quinta-feira, 28 de maio de 2015

caçada rodoviária

MAD MAX

Em 1979 tinha início uma caçada futurista nas estradas australianas 


  Bem no final da década de 70 surgia dos confins da Austrália uma modesta produção que inovou de modo surpreendente o gênero de ação e a concepção de filmes futuristas. A película Mad Max comandada pelo diretor estreante George Miller trazia uma estória aparentemente simples ambientada num futuro distópico e quase mergulhado no caos. Uma crise de falta de petróleo desencadeia uma recessão aparentemente mundial e o resultado disso é uma desordem social provocada por gangues de motoqueiros que percorrem as rodovias para saquear viajantes a fim de roubar combustível e o que mais lhes interessar, causando assim pânico e terror cujo cenário retratado no filme são as estradas australianas.
  Neste futuro caótico a única força de resistência para combater tais gangues a fim de proteger inocentes e tentar manter alguma ordem, é a polícia rodoviária denominada Main Force Patrol (MFP) que age mantendo uma vigilância intensa nas estradas, dispostos a matar ou até mesmo morrer para fazer cumprir o que ainda resta da lei, pois já estão vivendo em meio à uma guerra urbana não declarada. Dentre vários policiais corajosos e até certo ponto muito bem preparados para a batalha está Max Rockatansky, um jovem agente considerado o melhor dentro da corporação.

Mel Gibson numa estréia triunfal

  A breve descrição àcima expôe o argumento do roteiro nada menos que genial concebido por George Miller, e o que torna o filme uma obra genial e singular foi sem dúvida a habilidade que o australiano demonstrou na direção de seu longa de estréia, feito com pouquíssimos recursos, mas que ainda assim alcançou resultados satisfatórios visualmente em cenas de perseguição belamente elaboradas com direito à diversas capotagens e explosões, além de ser um dos primeiros filmes australianos gravado em formato anamórfico.

 Para combater tal batalha nas auto-estradas com a máxima eficácia, nada mais justo que os patrulheiros pilotassem os carros de maior potência possível, equipados com motor V8, tal como é visto nos momentos iniciais quando o agente Max está a bordo de seu carro de patrulha chamado de Interceptor e que na verdade é um Ford Falcon XB GT.


Joe Toecutter, o grande vilão da trama

  Devido ao orçamento um tanto "apertado", cerca de  US$ 300 mil, Miller chegou a utilizar seu próprio veículo, uma van que obviamente ficou destruída numa cena violenta nos momentos iniciais da trama. O diretor demonstrou também uma notável inventividade tanto nas perseguições em alta velocidade filmando em primeira pessoa, ou seja, com a camêra simulando o olhar do piloto, quanto como nos efeitos improvisados, especialmente na cena dos "olhos arregalados" que anunciam desastres prestes a acontecer.

  "Se eu ficar muito tempo na estrada, vou ficar igual eles, louco de pedra. E o meu distintivo de bronze é que me torna bonzinho", é o que diz Max ao seu chefe quando este lhe pergunta porque ele quer se demitir da polícia, pois Max ficou assustado e um tanto perturbado após ver no hospital como ficou o agente Goose, seu parceiro de trabalho e melhor amigo que foi surpreendido por alguns motoqueiros na estrada e queimado vivo dentro de um carro. Entretanto, mais tarde Max terá de enfrentar vários outros motoqueiros malucos da mesma gangue que atacou seu amigo, até porque a mesma gangue o encontrará e atingirá o que ele tem de mais precioso: sua esposa e filho.


 Mel Gibson em seu longa de estréia consegue interpretar sutilmente a transformação que seu personagem exige apesar de ser um ator ainda muito jovem com apenas 23 anos. Conta-se que a Miller procurava um ator que aparentasse ser bruto para o papel, e um dia antes do teste de elenco, Gibson envolveu-se em uma briga de bar levando um pequeno corte no rosto, algo que de certa forma o ajudou a conseguir o papel. Tal como o protagonista, o carro patrulha também passa por uma brutal transformação, na verdade o interceptor amarelo é trocado por um potente carro preto também com motor V8, mas com 600 cavalos de potência, ou seja, uma máquina à altura da fúria de seu condutor.


