domingo, 3 de julho de 2016

dossiê: super-poderes II

FILMES SUPER-HERÓICOS: parte 2

Marvel segue novos rumos no cinema e na TV


  Após iniciar sua trajetória na TV com produções regulares em meio a erros e acertos, a Marvel Comics ganhou melhor definição no cinema por volta do final dos anos 90 e início dos anos 2000 quando então os personagens da lendária editora foram aos poucos sendo adaptados em produções de primeira linha dos grandes estúdios de Hollywood.
  Em 1998 estreava nas telas do cinema, Blade: o caçador de vampiros, estrelado por Wesley Snipes esta foi a primeira produção de um personagem da Marvel bancada por um grande estúdio, neste caso Warner Bros. O herói completamente desconhecido do grande público e até mesmo desconhecido por muitos leitores de quadrinhos foi o personagem escolhido para estrear nas telas em grande estilo sob a direção de Stephen Norrington e roteiro escrito por David Goyer, o roteirista apaixonado por quadrinhos que vários anos mais tarde escreveu Batman Begins (2005) bem como a trilogia O cavaleiro das trevas.
  Blade surpreendeu o público e também a crítica, já que na época o cinema estava um tanto carente de filmes de super-heróis. Afinal as últimas produções adaptadas de quadrinhos foram Batman Eternamente e Batman & Robin não muito bem aceitos e como todos sabem o último foi um grande fiasco dos anos 90 chegando a ser considerado um dos piores filmes de todos os tempos. 


 O grato sucesso de Blade rendeu duas sequências, a segunda, de 2002, infinitamente superior ao primeiro filme, foi comandada por Guilhermo Del Toro, o carismático diretor mexicano apaixonado por fantasia e fã confesso de quadrinhos que alguns anos mais tarde dirigiu  os dois filmes do Hellboy.

  O terceiro filme intitulado Blade Trinity (2004) foi escrito e dirigido por David Goyer, mas teve sérios problemas no decorrer das filmagens como brigas entre ele e Snipes o que ocasionou mudança de argumento no roteiro e comprometeu o resultado final de um franquia que poderia ir um pouco mais longe.  Houve também uma tentativa de refazer o herói numa série de Tv de baixíssimo orçamento que durou apenas 13 episódios e foi cancelada. 

Anos 2000...

    A partir do ano 2000, a Marvel começava a escrever sua história de modo convicto nas telas do cinema para que realmente seus heróis passassem a habitar o imaginário popular da maneira mais crível possível, com seus diversos personagens ganhando vida em produções de primeira linha na interpretação de talentosos atores, vários dos quais vieram a se tornar astros destes novos tempos.
  Em meados do ano 2000, estreava nos cinemas de todo o mundo a adaptação de X-men, produzida pela Fox Films o filme que praticamente anunciava a era Marvel nos cinemas, já que o sucesso de Blade (1997) pode-se dizer que foi uma adaptação experimental mais bem aceita até o final do século XX. Feito isso era chegada a hora de personagens mais conhecidos serem transpostos das páginas dos quadrinhos para as telas gigantes do mundo do cinema. 
Hugh Jackman, Halle Berry, Famke Jansen, James Marsden, os veteranos
Patrick Stwart e Ian McKellen e os demais astros e estrelas da franquia mutante
   O sucesso estrondoso de X-men teve duas sequências como era de se esperar tornando-se então a primeira trilogia realmente bem sucedida do cinema com filmes de grande sucesso, embora a saga dos mutantes a princípio encerrada no terceiro filme gerou várias controvérsias entre a os fãs das histórias em quadrinhos, já que em geral as adaptações ganham muita liberdade criativa nos cinemas e às vezes distanciam-se demais do que foi concebido originalmente nas HQ´s. O primeiro e o segundo (2003) filmes comandados por Brian Singer foram muitíssimos bem aceitos pelo fãs em geral - no entanto, o terceiro capítulo intitulado X-men: o confronto final (2006), dirigido por Brett Ratner foi o alvo de polêmicas para os fãs.

  Foi também  no início da então nova década, mais precisamente em 2002 que um certo herói aracnídeo lançava suas teias nas telas do cinema em grande estilo. Homem-Aranha surpreendeu público e crítica sob a direção de Sam Raimi, cineasta que se consagrou na década de 80 com sua trilogia  autoral de horror The Evil Dead. O filme do aracnídeo realizou a incrível façanha de quebrar recordes de dois super-heróis da editora concorrente, DC Comics. Afinal como todos sabem Super-Man (1978) foi o filme de super-herói de maior bilheteria da história até a estréia de Batman (1989) de Tim Burton que quebrou o recorde do homem de aço. O enorme sucesso do aracnídeo resultou numa trilogia, porém assim como ocorreu com X-men, o terceiro filme também foi considerado de gosto duvidoso. 

