionado. O poder de Zeus é
drenado por Cronos, uma divindade que prentende invadir
a Terra e devorar os humanos.

Perseu enfrentando um dos titãs











Andrômeda


 Enquanto os humanos sofrem um novo apocalipse, uma conspiração do deus Hades (Ralph Fiennes) com o deus da guerra Ares (Edgar Ramirez) põe em risco as forças do Olimpo, pois eles conseguem atrair Zeus e Poseidon, o deus dos mares, para uma emboscada e covardemente aprisionam Zeus nas profundezas do Tártaro. Poseidon consegue escapar e avisa Perseu sobre o que ocorrera a seu pai - e mais uma vez Perseu cavalgará os céus montado no Pégasu  rumo a mais uma jornada de redenção. A princesa Andrômeda, agora rainha da Grécia esta de volta, mas desta vez sob a interpretação da atriz inglesa Rosamund Pike, que dá um perfil mais amadurecido à rainha e a torna uma guerreira, pois ela comanda o exército grego na batalha contra os titãs e ainda ajuda Perseu na busca por Zeus nas profundezas do Tártaro.  
Ares - o deus da guerra

Jonathan Liebesman


A grande ameça que Perseu deverá
 enfrentar dessa vez é o deus Cronos, que
provocará o apocalipse.

    Esta sequencia de Fúria de Titãs conta com um novo diretor, Jonathan Liebesman, que consegue fazer um trabalho tão bom quanto o de Louis Leterrier, diretor do filme anterior, empregando o que há de melhor em tecnologia de efeitos visuais conseguindo alcançar resultados ainda melhores que o primeiro filme e também melhorando consideravelmente o 3-D em relação à produção de 2010. O elenco traz atuações melhores que o filme anterior e uma leve evolução na interpretação de Sam Wortington, embora ele pudesse explorar um pouco mais a dinâmica de pai e filho entre Perseu e Hélio.





 
Concepção de arte dos titãs mitológicos
 
Ambos os filmes Fúria de Titãs 1 e 2
são inspirados em uma batalha narrada na
 mitologia grega intitulada Titanomaquia
na qual os Titãs liderados por Cronos
travam luta com os deuses olímpicos
liderados por Zeus. Tal batalha definiria o
domínio do universo. O quadro acima
chama-se Queda de Titãs, pintado
 por Cornelis van Haarlem. 



  













Minotauro
 
Hefesto
  O roteiro escrito por Greg Berlanti, David Johnson e Dan Mazeu explora e aproveita de forma dinâmica e inteligente os elementos da mitologia grega ao inserir no roteiro o personagem Hefesto, o deus da tecnologia, criador de vários inventos entre os quais destaca-se as armas utilizadas pelos deuses tais como o tridente de Poseidon e a lança de Ares, armas capazes de derrotar qualquer criatura e até mesmo os titãs. No roteiro Hefesto também é o criador do Tártaro, pois o concebeu como uma magniífica obra de engenharia movida por algum tipo de magia e o caminho para chegar às profundezas é composto por um labirinto cujas paredes são compostas de enormes pedras que se movem sozinhas e tal labirinto é protegido pelo minotauro, a criatura metade homem metade touro, uma espécie de guardião do local. 
  Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans) supera o original em vários aspectos e completa de forma dinâmica e empolgante a saga proposta pelo roteiro do filme anterior com mais ação e alguns desdobramentos que enriquecem um pouco mais a proposta de se fazer uma aventura épica inspirada na mitologia grega. A "nova fúria" merece ser bem apreciada nos cinemas e uma possível terceira parte para dar um fecho será bem vinda pelo que indica o sucesso que este longa vem alcançando nas telas do cinema.

