O Samurai, clássico policial estrelado por Alain Delon é lançado em DVD pela Versátil
Um dos maiores clássicos do cinema policial já pode ser visto nos formatos digitais, pois O Samurai estrelado por Alain Delon está disponível numa versão restaurada lançada pela Versátil e além do filme, o dvd trás como extras documentário sobre a produção e entrevistas da época. Produção francesa de 1967, O Samurai foi dirigido por Jean Pierre Melville e praticamente nasceu cult concebido como uma obra original e até então única, mas que remete aos filmes noir dos 1940.
Na trama, Jeff Costello (Delon) é um assassino profissional que age na Paris dos anos 60 e sua tática baseia-se no Bushido, o antigo código de honra dos samurais japoneses. Entretanto numa noite ele é flagrado por uma testemunha durante uma execução e a partir daí reviravoltas acontecem em sua rotina de matador. Considerado uma obra prima do clássico cinema europeu, este cult posteriormente influenciou vários cineastas como Michael Mann e John Woo. (R.A.)
Hora de relembrar grandes momentos de um grande mito do cinema
Charles Dennis
Buchinsk ou para o grande público cinéfilo Charles Bronson nasceu no mês de
novembro, mais precisamente em 03/11/1921 no estado norte-americano da
Pensylvania. O ator de expressão dura e corpo atlético tornou-se um dos grandes
mitos do cinema por ter construído uma galeria de personagens memoráveis embora
vários críticos o considerassem um ator limitado, mas também perceberam sua
versatilidade, especialmente nos personagens indígenas que interpretou devido
aos seus fortes traços faciais e pele morena.
Sua aptidão
para compor tipos físicos e truculentos foi fundamental para torná-lo um astro
de ação ao longo de sua carreira, assim como Steve McQueen e Clint Eastwood,
astros de ação da mesma época. Bronson
estrelou filmes memoráveis que hoje são eternos clássicos, especialmente
westerns dos quais alguns estão entre os melhores filmes de todos os tempos
como Era Uma Vez no Oeste e Sete Homens e um Destino. Falecido em 30 de agosto de 2003, se estivesse vivo estaria completando nada menos que 95 anos de idade. Para
homenagear o lendário ator, vamos relembrar neste relatório alguns de seus personagens
inesquecíveis e grandes filmes que enriqueceram a história do cinema.
Gaita
Nada mais justo do que iniciar este relatório com o personagem cuja foto abre a postagem. Gaita, protagonista de Era Uma Vez no Oeste (1968), possivelmente o melhor western de todos os tempos dirigido por Sergio Leone é um dos personagens mais misteriosos da galeria de Bronson. O rosto de fortes traços e de expressão endurecida do ator foi mais do que suficiente para compor Gaita, o homem cujo nome verdadeiro é desconhecido e seu olhar um tanto frio e sutil carrega um passado misterioso.
Chato
Os traços rústicos do ator e sua pele bronzeada sempre o favoreceram na composição de personagens índios e possivelmente o mais lembrado é Chato, um apache mestiço que precisa defender sua honra e proteger seu território contra perseguidores que o acusam injustamente de um suposto crime de assassinato de um xerife no filme Renegado Impiedoso (1972), dirigido por Michael Winner.
Paul Kersey
O nome do personagem obviamente dispensa apresentações já que é o mais marcante de toda a carreira do ator e a cena do tiroteio na escadaria de um parque tornou-se tão icônica quanto a carreira de Bronson no cinema físico. A gradativa transformação de um homem comum em um justiceiro que busca incansavelmente vingança conquistou platéias no mundo todo e Charles Bronson finalmente alcançava o estrelato definitivo em Hollywood no clássico Desejo de Matar (1974), também dirigido por Michael Winner.
O "Estranho" Um homem sem nome e sem memória é levado a um hospital para receber cuidados médicos e psicológicos. Dr. Laurence Jeffries (Anthony Perkins), o médico psiquiatra que atende o estranho paciente passa cuidar dele diariamente, mas não a fim de tratá-lo, e sim a fim de manipular o paciente psicótico para utilizá-lo como seu instrumento de vingança contra a esposa Frances Jeffries (Jill Ireland). Alguém Atrás da Porta (1971) é um filme francês quase desconhecido atualmente e o "estranho" é um dos grandes momentos de Bronson em que ele demonstra sua versátil interpretação em uma trama engenhosa de suspense sob a direção de Nicolas Gessner.