Ford Falcon XB - GT



 O filme foi lançado na América do Norte somente no ano seguinte, em 1980 e logo em seguida no restante do mundo alcançando grande sucesso. Consta no Guiness Book, o livro dos recordes que a obra de George Miller permaneceu até 1998 como o filme de baixo orçamento mais lucrativo da história tendo faturado cerca de US$ 100 milhões nas bilheterias mundiais, tornando Mel Gibson um astro precoce que em pouco tempo seria "fisgado" por Hollywood.


  A obra de Miller abriu as portas do cinema australiano para o mundo com alguns filmes de sucesso como Crocodilo Dundee (1986), além das duas sequências Mad Max - The Road Warrior (1981) e Mad Max Beyond Thunder Domme (1985). Enfim, o road movie australiano é um importante divisor de águas na história do cinema e portanto clássico obrigatório para todo cinéfilo que se preze! (R.A.)

TRAILER



Mad Max (Austrália, 1979)

Roteiro: George Miller, James McCausland

Direção: George Miller

Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keyas Byrne, Steve Bisley


quinta-feira, 21 de maio de 2015

caos revisitado

MAD MAX - ESTRADA DA FÚRIA

Após 30 anos, o guerreiro da estrada ressurge nas telas do cinema para a caçada mais brutal dos últimos tempos


 "O futuro pertence aos loucos", é o que diz a tagline de um dos cartazes de Mad Max - Estrada da Fúria (Mad Max - Fury Road, 2015), que estreou no dia 14 deste mês e vem alcançando números expressivos em todo o mundo e também nas bilheterias brasileiras de modo que já foi assistido por cerca de 700 mil espectadores. Ao que parece a "loucura" futurista novamente comandada por George Miller está contagiando as platéias e não é para menos, pois trata-se do retorno da franquia australiana que se tornou uma das obras mais relevantes da recente história do cinema nesses últimos 30 anos. 
George Miller
  Roteirizado por Miller, Brendan McCarthy e Nick Lathouris, Mad Max - Fury Road traz de volta o ex-policial rodoviário Max Rockatansky, cuja origem já contada no filme de 1979 estrelado por Mel Gibson não precisa ser recontada aqui. Fury Road traz o personagem já conhecido e logo no início Max foge de perseguidores que querem se apossar de seu possante carro V8 e o querem como prisioneiro, pois sendo um sujeito saudável ele poderá ser usado como "bolsa de sangue" para algum dos garotos guerreiros de uma tribo comandada por Immortan Joe, venerado como uma espécie de semi-deus tanto por seus jovens guerreiros quanto pelo pelas minorias subjugadas.

Os garotos de guerra são chamados de kamicrazys, uma óbvia
referência aos kamikazes, os soldados japoneses da Segunda Guerra mundial
  Como se pode claramente notar pela breve descrição do parágrafo anterior, o futuro pós apocalíptico criado por George Miller há mais de 30 anos ressurge mais distópico do que nunca trazendo novamente gangues de saqueadores disputando gasolina e água num mundo onde já não existe mais ordem social ou sistema econômico, regimes políticos e nem mesmo religiões, já que as minorias (o que resta de população) não vêem outra saída de salvação a não ser venerar e seguir ordens de alguém que tenha poder de liderança, e aqui o líder dominante e o grande vilão é Immortan Joe, uma figura sinistra e distorcida que respira por um espécie de balão de oxigênio fixado às suas costas e usa uma armadura para proteger sua pele maltratada por bolhas e feridas, além de ostentar uma estranha máscara que parece ser feita com dentes de cavalo. O vilão é interpretado por Hugh Keays-Byrne, ator que no filme de 1979 interpretou o vilão Joe Toecutter. 

