sábado, 8 de março de 2014

nova vida

REDENÇÃO

Thriller com Jason Statham aposta em trama menos convencional 



  Um morador de rua, uma freira católica e uma trama envolvendo tráfico de prostitutas - o que tais elementos um tanto estranhos tem em comum? Simplesmente elencam o enredo de um filme recente de Jason Statham lançado há pouco tempo nos formatos digitais e infelizmente longe das telas do cinema. O astro britânico mais uma vez faz uma empreitada diferente em sua carreira como ocorreu nos filmes Revolver (2005), dirigido por Guy Ritchie onde ele interpreta um jogador de cassino ou Celular, um grito de socorro (2004), sob direção de David R. Ellis, em que interpreta o vilão da trama.
   Em Redenção (Redemption, 2013), sob a direção do estreante Steven Knight, Statham é Joey Jones, um morador de rua que dorme em caixas de papelão num beco qualquer das ruas de Londres onde convive com mais alguns moradores, acompanhado de uma garota chamada Isabel, também moradora de rua e os habitantes das ruas são ajudados por Cristina, uma freira católica que lhes dá refeição e roupas, interpretada pela ótima atriz polonesa Agata Buzek.


  Joey é um ex-veterano da Guerra do Afeganistão e que agora parece pagar pelos seus pecados cometidos na guerra, vivendo em tal situação. Numa noite qualquer quando traficantes passam pelo beco e espancam os mendigos, Joey foge correndo dos sujeitos após defender-se e ao se esconder no interior de uma cobertura, ele consegue entrar num apartamento esgueirando-se por uma janela e conseguindo se despistar dos perseguidores.

  Após entrar na residencia desconhecida, ele percebe que não há ninguém ali e o dono provavelmente está trabalhando ou viajando. A casa pertence a um fotógrafo rico que está em viagem - Joey então, se apossa dos pertences e assume a vida do sujeito, vestindo suas roupas e usando seu cartão crédito. Subitamente, ele sai do fundo do poço em que se encontrava e inicia uma nova vida chegando a arrumar emprego em um restaurante chinês e passa a ter uma boa vida social.
  Redenção é provavelmente o filme mais diferente na carreira de Statham e isso é um ponto muito positivo para um sujeito que aparentemente é apenas um cara durão que estrela filmes de pancadaria, pois aqui ainda que o personagem tenha uma natureza rude, ele terá de enfrentar seus "demonios" internos para atingir a redenção sugerida pelo título do filme, e representar a fragilidade necessária para isso é sem dúvida um desafio para o ator de modo que Statham até mostra-se convincente no papel.


  Entretanto, engana-se quem pensa que o filme não tem ação devido à proposta dramática do roteiro. Há ótimas sequencias de ação e ainda que sejam poucas, mostram-se bastante satisfatórias para o enredo envolvente da trama que coloca Joey no rastro de um serial killer que só mata prostitutas, e Statham como sempre demonstra suas ótimas habilidades marciais.




 Enfim, Redenção é uma grata surpresa que Steven Knight dirige além de ter escrito e seu talento já pôde ser comprovado no roteiro de Senhores do Crime (2007), thriller de grande sucesso dirigido por David Cronenberg. Drama e suspense bem dosados com um pouco de ação, algo que pode agradar o público mais exigente, embora talvez muitos não queiram ver por pensarem que se trata de mais um filme convencional de Jason Statham. Só resta ao público descobrir que o astro é capaz de fazer mais do que mera pancadaria. 


TRAILER



Redemption - 2013 (EUA, Reino Unido)

Roteiro: Steven Knight

Direção:Steven Knight

Elenco: Jason Statham, Agata Busek, Vick McClure,Victoria Bewick, Benedict Wong, Ger Ryan

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

aventura marcial

47 RONINS

Keanu Reeves retorna às telas do cinema com aventura lendária sobre samurais


 Honra e lealdade são temas recorrentes no cinema físico, especialmente em aventuras épicas onde tais preceitos tornaram-se o fio condutor de muitos filmes que marcaram a história do cinema e hoje são cultuados como clássicos. Apesar de 47 Ronins ser mais uma aventura de artes marciais com efeitos visuais espetaculares, o filme estrelado por Keanu Reeves e um elenco japonês tem os argumentos que sustentam o caráter épico de estória: honra e lealdade.
 A história dos 47 ronins, capítulo importante da história do Japão e por isso mesmo bastante popular na cultura daquele país, se passa no ano de 1701, época de reinado do Imperador Tsunayoshi - como o imperador não tinha muito tempo para visitar todas as províncias do país, ele designava alguns nobres oficiais que pudessem representá-lo e em certa ocasião o imperador enviou lorde Yoshinaka Kira-Kozukenosuke para representá-lo na província de Harima, governada por lorde Naganori Asano-Takuminokami, que recebeu lorde Kira com todas as honras necessários ao enviado do imperador.