Novas adaptações / Novos tempos


  Com o estrondoso sucesso das franquias de X-men e Homem-Aranha, vários outros personagens foram aos poucos sendo adaptados e apresentados ao grande público, e em 2004 um certo gigante esverdeado ganhava as telas do cinema sob a direção de Ang Lee, famoso cineasta chinês recém chegado em Hollywood, Lee retratou o Hulk traçando um paralelo entre os quadrinhos e a série de TV. 
  Contudo, o resultado do trabalho de Lee dividiu opiniões já que parte do público conhecia apenas a atuação de Lou Ferrigno e estranharam ver uma criatura enorme e totalmente digital, pois isso agradou apenas os fãs das HQ´s que sabem que efeitos em CGI são altamente necessários para reproduzir o personagem tal qual ele é nos quadrinhos. Em 2008, quando a Marvel fundou seu próprio estúdio houve um reboot estrelado por Edward Norton e Liv Tyler.




  Outros personagens menos conhecidos também tiveram suas adaptações com pouca aceitação pelo público como por exemplo O Justiceiro (2004) interpretado por Thomas Jane e Justiceiro: Em Zona de Guerra (2008) com Ray Stevenson, ambos fracassos de bilheteria assim como a versão de 1989 estrelada por Dolph Lundgren. Demolidor (2003) seguido de Elektra (2005) também foram grandes fracassos de público. Motoqueiro Fantasma também deu as caras no cinema com dois filmes de razoável sucesso em 2008 e outro em 2011.

Em 2009 Wolverine teve seu primeiro filme solo, o medíocre
X-men Origens: Wolverine; e em 2013 o ótimo Wolverine Imortal,
bem mais fiel à essência do personagem

 Após tantas adaptações que caracterizaram um verdadeiro desfile de histórias em quadrinhos nas telas de cinema, entretanto, o melhor ainda estava por vir, após a Marvel ser adquirida pela Disney no ano de 2009. Em 2012 estreou mundialmente Os Vingadores, dirigido por Joss Whedon após uma longa espera precedida de filmes solo de cada um dos heróis que compõem a equipe mais poderosa do universo das HQ´s. Uma justa vitória para a ansiedade dos fãs e a maior realização da Marvel nos cinemas até então já que um filme desta super equipe é algo bem mais ousado do que foi a franquia X-men. E a grande vitória dos super-heróis foi muito bem expressa em números: nada menos que cerca de 1,5 bilhão em bilheteria em todo o mundo.

A Marvel foi comprada pela Disney em 2009 por 4 bilhões de
 dólares, e assim os filmes dos principais heróis passaram
a ser lançados sob o selo Marvel / Disney

   Após Vingadores vieram as sequências solo: Capitão América: Soldado Invernal, Thor: Mundo Sombrio e Homem de Ferro 3. Em 2015 teve a estréia de Vingadores: Era de Ultron que mais uma vez reuniu a super equipe e ainda trouxe novos personagens desconhecidos do público: Mercúrio, Feiticeira Escarlate e o andróide Visão. Em abril de 2016  como todos sabem estreou Capitão América: Guerra Civil, para muitos o melhor filme da Marvel até o momento inclusive apresentando pela primeira vez o Homem-Aranha nos estúdios Marvel / Dinsey.

Homem-Formiga, personagem que também não era conhecido
 do grande público teve sua estréia em 2015 com muito sucesso

 Personagens que estrearam no inícios dos anos 2000 tiveram reformulações como por exemplo Homem Aranha que ganhou um reboot desnecessário em 2012 com o ótimo ator Andrew Garfield e uma sequência em 2014 sub-intitulada A ameaça de Elektro, dois filmes que acrescentaram quase nada ao perfil do herói aracnídeo nos cinemas a não ser efeitos visuais um pouco melhores que os da trilogia original.

A Marvel / Disney também pretende fazer adaptações que não sejam
apenas de super-heróis, e a primeira aposta num universo um pouco
diferente foi Guardões da Galaxia, o maior sucesso de 2014



  Além do Aranha a franquia da equipe mutante também teve seu reboot só que bem melhor, trazendo a origem da equipe e do professor Xavier em X-men: Primeira Classe (2011), seguido de Dias de um Futuro Esquecido (2014) e recentemente finalizada com X-men: Apocalypse, agora em 2016. Este ano, também dos estúdios Fox teve a surpreendente estréia de Deadpool, o anti-herói falastrão interpretado por Ryan Reinolds.


Novos tempos na Tv

  Como era de se esperar, a televisão também não ficaria de fora desta nova era de produções baseadas em histórias em quadrinhos, patamar que a Marvel alcançou ao longo de 19 anos de grandes filmes nas telas do cinema. Faltava ainda a lendária editora conquistar também seu espaço na TV com produções fílmicas de melhor qualidade em relação ao passado quando ainda não havia efeitos visuais mais convincentes e os telefilmes eram apenas produções de baixo orçamento.

  O estrondoso sucesso de Vingadores não deixou dúvidas para que surgisse uma série derivada para o formato televisivo e assim a agência de espionagem S.H.I.E.L.D tão presente nas diversas HQ´s da editora ganhou seu primeiro seriado de Tv em grande estilo e com produção de qualidade não apenas em efeitos visuais, mas também com um elenco de bons atores para interpretar os vários agentes da sofisticada organização, além da presença do agente Coulson, que apareceu no primeiro Vingadores e também em alguns filmes solo dos heróis.