Link Stuart Dentre vários personagens carismáticos que Bronson interpretou é importante destacar Link Stuart, o simpático pistoleiro do filme Sol Vermelho (1971), dirigido por Terence Young. Red Sun é um dos melhores westerns da carreira do ator não apenas pelo roteiro original com uma trama envolvendo pistoleiros e samurais, mas também pelo ótimo elenco composto por Alain Delon, Ursulla Andress e Toshiro Mifune. O pistoleiro Link vivido por Bronson não chega a ser um herói, pois é um criminoso que junto com Gauche (Delon) comandam uma quadrilha que assalta trens. Mais uma vez a notável versatilidade de Bronson não deixa dúvidas sobre seu talento para compor diferentes tipos já que Link torna-se até mesmo o alívio cômico deste exótico western.
Bernardo O´Reilly Bronson teve o privilégio de atuar em alguns dos melhores westerns de todos os tempos dentre os quais destaca-se Sete Homens e Um Destino (1960), dirigido por John Sturges. Nesta obra prima do western Bronson interpreta Bernardo O´Reilly, o mais carismático dentre os sete pistoleiros que se unem para proteger um vilarejo mexicano de um iminente ataque de uma perigosa quadrilha de assaltantes e saqueadores. Bernardo ganha a admiração de um grupo de garotos mexicanos que se espelham na coragem e bravura do pistoleiro. (R.A.)
"Pessoas como ele tem algo a ver com a morte!" - Shayenne (Jason Robards) no filme Era Uma Vez no Oeste.
Dolph Lundgren estrela suspense raso e dispensável sobre tubarões
Estréia diretamente em dvd e blu-ray o novo filme de Dolph Lundgren e desta vez o ator sueco conseguiu chegar ao fundo do poço (ou seria de um lago??) ao aventurar-se nesta empreitada que certamente é uma das piores de sua carreira nos últimos anos. Produzido por Lundgren e dirigido por Jerry Dugan, o suspense aguado foi escrito pelos roteiristas Gabe Burstein e David Anderson, que tiveram a idéia não muito feliz de escrever a tal estória sobre um lago habitado por tubarões conforme diz o título do filme.
Na trama Lundgren interpreta o viúvo Clint Gray que após passar 5 anos na prisão pela prática de tráfico de animais teve que deixar sua pequena filha Carly (Lily Brooks O´Briant) sob os cuidados da jovem policial Meredith Hernandez (Sara Lane) que desde então cuidou da pequena como filha adotiva. Após cumprir pena na prisão, Gray tenta levar uma vida normal em Lake Tahoe, a pequena cidade onde ele vivia antes de ser preso. Entretanto reviravoltas o aguardam já que homens enviados por Don Barnes (James Chalke), o chefe do tráfico de animais e um vilão ausente e nada interessante, procuram Gray para que ele possa fazer um último serviço: capturar um tubarão que 5 anos atrás foi deixado no lago quando filhote. Obviamente banhistas são atacados misteriosamente pela tal fera que habita o lago.
A polícia local acredita que os ataques foram cometidos por algum urso, entretanto Peter Mayes (Michael Aaron Miligan), um oceanógrafo que por acaso está de passagem pela cidade, descobre facilmente que os ataques não são de urso, mas sim de um tubarão e então passa a auxiliar a polícia nas investigações sobre os ataques. Mas obviamente quem tem melhores condições e experiência para caçar o tal animal é Clint Gray que se encarrega de encarar a fera aquática.
Com uma direção extremamente rasa e cenas incrivelmente desinteressantes, Shark Lake conta com uma péssima produção em termos de efeitos visuais trazendo um tubarão concebido pessimamente em CGI de modo que o diretor não consegue disfarçar a precariedade do animal digital nem embaixo d'água, isso sem falar em cenas onde se vê claramente um tubarão feito de borracha!!! Enfim, trama rasa, direção rasa, elenco fraquíssimo e produção aguada: o resultado disso é um dos piores filmes sobre ataque tubarão dos últimos tempos. Pior do que perder 90 minutos com esta tralha é tentar entender porque Dolph Lundgren escolhe roteiros tão ruins em sua atual carreira.