TRAILER




Wrath of the Titans

EUA , 2012 - 99 minutos
Ação / Épico
Direção: Jonathan Liebesman

Roteiro: Greg Berlanti, David Johnson, Dan Mazeau

Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Édgar Ramírez, Toby Kebbell, Rosamund Pike, Bill Nighy, Danny Huston

segunda-feira, 16 de abril de 2012

notas

Lançamentos em DVD


'As Aventuras de Tintim' segue o ávido e insaciável jovem repórter Tintim (Jamie Bell) e seu leal cachorro Milu a partir do momento em que eles descobrem que o modelo de um antigo navio contém um segredo explosivo. Atraído pelo mistério centenário, Tintim se vê na mira de Ivan Ivanovitch Sakharin (Daniel Craig), um vilão diabólico que crê que Tintim roubou um tesouro valioso ligado a um velho pirata cruel chamado Rackham, o Terrível. Com a ajuda de seu cachorro, Milu, do mordaz e resmungão Capitão Haddock (Andy Serkis) e dos atrapalhados detetives Dupond & Dupont (Simon Pegg e Nick Frost), Tintim percorrerá meio mundo, sendo mais esperto e mais rápido que seus inimigos, numa perseguição vertiginosa atrás da localização exata de onde teria afundado O Licorne, um galeão naufragado que pode conter a chave de uma imensa fortuna… e de uma antiga maldição.


Em Busca de um Assassino é o  filme de estreia de Ami Canaan
Mann,  filha do diretor Michael Mann - o roteiro revisita o caso verídico de dois policiais encarregados de resolver duas décadas de desaparecimentos e assassinatos, totalizando mais de 60 vítimas, em terrenos industriais nas refinarias da costa do Golfo do México.


http://omelete.uol.com.br/lancamentos-em-dvd-e-blu-ray/







Tate Noble volta ao lugar onde seus pais foram assassinados quando era jovem. Samuel, amigo de infância de Tate, agora é xerife de La Mesa, e, juntos, eles buscarão a verdade sobre o passado.


http://omelete.uol.com.br/lancamentos-em-dvd-e-blu-ray/









Sully acaba de ser libertado da cadeia e jura vingança contra aquele que o prendeu, o então policial Reynolds. Determinado a destruir a vida do ex-tira, o criminoso quer que ele pague pela morte de sua esposa grávida. Para isso, monta um plano para atingir Reynolds no que ele tem de mais precioso: a filha Toni.


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terça-feira, 3 de abril de 2012

thriller alternativo

DRIVE

Uma rota alternativa de drama, ação e suspense

  Há filmes que parecem nascer predestinados a tornarem-se clássicos ou cult´s. Pois este parece ser o caso de Drive que ja pode ser considerado um novo cult, embora esteja sendo exibido em vários cinemas atualmente e com merecido sucesso tendo ganho o premio de melhor diretor no festival de Cannes, pois esta película dirigida com maestria pelo desconhecido diretor dinamarques Nicolas Winding Refn faz uma bela homenagem ao cinema físico de Hollywood, porém de um modo muito peculiar e com uma composição alternativa com belíssimos planos, sendo alguns extendidos e tomadas em cenas de ação que parecem ter sido esculpidas, pois beiram a perfeição ao revelar o inegável talento de um jovem diretor que ainda tem um longo percurso pela frente.  
Nicolas Refn


  Drive homenageia claramente o cinema de faroeste pois o personagem principal interpretado por Ryan Gosling é o típico herói solitario ja visto tantas vezes em westerns, que parece não ter nome, envolve-se nas piores enrascadas e acaba fazendo o que é certo mesmo que seja ocasionalmente - e com direito a um palito no canto da boca, assim como os cowboys que costumam usar cigarro ou até mesmo um ramo de capim, além de "montar" em um belo carro mustang, cujo simbolo equino diz muita coisa sobre a natureza do cavaleiro solitário.

  O jovem motorista que trabalha como piloto-dublê em filmes de ação no sul da California e como mecânico em uma oficina, nas horas vagas da noite costuma dirigir também para ladrões em fuga, especificamente em situações de assalto a banco ou comercios. Porém, o experiente motorista apenas dirige sem jamais participar dos assaltos e todas as suas ações de fuga sempre funcionam pois com suas habilidades de piloto consegue fugir com muita facilidade da policia e ainda despistá-los, por conhecer perfeitamente o transito da cidade em que tanto dirige.