  A editora firmou uma interessante parceria com a Netflix para adaptar Demolidor em uma série de Tv já que as estimativas do personagem não pareciam ser das melhores para o cinema, não apenas pelo péssimo filme de 2003 estrelado por Ben Afleck, mas também pelo risco de que certos heróis pouco conhecidos não emplacam em produções de cinema assim como o Justiceiro ou o Motoqueiro Fantasma.
  Porém, o herói cego parece encontrou seu caminho definitivo na Tv, já que o seriado é um sucesso e já está sua segunda temporada e o Justiceiro também terá seu próprio seriado já anunciado há algum tempo e não é a toa que o personagem é coadjuvante na segunda temporada de Demolidor.

  Uma personagem feminina bem pouco conhecida também já se encontra na plataforma da Netflix com 13 episódios de sua primeira temporada: Jéssica Jones, uma detetive com poderes psíquicos derivada da série de quadrinhos intitulada Alias. Interpretada pela atriz Kristen Ritter, a carismática personagem já conquistou o público com estórias sombrias e violentas, e pelo jeito terá vida longa no formato televisivo. Enfim... não há melhor meio de concluir este dossiê do que numa afirmação por mais que pareça clichê: o cinema e a Tv não serão mais os mesmo depois da Era Marvel ;)  (R.A)






  

quinta-feira, 16 de junho de 2016

dossiê: super poderes

FILMES SUPER-HERÓICOS: Parte 1



A trajetória da Marvel na TV e no cinema

   


  Marvel Comics, uma das maiores editoras de histórias em quadrinhos dos Estados Unidos e uma das mais populares do mundo encanta gerações de leitores há cerca de 70 anos tendo sido fundada no ano de 1939 com o nome de Timely Comics e no ano seguinte, 1940 rebatizada como Marvel Comics atravessou mais da metade do século XX com seus inúmeros personagens e diversos super-heróis para cumprir a dura missão de divertir milhares de pessoas em todas as partes do mundo que se converteram em legiões de fãs em sua maioria jovens, mas sem deixar de conquistar o público adulto, pois a verdadeira diversão  não tem idade definida.

  Inicialmente a editora Timely Comics publicava revistas de faroeste com estórias mais comuns e personagens menos fantasiosos ou mais próximos da realidade como por exemplo Apache Kid. Tendo surgido um pouco antes da Segunda Guerra, evento que sucedeu a grande depressão econômica norte-americana, é compreensível deduzir que personagens de histórias fantásticas foram uma perfeita válvula de escape para boa parte do público a fim de contrapor o clima de insatisfação e insegurança no qual a população mergulhara devido à inquietações políticas e sociais bem como quebra da bolsa de valores de 1929, o que gerou alto índice de desemprego e queda de poder aquisitivo, mas o que restava porém, especialmente ao publico mais jovem era a diversão simples proporcionada pelas revistas em quadrinhos ou comic book´s em geral com preços bem acessíveis por serem publicações populares.

Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko foram os grandes idealizadores do universo
Marvel. Lee o criador dos personagens e Kirby e Ditko, os desenhistas

A primeira adaptação

  A relação da editora Marvel com o cinema á mais antiga do que possa parecer. Embora muitos pensem que as primeiras produções em filmes foram as séries de TV do Hulk e do Homem-Aranha, o primeiro personagem a ganhar uma adaptação para as telas do cinema foi o Capitão América com estréia em 1944. Tratava-se de um seriado de aventuras composto de episódios curtos (cerca de 15 minutos) e em sequência como numa mini-série. Naquela época, provavelmente o seriado era exibido nos cinemas em sessões matinê, bem como vários seriados de faroeste como Roy Rogers e Tom Mix , que faziam tanto sucesso numa época em que ainda não existia a TV.



Cartaz da aventura de
estréia do herói.
  Contudo, a produção em questão era levemente inspirada no herói originalmente criado por Joe Simon e Jack Kirby de modo que apenas o visual do personagem foi mantido, mas sua identidade e o enredo de suas estórias foi totalmente alterado distanciando-se das HQ´s. Produzido pela Republic Pictures, a produção era estrelada por Dick Purcell  que interpretava o Capitão América cujo nome era Grant Gardner, e não era um super-soldado como nos quadrinhos, mas um promotor de justiça e um combatente do crime e ao invés do escudo utilizava uma arma de fogo como faz todo agente da lei.
  O enredo das aventuras não tinha nada a ver com a Segunda Guerra Mundial, portanto não havia nazistas e o arquiinimigo do Capitão era intitulado Escaravelho e utilizava inventos tecnológicos para por em prática seus planos mirabolantes. A produção foi muito bem aceita pelo público tornando-se a primeira adaptação de sucesso inspirada em um personagem da editora Marvel.


Adaptações para a TV
  Por volta da década de 1960, quando surgiram os vários super-heróis tais como Hulk, Homem de ferro, Homem Aranha, Thor e vários outros criados por Stan Lee, o sucesso de vendas impulsionou a idéia de adaptar os personagens para outra mídia a fim de conquistar novos públicos. E assim surgiram as primeiras animações feitas para a TV, mas que eram nada mais do que as artes originalmente desenhadas por artistas de quadrinhos como Jack Kirby e eram capturadas diretamente das páginas das revistas e adaptadas ao formato de vídeo. Entretanto, os desenhos permaneciam estáticos como nas páginas desenhadas de modo que a animação era apenas nos movimentos dos olhos, algo sutil e bem limitado, mas já era um passo inicial para produções televisivas sobre super-heróis.







