sexta-feira, 18 de abril de 2014

ação patriótica

CAPITÃO AMÉRICA II 

 O SOLDADO INVERNAL

Segundo filme do herói patriótico dá prosseguimento à saga atraindo mais fãs às salas de cinema


  Finalmente estreou há 1 semana o filme mais aguardado da Marvel para este ano. Capitão América 2, o terceiro filme pós Vingadores vem atraindo grande público e surpreendeu em sua estréia nos EUA arrecadando US$ 94 milhões no primeiro fim de semana, maior valor alcançado para um filme lançado no mês de abril. No Brasil atraiu cerca de 1,1 milhão aos cinemas no último fim de semana, o que leva a crer que já é um dos filmes mais vistos este ano e de acordo com vários blogs, revistas e fóruns de discussão a segunda aventura do herói patriótico é o melhor filme lançado até a agora pela Marvel Studios.

  Desta vez comandado por dois diretores, Joe Russo e Anthony Russo, o roteiro assinado por Christopher Markus e Stephen McFeely traz Steve Rogers (Chris Evans) como um agente da S.H.I.E.L.D. e adaptando-se ao mundo moderno depois de seu longo sono de 70 anos. Logo no início, o Capitão Rogers é enviado junto com a Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) em uma arriscada missão para resgatar passageiros de um navio sequestrado em alto mar, onde o herói travará um rápido confronto com o terrorista francês conhecido como Batroc - por sinal as sequências de ação no navio são as melhores do filme inteiro.
  As circunstâncias da missão geram dúvidas na mente de Rogers que cada vez mais questiona as ações da Shield e suas relações com o governo norte-americano. Cada vez mais Rogers não sabe se deve confiar nas pessoas que o cercam, seja Nick Fury (Samuel L. Jackson) ou até mesmo Natasha, ou seja, o super soldado sente-se cada vez mais sozinho no "novo" mundo no qual ele despertou, o que fica mais evidente quando ele visita Peggy Carter, sua antiga paixão da época da Segunda Guerra, e que se encontra adoentada num leito de hospital.

  Segredos obscuros da Shield vão surgindo ao longo da trama na misteriosa figura de Alexander Pierce, um dos diretores da agência interpretado pelo mito Robert Redford e a aparição de um poderoso inimigo conhecido apenas como Soldado Invernal traz à tona revelações perturbadoras da H.I.D.R.A., a temível organização de raízes nazistas criada pelo Caveira Vermelha conforme visto no filme anterior.



  O Soldado Invernal, personagem que dá nome à famosa HQ publicada nos anos 90 desponta na ação de Capitão 2, pois o misterioso assassino que mais parece uma máquina de matar possui as mesmas habilidades de Rogers, força e velocidades redobradas e ainda um braço mecânico que o torna praticamente indestrutível.



  Apesar de bem dirigido pelos irmãos Russo, há inevitáveis exageros nas cenas físicas, pois apesar de ser uma aventura de super-herói é muito estranho ver um Capitão América pular mais de 10 andares de um prédio e aterrisar no chão sem se machucar ou ainda desviar de tiros de metralhadora - afinal, ele é um do herói bem humano e não um ser indestrutível ainda que seja um super soldado. Os cenários são primorosos ainda que alguns sejam feitos digitalmente como o aéro-porta-aviões da Shield. O personagem Falcão, melhor amigo de Rogers nas HQ´s, interpretado pelo ator Anthony Mackie destaca-se nos melhores momentos do longa dando vôos rasantes com suas asas mecânicas.



 A trama de espionagem bem articulada com argumentos de conspiração política faz lembra os grandes thrillers de espionagem do passado o que garante muita qualidade ao roteiro, especialmente pela presença de Robert Redford que já estrelou tramas de fundo político como Todos os Homens do Presidente (All the President´s Men, 1976) ou Três dias do Condor (Three days of the Condor, 1975). Esses são motivos que tornam Capitão 2 uma das melhores sequências de franquias da Marvel, e um dos melhores filmes do estúdio até o momento.