 Immortan Joe é venerado como um deus e pai por seus guerreiros seguidores que
crêem que ele os encaminhará ao Valhalla, termo emprestado da mitologia nórdica
para designar o paraíso. 
  Imperator Furiosa, guerreira de confiança de Immortan Joe é designada para a missão de buscar suprimentos em locais distantes, mas Furiosa a bordo de um poderoso caminhão tanque desvia-se da rota para executar um outro plano: fugir junto com as garotas que são noivas de Joe, para um local conhecido como vale verde, na esperança de escaparem dos domínios do tirano e começarem uma nova vida longe do caos em que se encontram. Ao perceber a fuga, Joe e seus guerreiros iniciam uma brutal perseguição pelo infinito deserto a fim de punir Furiosa e resgatar suas noivas vividas pelas  belas atrizes Rosie Hutington Whiteley, Riley Keough, Abbey Lee e Zoe Kravitz. 


  Além do retorno de Max Rockatansky, agora interpretado pelo astro em ascenção Tom Hardy, o filme surpreende ao exaltar a figura feminina de uma forma nunca mostrada na franquia original, de modo que Charlize Theron torna-se a estrela do longa ao encarnar Furiosa com uma vigorosa interpretação que o público certamente não esperava, principalmente os fãs da franquia original, o que vem gerando polêmicas a respeito do filme, inclusive com boatos que sugerem boicote. Entretanto convém observar que por mais valente que seja, Imperator Furiosa dificilmente conseguiria fugir de modo eficiente e até mesmo sobreviver sem a ajuda de Max, o que fica mais evidente ao longo da narrativa.


  Concebido como um faroeste pós-apocalíptico agregando as idéias da franquia original, Estrada da Fúria é sem dúvida o melhor filme de Miller até o momento e provavelmente o melhor filme da história do cinema australiano. O infinito deserto da Namíbia (África do Sul), local onde foram gravadas todas as cenas de perseguição, enriquece grandemente a fotografia retratada por John Seale com tons alaranjados que contrastam com o marrom levantado pela poeira das perseguições.


  O espetáculo das perseguições é belo e ao mesmo tempo brutal, protagonizado por dublês e atores em coreografias malabarísticas e pela grande frota de carros e caminhões sucateados e transformados em verdadeiras máquinas de guerra, graças à velha tecnologia do século XX, que é tudo o que se pode chamar de avançado neste futuro devastado. A ação belamente filmada por Miller constitui uma verdadeira lição para o cinema físico atual ao empregar longas tomadas que mostram detalhadamente tudo o que ocorre em cena com direito a várias capotagens seguidas de explosões, tudo real e sem uso (ou o mínimo) de efeitos de computação - inclusive, o CGI foi minimamente utilizado ao longo do filme para mostrar o braço mecânico de Furiosa e também a cena da tempestade de areia.


 Orçado em torno de US$ 150 milhões o novo Mad Max é um espetáculo imperdível em todos os sentidos e também uma obra fílmica inovadora tanto quanto a franquia original, mais uma vez demonstrando o talento inigualável do australiano George Miller que dirigiu poucas coisas além de sua obra futurista. Assim como ocorreu com o primeiro Mad Max de 1979, torçamos para que Estrada da Fúria seja apenas o início de mais uma saga surreal, louca e bela em todos os sentidos. E  sempre abençoada seja a loucura de Miller.  (R.A.)

TRAILER


Mad Max - Estrada da fúria (Mad Max - Fury Road, 2015)

Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lathouris

Direção: George Miller
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Hugh Keays-Byrne, Rosie Hutington Whiteley, Riley Keough, Abbey Lee e Zoe Kravitz


terça-feira, 12 de maio de 2015

caçada noturna

NOITE SEM FIM

Liam Neeson e Ed Harris travam uma incansável perseguição nas ruas escuras de Nova Iorque


