sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

rota traiçoeira

BREAKDOWN - IMPLACÁVEL PERSERGUIÇÃO

Há 17 anos Kurt Russell trilhava uma estrada impiedosa para encontrar sua mulher desaparecida



  Em 1997 estreava nos cinemas estadunidenses Breakdown - Implacável Perseguição, um filme tenso e com uma trama intrigante roteirizado por Jonathan Mostow e Sam Montgmorey trazendo o astro Kurt Russell no papel de Jeff Taylor, um sujeito bem sucedido que leva uma vida normal ao lado da esposa Amy (Kathleen Quinlan) e juntos viajam em seu carro novo, um Ford Grand Cherokee, por uma estrada de longos percursos desérticos, cujos postos de parada são bem distantes, o que é um péssimo sinal caso o carro apresente algum defeito pelo caminho - e é o que infelizmente acontece ao carro de Taylor.
  O roteiro simples nos conduz à uma trama angustiante quando no segundo ato Amy some misteriosamente após ter aceitado carona de um caminhoneiro que lhes ofereceu ajuda na estrada e o mesmo caminhoneiro algum tempo depois negou que sabia de tal fato quando um policial rodoviário o abordou junto com Jeff que para o maior desespero nada conseguiu pois o agente inspecionou o caminhão e não encontrou nenhum sinal ou indício que pudesse incriminar o caminhoneiro chamado Warren "Red" Bar.



  Sem ter o que fazer a não ser abrir um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima, Jeff empreende uma busca solitária investigando todos os lugares por onde esteve ao longo do percurso a fim de encontrar alguma pista que pudesse levá-lo ao paradeiro de sua esposa - e assim o filme que é um dos mais tensos do sub-gênero rodoviário, segue num suspense crescente e ao mesmo tempo sufocante de modo que posteriormente o caminhoneiro "Red" Bar volta a encontrar Jeff para finalmente lhe revelar o paradeiro de Amy, que ele sequestrou para devolvê-la a Jeff em troca de muito dinheiro.


  Além ótimo suspense, no terceiro ato o longa traz cenas de ação muito bem vindas e ainda que sejam poucas são mais que suficiente para que o diretor Jonathan Mostow mostre seu talento para cenas físicas o que anos mais tarde lhe rendeu a direção de O Exterminador do Futuro 3 - A rebelião das máquinas (Terminator 3 - Rise of the machines, 2003). O elenco de Breakdown é pequeno, mas bastante funcional encabeçado por um sempre versátil Kurt Russell como o protagonista Jeff, Kathleen Quinlan  também versátil como Amy e o saudoso J. T. Walsh (1943-1998), figura tarimbada em vários filmes de sucesso e aqui interpreta o misterioso vilão "Red" Bar.

Jeff pegando uma carona forçada











 A produção assinada pelo lendário Dino De Laurentis (1919-2010) conta com uma bela fotografia retratada na região sudoeste dos Estados Unidos, e o local específico onde o carro de Jeff quebra é localizado próximo à cidade de Moab, no estado de Utah, região um tanto desértica onde mais de 400 filmes já haviam sido rodados 4 anos antes de Breakdown - segundo consta nos extras do DVD, em 12 semanas de filmagens a produção teve que fazer 17 mudanças ao longo de 500 milhas para concluir as cenas gravadas na estrada.

Mostow, Russell e Dino di Laurentis
  Breakdown fez um notório sucesso nos cinemas estadunidenses e apesar do modesto orçamento de US$ 36 milhões arrecadou surpreendentes US$ 50 milhões nas bilheterias de seu país; entretanto passou um tanto despercebido pelos cinemas brasileiros e foi pouco visto em home vídeo, mas foi reprisado várias vezes na Tv aberta. De qualquer forma o filme deixou sua marca na década de 90 e merece ser lembrado como o melhor thriller rodoviário desde o sufocante Encurralado (1971) ou o surpreendente A Morte Pede Carona (1986). Enfim, com psicóticos atrás do volante ou pedindo carona ou ainda sequestradores de viajantes, as estradas cinematográficas nunca mais foram as mesmas.