TRAILER




Capitão América - o Soldado Invernal (Captain América - The Winter Soldier, 2014)

Roteiro:Christopher Markus e Stephen McFeely

Direção: Anthony e Joe Russo

Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson, Robert Redford, Anthony Mackie, Emily VanCamp, Frank Grillo


terça-feira, 15 de abril de 2014

ação vs horror

FÚRIA SILENCIOSA

Há pouco mais de 30 anos Chuck Norris estrelava seu filme mais estranho e surpreendente


  Em abril de 1982 estreava nos cinemas o filme provavelmente mais diferente ou até bizarro do então astro Chuck Norris, Fúria Silenciosa (Silent Rage), o que não significa que seja ruim, muito pelo contrário, pois foi um sucesso do então astro que se destacava cada vez mais nas bilheterias. O roteiro traz uma série de assassinatos misteriosos, experiência genética e um xerife preocupado em encontrar o tal assassino que nem parece ser humano - e tudo isso ambientado numa pequena cidade do Texas!!!
  O estranho enredo descrito no parágrafo àcima pertence ao roteiro escrito com certa engenhosidade por Joseph Fraley, e a direção segura de Michael Miller rende ótimos momentos de tensão e suspense numa trama que ainda oferece contornos de ficção científica, algo incomum ou até mesmo impensável para um filme estrelado por Norris.

  A trama segue a história de John Kirby, um rapaz que apesar de levar uma vida aparentemente normal, sofre com um sério problema de distúrbio mental e faz tratamento psiquiátrico com o doutor Tom Halman interpretado pelo saudoso Ron Silver. Num dia qualquer, Kirby sente uma estranha sensação, seu medicamento acabou e ele tenta desesperadamente fazer uma ligação para o seu médico. Porém, a sensação foge do controle e Kirby parece surtar repentinamente e movido por uma fúria inexplicável, pega um machado no quintal de sua casa e mata um vizinho e logo em seguida a mulher da pensão em que ele mora.



Dr. Halman
  O xerife Dan Stevens (Norris) chega rapidamente ao local junto com seu jovem ajudante para atender a ocorrência, depara-se com o surtado maníaco e entra em confronto com o mesmo - após Kirby ser colocado algemado dentro da viatura, ele consegue arrebentar as algemas de forma inexplicável e ataca violentamente os guardas, mas logo é alvejado a tiros no peito e levado às pressas ao hospital para ser operado com urgência... e é aí que o roteiro  ganha ares de ficção científica, pois após o pequeno grupo de médicos tentar salvá-lo da morte certa, Dr. Philip Spires (Steven Keats) sugere a aplicação de um composto chamado Mitogen-35 ainda que a contragosto do Dr. Halman que também acompanha a cirurgia e considera tal idéia anti-ética, pois o composto nunca foi testado num ser humano.






 O pobre John Kirby torna-se então cobaia do experimento e gradativamente seu organismo se recompõe e sua vida, restaurada - o jovem psicótico começa a sair às escondidas do laboratório e a cometer assassinatos para o desespero do xerife Stevens, pois ele terá de enfrentar não apenas um maníaco doente, mas um assassino geneticamente modificado, em outras palavras um mutante, e suas habilidades marciais talvez não sejam suficientes para tal adversário que mais parece um Frankenstein moderno.

Chuck versus Frankenstein?

  O roteiro obviamente pega carona em sucessos de horror da época e a referência mais direta é Halloween (1978) de John Carpenter, e o vilão John Kirby lembra bastante o mascarado Michael Miers, que aparentemente também é um desequilibrado mental que mesmo tendo tratamento psiquiátrico torna-se um assassino frio e sub-humano. Por sinal Halloween II - O pesadelo continua, foi lançado em 1981, portanto 1 ano antes de Silent Rage. Também é interessante notar uma cena em que John Kirby quebra uma porta a machadadas ao perseguir uma mulher e a observa pelo rombo da porta, muito parecida com uma cena do terror O Iluminado (1980) de Stanley Kubrick, o que pode ser uma inspiração além da assustadora atuação do ator Brian Libby no papel de Kirby.