Lorde Asano

Lorde Kira
  Entretanto, lorde Kira era um homem bem arrogante e demonstrava gestos que desagradaram lorde Asano, o que culminou em desavenças entre ambos quase chegando a um confronto de modo lorde Asano chegou a sacar sua espada e ferir levemente lorde Kira, o que para o imperador era uma grave ofensa, pois qualquer agressão a um enviado oficial era tida como um insulto - e para pagar tal desonra, Shogun Tsunayoshi condenou lorde Asano à morte pela prática do seppuku, ritual de suicídio que confere ao condenado morte honrosa, segundo a tradição. Logo depois, shogun Tsunayoshi declarou todos os samurais de lorde Asano como ronins, samurais sem mestre ou sem senhor, inclusive Oishi, que era braço direito de Asano.



  A trama narrada àcima corresponde à história verdadeira que se conta no Japão. Entretanto o filme dirigido por Carl Rinsch e roteirizado por Chris Morgan e Hossein Amini, preenche a história com vários elementos de fantasia, entre os quais os poderes mágicos de uma bruxa interpretada por Rinko Kikuchi (Círculo de Fogo), que serve à lorde Kira, alguns piratas que aparecem na metade do filme e também a presença de Kai, um samurai branco interpretado por Keanu Reeves e que não existiu na história verdadeira, tratado com menosprezo pelos demais samurais que o chamam de mestiço. Oishi, interpretado pelo ótimo Hiroyuki Sanada, é o único que trata Kai com respeito, além da princesa Mika (Ko Shibasaki) que ama o mestiço e é filha única de lorde Asano.
Oishi e seus guerreiros

  A estória segue num ritmo enérgico de aventura com cenas de batalhas belamente filmadas e por incrível que pareça com ausência de sangue, talvez para garantir uma censura mais leve ao filme. Sanada confere à Oishi a postura altiva do guerreiro que se torna o protagonista da trama e que junto de seus 46 ronins irão planejar um massivo ataque contra lorde Kira a fim de vingar lorde Asano (Min Tanaka) e restaurar a honra de sua província, o que realmente aconteceu na história verdadeira - e é na lealdade indestrutível dos 47 guerreiros que o roteiro encontra o tom épico necessário ao filme também ancorado pela boa fotografia de John Mathieson, cujos trabalhos anteriores são Gladiador e X-Men - Primeira Classe.



 Contudo, o filme tem pouco sustento num elenco mediano com uma bruxa que rouba algumas das melhores cenas do longa chegando a superar Tadanobu Asano que interpreta um lorde Kira de forma muito inexpressiva, e assim não é de se estranhar o mal desempenho desta produção hollywoodiana de US$ 175 milhões que  embora tenha sido filmada no Japão, fracassou nos cinemas japoneses, bem como nos países ocidentais onde vem sendo exibido, ainda que seja estrelado por Keanu Reeves que ficou mais de 1 ano na terra do sol nascente trabalhando neste filme.
  A história dos 47 Ronins já foi filmada anteriormente pelo cinema japonês nos filmes A Vingança dos 47 Ronins, dirigido em 1941 por Kenji Mizoguchi, e Os Vingadores, de 1962 comandado por Hiroshi Inagaki. Talvez o filme de Hollywood não se torne tão memorável como se espera, porém os aficcionados por artes marciais e cultura oriental poderão, quem sabe, torná-lo um cult... Só o tempo dirá. (R.A.)