Trailer



Breakdown - Implacável Perseguição (1997)

Roteiro: Sam Montgomery, Jonathan Mostow

Direção: Jonathan Mostow

Elenco: Kurt Russel, Kathleen Quinlan, J. T. Walsh, M. C. Gainey, Jack Noseworthy, Moira Sinise, Rex Linn


sábado, 18 de janeiro de 2014

rota 66

A MORTE PEDE CARONA

Há 28 anos uma estrada tingida de sangue ganhava as telas do cinema


  "Há um assassino na estrada; Sua mente se contorce como um sapo; Tire umas férias longas; Deixe as crianças brincarem; Se você der uma carona para esse homem; As doces lembranças vão morrer"... a sinistra letra da música Riders on the Storm da banda The Doors foi a fonte de inspiração para o roteiro de A Morte pede Carona (The Hitcher, 1986) segundo Eric Red, roteirista do filme que é um dos maiores sucessos do cinema oitentista e hoje cultuado como um dos melhores thrillers de suspense já filmados. 
  Dirigido por Robert Harmon, um diretor que até hoje é desconhecido, porém talentoso e por sinal estreando seu primeiro longa metragem no cinema que custou cerca de US$ 6 milhões de dólares, orçamento modesto, mas suficiente para brilhar nas telas e arrecadar altas bilheterias na época. Pode-se dizer que Harmon teve sorte em sua estréia como diretor de cinema, pois na década do oitenta, logo após o surgimento do videocassete e da expansão da TV a cabo, o cinema perdera considerável parcela do público e a partir de então Hollywood daria mais prioridade à superproduções para atrair o público, algo semelhante ao que ocorre nos dias de hoje com a proliferação de downloads de filmes pela internet.

Robert Harmon orientando Hutger Hauer

  O roteiro segue a trajetória do jovem Jim Halsey interpretado por C. Thomas Howell, que está viajando pela rota 66 para a Califórnia a fim de negociar seu carro. Numa noite chuvosa ele dá carona a um homem estranho que está parado no meio da estrada e parece estar com o carro quebrado. O sujeito diz que se chama John Ryder e aceita carona até a cidade mais próxima. Entretanto seu olhar estranho e sua conversa desagradável deixa Halsey apreensivo e desconcentrado, e quando Ryder o ameaça com uma faca, num lance de muita sorte o jovem consegue atirar o estranho para fora do carro. Alguns quilômetros adiante Halsey terá absoluta certeza do quão louco é o misterioso caroneiro, que na verdade é um bandido que age apenas na estrada, pedindo carona à motoristas desavisados para logo em seguida matá-los e roubar seus pertences.













  Entretanto, o misterioso John Ryder é mais do que um criminoso das rodovias, é um psicótico sádico e cruel, e a interpretação do ator holandês Hutger Hauer, uma das melhores da história do cinema, não deixa dúvidas quanto à isso; o jovem Jim Halsey é vivido com intensidade por C. Thomas Howell que na época era visto como um possível candidato à astro, mas infelizmente ficou só na promessa, conseguindo apenas papéis em comédias adolescentes que infestavam as telas do cinema oitentista.





  Já a atriz Jennifer Jason Leigh que interpreta uma jovem garçonete que se envolve com Halsey e depois torna-se vítima de Ryder, teve uma carreira mais bem sucedida conseguindo papéis de destaque em filmes de variados gêneros como A Herdeira (1997), Estrada para a perdição (2002), entre outros.

  The Hitcher, além de ser um excelente suspense também se destaca pela ação em certos momentos da narrativa e especialmente no terceiro ato quando ocorre um jogo de gato e rato entre Halsey e John Ryder numa perseguição tensa e alucinante, suspense e ação na medida certa comprovando o talento de Robert Harmon que embora não tenha se tornado um cineasta requisitado conseguiu construir uma boa carreira com filmes interessantes chegando a dirigir o então astro Van Damme em 1993 no filme de sucesso Vencer ou Morrer (Nowhere to Run), e ainda voltou ao gênero rodoviário no filme Velozes e Mortais (Highwaymen, 2004).