  Dando prosseguimento à sua atual carreira de astro de ação, Liam Neeson estréia o interessante filme policial Run All night (2015) que já é seu terceiro trabalho em parceria com o diretor espanhol Jaume Collet-Serra que o dirigiu nos sucessos Desconhecido (Unknown, 2010) e Sem Escalas (Non Stop, 2014). Aqui o cineasta e o astro repetem a parceira e Noite Sem Fim traz uma trama mais voltada para a construção do suspense, embora traga também uma boa dose de ação. 
  Neeson é Jimmy Conlon, um veterano matador de aluguel que há décadas trabalha para o mafioso Shawn Maguire (Ed Harris). Ambos são grandes amigos de infância, mas tal amizade será brutalmente abalada e desfeita, pois Shawn perderá o que tem de mais precioso: a vida de seu único filho Danny Maguire (Boyd Holbrook), tirada pelas mãos de Conlon. O motivo foi um tanto justo, por legítima defesa sendo que Danny iria matar Mike Conlon (Joel Kinnaman), filho de Jimmy, pelo fato de Mike ter visto Danny cometer um crime durante um acerto contas.


  Shawn fica sabendo da morte do filho por meio de um telefonema de Conlon, que honestamente lhe explica o que ocorreu, mas a partir de tal momento Shawn movido por desejo de vingança se vê forçado a encerrar sua amizade com Conlon e fará de tudo para caçá-lo e matá-lo e também matar Mike para que tenha uma vingança completa e sem testemunhas.
Jimmy e seu filho Mike

 Uma perseguição desenfreada ocorre então ao longo de uma única noite que como bem diz o título parece ser uma noite sem fim, na qual Jimmy fará uso de toda sua longa experiência de matador para proteger a si mesmo e principalmente ao seu filho Mike - e pai e filho ao longo dessa noite unirão forças e terão de superar desavenças que os manteve distantes por muito tempo, pois Mike nunca aceitou o estranho ofício de Jimmy que sempre foi um pai ausente e nada exemplar.




  Suspense corretamente construído pelas frágeis relações humanas trazidas pelo bom roteiro de Brad Ingelsby dá o tom trhiller criminal que se desenrola ao longo da trama também enriquecida pelos talentos de Liam Neeson que faz um matador tão fragilizado quanto o agente de Sem Escalas (2014), Ed Harris que também interpreta um personagem fragilizado embora sedento por vingança e o jovem ator sueco Joel Kinnaman que ano passado interpretou o novo Robocop e aqui interpreta Mike Conlon - a presença dos também talentosos Vincent D'onofrio e Boyd Holbrook confirmam o bom gosto de Jaume Collet-Serra para compor o elenco de seu filme.



  Cenas de perseguição na estação do metrô e violentos tiroteiros nas ruas filmados à noite confirmam o espanhol Serra como um dos melhores cineastas da atualidade para o gênero de ação, e pelo realismo demonstrado em Run all night percebe-se o cuidado do diretor com as cenas físicas, principalmente ao empregar tomadas dinâmicas e sem utilizar cortes muito bruscos de modo que o público entenda perfeitamente o que ocorre em cena mesmo em ambientes pouco iluminados. Noite Sem Fim pode ser o melhor filme da parceria Neeson e Serra até o momento, mas torçamos para que tal parceira dure por tempo tão indeterminado quanto o título do filme sugere.

TRAILER



Noite Sem Fim (Run all Night, 2015)

Direção: Jaume Collet-Serra

Roteiro: Brad ingeslby

Elenco: Liam Neeson, Ed Harris, Joel Kinnaman, Vincent D'onofrio, Boyd Holbrook



quinta-feira, 30 de abril de 2015

nova missão

VINGADORES: ERA DE ULTRON

Segunda aventura dos maiores heróis da Marvel prossegue atraindo multidões para as salas de cinema 


  Os maiores super-heróis do vasto universo das HQ´s brilham novamente nas telas do mundo todo agora há exatos dois anos desde o primeiro longa metragem (2012) que maravilhou legiões de fãs dos quadrinhos e obviamente atraiu novos públicos que já devem estar acostumados à atual realidade do cinema blockbuster que são justamente os filmes adaptados de histórias em quadrinhos. Com as bases estabelecidas pelos filmes solo de cada um dos personagens, os Vingadores tem forma e espaço definitivo daqui para frente nas telas do cinema e no imaginário das platéias, tanto que assim como ocorreu com o primeiro longa, este já é a maior bilheteria dos filmes da Marvel estando apenas há uma semana de sua estréia que ocorreu no dia 23 de abril.
  A aventura novamente comandada pelo diretor Joss Whedon que também assina o roteiro, inicia com a equipe invadindo o quartel general da Hidra (a secreta organização de origem nazista mostrada nos filmes do Capitão América), para recuperar o cetro que pertencia à Loki e que está em poder deles e como todos sabem é a mais perigosa arma que pode ameaçar a humanidade.