Carey Mulligan

 Ao conhecer uma jovem mãe solteira chamada Irene, interpretada por Carey Mulligan, o duble começar a ter pequenas mudanças na rotina de sua vida, pois com a aproximação de Irene e do pequeno Benicio, o rapaz cria novos laços de amizade e a possibilidade de um relacionamento. Mas ao contrario do que poderia ser, complicações surgirão com a chegada de Standard, ex marido de Irene que saiu a pouco da prisão e é ameaçado de morte por uma quadrilha que o perseguia ainda na prisao e Standard precisa aceitar um acordo de realizar um grande assalto a uma loja para pagar uma supostra dívida para os bandidos. Um tanto comovido com a situação, o duble resolve ajudá-lo para que os bandidos deixem em paz Standard e sua familia.

  Drive surpreende em todos os aspectos nesses tempos de filmagens "videoclipadas", pois Nicolas Refn emprega um estilo de edição muito calmo e tranquilo e uma narrativa muito próxima à do cinema de arte europeu, o que coloca Drive muito acima do típico filme hollywoodiano, pois aqui não há explosões e nem longos tiroteiros, mas sim poucas cenas de ação belamente filmadas com precisão e riqueza de detalhes e o emprego de trilhas musicais que produzem uma perfeita harmonia entre som e imagem, e não se pode esquecer também da ausência total de musica numa das melhores cenas de perseguição onde só se houve o som dos motores e o cantar dos pneus no asfalto, algo que lembra as melhores produções da década de setenta em Hollywood, tais como Bullit, sucesso de Steve Mcqueen e óbvia referência para este filme.   

  Com pouquíssimas falas o personagem de Ryan Gosling surpreende ao demonstrar uma reação violenta cada vez mais crescente a partir do momento em que sua vida está em perigo como pode ser claramente obsevardo na tomada em que seu rosto surge ensanguentado ao recuar levemente para um canto escuro de um quarto logo após ter matado um homem para se defender - a violência entra repentinamente em sua vida tornando-o parte de um jogo perigoso de vida ou morte.




Albert Brooks

Ron Pearlman
   Com fotografia impecável cujo tom remete à narrativa dos filmes noir, Drive revela-se eficiente e empolgante além de propor um interessante estudo de personagens ao explorar as nuances psicologicas dos mesmos, revelando que o herói em questão pode ter uma natureza tão sombria ou perigosa quanto seus algozes muito bem destacados nas ótimas interpreções de Ron Pearlman e Albert Brooks. E não deixa de ser surpreendente que o diretor Nicolas Refn não saiba dirigir carros e nem tenha carteira de habilitação, porém seu inegável talento para o cinema é mais do que suficiente para construir uma carreira brilhante.

TRAILER



EUA , 2011 - 100 minutos

Ação / Drama
Direção: Nicolas Winding Refn

Roteiro: Hossein Amini, James Sallis (livro)

Elenco: Ryan Gosling, Carey Muligan, Albert Brooks, Bryan Cranston, Ron Perlman, Oscar Isaac, Christina Hendricks

terça-feira, 20 de março de 2012

moda em ação

Entre armas e ação:
a moda no cinema


 
Naiá Aiello
  A moda está presente nos mais diversos âmbitos da vida em sociedade, no cotidiano, no passado e também nas artes. E, quem diria, está também nos filmes de ação, destinados a um público que não se liga muito no assunto: os homens.
 Embora ainda seja alvo de preconceito e acusada de assumir facetas frívolas, a moda encontra na arte a justificativa de sua importância. No cinema, pode caracterizar – e também descaracterizar – um personagem, pode distinguir épocas e demarcar tribos, sejam elas quais forem. E na tribo dos apaixonados pelos filmes de ação, adrenalina e sobressaltos no peito, a moda está (muito!) presente. E posso provar! 