  Enfim, A morte pede carona é um filme sem precedentes e tão envolvente quanto Encurralado. Chegou a ter uma sequência medíocre em 2003 com direção de Louis Morneau, com um Jim Halsey amadurecido e envelhecido ainda interpretado por C. Thomas Howell perseguindo um outro psicopata das estradas, mas... é uma estória um tanto descartável. Houve também uma boa refilmagem de The Hitcher em 2007, mas... o filme de Robert Harmon é mais do que suficiente para despertar o medo em qualquer viajante e fazê-lo pensar duas vezes antes de dar carona à qualquer estranho na estrada.

TRAILER





A morte pede carona (The Hitcher, 1986)

Roteiro: Eric Red

Direção: Robert Harmon

Elenco: Hutger Hauer, C. Thomas Howell, Jennifer Jason Leigh, Jefrrey Demunn


domingo, 12 de janeiro de 2014

rota fatal

ENCURRALADO

Há quatro décadas a mais tensa perseguição rodoviária ganhava as telas do cinema


 Em 1971 um jovem e desconhecido diretor chamado Steven Spielberg estreava em seu primeiro filme longa metragem produzido para a TV. O filme chamava-se Duel e trazia uma história bem simples e quase sem explicações, em que um homem chamado David Mann ao viajar de carro pelas estradas da Califórnia, de repente passa a ser perseguido por um caminhoneiro que parece disposto a esmagar o carro de David, embora nada justifique tal coisa, exceto talvez alguma provocação com um sinal de buzina durante uma ultrapassagem, coisas típicas de percurso de estrada, mas que podem se tornar o estopim para uma explosiva perseguição.

  O roteiro escrito por Richard Matheson e originalmente publicado como um conto para a revista Playboy resultou no filme televisivo de grande sucesso orçado em apenas US$ 450 mil, revelando o talento de Spielberg que já havia dirigido episódios de seriados de TV e algum tempo depois tornou-se o lendário cineasta que é hoje. No restante do mundo o filme foi exibido nos cinemas com grande sucesso, inclusive no Brasil, cujo título é Encurralado. 



 A estória simples que jamais revela o rosto do caminhoneiro perseguidor é uma das mais geniais já adaptadas para o cinema, pois a tensão extrema e o suspense perturbador são belamente construídos justamente pela ausência de explicações até o final trágico onde nada se explica. E a ótima interpretação de Dennis Weaver como David, é mais do que suficiente para o público acreditar no que é mostrado nas telas, como quando ele entra no bar, muito apreensivo, tentando encontrar o rosto de seu perseguidor nas feições de cada caminhoneiro que vê no balcão, um rosto que ele não faz idéia de como é e quando ele pensa tê-lo encontrado, o caminhoneiro fantasma já está a bordo do "monstro" sobre rodas, pronto para pegar estrada novamente.

  Encurralado pode ser considerado um divisor de águas para o subgênero de filmes rodoviários, pois ocasionalmente outros thrillers de suspense perturbador surgiriam anos mais tarde, como A morte pede carona (The Hitcher, 1986), grande sucesso de bilheteria estrelado por Hutger Hauer e C. Thomas Howell ; Breakdown - Implacável Perseguição (1997), sucesso estrelado por Kurt Russel, ou Perseguição - A estrada da morte (Joy Ride, 2001) com o saudoso Paul Walker (1973-2013) interpretando um jovem que junto com um amigo são perseguidos por um caminhoneiro psicótico num enredo um pouco parecido com Duel. 
  O isolamento dos longos e quase vazios percursos de rodovias desertas e a sensação crescente de fobia do frágil David (ou Davi) ao ser perseguido por um autêntico Golias representado pelo monstruoso caminhão tornam o cult Encurralado um filme obrigatório para todo fã de suspense e de perseguições cinematográficas e também para os fãs de Steven Spielberg que após essa obra inicial pegou uma estrada sem volta que o tornou um gênio do cinema.