TRAILER






47 RONIN (2013)

Direção:Carl Rinsch

Roteiro:Chris Morgan

Elenco: Keanu Reeves, Hiroyuki Sanada,Min Tanaka, Rinko Kikuchi, Tadanobu Asano, Cary-Hiroyuki Tagawa, Ko Shibasaki  




sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

rota traiçoeira

BREAKDOWN - IMPLACÁVEL PERSERGUIÇÃO

Há 17 anos Kurt Russell trilhava uma estrada impiedosa para encontrar sua mulher desaparecida



  Em 1997 estreava nos cinemas estadunidenses Breakdown - Implacável Perseguição, um filme tenso e com uma trama intrigante roteirizado por Jonathan Mostow e Sam Montgmorey trazendo o astro Kurt Russell no papel de Jeff Taylor, um sujeito bem sucedido que leva uma vida normal ao lado da esposa Amy (Kathleen Quinlan) e juntos viajam em seu carro novo, um Ford Grand Cherokee, por uma estrada de longos percursos desérticos, cujos postos de parada são bem distantes, o que é um péssimo sinal caso o carro apresente algum defeito pelo caminho - e é o que infelizmente acontece ao carro de Taylor.
  O roteiro simples nos conduz à uma trama angustiante quando no segundo ato Amy some misteriosamente após ter aceitado carona de um caminhoneiro que lhes ofereceu ajuda na estrada e o mesmo caminhoneiro algum tempo depois negou que sabia de tal fato quando um policial rodoviário o abordou junto com Jeff que para o maior desespero nada conseguiu pois o agente inspecionou o caminhão e não encontrou nenhum sinal ou indício que pudesse incriminar o caminhoneiro chamado Warren "Red" Bar.



  Sem ter o que fazer a não ser abrir um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima, Jeff empreende uma busca solitária investigando todos os lugares por onde esteve ao longo do percurso a fim de encontrar alguma pista que pudesse levá-lo ao paradeiro de sua esposa - e assim o filme que é um dos mais tensos do sub-gênero rodoviário, segue num suspense crescente e ao mesmo tempo sufocante de modo que posteriormente o caminhoneiro "Red" Bar volta a encontrar Jeff para finalmente lhe revelar o paradeiro de Amy, que ele sequestrou para devolvê-la a Jeff em troca de muito dinheiro.


  Além ótimo suspense, no terceiro ato o longa traz cenas de ação muito bem vindas e ainda que sejam poucas são mais que suficiente para que o diretor Jonathan Mostow mostre seu talento para cenas físicas o que anos mais tarde lhe rendeu a direção de O Exterminador do Futuro 3 - A rebelião das máquinas (Terminator 3 - Rise of the machines, 2003). O elenco de Breakdown é pequeno, mas bastante funcional encabeçado por um sempre versátil Kurt Russell como o protagonista Jeff, Kathleen Quinlan  também versátil como Amy e o saudoso J. T. Walsh (1943-1998), figura tarimbada em vários filmes de sucesso e aqui interpreta o misterioso vilão "Red" Bar.

Jeff pegando uma carona forçada











 A produção assinada pelo lendário Dino De Laurentis (1919-2010) conta com uma bela fotografia retratada na região sudoeste dos Estados Unidos, e o local específico onde o carro de Jeff quebra é localizado próximo à cidade de Moab, no estado de Utah, região um tanto desértica onde mais de 400 filmes já haviam sido rodados 4 anos antes de Breakdown - segundo consta nos extras do DVD, em 12 semanas de filmagens a produção teve que fazer 17 mudanças ao longo de 500 milhas para concluir as cenas gravadas na estrada.

Mostow, Russell e Dino di Laurentis
  Breakdown fez um notório sucesso nos cinemas estadunidenses e apesar do modesto orçamento de US$ 36 milhões arrecadou surpreendentes US$ 50 milhões nas bilheterias de seu país; entretanto passou um tanto despercebido pelos cinemas brasileiros e foi pouco visto em home vídeo, mas foi reprisado várias vezes na Tv aberta. De qualquer forma o filme deixou sua marca na década de 90 e merece ser lembrado como o melhor thriller rodoviário desde o sufocante Encurralado (1971) ou o surpreendente A Morte Pede Carona (1986). Enfim, com psicóticos atrás do volante ou pedindo carona ou ainda sequestradores de viajantes, as estradas cinematográficas nunca mais foram as mesmas.