  Em 1977 Homem Aranha estreava sua primeira versão live action num filme que chegou a ser exibido nos cinemas e deu origem a uma série de TV sem muito sucesso com apenas 13 episódios divididos em 2 temporadas exibidas entre 1978 e 1979. A série produzida pela Charles Fries Productions era estrelada por Nicholas Hammond, ator norte-americano que teve uma participação em A Noviça Rebelde (1965) e posteriormente algumas participações em outras séries de TV como 20 Mil léguas submarinas e Flipper.




   Em 1978 a Marvel atingira o seu momento máximo na TV com a estreia de O Incrível Hulk, a adaptação fílmica de maior sucesso da editora até então e um dos maiores sucessos da história da TV norte-americana tendo rendido altos índices de audiência de modo que o gigante verde dos quadrinhos tornou-se o personagem mais popular da editora naquele momento e sem dúvida até hoje o sucesso do herói esmeralda junto ao público é originário desse seriado estrelado por Bill Bixby, que interpretava David Bruce Banner, o cientista que devido ao acidente com raios gama se transformava em momentos de raiva no gigante verde interpretado pelo fisiculturista Lou Ferrigno.


  Assim como ocorreu com Homem Aranha, o episódio piloto que conta a origem do herói foi exibido nos cinemas dando origem posteriormente ao seriado de enorme sucesso que chegou a prêmios Globo de ouro de melhor ator para Bixby e melhor série de TV. A série produzida por Kenneth Johnson durou 5 temporadas (1978 a 1982) e ainda teve como complemento três longa metragens televisivos: O Retorno do Incrível Hulk, O Julgamento do Incrível Hulk e A morte do Incrível Hulk.


  No final dos anos 70, a Marvel continuou apostando em produções televisivas e acreditando no potencial de outros de seus personagens, em 1978 o escolhido da vez foi Dr. Estranho, o herói místico que domina as artes da magia. O filme foi então produzido pela MCA e assim como ocorreu Homem-Aranha e Hulk, a proposta era de que o longa metragem também desse origem a uma série de TV, o que infelizmente não ocorreu já que a produção estrelada por Peter Hooten e dirigido por Philip Deguere resultou em um filme tão estranho quanto o nome do personagem com um elenco apenas razoável e embora sombrio apresentava um clima pesado demais para uma adaptação de quadrinhos.
   Em 1979 o herói patriótico também ganhou adaptação para a TV em dois filmes produzidos pela emissora CBS: Capitão América e Capitão América II, ambos estrelados por Reb Brown, ator de filmes B que já atuou em vários filmes televisivos e ostentava uma forma física adequada para viver o personagem. O herói bandeiroso tem um retrato um pouco distante das histórias em quadrinhos e um visual não muito fiel utilizando um capacete com asas desenhadas ao invés da máscara de capuz além de um escudo extremamente tosco que parece ser feito de ... plástico. Contudo havia algumas coisas bacanas como a moto que o herói utilizava para perseguir os vilões em alta velocidade e até mesmo uma asa delta.



Em 1990 o herói bandeiroso ganhou uma versão de cinema
dirigida por Albert Pyun bem mais fiel aos quadrinhos
do que as versões anteriores.

  Na década de 90 a Marvel voltaria a apostar em novas experiências televisivas apresentando personagens diferenciados para o grande público e o resultado foi uma adaptação experimental de X-men num filme intitulado Geração X, produção de 1996 dirigida por Jack Shoulder e estrelada por um elenco nada conhecido, bem como os heróis mostrados no filme também não são dos mais conhecidos da escola de mutantes: Banshee (Jeremy Hatchford), Rainha Branca (Finola Hughes), Jubileu (Heather McComb) e mais alguns jovens alunos que se reúnem para enfrentar o vilão cientista Russel Trask.

   Dois anos mais tarde estreava (possivelmente) o último filme televisivo da Marvel, Nick Fury: Agente da S.H.I.E.L.D., produção de 1998 dirigida por Rod Hardy e estranhamente estrelada por David Husselhoff, o astro do seriado oitentista A Super máquina fez uma interpretação nada convincente do agente Nick Fury nesse que pode ser considerado o filme mais tosco já feito para a TV ostentando os efeitos visuais mais precários que se possa imaginar para a idéia proposta. Nem mesmo o roteiro escrito pelo talentoso David Goyer conseguiu dar alguma dignidade ao filme do agente caolho que encara a dura missão de salvar o mundo da ameaça neo-nazista da organização Hidra.
  De todo modo, a Marvel moldou seu universo nas telas da TV ao longo de décadas fosse para o amor ou ódio dos fãs em relação a maioria destas adaptações que serviram de mera diversão para um público menos exigente e de modo despretensioso. Em meio a idéias boas e outras nem tanto, a jornada de muitos icônicos personagens já estava iniciada... e o percurso mais adiante seria longo e tão brilhante do que se poderia imaginar, mas este é um assunto para a próxima parte deste super dossiê. (R.A.)