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O Lago dos Tubarões (Shark Lake, USA 2015)
Direção: Jerry Dugan
Roteiro: Gabe Burstein, Dave Andelrson
Elenco: Dolph Lundgren, Sara Lane, Lily Brooks O'Briant, Michel Aaron Miligan, James Chalke
Drama estrelado por Schwarzenegger já pode ser conferido nos formatos digitais
Já se encontra disponível em dvd e blu-ray o novo filme de Schwarzenegger no qual ele enfrenta zumbis para proteger sua família, certo? A resposta é: Não. Em seus quarenta anos de carreira no cinema Schwarzie faz uma aposta inusitada e fora do comum ou talvez para sua legião de fãs, algo fora do contexto de sua carreira. O lendário astro de ação deixou as armas de lado e seus músculos devidamente escondidos por debaixo das roupas para fazer uma interpretação realmente dramática no filme Maggie: A transformação, dirigido por Henry Robson e John Scott III e exibido nos cinemas brasileiros em julho do ano passado.
Na trama, Schwarzenegger é Wade Vogel, um fazendeiro que vive numa pequena propriedade em uma cidade do interior com sua esposa, dois filhos pequenos e Maggie, filha de seu primeiro casamento e portanto uma garota adolescente. Wade e sua família aparentemente vivem uma vida normal, trabalham no campo e vivem tranquilamente na pacata cidade. No entanto, o mundo vive dias muitos sombrios, já que uma estranha epidemia se alastrou em vários países e as pessoas infectadas sofrem um tipo de deterioração que vai se apossando de todo o corpo; em outras palavras tornam-se zumbis, e Maggie (Abigail Breslin) é infectada com tal vírus do qual não existe cura.
A cada dia Maggie vai aos poucos se transformando: suas veias
começam a necrosar, sua pele vai ficando pálida e as pupilas de
seus olhos começam a esbranquiçar
O governo permite que os infectados passem um tempo com a família, mas seu destino final é um local chamado quarentena, onde ficam isolados do resto da sociedade e mantidos como num cativeiro para que o vírus possa ser contido de algum modo. Após um breve tratamento no hospital, Wade leva a filha de volta pra casa, porém recomendado pelo médico que a leve para a quarentena assim que achar necessário.
A fotografia um pouco escura e composta por cores frias dá o tom sombrio da narrativa que apesar de em vários momentos remeter ao gênero horror, não chega a se encaixar totalmente em tal gênero, mas trata-se mesmo de um drama de modo que o horror é apenas sugerido pela ameaça da epidemia zumbi. A interação entre Schwarzie e Abigail Breslin como um pai dedicado e uma filha com uma doença terminal é bastante convincente tanto pela atuação da jovem atriz quanto pelo desempenho do ator veterano - e mesmo que o rosto bastante enrugado de Arnold confira certo peso dramático ao seu personagem, é a sua entrega às atitudes de Wade nos cuidados com a filha que dão o tom de sua interpretação em vários momentos comoventes em que ele tenta proteger a filha de si mesma, protegê-la do mal que cresce no interior dela.
Além de atuar, Schwarzie também é um dos produtores do filme cujo orçamento foi de apenas US$ 8,5 milhões, portanto uma produção independente, longe dos padrões astronômicos de Hollywood. O elenco ainda traz Joely Richardson, atriz conhecida por vários sucessos como O Patriota (2000) e Millenium (2011) - em Maggie ela interpreta Caroline, esposa de Wade; e o restante do elenco traz atores desconhecidos do grande público.
Muitos fãs do lendário ator torceram o nariz para este filme, tanto por sua atuação como também pela narrativa lenta e um tanto arrastada da trama, além do que muitos fãs não suportam a idéia de ver Schwarzenegger em um drama ainda que seja convincente. Entretanto Maggie tem sim boas qualidades, além da surpresa de trazer Arnold reiventando sua carreira num papel bastante diferente - uma estória comovente e um final que chega a surpreender são motivos suficientes para assistir a este filme. E isto não é pedir demais. (R.A)
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Maggie: A transformação (Maggie, EUA, 2015)
Direção: Henry Robson
Roteiro: John Scott III
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Abigail Breslin, Joely Richardson, Douglas M. Griffin, Jodie Moore
Mad Max: Estrada da Fúria, o grande sucesso de 2015 é relançado em versão preto e branco
A obra prima de George Miller premiada com nada menos que 7 prêmios Oscar continua causando impacto entre os fãs e o público em geral, mesmo passado mais de um ano de seu lançamento nos cinemas. Em setembro um vídeo postado no youtube viralizou gerando mais de 1 milhão de acessos ao mostrar as incríveis cenas de perseguição no deserto sem o uso do CGI, mostrando que as várias capotagens dos carros no filme foram reais e executadas com grande precisão pelos especialistas e dublês da badalada produção.