Trailer



Breakdown - Implacável Perseguição (1997)

Roteiro: Sam Montgomery, Jonathan Mostow

Direção: Jonathan Mostow

Elenco: Kurt Russel, Kathleen Quinlan, J. T. Walsh, M. C. Gainey, Jack Noseworthy, Moira Sinise, Rex Linn


sábado, 18 de janeiro de 2014

rota 66

A MORTE PEDE CARONA

Há 28 anos uma estrada tingida de sangue ganhava as telas do cinema


  "Há um assassino na estrada; Sua mente se contorce como um sapo; Tire umas férias longas; Deixe as crianças brincarem; Se você der uma carona para esse homem; As doces lembranças vão morrer"... a sinistra letra da música Riders on the Storm da banda The Doors foi a fonte de inspiração para o roteiro de A Morte pede Carona (The Hitcher, 1986) segundo Eric Red, roteirista do filme que é um dos maiores sucessos do cinema oitentista e hoje cultuado como um dos melhores thrillers de suspense já filmados. 
  Dirigido por Robert Harmon, um diretor que até hoje é desconhecido, porém talentoso e por sinal estreando seu primeiro longa metragem no cinema que custou cerca de US$ 6 milhões de dólares, orçamento modesto, mas suficiente para brilhar nas telas e arrecadar altas bilheterias na época. Pode-se dizer que Harmon teve sorte em sua estréia como diretor de cinema, pois na década do oitenta, logo após o surgimento do videocassete e da expansão da TV a cabo, o cinema perdera considerável parcela do público e a partir de então Hollywood daria mais prioridade à superproduções para atrair o público, algo semelhante ao que ocorre nos dias de hoje com a proliferação de downloads de filmes pela internet.

Robert Harmon orientando Hutger Hauer

  O roteiro segue a trajetória do jovem Jim Halsey interpretado por C. Thomas Howell, que está viajando pela rota 66 para a Califórnia a fim de negociar seu carro. Numa noite chuvosa ele dá carona a um homem estranho que está parado no meio da estrada e parece estar com o carro quebrado. O sujeito diz que se chama John Ryder e aceita carona até a cidade mais próxima. Entretanto seu olhar estranho e sua conversa desagradável deixa Halsey apreensivo e desconcentrado, e quando Ryder o ameaça com uma faca, num lance de muita sorte o jovem consegue atirar o estranho para fora do carro. Alguns quilômetros adiante Halsey terá absoluta certeza do quão louco é o misterioso caroneiro, que na verdade é um bandido que age apenas na estrada, pedindo carona à motoristas desavisados para logo em seguida matá-los e roubar seus pertences.













  Entretanto, o misterioso John Ryder é mais do que um criminoso das rodovias, é um psicótico sádico e cruel, e a interpretação do ator holandês Hutger Hauer, uma das melhores da história do cinema, não deixa dúvidas quanto à isso; o jovem Jim Halsey é vivido com intensidade por C. Thomas Howell que na época era visto como um possível candidato à astro, mas infelizmente ficou só na promessa, conseguindo apenas papéis em comédias adolescentes que infestavam as telas do cinema oitentista.





  Já a atriz Jennifer Jason Leigh que interpreta uma jovem garçonete que se envolve com Halsey e depois torna-se vítima de Ryder, teve uma carreira mais bem sucedida conseguindo papéis de destaque em filmes de variados gêneros como A Herdeira (1997), Estrada para a perdição (2002), entre outros.

  The Hitcher, além de ser um excelente suspense também se destaca pela ação em certos momentos da narrativa e especialmente no terceiro ato quando ocorre um jogo de gato e rato entre Halsey e John Ryder numa perseguição tensa e alucinante, suspense e ação na medida certa comprovando o talento de Robert Harmon que embora não tenha se tornado um cineasta requisitado conseguiu construir uma boa carreira com filmes interessantes chegando a dirigir o então astro Van Damme em 1993 no filme de sucesso Vencer ou Morrer (Nowhere to Run), e ainda voltou ao gênero rodoviário no filme Velozes e Mortais (Highwaymen, 2004).











  Enfim, A morte pede carona é um filme sem precedentes e tão envolvente quanto Encurralado. Chegou a ter uma sequência medíocre em 2003 com direção de Louis Morneau, com um Jim Halsey amadurecido e envelhecido ainda interpretado por C. Thomas Howell perseguindo um outro psicopata das estradas, mas... é uma estória um tanto descartável. Houve também uma boa refilmagem de The Hitcher em 2007, mas... o filme de Robert Harmon é mais do que suficiente para despertar o medo em qualquer viajante e fazê-lo pensar duas vezes antes de dar carona à qualquer estranho na estrada.