   O longa de orçamento um tanto modesto, US$ 4,5 milhões foi muito bem nas bilheterias estadunidenses fazendo cerca de US$ 10,490 milhões segundo consta no IMDB. Nada mal para o primeiro filme de suspense  ou terror estrelado por Chuck Norris e também pode se dizer que é o primeiro filme com argumento de ficção científica de um astro de ação oitentista, ou seja um pouco antes de O Exterminador do Futuro (Terminator, 1984) e muito antes de Cyborg - O dragão do futuro (Cyborg, 1989). Nada mal também para o diretor Michael Miller que no mesmo ano dirigiu a comédia de sucesso A Reunião dos Alunos Loucos (Class Reunion, 1982), embora depois tenha dirigido apenas filmes televisivos. Fúria Silenciosa já foi exibido várias vezes na tv aberta, mas deve ser visto em dvd ou blu-ray para uma melhor degustação e para ser descoberto por novos públicos que desconhecem esse cult.

TRAILER



Fúria Silenciosa (Silent Rage, 1982)

Roteiro: Joseph Fraley

Direção: Michael Miller

Elenco: Chuck Norris, Brain Libby, Ron Silver, Steven Keats, Stephanie Dunnam, Joyce Ingle


sábado, 12 de abril de 2014

faroeste brasileiro

SERRA PELADA

Filme brasileiro retrata busca do ouro regada a sangue e traição


 O território conhecido como Serra Pelada foi o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado na cidade de Curionópolis, interior do Pará, bem próximo da floresta amazônica. Pessoas de várias partes do país e até de países vizinhos se aventuraram pela região no início da década de 1980 atraídas por riqueza e prosperidade. O filme dirigido e roteirizado por Heitor Dhalia mostra a trajetória de Juliano e Joaquim, amigos desde a infância que se aventuram pelo inóspito território que em pouco tempo descobrem ser uma terra sem lei. 
  O roteiro fictício apresenta uma trama muito bem construída e encabeçada por Juliano Cazarré no papel de Juliano, um sujeito despojado e de aparência física forte, e seu amigo Joaquim vivido por Júlio Andrade, sujeito magrela e aparência frágil, porém metódico e muito inteligente, pois é um professor. Os amigos unem forças no trabalho, cada um com seus objetivos, Joaquim especialmente quer cumprir a promessa que fez à esposa de voltar para casa rico e dar uma vida melhor à ela e sua filha. Juliano por sua vez parece não ter um norte exato na vida, a não ser a riqueza, algo que poderá ser a ruína de sua vida no decorrer da narrativa.



  Inevitavelmente Serra Pelada é um verdadeiro faroeste brasileiro, pois a busca por riquezas numa terra inóspita onde impera a lei do mais forte é o fio condutor da trama que mostra uma gradual transformação (ou revelação) de seus personagens movidos por sonhos ou apenas cobiça como pode ser visto na ganância que todos expressam em querer a todo custo delimitar sua própria área de garimpo, o que ocasionou em vários conflitos e mortes sem nenhuma intervenção do governo naquela época de ditadura militar. E quase toda a região do garimpo era dominada e controlada por coronéis como o traiçoeiro Lindo Rico, interpretado de forma um tanto hilária por Wagner Moura.


  A trama também destaca o trabalho de mulheres, que não eram necessariamente garimpeiras, mas prostitutas e dançarinas de boate e como é dito em off no início da narrativa, algumas enriqueceram ganhando dinheiro de garimpeiros que gastavam tudo com elas ou ainda mulheres que tinham a sorte de se envolver com os poderosos coronéis da região, como se pode ver na história de Tereza, vivida por Sophie Charlotte, amante do coronel Miranda, interpretado por Matheus Nachtergaele.