quarta-feira, 25 de maio de 2016

alto mar

NO CORAÇÃO DO MAR

Último filme de Ron Howard reconta história real que 

serviu de inspiração para o clássico livro Moby Dick

   Em dezembro do ano passado estreava no cinemas brasileiros o drama / aventura marítimo No Coração do Mar (2015) com direção de Ron Howard, cineasta com um currículo dinâmico e admirável com vários filmes que trazem uma variedade de histórias que vão desde o suspense policial visto em Cortina de Fogo (1991), passando pelo thriller político Frost/Nixon (2008), o western Desaparecidas (2003) e o recente drama automobilístico Rush: no limite da emoção (2013). Quem conhece a filmografia de Howard percebe facilmente que In The Heart Of  The Sea não foge à regra de ser mais ótima história a entrar para a rica galeria do versátil cineasta. 
  Ambientado em 1820, época em que a navegação era uma atividade fundamental, o roteiro escrito por Charles Leavitt narra a trajetória do baleeiro de nome Essex que partia numa expedição em alto mar para caçar baleias, já que a extração de óleo dos gigantescos animais era na época de fundamental importância para a vida moderna de então, pois era utilizado para vários fins, principalmente na produção de azeite e na iluminação das casas e das cidades.


   No coração do mar é adaptado do livro homônimo escrito por Nathaniel Philbrick, o qual narra a história verídica do baleeiro que durante uma típica expedição em alto mar foi abatido por um enorme cachalote, uma baleia branca que se chocou contra o casco da embarcação provocando o famoso naufrágio do qual restaram poucos sobreviventes. Algumas décadas mais tarde tal relato serviu de inspiração para o livro Moby Dick, romance escrito por Herman Melville e publicado em 1851.
  Chris Hemsworth protagoniza o longa ao interpretar Owen Chase, um experiente pescador que demonstra profundo conhecimento de caça à baleias e que a bordo do Essex acaba por entrar em iminente conflito com George Pollard (Benjamin Walker), capitão da embarcação de postura altiva e um tanto autoritária. Pollard não possui tanto conhecimento quanto Chase a cerca do mar e o clima entre eles torna-se bastante tenso perante a tripulação de um modo que ambos parecem disputar os rumos da expedição enquanto não se dão conta do perigo que os aguarda em relação ao monstruoso peixe o qual pretendem abater.
  Apesar da boa interpretação de Hemsworth (na verdade acima da média), a narrativa do longa é conduzida por Thomas Nickerson, personagem sobrevivente de Brendan Gleeson que narra os eventos ocorridos no passado ao jovem escritor Herman Melville (Ben Wishaw), que algum tempo depois escreveria o romance Moby Dick.


  Mais do que uma aventura marítima, In The Heart Of The Sea revela-se um drama profundo e comovente ao retratar o sofrimento da tripulação que após sobreviver ao naufrágio encontram abrigo em uma praia deserta na qual passam dias e semanas alimentando a esperança de conseguirem regressar para seus respectivos lares... ou ao menos tentarem, o que parece ser impossível dadas às circunstancias da desastrosa expedição na qual se meteram. Como se não bastasse tamanho azar e sofrimento, o monstruoso peixe branco parece rondá-los em suas tentativas de voltar em alto mar em barcos improvisados. Um terror com mais de 10 metros de comprimento sempre à espreita.



  Possivelmente este é o primeiro filme no qual Ron Howard trabalha com efeitos digitais já que neste caso são extremamente necessários para retratar a baleia branca bem como compor boa parte das paisagens sendo que o filme foi gravado em estúdio e não exatamente no mar. A baleia surgindo sempre imponente como um enorme monumento branco em meio as águas do oceano parece ter uma personalidade própria, como se estivesse querendo dizer algo aos seus pretensiosos caçadores ou simplesmente demostrar que toda aquela extensão é seu território e de mais ninguém - um argumento que expressa bem o embate homem vs natureza e de certo modo torna a baleia um personagem respeitável e não apenas uma fera assassina dos mares como normalmente ocorre nos filmes hollywoodianos. Em outras palavras o imenso peixe não é um vilão.



  Com um ótimo elenco que traz Ben Wishaw, Michelle Fairley, Cillian Murphy e Tom Holland (o novo Homem-Aranha), Howard consegue fazer uma bela aventura de época e também um retrato da força da natureza representado na fúria do mar e na onipresença da baleia branca. Embora tenha fracassado injustamente nas bilheterias trata-se de mais uma obra na diferenciada filmografia de Ron Howard, um novo clássico para ser bem apreciado nos formatos digitais. (R.A.)