TRAILER





A morte pede carona (The Hitcher, 1986)

Roteiro: Eric Red

Direção: Robert Harmon

Elenco: Hutger Hauer, C. Thomas Howell, Jennifer Jason Leigh, Jefrrey Demunn


domingo, 12 de janeiro de 2014

rota fatal

ENCURRALADO

Há quatro décadas a mais tensa perseguição rodoviária ganhava as telas do cinema


 Em 1971 um jovem e desconhecido diretor chamado Steven Spielberg estreava em seu primeiro filme longa metragem produzido para a TV. O filme chamava-se Duel e trazia uma história bem simples e quase sem explicações, em que um homem chamado David Mann ao viajar de carro pelas estradas da Califórnia, de repente passa a ser perseguido por um caminhoneiro que parece disposto a esmagar o carro de David, embora nada justifique tal coisa, exceto talvez alguma provocação com um sinal de buzina durante uma ultrapassagem, coisas típicas de percurso de estrada, mas que podem se tornar o estopim para uma explosiva perseguição.

  O roteiro escrito por Richard Matheson e originalmente publicado como um conto para a revista Playboy resultou no filme televisivo de grande sucesso orçado em apenas US$ 450 mil, revelando o talento de Spielberg que já havia dirigido episódios de seriados de TV e algum tempo depois tornou-se o lendário cineasta que é hoje. No restante do mundo o filme foi exibido nos cinemas com grande sucesso, inclusive no Brasil, cujo título é Encurralado. 



 A estória simples que jamais revela o rosto do caminhoneiro perseguidor é uma das mais geniais já adaptadas para o cinema, pois a tensão extrema e o suspense perturbador são belamente construídos justamente pela ausência de explicações até o final trágico onde nada se explica. E a ótima interpretação de Dennis Weaver como David, é mais do que suficiente para o público acreditar no que é mostrado nas telas, como quando ele entra no bar, muito apreensivo, tentando encontrar o rosto de seu perseguidor nas feições de cada caminhoneiro que vê no balcão, um rosto que ele não faz idéia de como é e quando ele pensa tê-lo encontrado, o caminhoneiro fantasma já está a bordo do "monstro" sobre rodas, pronto para pegar estrada novamente.

  Encurralado pode ser considerado um divisor de águas para o subgênero de filmes rodoviários, pois ocasionalmente outros thrillers de suspense perturbador surgiriam anos mais tarde, como A morte pede carona (The Hitcher, 1986), grande sucesso de bilheteria estrelado por Hutger Hauer e C. Thomas Howell ; Breakdown - Implacável Perseguição (1997), sucesso estrelado por Kurt Russel, ou Perseguição - A estrada da morte (Joy Ride, 2001) com o saudoso Paul Walker (1973-2013) interpretando um jovem que junto com um amigo são perseguidos por um caminhoneiro psicótico num enredo um pouco parecido com Duel. 
  O isolamento dos longos e quase vazios percursos de rodovias desertas e a sensação crescente de fobia do frágil David (ou Davi) ao ser perseguido por um autêntico Golias representado pelo monstruoso caminhão tornam o cult Encurralado um filme obrigatório para todo fã de suspense e de perseguições cinematográficas e também para os fãs de Steven Spielberg que após essa obra inicial pegou uma estrada sem volta que o tornou um gênio do cinema.


  O ano de 2014 ainda esta no início embalado pelo ritmo de férias e de viagens. Para brindar o ano que se inicia, decidi começar com uma maratona sobre filmes rodoviários e resolvi começar por esta resenha do filme Encurralado. Pelos próximos dias falarei de mais filmes com histórias ambientadas em rodovias. Leitores, fiquem atentos para a próxima carona ;-)


Assista o filme aqui






ENCURRALADO (Duel,1971)

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Richard Matheson

Elenco: Dennis Weaver, Jacqueline Scott, Eddie Firestone, Charles Seel


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

super-ação

O HOMEM DE AÇO

Filme que reinicia as origens do Super-Homem aterrisa nos formatos digitais


  Superman - o filme, estreou em 1978; Superman II estreou em 1980, ambos dirigidos por Richard Donner e estrelados pelo saudoso Christopher Reeve... e é melhor pararmos por aqui porque estes são os únicos filmes do herói que valem a pena ser lembrados, já que o terceiro, o quarto e o quinto filmes são um tanto descartáveis. Finalmente em 2013 estréia o filme que melhor retrata o mais icônico dos super-heróis. O Homem de Aço (Man of Steel) é simplesmente o melhor filme do Super-Homem em décadas, não deixando nada a dever aos melhores filmes do gênero na atualidade e faturou pouco mais de US$ 500 milhões em todo o mundo. 
Zack Snyder ao lado de
Henry Cavill
  Roteirizado por David Goyer, especialista em quadrinhos que também roteirizou a trilogia Batman, e dirigido por Zack Snyder, cineasta que tem afinidade com HQ´s tendo dirigido 300 e posteriormente Watchmen, Man of Steell não poderia ter melhor resultado com dois grandes profissionais no comando, ainda mais com a produção executiva de Cristopher Nolan que sabiamente escolheu as melhores cabeças para dar vida à esta nova franquia.