  E o tal cetro será novamente motivo de dor de cabeça para os heróis, pois o poder do objeto é o que dará vida ao vilão da estória: Ultron, um robô com inteligência artificial muito mais avançada que a de Jarvis, o computador de Tony Stark, de modo que Ultron é fruto de um experimento que Stark realizou  junto com Bruce Banner, utilizando a energia infinita do cetro a fim de criar um tipo de sistema de tecnologia mais avançada.


O confronto entre Hulk e Homem de ferro é um dos grandes
momentos da ação de Vingadores



  O roteiro concebido por Whedon com base nas consagradas HQs´ do grupo de heróis, vale-se de ótimos argumentos de ficção científica que sustentam a trama muito mais do que no filme anterior que teve poucos elementos científicos em comparação à este. A concepção de Ultron nas telas é genial e o robô interpretado pelo ator James Spader é uma máquina assustadora, mas também capaz de gerar empatia para com o público. Spader teve suas expressões e movimentos corporais inseridos digitalmente no personagem como normalmente ocorre neste tipo de produção.

Mercúrio e Feiticeira Escarlate tornam-se novos integrantes
da equipe durante a batalha no final da trama
 Visão, o andróide que nas HQ´s é a mais perfeita inteligência artificial também ganha vida pela ótima interpretação do ator britânico Paul Bettany, e tanto ele quanto Spader e também Mark Rufallo foram auxiliados por Andy Serkis para compor seus personagens, e Serkis também faz uma participação na trama no como o personagem que se tornará o Garra Sônica.

  Visão, embora não tenha muitas cenas é o que mais consegue se destacar no grupo com seus argumentos belamente construídos que expressam sua infinita sabedoria que o torna quase um ser humano, mas também tem ótimo destaque na ação travada entre o grupo e os robôs de Ultron.   Com longas cenas de batalha belamente filmadas e que emulam capas de edições das Hq´s, Vingadores: Era de Ultron é seguramente um dos melhores filmes da Marvel nesses últimos anos, fazendo uma impecável homenagem ao legado dos quadrinhos que encantam gerações ao longo de 50 anos de publicação. Entretanto, isto é apenas uma amostra do que está por vir, pois o retrato épico dos heróis Marvel que em breve ganhará forma na adaptação da saga dos quadrinhos Guerra Civil para as telas do cinema promete ser o maior evento deste gênero nos últimos tempos. Desde já, os fãs agradecem! (R.A.)

TRAILER



Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, 2015)

Roteiro e Direção: Joss Whedon

Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Mark Rufallo, James Spader, Paul Bettany, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson


terça-feira, 28 de abril de 2015

ação cega

DEMOLIDOR

Um dos heróis mais sombrios das Hq´s da Marvel conquista o público subitamente num dos melhores seriados da atualidade pela Netflix


  Criado por Stan Lee e Bill Everett em abril de 1964, o herói cego que usa uma fantasia demoníaca e combate o crime organizado na cidade de Nova Iorque é um personagem respeitado pelos leitores dos quadrinhos Marvel embora sua legião de fãs não seja tão extensa quanto os demais super-heróis da famosa editora tais como Homem-Aranha, X-Men ou Capitão América. Demolidor (Daredevil) tornou-se conhecido pelo grande público 12 anos atrás por conta de um péssimo filme cujo desempenho garantiu o sepultamento do herói nas telas do cinema de modo que a Marvel nem arriscou tentar fazer algum rebooth em todo esse tempo. 
  A demora compensou e resultou numa parceria entre Marvel e o canal Netflix que numa proposta inovadora produziram este seriado que pelo visto inaugura um novo ramo de investimento dos estúdios Marvel em adaptar para a TV personagens menos conhecidos e que dificilmente teriam um bom desempenho nas telas do cinema, e o Demolidor é prova concreta disso, além de outros que tiveram baixo desempenho cinematográfico como Justiceiro e Motoqueiro Fantasma.