  Traições, emboscadas e perseguições moldam a ação do longa tanto quanto o ótimo elenco que preenche a tela satisfatoriamente embora a cena de luta apresente uma quebra de rítimo devido à edição cheia de cortes que Dhalia utilizou e também as demais cenas físicas são bem executadas embora filmadas com câmera tremida.



  O longa orçado em 8,4 milhões de reais tem uma bela fotografia composta de tons que variam do marrom ao amarelo dando um aspecto levemente dourado e bem empoeirado representando fielmente o aspecto sujo da terra do ouro cujas filmagens ocorreram em Mogi das Cruzes no interior de São Paulo num cenário visualmente bem parecido com a Serra Pelada da década de 80,  e as imagens reais de arquivo jornalístico da época inseridas cuidadosamente no filme completam o visual da película. 
  O filme exibido em outubro de 2013 nos cinemas, também foi transmitido em janeiro último na TV aberta pela rede globo em formato de minissérie em capítulos curtos, mas obviamente fica melhor apreciado nos formatos digitais para o público não correr o risco de perder nenhum momento de uma valiosa embora pequena saga do ouro. 
  
TRAILER



Serra Pelada (Brasil, 2013)

Direção:Heitor Dhalia

Roteiro:Vera Egito, Heitor Dhalia 

Elenco:Juliano Cazarré, Júlio Andrade, Sophie Charllote, Matheus Nachtergaele, Wagner Moura,Lyu Arisson, Jesuíta Barbosa



sexta-feira, 28 de março de 2014

vida longa

ANIVERSÁRIO DO MITO

Chuck Norris sopra velinhas este mês


 Para quem não sabe, dia 10 de março foi aniversário do lendário Chuck Norris. O ex-campeão de karatê e astro de ação oitentista completou 74 anos. Antes que o mês acabe, vamos relembrar alguns dos melhores momentos de sua carreira cinematográfica nos vídeos do youtube, até para lembrarmos porque o ator e mestre é um mito da ação antes de ser personagem das famosas piadas que viraram febre na internet.

Norris vs ...

 O primeiro grande confronto de Chuck no cinema foi no filme O Vôo do Dragão (The Way of the Dragon, 1972), onde ele enfrenta ninguém menos que o mestre Bruce Lee. Obviamente que Lee vence Norris, pois Lee é o herói da aventura e Norris é um dos vilões. Porém foi um duro combate e até na opinião de especialistas é a melhor luta marcial já coreografada pelo cinema. Portanto é obrigatório rever.


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  Ainda na década de 70 Chuck teve sua estréia definitiva nas telas do cinema e em 1977 protagonizou Comboio de Carga Pesada (Breaker, Breaker), uma aventura classe B muito fraquinha contando a estória de um caminhoneiro destemido que enfrenta estranhos moradores de uma cidadezinha do interior para salvar seu irmão que foi preso injustamente. Vale a pena conferir o confronto final entre Chuck e um arrogante policial ao som de uma bacana trilha sonora de música country.


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 Em 1980, Norris estrelava o filme que o tornou astro. Octagon - A escola para assassinos (The Octagon,1980) trazia Chuck no papel de Scott James, um veterano do Vietnã e também mestre ninja, contratado para investigar uma organização secreta que treina ninjas para atuarem como mercenários. Reza a lenda que o combate que Chuck trava com os ninjas no ato final da trama é considerado um dos melhores já filmados. Porém o mais interessante é observar sua habilidade com uma espada e este é o único filme em que o astro usa tal tipo de arma.