A grande novidade agora é que a Warner Bros anunciou para dezembro deste ano uma versão intitulada Mad Max: Black and Chrome que será lançada em edição especial em blu-ray e dvd. Esta versão exclusiva foi inicialmente idealizada por George Miller embora o filme foi exibido nos cinemas apenas na versão em cores. A edição trará vários extras com documentários expondo a visão pessoal de Miller para Mad Max. Além disso também está previsto o lançamento dos quatro filmes numa coleção exclusiva intitulada High-Octane Collection. É esperar pra ver e rever ansiosamente a saga do guerreiro das estradas.
Há 40 anos estreava nos cinemas o último filme da lendária
carreira de John Wayne
Em 1976 John Wayne despedia-se das telas do cinema em seu trabalho final: O Último Pistoleiro(The Shootist) adaptado do livro escrito por Glendon Swarthout, publicado em 1975. O filme foi dirigido por Don Siegel que retrata com maestria a derradeira interpretação do maior mito do gênero western. Aos 69 anos e um tanto debilitado, o astro encarna seu último personagem com determinação e a bravura que caracterizou toda sua carreira.
John Bernard Books, o protagonista em questão é um velho pistoleiro cuja longa carreira está chegando ao fim, bem como sua existência já que descobre ter câncer. Ao chegar à cidade de Carson City, Books visita um velho amigo, o médico doutor Hostetler interpretado por um envelhecido James Stewart que ao lhe diagnosticar, diz com certa dificuldade que o velho pistoleiro terá poucos dias de vida. E assim Books decide aproveitar seu pouco tempo de existência em Carson, a cidade que será seu lugar de repouso definitivo.
John Wayne veio a falecer em 1979, ou seja, três anos após atuar em seu último filme
Wayne, assim como seu personagem também portava câncer e fez uma interpretação muito honesta e intensa, uma das melhores de toda sua carreira já que as dores que J. B. Books sente na narrativa eram as dores reais que o ator sentia, algo que é perceptível em seus gestos e em seu olhar cansado e abatido. O ator já vinha travando uma longa batalha contra o câncer de pulmão por anos e já próximo do final da década de 70 sua carreira já não era tão promissora bem como o gênero western já caminhava para o fim.
É interessante notar que história do pistoleiro se passa em 1910, portanto século XX, o que significa que o oeste já estava ficando velho e profundas transformações sociais vinham ocorrendo, tanto que começaram a surgir inventos tecnológicos como por exemplo um dos primeiros automóveis, bonde elétrico e telefone, ótimos cenários o que valeu ao filme a indicação ao oscar de melhor direção de arte. A era dos pistoleiros estava mesmo terminando.
Conta-se que John Wayne interessou-se muito pelo papel de J. B Books após ler o livro The Shootist (O Atirador) de modo que identificou-se muito com o personagem devido às suas características, por sinal muito semelhantes aos diversos heróis que interpretou nas telas e também pelo fato de o personagem ser um homem envelhecido e doente, consciente de que sua jornada está chegando ao fim. Wayne abraçou o personagem e imprimiu nele toda sua carreira fílmica e suas dores pessoais, o que resultou numa de suas melhores performances dentre tantas de seus inúmeros filmes.
Além da presença de James Stewart o elenco do filme contou também com a presença de Lauren Baccal e vários outros atores conhecidos da década de 70 como John Carradine, Scatman Crothers e Hugh O`Brian que não fez questão de receber nenhum cachê para estar neste filme até poque o orçamento da produção foi bastante limitado e o estúdio não tinha dinheiro o suficiente para bancar todos os atores que na verdade fizeram questão de colaborar para que o filme realmente acontecesse além de terem o prazer de contracenar com o lendário John Wayne.