TRAILER




No Coração do Mar (In The Heart of the Sea, 2015)

Roteiro:Charles Leavit

Direção: Ron Howard

Elenco: Chris Hemsworth, Brendan Gleeson, Cillian Murphy, Ben Wishaw, Benjamin Walker, Michelle Fairley, Tom Holland.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

herói "real"

CORPO FECHADO

Um pouco antes dos grandes super-heróis dominarem as telas do cinema, Bruce Willis interpretava 

um quase improvável super-herói


  Em meados do ano 2000 estreava nos cinemas um dos melhores filmes do início do século XXI, dirigido por M. Night Shyamalan e estrelado por Bruce Willis em um dos seus melhores momentos até então, já que este era o segundo filme do astro em parceria com o diretor indiano após o estrondoso sucesso de O Sexto Sentido (The Sixt Sense, 1999), um dos melhores filmes do final dos anos 90.
  Roteirizado por Shyamalan, jovem cineasta que despontava naquele período como diretor autoral, Corpo Fechado (Unbreakable) concebia a idéia de apresentar um ser humano que parecesse alguém superior e quase indestrutível, em outras palavras um super-herói, mas com a proposta de realismo. E coube a Bruce Willis a difícil tarefa de compor Davi Dunn, o personagem melancólico que vive uma vida normal e aos poucos vai descobrindo que não é um ser humano comum, especialmente após ser o único sobrevivente de acidente de trem que vitimou 131 pessoas.


  Samuel L. Jackson que co-estrela o filme, interpreta Elijah Price, o sujeito mais misterioso da trama cujo visual o torna uma figura um tanto sinistra já que o personagem sempre se veste com roupas escuras mas com um leve tom de roxo, o que parece ressaltar sua natureza sombria. Elijah é portador de uma grave doença que enfraquece os ossos, chamada osteogenese imperfeita, o que de certo modo o impediu ter uma vida considerada normal, de modo que seus colegas de infância o apelidaram de senhor vidro devido a fragilidade de seus ossos.


   No entanto, a fragilidade física de Price não foi mais forte do que sua força de vontade e inteligência, pois sua paixão desde a infância por histórias em quadrinhos o tornou um grande especialista chegando a montar uma galeria de arte baseada em HQ´s de super-heróis com o sugestivo nome de Edição Limitada. As naturezas opostas de Dunn e Price conferem o tom genial da trama que faz uma bela homenagem ao universo das histórias em quadrinhos, já que obviamente as circunstancias da trama  levam o senhor vidro a conhecer o agente de segurança de modo a descobrir que este pode ser um homem dotado de poderes que o tornam quase indestrutível.


  Composto de elementos comuns que dizem respeito ao cotidiano que todos bem conhecemos, Shyamalan concebe seu filme de modo bastante crível ao retratar David Dunn como um homem comum que tenta refazer seu casamento com a esposa Audrey interpretada pela ótima Robin Wright Penn e o cuidado de ambos com o garoto Joseph (Spencer Treat Clark), o único filho do casal que passa a ter um apego especial pelo pai por acreditar que ele tem algum dom especial após ter presenciado uma conversa entre David e Elijah. Em síntese o  possível super-homem concebido por Shyamalan é acima de tudo um homem simples com uma vida normal, mas contudo tem algo maior em sua essência, algo que o fez sobreviver ao fatal desastre de trem que abre a narrativa do filme.


 
  Contando com ótimas interpretações Unbreakable se completa com uma bela fotografia de cores frias, porém ressaltando um tom mais forte em algumas cores que remetem ao universo dos quadrinhos como tons azulados e vermelho, além da belíssima trilha sonora composta por James Newton Howard cuja composição sabiamente remete à trilhas dos filmes do Super Homem. Por fim, é surpreendente perceber que David Dunn pode ser  maior contraponto na carreira de Willis, afinal quem diria que seu personagem fisicamente mais forte seria psicologicamente o mais frágil? Um mérito de Shyamalan que conseguiu compor uma obra genial e análoga deixando um inevitável questionamento: realismo revestido de fantasia ou uma fantasia revestida de realismo?.. Basta assistir para crer. (R.A.)

TRAILER



 

Corpo Fechado (Unbreakable, 2000)

Roteiro e Direção: M. Night Shyamalan

Elenco:Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright Penn, Spencer Treat Clarck


quarta-feira, 11 de maio de 2016

video dicas

PRÉ-LANÇAMENTOS EM DVD E BLU-RAY



  Já se encontra em pré-venda na internet o filme que certamente é o mais hilário deste e dos últimos anos: Deadpool. O (anti) herói mais tagarela, maluco e irreverente da Marvel já começa a invadir os formatos digitais para a alegria dos fãs que o curtiram no cinema ou para quem ainda não viu. Dirigido por Tim Miller, o cômico personagem é interpretado pelo carismático Ryan Reinolds, mas desta vez da forma correta e não do modo bizarro que o personagem foi apresentando em X-Men Origens: Wolverine (2009), filme que é melhor nem comentar. Deadpool conta com a presena da  atriz brasileira Morena Baccarin e da campeão norte-americana de MMA Gina Carano, além da presença dos x-men Colosso e Negasonic. Uma aventura divertidíssima e espetacular. 