  
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 Na década de 80, Chuck provavelmente teve o confronto mais bizarro de sua carreira fílmica ao enfrentar um vilão mutante (??!!) num estranho filme de ação e suspense com ares de ficção científica. Fúria Silenciosa (Silent Rage, 1982) traz uma estória ambientada no Texas com o xerife Stevens, que tem a dura missão de investigar misteriosas mortes cometidas por um assassino psicótico que fora vítima de uma experiência genética. O filme traz ótimas sequencias de luta e um duro combate final entre o xerife e o estranho assassino.


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 Ainda nos anos 80, o então astro travou seu melhor combate com outro mito das artes marciais, o agora saudoso David Carradine que na década de 70 tornou-se famoso ao interpretar o monge lutador do seriado de TV intitulado Kung-Fu. No filme McQuade - o Lobo solitário, Norris e Carradine dão um  show demostrando técnica e força num combate bem realista e obrigatório rever. Um dos melhores momentos da ação oitentista.



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  Nos anos 90 o mito deixou sua marca em um dos filmes de menor sucesso e bilheteria, porém um dos melhores de sua carreira. Comando Delta 2 - A Conexão Colômbia (Delta Force 2, The Colombian Conection, 1990) traz de volta o coronel Scott McCoy, personagem do primeiro Comando Delta (Delta Force, 1986), desta vez batendo de frente com o tráfico de drogas da Colômbia. Na melhor cena do longa, o velho e bom Chuck dá uma "lição" inesquecível a um dos vilões da trama.


  Melhor do que apreciar esses vídeos, só mesmo assistir aos filmes que se encontram disponíveis em DVD e alguns em Blu-Ray. E lembrem-se: "Chuck Norris nunca toca fisicamente em ninguém. Ele apenas diz a eles para se machucarem, e eles se machucam"  ;-)


sexta-feira, 21 de março de 2014

notas

LANÇAMENTOS EM BLU RAY





Finalmente chega aos formados digitais Rush - No limite da emoção, um dos melhores filmes de 2013, baseado na história real das disputas entre Nikki Lauda e James Hunt, os dois maiores pilotos de Fórmula 1 dos anos 70. O filme dirigido por Ron Howard traz as mais perfeitas cenas de corrida já filmadas e o drama de Nikki Lauda interpretado pelo ótimo ator alemão Daniel Brhul. Imperdível. 









Jogos Voravzes - Em chamas também estréia em dvd e blu-ray, e a segunda parte da saga adaptada dos livros de Suzane Collins agora mostra o início de uma rebelião contra a Capital enquanto Katniss e Peeta são obrigados a participar de uma edição especial de Jogos Vorazes chamado de Massacre Quaternário e que acontece a cada 25 anos. O elenco traz a estrela Jennifer Lawrence, Josh Htcherson, Philip Seymour Hoffman, Woody Harrelson e Stanley Tucci. 









Serra Pelada
, dirigido por Heitor Dhalia traz a história de Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade), dois amigos que se aventuram em trabalhar no garimpo de Serra Pelada, que na década de 1980 era o maior garimpo do mundo a céu aberto, localizado no estado do Pará. Aos poucos, eles descobrem que a região é uma terra de ninguém, onde só impera a lei do mais forte. 





sábado, 8 de março de 2014

nova vida

REDENÇÃO

Thriller com Jason Statham aposta em trama menos convencional 



  Um morador de rua, uma freira católica e uma trama envolvendo tráfico de prostitutas - o que tais elementos um tanto estranhos tem em comum? Simplesmente elencam o enredo de um filme recente de Jason Statham lançado há pouco tempo nos formatos digitais e infelizmente longe das telas do cinema. O astro britânico mais uma vez faz uma empreitada diferente em sua carreira como ocorreu nos filmes Revolver (2005), dirigido por Guy Ritchie onde ele interpreta um jogador de cassino ou Celular, um grito de socorro (2004), sob direção de David R. Ellis, em que interpreta o vilão da trama.
   Em Redenção (Redemption, 2013), sob a direção do estreante Steven Knight, Statham é Joey Jones, um morador de rua que dorme em caixas de papelão num beco qualquer das ruas de Londres onde convive com mais alguns moradores, acompanhado de uma garota chamada Isabel, também moradora de rua e os habitantes das ruas são ajudados por Cristina, uma freira católica que lhes dá refeição e roupas, interpretada pela ótima atriz polonesa Agata Buzek.