A estrela Lauren Baccal fez questão de contracenar com Wayne no papel de senhora Rogers, dona de um hotel onde Books se hospeda
Contudo, talvez a presença mais interessante do elenco foi nada menos que Ron Howard, jovem e iniciante ator com apenas 18 anos de idade já iniciava uma carreira promissora atuando junto a uma lenda viva do cinema. Entretanto como todos sabem Howard não seguiu carreira de ator, pois sua verdadeira paixão era e é trabalhar atrás das câmeras vindo a se tornar posteriormente um dos maiores cineastas de Hollywood tendo dirigido vários filmes de sucesso como Um Sonho Distante (1992), Cortina de Fogo (1991), o ganhador do oscar Uma Mente Brilhante (2001) e mais recentemente Rush: No Limite da Emoção (2013).
Ron Howard intrepreta Gillom Rogers, que demonstra uma grande admiração pelo lendário pistoleiro
Embora não tenha tanta ação como os filmes anteriores de Wayne, The Shootist tem um ótimo roteiro rico em diálogos e falas memoráveis como esta que define claramente o protagonista: "Não serei enganado, não serei insultado, nem serei dominado. Não faço isso com outras pessoas e exijo delas o mesmo".
O filme não chegou a ser um sucesso de bilheteria, já que a popularidade de Wayne já não estava muito em destaque e o gênero western já vinha decaindo na década de 70, perdendo público cada vez mais devido a ascenção de outros gêneros. Pórem, após algum tempo o filme ganhou notoriedade tanto pela crítica que o considerou um dos melhores filmes de Wayne quanto pela legião de fãs de western. De qualquer maneira a obra encontrou seu caminho e o mito eternizou-se nela. (R.A.)
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O Último Pistoleiro (The Shootist, 1976)
Direção: Don Siegel
Roteiro: Glendon Swarthout
Elenco: John Wayne, Lauren Baccal, Ron Howard, Scatamn Crothers, John Carradine, Hugh O´Brian
Há 50 anos estreava uma obra prima do cinema italiano para reescrever a trajetória do faroeste nos cinemas
Em 1966 estreava nos cinemas da Itália e logo em seguida no restante do mundo o filme que passou a ser considerado a obra prima de Sergio Leone, bem como um dos grandes filmes de todos os tempos: Il Buono, Il Brutto, Il Cativo, intitulado no Brasil como Três Homens em Conflito, nome pelo qual tornou-se mais conhecido aqui. Estrelado por Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach, com roteiro de Luciano Vicenzoni, Sergio Leone, Agenori Incrocci e Furio Srcapelli, o filme estabeleceu-se como uma espécie de marco definitivo no gênero spaguetti western, mas também pode ter servido de modelo para uma reinvenção do faroeste norte-americano.
Ambientado em plena Guerra Civil americana, o filme de Leone retrata com precisão o conflito entre as tropas do norte cujo uniforme dos soldados é azul e as tropas confederadas do sul cujo uniforme é de cor cinza e embora a passagem da importante batalha seja um pano de fundo, é notável o cuidado do cineasta em retratá-la de modo respeitoso, especialmente o empenho dos soldados tanto quanto o sofrimento dos mesmos no campo de batalha. Enquanto reinava um clima de tensão em todo o território norte-americano causado pela guerra que dividia o país, muitos lutavam no front para matar ou morrer por uma causa. Já outros faziam a própria sorte para sobreviver independente de qual lado ganhasse a guerra... e é aí que entram os três personagens em questão: Blondie, Tuco e Angel Eyes.
Sergio Leone junto ao elenco do filme
Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach: três grandes atores, um elenco simplesmente perfeito
Clint Eastwood interpreta Blondie (lourinho), um sujeito que parece não ter nome e nem passado sendo conhecido apenas por tal apelido. Blondie a princípio é um caçador de recompensas, porém ele mantém um acordo com Tuco que é um criminoso procurado em várias cidades. Blondie sempre captura Tuco e o entrega ao xerife e sempre o liberta na hora do enforcamento e após a fuga ambos dividem o dinheiro da recompensa que em cada cidade torna-se cada vez maior. Tuco na verdade tem nome: Benedito Pacífico Ruan Maria Ramírez e também tem um passado que ele cita em certo momento ao reencontra-se com um irmão que se tornou padre.