  Outra pré-venda aguardadíssima é sem dúvida O Regresso (The Ravenant), a obra prima do diretor mexicano Gonzales Iñarritu estrelada pelo agora oscarizado Leonardo Di Caprio e co-estrelada por Tom Hardy. A história verídica do caçador de peles Hugh Glass e seus companheiros que exploravam as densas florestas da América do norte é uma grande fonte de inspiração para todas as gerações, cujo roteiro foi adaptado do livro homônimo de Michael Pumpke. O resultado é um filme poderoso e visceral em todos os sentidos, indicado ao oscar de melhor filme e sucesso absoluto de público. 








segunda-feira, 9 de maio de 2016

confronto épico

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

Maior evento da Marvel nos quadrinhos ganha as telas do cinema e anuncia nova fase para os filmes dos super-heróis


   A maior batalha que os heróis Marvel já enfrentaram nas HQ´s finalmente tem início nas telas do cinema em Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War) que teve estréia internacional há cerca de 10 dias e vem liderando as bilheterias já repetindo de modo tradicional o sucesso dos filmes anteriores. Dirigido por Joe e Anthony Russo, os mesmos diretores de Capitão América: Soldado Invernal (2014) e roteirizado por Christopher Markus Stephen McFeely, o filme vem sendo considerado pelos fãs dos quadrinhos e pelo público em geral como o melhor da Marvel Studios até o momento.
  Dando sequência à jornada do soldado invernal Bucky Barnes, sua trajetória iniciada em Capitão América 2 torna-se o argumento básico para a trama de guerra civil que no filme segue um rumo diferente do que foi estabelecido originalmente nos quadrinhos já que Bucky é caçado pelo governo como um terrorista. 
  O agora secretário de estado, general Ross comunica os Vingadores sobre uma decisão do governo norte-americano a respeito de uma legislação para registrar os heróis como agentes do governo em virtude dos muitos prejuízos que estes já causaram em vários países (como Sokóvia, o país europeu que serviu de campo de batalha em Vingadores 2), ainda que tenha sido em defesa da população mundial. 
O filme tem como a base a minissérie em 7 edições publicadas entre
2006 e 2007, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven 
  Assim como ocorreu nos quadrinhos, Capitão América não concorda com tal lei de registro que é contrária ao seu ponto de vista. Já Tony Stark concorda, pois acredita que isso trará maior respaldo aos super-heróis perante todas as nações. Além disso o Capitão pretende encontrar Bucky para descobrir o que há por trás dos atentados por ele cometidos, já que o soldado invernal não tem total controle sobre suas ações, conforme foi visto em Capitão 2, o que leva Steve Rogers (Chris Evans) a prosseguir nas investigações sobre organização Hidra, supostamente dissolvida, além do desejo de salvar seu melhor amigo, que ele considera como irmão. 




O possível vilão da trama que leva adiante os planos da Hidra é o
barão Zemo interpretado pelo ator Daniel Bruhl
 O roteiro com argumentos muito bem amarrados por Markus e McFeely consegue transpor para as telas o espírito da HQ original embora com várias modificações que seguem e justificam os eventos vistos em Capitão 2, Vingadores 1 e Era de Ultron. E a dinâmica entre os personagens ao longo da narrativa é simplesmente fantástica do modo como o roteiro expõe o perfil de cada um deles, suas motivações e convicções ideológicas que os levam a escolher um respectivo lado e se confrontarem numa batalha épica nunca vista antes nas telas do cinema.



  Guerra Civil traz atuações impecáveis em seu elenco, especialmente Robert Downey Jr. que ao compor um Tony Stark cada vez mais amadurecido demonstra seu notável talento não muito aproveitado nos filmes do Homem de Ferro, mas eficazmente utilizado aqui de modo que desde Era de Ultron o ator vem se transformando em Tony Stark e não o contrário como ocorria nos filmes solo do herói metálico. 



 A inserção de personagens agora conhecidos como Homem-Formiga e um juvenil Homem-Aranha (Tom Holland) reforçam o time de combatentes de ambos os lados da batalha tornando o esperado confronto absolutamente eletrizante em termos de ação e algumas piadas pontuais que soam de modo natural intercalando as cenas espetaculares.   

  E espetacular é a palavra que melhor pode definir a apresentação de T´Challa, o Pantera Negra - um herói africano príncipe de um país chamado Wakanda, personagem conhecido entre os leitores dos quadrinhos, mas um completo desconhecido para o público do cinema. Sua inserção na trama torna-se um dos principais argumentos para o início da guerra civil, e a ótima interpretação de Chadwick Boseman confirma isso de modo  muito satisfatório. 
Pantera negra utiliza uma armadura feita do metal vibranium
 Captain America: Civil War, vem alcançando números expressivos nas bilheterias brasileiras tendo atingido a quarta maior arrecadação da história, de modo que já superou o concorrente Batman Vs Superman. Entretanto ainda é cedo para dizer se atingirá os estimados 1 bilhão de dólares mundialmente como ocorreu com o primeiro Vingadores e Homem de Ferro 3. De todo modo, a guerra está iniciada e... que venham as próximas batalhas.  (R.A.)