  Joey é um ex-veterano da Guerra do Afeganistão e que agora parece pagar pelos seus pecados cometidos na guerra, vivendo em tal situação. Numa noite qualquer quando traficantes passam pelo beco e espancam os mendigos, Joey foge correndo dos sujeitos após defender-se e ao se esconder no interior de uma cobertura, ele consegue entrar num apartamento esgueirando-se por uma janela e conseguindo se despistar dos perseguidores.

  Após entrar na residencia desconhecida, ele percebe que não há ninguém ali e o dono provavelmente está trabalhando ou viajando. A casa pertence a um fotógrafo rico que está em viagem - Joey então, se apossa dos pertences e assume a vida do sujeito, vestindo suas roupas e usando seu cartão crédito. Subitamente, ele sai do fundo do poço em que se encontrava e inicia uma nova vida chegando a arrumar emprego em um restaurante chinês e passa a ter uma boa vida social.
  Redenção é provavelmente o filme mais diferente na carreira de Statham e isso é um ponto muito positivo para um sujeito que aparentemente é apenas um cara durão que estrela filmes de pancadaria, pois aqui ainda que o personagem tenha uma natureza rude, ele terá de enfrentar seus "demonios" internos para atingir a redenção sugerida pelo título do filme, e representar a fragilidade necessária para isso é sem dúvida um desafio para o ator de modo que Statham até mostra-se convincente no papel.


  Entretanto, engana-se quem pensa que o filme não tem ação devido à proposta dramática do roteiro. Há ótimas sequencias de ação e ainda que sejam poucas, mostram-se bastante satisfatórias para o enredo envolvente da trama que coloca Joey no rastro de um serial killer que só mata prostitutas, e Statham como sempre demonstra suas ótimas habilidades marciais.




 Enfim, Redenção é uma grata surpresa que Steven Knight dirige além de ter escrito e seu talento já pôde ser comprovado no roteiro de Senhores do Crime (2007), thriller de grande sucesso dirigido por David Cronenberg. Drama e suspense bem dosados com um pouco de ação, algo que pode agradar o público mais exigente, embora talvez muitos não queiram ver por pensarem que se trata de mais um filme convencional de Jason Statham. Só resta ao público descobrir que o astro é capaz de fazer mais do que mera pancadaria. 


TRAILER



Redemption - 2013 (EUA, Reino Unido)

Roteiro: Steven Knight

Direção:Steven Knight

Elenco: Jason Statham, Agata Busek, Vick McClure,Victoria Bewick, Benedict Wong, Ger Ryan

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

aventura marcial

47 RONINS

Keanu Reeves retorna às telas do cinema com aventura lendária sobre samurais


 Honra e lealdade são temas recorrentes no cinema físico, especialmente em aventuras épicas onde tais preceitos tornaram-se o fio condutor de muitos filmes que marcaram a história do cinema e hoje são cultuados como clássicos. Apesar de 47 Ronins ser mais uma aventura de artes marciais com efeitos visuais espetaculares, o filme estrelado por Keanu Reeves e um elenco japonês tem os argumentos que sustentam o caráter épico de estória: honra e lealdade.
 A história dos 47 ronins, capítulo importante da história do Japão e por isso mesmo bastante popular na cultura daquele país, se passa no ano de 1701, época de reinado do Imperador Tsunayoshi - como o imperador não tinha muito tempo para visitar todas as províncias do país, ele designava alguns nobres oficiais que pudessem representá-lo e em certa ocasião o imperador enviou lorde Yoshinaka Kira-Kozukenosuke para representá-lo na província de Harima, governada por lorde Naganori Asano-Takuminokami, que recebeu lorde Kira com todas as honras necessários ao enviado do imperador.