  A estória, como todos sabem tem início no planeta Krypton, que encontra-se à beira da ruína e da destruição, pois o planeta enfrenta uma terrível crise  estrutural que desencadeou rebeliões e conflitos que o levarão à iminente destruição. General Zod (Michael Shannon) se opõe ao governo e deflagra uma espécie de guerrilha contra o conselho de líderes, mas é condenado à prisão em alguma dimensão do espaço, junto com outros dois guerreiros rebeldes .
  Em meio ao caos, Jo-Rel (Russel Crowe) planeja junto com sua esposa Lara (Ayelet Zurer) uma fuga, mas não para eles e sim para Kal-El, o bebê que irá nascer e obviamente não terá chance de viver em seu próprio planeta - e assim o bebê é enviado numa pequena nave rumo ao planeta Terra, onde será encontrado e adotado por Jonathan e Marta Kent. E é interessante notar o aspecto divino da vinda de Kal-El à Terra como se fosse um enviado dos céus, algo que já se podia perceber nos filmes clássicos e também nos quadrinhos, além do que seus poderes adquiridos neste sistema solar o torna praticamente um semideus em meio à meros mortais e sua jornada solitária pelo mundo em busca de respostas define bem isso.












  A tão conhecida origem do Super-Homem já explorada em outros filmes e seriados de TV, aqui ganha novos (e necessários) contornos para um público mais exigente e para tempos mais realistas. Explicações científicas justificam tudo o que vemos na tela, desde as acrobacias do herói que para decolar do chão e alçar voo sempre causa rachaduras no chão devido ao impacto causado pela pressão do impulso de seu corpo até o uniforme que é feito de uma malha especial que resiste ao atrito do vento e parece ser à prova de fogo, herança da tecnologia avançada de Krypton.













  O roteiro de David Goyer em parceria com Cristopher Nolan acerta em cheio ao condensar em um só filme as idéias dos dois filmes clássicos, pois em Superman II (1980), Zod e seus dois parceiros saem da prisão à qual foram condenados e vêm à Terra a fim de encontrar Kal-El e matá-lo e assim dominarem o planeta, e tudo isso ocorre em O Homem de Aço, de modo que o ato final da trama é pontuado com muita ação e efeitos visuais espetaculares com um realismo que impressiona conforme já fora visto em outros filmes de Zack Snyder - as cenas de destruição na cidade de Metrópolis provocadas pela batalha entre Kal-El e Zod são de fazer inveja a qualquer "filme catástrofe" que Hollywood já produziu.











  O visual de Krypton, bem como a tecnologia de suas naves é semelhante ao que já se viu em outros filme de aventura Sci-Fi como por exemplo A Batalha de Riddick (2004) ou até mesmo a saga Star Wars. O ótimo elenco brilha nas telas de modo satisfatório trazendo Diane Lane como a dedicada mãe Marta e Kevin Costner como Jonathan Kent; Amy Adams como a corajosa jornalista investigativa Lois Lane e o britânico Henry Cavill, competente na composição do herói e por sinal o único ator não americano a interpretar o Super-Homem e embora Cavill talvez ainda não tenha o carisma de Christopher Reeve isso será apenas questão de tempo, pois jornada de Kal-El ou Clark Kent está ainda no início, pois um novo Super-Homem acaba de nascer nas telas do cinema contemporâneo.

Animação produzida por Zack Snyder em homenagem aos 75 anos do herói



Trailer



O Homem de aço (Man of Steel - EUA, 2013)

Roteiro: David Goyer e Christopher Nolan

Direção: Zack Snyder

Elenco: Henry Cavill, Russel Crowe, Ayelet Zurer, Kevin Costner, Diane Lane, Amy Adams, Michael Shanon, Laurence Fishburne.