Eli Wallach na pele de Tuco: interpretação hilária e brilhante
Angel Eyes assim como Blondie também não tem nome e nem passado. Entretanto ao contrário de Blondie ele tem características que o definem perfeitamente como o mau do título do filme, pois é um sujeito bastante ardiloso e cruel capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos além de ser um assassino frio e calculista. Embora haja questionamentos sobre até que ponto Blondie é bom, a resposta não é difícil de deduzir: o lourinho é bom porque ele é o oposto da crueldade e da vilania de olhos de anjo.
O mau obtém a informação sobre uma grande quantia em dinheiro que foi roubada pela bando de um sujeito chamado Bill Carson. Cerca de 200 mil dólares, uma verdadeira fortuna foi escondida em algum lugar distante e bastante seguro diga-se de passagem. Como é de se supor Blondie e Tuco também descobrem tal informação e seus caminhos se cruzarão com os de Angel eyes. Entretanto somente Blondie sabe o local exato onde tal fortuna está escondida, uma cova em um cemitério, já que o próprio Bill Carson lhe disse um pouco antes de morrer. Os três homens então passam toda a trama em busca do dinheiro e tendo seus caminhos cruzados em meio ao clima da guerra civil.
Não é difícil entender porque este filme rapidamente conquistou público e principalmente a crítica logo tornando-se um clássico instantâneo. Sergio Leone que antes deste dirigira Por um Punhado de Dólares (1964) e Por Uns Dólares a Mais (1965) concentrou todo seu talento e estética apurada neste terceiro filme para intencionalmente compor uma obra épica como se nunca se viu no cinema italiano e nem mesmo em Hollywood em se tratando de faroestes. Planos extendidos, closes e cenas bem detalhadas para descrever seus personagens e todo o contexto da engenhosa trama demonstram um cuidado especial que só poderia vir de um cineasta realmente apaixonado pelo gênero que se propôs a filmar como se estivesse lapidando uma jóia. E tal preciosismo se completa na trilha sonora composta pelo mestre Enio Morricone, que por fim emoldura a obra de Leone.
E o cuidado de Leone para compor uma obra original também se faz notar além do roteiro, a elaboração da ação desde a explosão de uma imensa ponte de madeira sobre um rio que servia de campo de batalha dos soldados até a cena final que resulta num belíssimo duelo entre os três adversários, algo realmente original e que provavelmente nunca se viu nem nos westerns norte-americanos. O palco de batalha do duelo se dá em um cemitério cujo local de forma circular é muito parecido com uma arena. Closes nos olhares dos pistoleiros, em suas expressões e em suas armas filmados em vários takes constroem a mais bela cena de duelo jamais vista até então num faroeste... e mais uma vez a regência de Morricone completa o espetáculo.
Por fim falar muito bem de O Bom, O Mau e o Feio parece nunca ser suficiente, pois pode soar como mero elogio fazer uma análise de uma obra prima do cinema que tornou-se unanimidade entre público e crítica e grande parte dos críticos chegaram a considerá-lo como o western definitivo, inclusive consideraram este e os dois anteriores como a trilogia dos dólares, embora O bom, O Mau e o Feio não tem uma ligação exata com Por Um Punhado de Dólares e Por Uns Dólares a Mais que são realmente uma sequência.
O terceiro apenas se assemelha aos dois anteriores pelo enredo envolvendo uma grande quantia de dólares e o pistoleiro sem nome interpretado por Eastwood que praticamente é o mesmo personagem. Outra grande obra de Leone à altura deste filme foi Era Uma Vez Oeste (1968) tão bom quanto ou superior em vários aspectos mas... de qualquer maneira o divisor de águas do faroeste surgiu assim: O Bom, O Mau, O Feio e... O Mestre Leone. (R.A.)
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Ps: Há um erro grosseiro no trailer, pois (sabe-se lá porque..) Lee Van Cleef é descrito como o Feio, mas como todos sabem ele é o Mau. (R.A.)
Três Homens Em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly;Itália, 1966)
Roteiro: Luciano Vicenzoni, Sergio Leone, Agenori Incrocci e Furio Srcapelli
Direção: Sérgio Leone
Elenco: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Eli Wallach