  Longe de convenções que ditam as produções de Hollywood, esta série traz um certa dose de violência que dificilmente seria aceita para um filme de super-herói, o que na verdade é uma idiotice dos produtores de cinema com a velha mania de querer "maquiar" adaptações de quadrinhos retratando menos violência possível e adicionando elementos fantasiosos demais o que acaba descaracterizando o personagem original. Felizmente o que se vê aqui é algo muito próximo do que está originalmente nos quadrinhos do herói cego cujas estórias (as melhores) que foram escritas e desenhadas pelo genial Frank Miller são a base necessária para compor a saga do seriado.

  Apresentar a origem e detalhes da infância em flash back enquanto a jornada do herói vai se desenvolvendo a cada episódio é uma decisão mais do que certa e bem melhor do que se sua origem fosse contada de uma só vez como normalmente ocorre em várias produções do gênero, pois quando o personagem é apresentado de forma gradativa, o público vai sendo conquistado aos poucos até familiarizar-se cada vez mais com o herói a ponto de importar-se verdadeiramente com ele.


  Além de se ancorar nos elementos que consagraram o herói nas histórias em quadrinhos, o seriado ainda conta com um ótimo elenco a começar por Charlie Cox, o desconhecido ator principal que encarna o herói com talento e habilidades físicas mais do que necessárias para viver o "homem sem medo"; Elden Henson, ator também desconhecido que aqui interpreta Foggy Nelson, o melhor amigo de Murdock  - alguns rostos mais conhecidos do grande público também enriquecem a produção, como a bela morena Rosário Dawson que interpreta Claire, uma prestativa enfermeira que passa a cuidar dos ferimentos de Matt Murdock após conhece-lo e Vincent D'onofrio, ator que já esteve no seriado Law & Order além de várias participações em filmes de sucesso como Homens de preto (MIB, 1997), encarna no seriado ninguém menos que Wilson Fisk, o temido rei do crime, arquiinimigo do Demolidor.


    A primeira temporada é composta de 13 episódios, cada um com duração em média de 50 minutos, todos disponíveis no canal Netflix. Com o ótimo elenco àcima citado, ótimas direção e fotografia a série já conquistou grande parte do público que não tinha afinidade com o personagem, além de agradar muito os leitores das HQ´s do herói cego. Demolidor chegou pra ficar e possivelmente não vai demorar muito para que a Marvel adapte outros de seus heróis menos conhecidos para séries de TV, e não é à toa que recentemente o próprio ator Charlie Cox comentou sobre a série do Demolidor ter possíveis aparições de Frank Castle (Justiceiro) e do Dr. Estranho, mas no momento são apenas rumores. De qualquer modo, a única certeza no momento é que a "cozinha do inferno" estará sempre sob a guarda do homem sem medo. (R.A.)

TRAILER

segunda-feira, 20 de abril de 2015

ação + velocidade

VELOZES E FURIOSOS 7

Sétima aventura prossegue liderando as bilheterias e já é o filme mais lucrativo da franquia


  Ao estrear com aproximadamente um ano de atraso devido à morte trágica de Paul Walker, Velozes e Furiosos 7 consegue realizar seu maior feito além de ter que lidar com a perda de um de seus astros. A nova aventura que teve estréia aqui no Brasil em 7 de abril e desta vez é comandada por James Wan, lidera as exibições nos cinemas norte-americanos e já fez nada menos que US$1, 15 bilhão no mundo todo. Isto é um feito mais que notável, pois é o primeiro filme da Universal Studios a atingir a marca do bilhão e isso em apenas 17 dias desde sua estréia nos Estados Unidos e é o vigésimo filme na história de Hollywood com bilheteria bilionária.