TRAILER




Capitão América: Guerra Civil

Direção: Joe & Anthony Russo

Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely

Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr. Scarlet Johanson, Paul Betany, Tom Holland

quarta-feira, 27 de abril de 2016

nostalgia policial

OPERAÇÃO FRANÇA

Há  45 anos estreava nas telas um clássico do

 cinema policial 


   Em 1971 uma obra de gênero marcou a história do cinema inovando a linguagem do típico filme policial, Operação França (The French Connection) estrelado por Gene Hackman e co-estrelado por Roy Scheider conquistava público e crítica com a adaptação de uma história verídica sob o comando de Willian Friedkin. Operação França narra o caso da maior apreensão de heroína ocorrida nos Estados Unidos até então, na cidade de Nova Iorque numa operação que dá título ao filme e conforme é mostrada na narrativa foi realizada pelos investigadores Jimmy "Popeye" Doyle e Buddy "Cloudy" Russo, respectivamente interpretados por Hackman e Scheider.
  O roteiro escrito por Ernest Tidyman baseado no livro escrito por Robin Moore apresenta logo no início da narrativa a dupla de policiais resolvendo um caso em algum canto violento de Nova Iorque com Cloudy e  Popeye disfarçado com uma roupa de papai noel (já que o mês é dezembro) perseguem um criminoso numa corrida a pé desenfreada até o alcançarem em um terreno baldio e o espancam duramente para depois interrogá-lo em um beco - uma demonstração de força um tanto exagerada, mas expressam a idéia do quanto a dupla de policiais é implacável não dando trégua para nenhum bandido como pode ser visto ao longo do filme.



   Hackman e Scheider demonstraram uma química perfeita em seus personagens e dada à época da produção do filme, pode-se notar que serviu de modelo para as diversas produções do gênero policial até os dias de hoje em que se vê uma dupla de policiais que se completam em seus atributos. Neste caso nota-se claramente que Popeye é o casca grossa que dá porrada nos bandidos enquanto que Cloudy é mais ponderado e investigativo.
  Willian Friedkin explora o submundo das drogas em Nova Iorque de uma maneira nunca vista antes de modo que os verdadeiros policiais Doyle e Cloudy levaram a equipe de produção do filme para conhecer uma espécie de centro de consumo de drogas, onde usuários frequentam e todos ficaram chocados ao verem pessoas com seringas penduradas nos braços e o mais espantoso foi saber que tal local é em plena área central da cidade de Nova Iorque, algo que sem dúvida reforçou bem mais a motivação dos personagens na investigação do tráfico.


  Conta-se que Gene Hackman não gostava de seu personagem já que este é muito grosseiro e racista além do que o ator não simpatizou com o Popeye da vida real e também teve alguns desentendimentos com o diretor, mas felizmente Hackman aceitou e permaneceu no filme, o que enriqueceu muito a obra de Friedkin com seu talento e presença marcante, e é até difícil imaginar outro ator no papel e que combinasse tão bem com o parceiro Cloudy, vivido por Roy Scheider.

  A dupla de policiais investiga dois figurões franceses que estão hospedados na cidade e tem comportamento um tanto suspeito, o que leva Popeye a desconfiar de um forte esquema de transação de drogas que ocorre em pleno centro nova iorquino - daí o título da investigação que dá nome ao filme: operação França. A intrigante investigação rende ótimos momentos de suspense como na cena extremamente tensa em que Popeye persegue o suspeito francês no metro e é surpreendido pela inesperada esperteza do mesmo.
   Mas o grande e esperado momento do filme é sem dúvida a longa perseguição que Popeye faz a outro francês que toma de sequestro um trem cujos trilhos ficam suspensos acima das ruas da cidade e o policial dirigindo um carro a mais de 100 km/h no conturbado trânsito persegue o trem numa corrida louca e desenfreada como nunca se viu até então - e aqui Friedkin mostra seu inigualável talento para filmar perseguições, algo que o tornou muito famoso, pois ele pretendia fazer a melhor cena de perseguição da história do cinema, algo que até então o público só vira no filme Bullit (1968), sucesso de Steve McQueen. Para tal feito o diretor pegou um carro com um motorista no banco da frente e um câmera no banco de trás para filmar tudo a cerca de 140 km/h.


Friedkin recebendo o Oscar
    The French Connection ganhou nada menos que 5 premiações no Oscar de 1972 sendo que foram 8 indicações e ainda levou o premio de melhor filme. Willian Friedkin foi o diretor mais jovem a ganhar um oscar na história do cinema, pois na época tinha apenas 36 anos de idade. Dois anos mais tarde o diretor tornara-se bem mais famoso por comandar o estrondo sucesso O Exorcista (1973), o filme de horror mais polêmico de todos os tempos. Porém, infelizmente Friedkin não se tornou um dos diretores mais requisitados de Hollywood apesar de seu insuspeitável talento, de modo que não conseguiu repetir a fórmula de sucesso que o consagrou na década de 70. Entretanto, de um modo geral grandes diretores sempre são lembrados por poucos filmes e... felizmente Friedkin é um deles.  (R.A.)



TRAILER



Operação França (The French Connection, 1971)

Roteiro: Ernest Tidyman

Direção: Willian Friedkin

Elenco: Gene Hackman, Roy Scheider, Fernando Rey, Tony Lobianco, Marcel Bozzuffi