  O ano de 2014 ainda esta no início embalado pelo ritmo de férias e de viagens. Para brindar o ano que se inicia, decidi começar com uma maratona sobre filmes rodoviários e resolvi começar por esta resenha do filme Encurralado. Pelos próximos dias falarei de mais filmes com histórias ambientadas em rodovias. Leitores, fiquem atentos para a próxima carona ;-)


Assista o filme aqui






ENCURRALADO (Duel,1971)

Direção: Steven Spielberg

Roteiro: Richard Matheson

Elenco: Dennis Weaver, Jacqueline Scott, Eddie Firestone, Charles Seel


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

super-ação

O HOMEM DE AÇO

Filme que reinicia as origens do Super-Homem aterrisa nos formatos digitais


  Superman - o filme, estreou em 1978; Superman II estreou em 1980, ambos dirigidos por Richard Donner e estrelados pelo saudoso Christopher Reeve... e é melhor pararmos por aqui porque estes são os únicos filmes do herói que valem a pena ser lembrados, já que o terceiro, o quarto e o quinto filmes são um tanto descartáveis. Finalmente em 2013 estréia o filme que melhor retrata o mais icônico dos super-heróis. O Homem de Aço (Man of Steel) é simplesmente o melhor filme do Super-Homem em décadas, não deixando nada a dever aos melhores filmes do gênero na atualidade e faturou pouco mais de US$ 500 milhões em todo o mundo. 
Zack Snyder ao lado de
Henry Cavill
  Roteirizado por David Goyer, especialista em quadrinhos que também roteirizou a trilogia Batman, e dirigido por Zack Snyder, cineasta que tem afinidade com HQ´s tendo dirigido 300 e posteriormente Watchmen, Man of Steell não poderia ter melhor resultado com dois grandes profissionais no comando, ainda mais com a produção executiva de Cristopher Nolan que sabiamente escolheu as melhores cabeças para dar vida à esta nova franquia.

  A estória, como todos sabem tem início no planeta Krypton, que encontra-se à beira da ruína e da destruição, pois o planeta enfrenta uma terrível crise  estrutural que desencadeou rebeliões e conflitos que o levarão à iminente destruição. General Zod (Michael Shannon) se opõe ao governo e deflagra uma espécie de guerrilha contra o conselho de líderes, mas é condenado à prisão em alguma dimensão do espaço, junto com outros dois guerreiros rebeldes .
  Em meio ao caos, Jo-Rel (Russel Crowe) planeja junto com sua esposa Lara (Ayelet Zurer) uma fuga, mas não para eles e sim para Kal-El, o bebê que irá nascer e obviamente não terá chance de viver em seu próprio planeta - e assim o bebê é enviado numa pequena nave rumo ao planeta Terra, onde será encontrado e adotado por Jonathan e Marta Kent. E é interessante notar o aspecto divino da vinda de Kal-El à Terra como se fosse um enviado dos céus, algo que já se podia perceber nos filmes clássicos e também nos quadrinhos, além do que seus poderes adquiridos neste sistema solar o torna praticamente um semideus em meio à meros mortais e sua jornada solitária pelo mundo em busca de respostas define bem isso.












  A tão conhecida origem do Super-Homem já explorada em outros filmes e seriados de TV, aqui ganha novos (e necessários) contornos para um público mais exigente e para tempos mais realistas. Explicações científicas justificam tudo o que vemos na tela, desde as acrobacias do herói que para decolar do chão e alçar voo sempre causa rachaduras no chão devido ao impacto causado pela pressão do impulso de seu corpo até o uniforme que é feito de uma malha especial que resiste ao atrito do vento e parece ser à prova de fogo, herança da tecnologia avançada de Krypton.