O Exterminador do Futuro


jaqueta Perfecto
  Em “O Exterminador do Futuro”, é possível identificar no muitos itens usados pelos matadores do cinema, como as jaquetas de couro e os óculos escuros. Para entendermos a importância da moda na caracterização do personagem, a cena inicial do segundo filme da saga é emblemática. Quando volta do futuro, o exterminador surge próximo a um bar e completamente nu. Ao entrar no estabelecimento, analisa as medidas das pessoas dos presentes e encontra um correspondente ao seu tamanho: um motoqueiro do qual Schwarzenegger pega as roupas, as botas e a moto. E, no final da cena, o exterminador ainda pega a cereja do bolo do figurino: os óculos escuros. Um figurino que se configura como um exemplo de como o vestuário pode se relacionar com o estilo de vida, estereótipo e imagem que o indivíduo deseja transmitir ao outro, principalmente em um filme em que a força mostra-se como qualidade mais importante.
  O couro, por exemplo, é um dos materiais quase unânimes: transmite imediatamente uma sensação de força e poder e, talvez por isso, seja eleito o material oficial dos roqueiros, motoqueiros e, claro, dos protagonistas de filmes de ação. Arnold Schwarzenegger ainda combina o couro com outro clássico: a jaqueta perfecto , que também faz parte do figurino dos amantes do rock n roll e daqueles que amam andar sobre duas rodas. E vale lembrar que a modelagem perfecto voltou com tudo no último inverno, fez a cabeça das mulheres e apareceu não só no preto: deu as caras em todas as cores possíveis e imagináveis.  E ainda promete ficar por muitas estações seja no armário masculino, seja no feminino. Eu, lógico, tenho a minha perfecto de couro preta no armário só esperando o inverno voltar. 

Matrix

  Algumas variações dos casacos pretos foram vistas em outros clássicos do gênero de ação, com materiais e modelagens diferentes. Um exemplo é o filme Matrix, que, como a maioria dos filmes de ação, usa e abusa da cor preta como tonalidade principal do figurino de seus personagens. Neo (Keanu Reeves), o protagonista da trilogia, tem como marca registrada o sobretudo preto de lã, mas engana-se quem pensa que o couro é deixado de lado: é usado por Morpheus (Lawrence Fishburne) e aparece em materiais similares, como o verniz, usado pela personagem Trinity (Carrie-Anne Moss). É possível identificar nos personagens dos filmes do gênero uma outra similaridade: os óculos escuros, que quase nunca deixam de compor o visual dos personagens e se destaca como acessório preferido dos killers da telona.
 007
  Ele pode ser Sean Connery, Pierce Brosnan, Daniel Craig ou qualquer outro ator que tenha interpretado James Bond, o agente secreto mais famoso do cinema. A questão é que nenhum outro protagonista transmitiu tanta elegância quanto aqueles que deram vida ao eterno James Bond, o 007, sempre clássico em seu smoking e a inseparável gravata borboleta. Além do indefectível e garboso figurino, Bond já trocou o traje icônico por outros não menos elegantes, como o conjunto de terno e gravata da cor preta.
  A influência da moda no figurino dos filmes de 007 começa pelos grifes que assinam as peças usadas nos filmes: Givenchy, Giorgio Armani, Thierry Mugler, Prada, Cavalli e Oscar de la Renta. Sem esquecer de Tom Ford, responsável pelo figurino do de Quantum of Solace (2008) e que vai repetir a parceria Skyfall, próximo filme de 007 com estreia ainda este ano. As roupas de Bond fizeram tanto sucesso ao longo da história que, a partir deste mês, começa uma exposição de mais de 100 peças e croquis dos figurinos usados pelo agente. A exposição vai acontecer na Barbican Gallery, em Londres e comemora também os 50 anos de adaptação do clássico de Ian Flemming para o cinema.