Lorde Asano

Lorde Kira
  Entretanto, lorde Kira era um homem bem arrogante e demonstrava gestos que desagradaram lorde Asano, o que culminou em desavenças entre ambos quase chegando a um confronto de modo lorde Asano chegou a sacar sua espada e ferir levemente lorde Kira, o que para o imperador era uma grave ofensa, pois qualquer agressão a um enviado oficial era tida como um insulto - e para pagar tal desonra, Shogun Tsunayoshi condenou lorde Asano à morte pela prática do seppuku, ritual de suicídio que confere ao condenado morte honrosa, segundo a tradição. Logo depois, shogun Tsunayoshi declarou todos os samurais de lorde Asano como ronins, samurais sem mestre ou sem senhor, inclusive Oishi, que era braço direito de Asano.



  A trama narrada àcima corresponde à história verdadeira que se conta no Japão. Entretanto o filme dirigido por Carl Rinsch e roteirizado por Chris Morgan e Hossein Amini, preenche a história com vários elementos de fantasia, entre os quais os poderes mágicos de uma bruxa interpretada por Rinko Kikuchi (Círculo de Fogo), que serve à lorde Kira, alguns piratas que aparecem na metade do filme e também a presença de Kai, um samurai branco interpretado por Keanu Reeves e que não existiu na história verdadeira, tratado com menosprezo pelos demais samurais que o chamam de mestiço. Oishi, interpretado pelo ótimo Hiroyuki Sanada, é o único que trata Kai com respeito, além da princesa Mika (Ko Shibasaki) que ama o mestiço e é filha única de lorde Asano.
Oishi e seus guerreiros

  A estória segue num ritmo enérgico de aventura com cenas de batalhas belamente filmadas e por incrível que pareça com ausência de sangue, talvez para garantir uma censura mais leve ao filme. Sanada confere à Oishi a postura altiva do guerreiro que se torna o protagonista da trama e que junto de seus 46 ronins irão planejar um massivo ataque contra lorde Kira a fim de vingar lorde Asano (Min Tanaka) e restaurar a honra de sua província, o que realmente aconteceu na história verdadeira - e é na lealdade indestrutível dos 47 guerreiros que o roteiro encontra o tom épico necessário ao filme também ancorado pela boa fotografia de John Mathieson, cujos trabalhos anteriores são Gladiador e X-Men - Primeira Classe.



 Contudo, o filme tem pouco sustento num elenco mediano com uma bruxa que rouba algumas das melhores cenas do longa chegando a superar Tadanobu Asano que interpreta um lorde Kira de forma muito inexpressiva, e assim não é de se estranhar o mal desempenho desta produção hollywoodiana de US$ 175 milhões que  embora tenha sido filmada no Japão, fracassou nos cinemas japoneses, bem como nos países ocidentais onde vem sendo exibido, ainda que seja estrelado por Keanu Reeves que ficou mais de 1 ano na terra do sol nascente trabalhando neste filme.
  A história dos 47 Ronins já foi filmada anteriormente pelo cinema japonês nos filmes A Vingança dos 47 Ronins, dirigido em 1941 por Kenji Mizoguchi, e Os Vingadores, de 1962 comandado por Hiroshi Inagaki. Talvez o filme de Hollywood não se torne tão memorável como se espera, porém os aficcionados por artes marciais e cultura oriental poderão, quem sabe, torná-lo um cult... Só o tempo dirá. (R.A.)

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47 RONIN (2013)

Direção:Carl Rinsch

Roteiro:Chris Morgan

Elenco: Keanu Reeves, Hiroyuki Sanada,Min Tanaka, Rinko Kikuchi, Tadanobu Asano, Cary-Hiroyuki Tagawa, Ko Shibasaki