Em algumas cenas nos momentos finais da trama Paul foi substituído
por seus dois irmãos que por sinal são muito parecidos com ele fisicamente
 e ainda o rosto de Paul foi digitalizado sobre o rosto de seus irmãos. 
 Na trama Vin Diesel eternamente interpretando Dominic Toretto, o careca bom de volante e bom de briga passa por momentos felizes ao lado de seus amigos que ele considera como família, especialmente sua irmã Mia (Jordana Brewster) e Brian O´Conner, pela última vez vivido pelo agora saudoso Paul Walker. Apesar do aparente clima de paz e tranquilidade, Dom logo descobrirá que seus dias de paz não durarão por muito tempo, pois um outro careca que também é bom de volante e de briga está prestes a surgir em seu caminho para caçar sua família a todo custo, um homem com desejo de vingança  e habilidades altamente letais.

Hobbs Vs Deckard
  Deckard Shaw, interpretado pelo truculento Jason Statham é um ex-agente das forças especiais britânicas e irmão de Owen Shaw (Luke Evans) vilão da aventura anterior que se encontra em estado de coma em algum hospital de Londres. Deckard, que além de ser um agente super treinado é também um homem corrompido e sem limites, faz sua primeira vingança ao enfrentar o gigantesco Hobbs (Dwayne Johnson) após invadir e coletar informações secretas num computador do FBI, e por incrível que pareça, Deckard consegue dar uma surra em Hobbs e mandá-lo para uma UTI.  
Deckard Vs Toretto

  Com Hobbs fora de ação resta a Dom Toretto reunir novamente seus amigos para se protegerem da fúria de Deckard e mais uma vez de uma forma um tanto inesperada Dom terá novamente a ajuda do FBI sendo auxiliado por Mr. Nobody (Kurt Russell) que precisa da ajuda da turma de Toretto para capturar uma organização criminosa que tem negócios com Deckard. E convém dizer que a participação de Russell é uma das melhores da franquia e embora tenha estado um tanto sumido, o ator cult dos anos 80 e 90 continua exatamente com o mesmo carisma que o tornou um dos grandes astros das citadas décadas.




  Obviamente o resto da trama é absolutamente previsível com algumas cenas de ação espetaculares e as demais um tanto absurdas chegando ao ponto de termos que acreditar que Toretto é capaz de voar de um prédio à outro pilotando um potente carro esportivo além de outras cenas impossíveis que parecem ser o grande atrativo da franquia em todos esses anos. 

  Entretanto, o diretor malaio James Wan comprova que na verdade consegue dominar outros gêneros além dos ótimos filmes de horror que o tornaram famoso e para a alegria dos fãs de artes marciais, Wan demonstra talento para filmar cenas de luta que por sinal são o que há de melhor neste filme, com destaque para a participação do astro tailandês Tony Jaa, além da melhor cena de luta entre Michelle Rodriguez e a campeã de UFC Ronda Rousey. 


  Enfim, Fast and Furious 7 é uma boa pedida para uma sessão de cinema descontraída e divertida para um público não muito exigente. Mas convém lembrar que de qualquer maneira vale a pena sim assistir a esse filme nas telonas, ainda mais pela bela homenagem prestada à Paul Walker, homenagem muito justa e digna para o ator que partiu precocemente por conta do horrível acidente de carro ocorrido em novembro de 2013. E nada mais digno que o personagem Brian O´Conner permaneça vivo na franquia ainda que ele se aposente para viver ao lado da esposa Mia e do pequenino Jack. A mensagem final do sétimo filme da franquia foi a mais honesta e honrosa possível para que todos os fãs saibam que Brian não morreu, apenas escolheu um outro percurso... uma outra estrada!