Naiá Aiello é Jornalista e editora do blog http://modapossivel.com/





sábado, 25 de fevereiro de 2012

western pós-moderno

ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ
Uma reinvenção pós-moderna do faroeste
  Uma negociação mal feita entre quadrilhas resultando em um confronto brutal com várias mortes, uma maleta cheia de dólares; um temível criminoso numa busca incansável pelo dinheiro; um homem comum fugindo com a maleta que encontrou por acaso; um xerife perseguindo a ambos. A descrição àcima é muito semelhante a um enredo de filme de faroeste, apresentando vários elementos comuns ao gênero numa trama repleta de suspense e perseguições ambientada no Texas. Realmente trata-se de um faroeste, mas não da época colonial dos Estados Unidos, pois ambienta-se no início da década de 80 do século XX e tal reinvenção é creditada primeiro ao escritor norte-americano Cormac McCarthy, que escreveu o famoso livro   e depois pelos irmãos Coen, que adaptaram a obra para as telas do cinema com grande sucesso. 
  O enredo em questão é bem mais do que uma trama policial texana, mas trata-se de um  minucioso estudo de personagens, o que se pode notar na caracterização ou representação dos tipos que compõem a obra. Llewlyn Moss, interpretado por Josh Brolin é um sujeito comum, que vive num trailer com sua esposa Carla Jean Moss (Kelly McDonald) , trabalha com algo relacionado a solda e nas horas vagas, caça cervos nas pradarias próximas da região em que mora, quando num dia inesperado ele encontra em um lugar deserto e bem afastado, alguns carros e caminhonetes estacionados a esmo e em volta alguns cadáveres - tudo resultado de uma transação de drogas mal sucedida que resultou em várias mortes e para sua grande sorte, diga-se de passagem, Moss encontra uma maleta repleta de dólares, provavelmente milhões, que seriam negociados naquele local. 
As belas paisagens do oste texano retratadas pelo fotógrafo Roger Deakins
são um cenário perfeito para a ambientação da obra de McCarthy

O escritor Cormac McCarthy ao lado dos irmãos Coen

  O xerife Ed Tom Bell, interpretado por Tommy Lee Jones encarrega-se das investigações, deparando-se com circunstancias incomuns que ele nunca vira antes em toda sua carreira de xerife, mesmo tendo tendo uma bagagem de muitos anos de profissão. "Ele é um espírito velho e viu poucas mudanças" como bem define Tommy Lee Jones a respeito de seu personagem nos extras do dvd do filme, pois Ed Tom vem de uma época em que as coisas eram menos difíceis no combate ao crime e a despeito da violência crescente, ele nunca imaginou que a criminalidade chegaria a um nível tão incontrolável e aterrador, pois a partir de então o velho xerife nunca vira crimes tão difíceis de compreender quanto este, o qual esta investigando e outros que acontecem em sequência. É interessante notar como o xerife Ed Tom é um contraponto na carreira de Jones, que inúmeras vezes interpretou policiais determinados e implacáveis. 

  A trama do filme se passa em um período crucial para os Estados Unidos, pois o tráfico de drogas na fronteira com o México estava ficando cada vez mais brutal e velhos homens da lei como o xerife Ed Tom, não estavam prontos para a nova onda de violência e criminalidade que surgiria a partir de então - e crimes violentíssimos, muitos até inexplicáveis retratam-se nas ações brutais do misterioso Anton Chigurh, "o mal encarnado" numa interpretação impecável do ator espanhol Javier Bardem, o que lhe rendeu o oscar de melhor ator coadjuvante. Chigurh seguramente esta entre os melhores vilões da história do cinema, não só por sua frieza inigualável mas também por seus métodos um tanto exóticos de cometer assassinatos, o que se faz notar no seu hábito de utilizar uma arma para abater gado, que consiste em um cilindro com ar comprimido com uma mangueira e um gatilho na extremidade  que ao ser acionado dispara uma rajada de ar forte o suficiente para perfurar o cranio de um boi, ou nesse caso, da vítima de Chigurh.  

  Todo o elenco de Onde os Fracos Não tem Vez esta muito bem afinado em seus respectivos papéis - Josh Brolin encarna com naturalidade o texano Llewlyn Moss, bem como a atriz escocesa Kelly Mcdonald como Carla Jean Moss, esposa de Llewlyn, que conferem momentos sutis de descontração num filme aparantemente violento. Llewlyn consegue mostrar-se merecedor da sorte de ter encontrando a maleta cheia de dinheiro, pois consegue fugir por uma longa distancia com o dinheiro, até a fronteira do México, mesmo tendo sido encontrado por Chigurh, pois conseguiu milagrosamente escapar do assassino, afinal Moss serviu por duas vezes no Vietnã, adquirindo conhecimento e treinamento militar o suficiente para se cuidar em uma situação de perigo. 
  Embora não seja um filme de ação, estritamente falando, a obra dos Coen não deixa nada a desejar aos melhores filmes de ação de Hollywood, pois a trama de suspense policial tem momentos empolgantes com algumas cenas bastante tensas como na perseguição que Chigurh empreende à Llewlyn numa noite num quarto de hotel e logo em seguida nas ruas escuras e um tanto desertas -  tal cena surpreende pelos tiros inesperados e certeiros que parecem vir do "nada", fazendo com que Moss fuja desesperadamente e ainda revide com a mesma eficácia de seu perseguidor, tudo enriquecido por uma ótima edição de som e o extremo cuidados dos Coen em manter o nível exato de suspense psicológico da obra, respeitando o enredo original do livro de McCarthy, inclusive nas falas dos personagens e em toda a descrição narrativa. 