  

TRAILER




Velozes e Furiosos 7 (Fast and Furious 7, 2015)
Direção:James Wan 
Roteiro: Chris Morgan, Gary Scott Thompson
Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Jason Statham, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Kurt Russell,Ronda Rousey, Djimon Hounsou, Tony Jaa

segunda-feira, 13 de abril de 2015

épico religioso

ÊXODO - Deuses e Reis

Grande sucesso recente nos cinemas dirigido por Ridley Scott já está disponível nos formatos digitais


  A jornada bíblica de Moisés para conduzir o povo hebreu à terra prometida ganhou uma nova visão pelas mãos de Ridley Scott, versão esta não menos grandiosa que o clássico Os dez mandamentos (1956) dirigido pelo lendário Cecil B. de Mille. Embora muitos possam considerar Êxodo - deuses e reis como uma refilmagem do clássico dos anos 50, na verdade não se trata de refilmagem, considerando que é uma história pertencente à bíblia sagrada e como tantas outras histórias, pode ser recontada várias vezes pelo cinema e assim apresentar diferentes visões de vários cineastas. 
  Neste filme a jornada de Moisés é iniciada já a partir de fase de sua vida adulta, de modo que partes sua infância e juventude retratados no clássico de 1956 não são mostrados aqui, além do fato de Ridley Scott retratar um Moisés essencialmente guerreiro, que ao lado de Ramsés, filho legítimo do faraó, tem também a honra de ser considerado príncipe, embora seja um filho adotivo, além de não ser egípcio. O antagonismo entre os distintos irmãos não demora a aparecer, tal como muitos já sabem com base no filme clássico.



  Demonstrando sua experiente habilidade em comandar épicos a exemplo de Gladiador e Cruzada, Scott repete todo o cuidado estético de seus filmes anteriores e ao que parece vários dos cenários retratados em Êxodo parecem ser reais tendo poucos efeitos digitais para completar a concepção visual. Inclusive nas cenas que retratam a invasão das pragas do Egito foram utilizadas rãs verdadeiras pelo que se pode notar.



  Como sempre Scott demonstra bastante cuidado na escolha do elenco, trazendo Christian Bale como um imponente Moisés, o ótimo Joel Edgerton que interpreta um Ramsés que gradativamente vai revelando profunda arrogância necessária ao vilão, e demais rostos conhecidos tais como Sigourney Weaver (sempre rejuvenescida), John Turturro no papel do faraó e Ben Kingsley bem representado num escravo hebreu embora tenha feito poucas cenas.


  Assim como no clássico de 1956 tanto como em diversas produções da TV, Scott retrata Moisés também como um sujeito heróico e faz questão de representar o príncipe adotivo do Egito como um autêntico militar, tanto que Moisés não abandona sua espada egípcia nem mesmo depois que se torna um profeta, além do que o próprio Deus representado na figura de um simples menino lhe diz que precisa de um general para cumprir sua missão. Quem já leu a passagem bíblica do Êxodo sabe muito bem que Moisés não foi um guerreiro e nem mesmo tinha perfil para ser líder de um povo, pois não tinha nenhuma empatia com as pessoas, além do fato de ser gago. Além disso, quem realmente se comunicava com todos era Aarão, considerado o primeiro sumo sacerdote dos hebreus e um tipo de porta-voz que sempre acompanhava Moisés para ajudá-lo em sua nobre missão.


  Atualizando os efeitos visuais em relação às produções antigas, Êxodo se mostra bastante original em retratar o milagre da abertura das águas do mar de um modo diferente e um pouco inesperado o que nos faz lembrar que a produção não se trata de refilmagem e sim de uma nova visão de uma história bíblica que pode ser recontada inúmeras vezes, tanto é que aqui as tábuas da lei que contém os 10 mandamentos só aparecem nos momentos finais da trama.
  Extremamente superior a Noé (Noah, 2014), que para muitos foi uma produção apenas medíocre, Êxodo - deuses e reis tem tudo para ser relembrado e revisto quantas vezes for necessário à satisfação dos cinéfilos. Enfim, um novo clássico bíblico e cinematográfico que após o sucesso nas telas pode ter uma trajetória promissora nos formatos  digitais. E que venham mais épicos bíblicos dos estúdios de Hollywood.

TRAILER


Êxodo - deuses e reis (Êxodo - gods and kings, 2014)

Direção: Ridley Scott

Roteiro: Adam Cooper, Bill Collage, Jeffrey Cane, Steven Zaillian 

Elenco: Christian Bale, Joel Edgerton, John Turturro, Ben Kingsley, Sigourney Weaver, María Valverde, Aaron Paul