  Vencedor do Oscar de melhor filme em 2008 e também de roteiro adaptado, No Country for Old Men mostra-se nada menos que uma obra genial e até original, ao retratar uma caçada e uma perseguição implacável entre três homens que jamais conseguem se encontrar efetivamente, embora o xerife Ed Tom pareça ser o menos determinado por sentir-se vencido pelo passagem do tempo e pelas brutais mudanças sociais advindas dessa passagem, algo que subverte as expectativas em torno de uma obra de gênero. Como um western autenticamente pós-moderno, a obra de McCarthy consegue reverter a lógica dos westerns clássicos pois aqui o homem que parece indestrutível é nada mais que o onipresente vilão, o que o eleva à condição de mito, ao contrário do cansado e conformado xerife, já convencido de que jamais poderá vencer tal batalha. A exemplo da realidade que tristemente já conhecemos, os "fortes" nem sempre são homens da lei bem como a sorte não pode ser decidida num simples jogo de cara ou coroa, e como o xerife Ed Tom descobre, sobreviver não é mais uma questão de força, mas sim de coragem. 

Trailer



Título original: (No Country for Old Men)


Lançamento: 2007 (EUA)
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Atores: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson.
Duração: 122 min

Gênero: Drama/Policial






quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

notas

Lançamentos em DVD

  • Um boxeador aposentado (Steve Austin) tenta ajustar um novo aluno, Matthew Miller (Daniel Magder), que está sendo alvo de bulling. Enquanto aprende a boxear e a enfrentar seus agressores, o jovem precisa aprender como enterrar seu tumultuado passado. Mais uma divertida aventura estrelada pelo grandalhão Steve Austin. Um típico filme de sessão da tarde. 






     Gigantes de Aço é estrelado por Hugh Jackman no papel de Charlie Kenton, um lutador decadente que perdeu sua chance de ganhar um título quando robôs de aço de mais de 900 quilos e mais de dois metros e quarenta de altura entraram no ringue. Charlie, então um mero e insignificante promotor, ganha apenas o suficiente, juntando sucatas de metal de robôs, para passar de uma arena de boxe para outra. Quando Charlie chega ao fundo do poço, ele relutantemente se une a seu filho afastado, Max (Dakota Goyo), para construir e treinar um competidor para disputar o campeonato. Conforme as apostas na brutal arena sem limites aumentam, Charlie e Max, contra todas as probabilidades, têm uma última chance de dar a volta por cima.





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

trhiller rodoviário

SEQUESTRO RÊLAMPAGO

Uma longa estrada de perigo e tensão


  As estradas rodoviárias sempre serviram de cenário para muitas produções cinematográficas e os gêneros se desdobraram ao longo da história do cinema em filmes ambientados em rodovias que serviram como cenário ou tema de tramas repletas de suspense, drama e obviamente ação. Carros possantes, caminhões e motos guiados por todo tipo de indivíduos já trafegaram em ótimos roteiros desde a década de setenta do século passado até os dias atuais. Filmes como Encurralado (Duel, 1971), que é um dos primeiros filmes de Spielberg, Corrida contra o Destino (Vanishing Point, 1971) e Mad Max (1979) são precursores do cinema físico ambientado em rodovias.

Cartaz alternativo
Chad
    O filme Sequestro Relampago (Carjacked, 2011) traz a história de Lorraine, uma mulher sofrida e fragilizada por um casamento fracassado tentando reconstruir sua vida participando de uma terapia de grupo e dedicando-se exclusivamente ao pequeno Chad, seu único filho. Numa noite qualquer, ao voltar para casa junto com Chad, Lorraine terá a noite mais terrível de toda sua vida, ao sofrer um sequestro dentro de seu próprio carro durante uma parada em um posto de gasolina. O fugitivo Roy, interpretado de maneira intensa por Stephen Dorff é um criminoso fugitivo que ao entrar no carro de Lorraine e fazer ela e Chad de refens, exige apenas a colaboração de ambos e uma longa carona - Roy tem uma grande quantia em dinheiro proveniente de assalto e precisa fugir da policia e o melhor destino para tal fuga é o México.

Roy
  O roteiro escrito por Sherry Compton e Michael Compton prende totalmente a atenção com bastante suspense e algumas reviravoltas que surpreendem ao longo da narrativa, algo esperado nos melhores trhillers, e a ambientação por vezes remete à A Morte Pede Carona (The Hitcher, 1986), grande sucesso da década de 80. O desconhecido diretor John Bonito (?!!) demonstra talento na construção do suspense pois grande parte da narrativa se passa no interior do carro de Lorraine, o que faz aumentar cada vez mais o clima de tensão, mas que por vezes é atenuado pela dinâmica entre os personagens, pois Roy faz o possível para controlar a situação sem usar violência, algo já visto antes no cinema no excelente filme Colateral, do diretor Michael Mann. O diretor John Bonito comprova que também entende de ação, quando nos momentos finais Roy e Lorraine empreendem uma perseguição brutal, uma verdadeira caçada humana que relembra um pouco Breakdown - Implacável Perseguição (1997), sucesso de Kurt Russel. 
Lorraine


Maria Bello
Stephen Dorff
  O talentoso Stephen Dorff infelizmente nunca tornou-se astro, sendo apenas conhecido como o vilão Frost do filme Blade - O Caçador de Vampiros (1998). Porém o ator sempre consegue participações especiais como coadjuvante em grandes produções de Hollywood, tais como  o policial Inimigos Públicos (Public Enemies, 2009) ou o recente épico Os Imortais (The Immortals, 2011) - além disso, os filmes que Dorff estrela são lançados diretamente em DVD, como os ótimos Felon e XIII - A Conspiração, ambos de 2008. A ótima Maria Bello também não alcançou o estrelato, mas construiu uma carreira de destaque, pois chegou a trabalhar no seriado Plantão Médico (ER) na temporada de 2008 como uma das médicas da equipe, e já foi vista em vários filmes de sucesso tais como Assalto à 13º DP (Assault on Precinct 13, 2005), Marcas da Violência (A History of Violence, 2005) e A Múmia: A Tumba do Imperador Dragão, de 2008. Dorff e Maria Bello são atores de grande potencial e mesmo que não sejam astros, ambos constroem carreiras sólidas em filmes de grande qualidade.


  Embora relembre vários outros filmes que se ambientam em estradas desertas ou rodovias, Sequestro Rêlampago não deixa nada a dever aos filmes citados, trazendo todos os elementos normalmente utilizados neste tipo de produção com atores talentosos e experientes, além de um bom diretor que preza pelo realismo nas cenas físicas não se rendendo aos exageros de efeitos visuais ou sonoros, além de empreender uma narrativa segura como pode ser conferido nas ótimas interpretações do elenco. Lamentável é que filmes como este continuem sendo excluídos das salas de cinema, dando espaço muitas vezes à produções medíocres e duvidosas, apenas por trazerem grandes astros no elenco. Mas, tal como as rodovias, o percurso de um filme pode ser longo e o reconhecimento merecido pode chegar por vias alternativas. Afinal, muitos cult´s podem se formar por trajetos diferentes. 
  
Trailer

Titulo Original: Carjacked

Gênero: Suspense
Duração: 89 min.
Origem: Estados Unidos
Estreia em DVD: 14 de Dezembro de 2011
Direção: John Bonito
Roteiro: Sherry Compton e Michael Compton
Distribuidora: PlayArte Pictures