  O roteiro de David Goyer em parceria com Cristopher Nolan acerta em cheio ao condensar em um só filme as idéias dos dois filmes clássicos, pois em Superman II (1980), Zod e seus dois parceiros saem da prisão à qual foram condenados e vêm à Terra a fim de encontrar Kal-El e matá-lo e assim dominarem o planeta, e tudo isso ocorre em O Homem de Aço, de modo que o ato final da trama é pontuado com muita ação e efeitos visuais espetaculares com um realismo que impressiona conforme já fora visto em outros filmes de Zack Snyder - as cenas de destruição na cidade de Metrópolis provocadas pela batalha entre Kal-El e Zod são de fazer inveja a qualquer "filme catástrofe" que Hollywood já produziu.











  O visual de Krypton, bem como a tecnologia de suas naves é semelhante ao que já se viu em outros filme de aventura Sci-Fi como por exemplo A Batalha de Riddick (2004) ou até mesmo a saga Star Wars. O ótimo elenco brilha nas telas de modo satisfatório trazendo Diane Lane como a dedicada mãe Marta e Kevin Costner como Jonathan Kent; Amy Adams como a corajosa jornalista investigativa Lois Lane e o britânico Henry Cavill, competente na composição do herói e por sinal o único ator não americano a interpretar o Super-Homem e embora Cavill talvez ainda não tenha o carisma de Christopher Reeve isso será apenas questão de tempo, pois jornada de Kal-El ou Clark Kent está ainda no início, pois um novo Super-Homem acaba de nascer nas telas do cinema contemporâneo.

Animação produzida por Zack Snyder em homenagem aos 75 anos do herói



Trailer



O Homem de aço (Man of Steel - EUA, 2013)

Roteiro: David Goyer e Christopher Nolan

Direção: Zack Snyder

Elenco: Henry Cavill, Russel Crowe, Ayelet Zurer, Kevin Costner, Diane Lane, Amy Adams, Michael Shanon, Laurence Fishburne.



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

música filmada

FAROESTE CABOCLO

Adaptação de canção oitentista para as telas do cinema resulta em autêntico filme de ação, drama e romance


  Composta em 1979 por Renato Russo, mas lançada oficialmente apenas em 1987, Faroeste Caboclo é com certeza uma das músicas mais bem elaboradas do rock nacional, além de ser uma das mais longas com cerca de 10 minutos. A envolvente história de João de Santo Cristo com suas aventuras e desventuras no sertão e depois na cidade grande e seu amor por Maria Lucia, a moça da cidade, embalou gerações ao longo de 26 anos e as notícias de que seria adaptada para o cinema finalmente se confirmaram como pôde ser comprovado em maio deste ano. 

  Como acontece em quase todas as adaptações feitas para o cinema, a música de Renato Russo sofreu consideráveis modificações para tornar-se uma história completa em todos os aspectos para tornar-se crível aos olhos do público em geral, sejam estes fãs da música ou não. O filme dirigido por René Sampaio é ambientado na década de 1970, período da ditadura militar e época um tanto distante da realidade atual, exceto por questões sociais que sempre ressoam atuais em nossa sociedade contemporânea como o racismo, por exemplo, argumento que permeia o roteiro da obra em seu personagem principal, João de Santo Cristo que além de negro, é pobre e tem pouco estudo, embora tenha muita inteligência e uma peculiar esperteza, essenciais para a sobrevivência no violento submundo de violência e tráfico de drogas no qual ele cresce e vive. E particularmente a cena de estupro que João sofre tanto na música quanto na metade da narrativa, é o estopim para sua explosão de fúria que se desenvolve no decorrer da trama. 


  O roteiro escrito por Victor Atherino e Marcos Berstein toma algumas liberdades poéticas em relação à letra da música, de modo que os atos de João de Santo Cristo são sempre justificáveis e ao contrário do que diz a canção, no filme ele nunca "rouba dinheiro da igreja" e nem é "o terror da sertania onde mora", ou seja, João é anti-herói mas não é mau caráter, pois entra em confronto com pessoas verdadeiramente más como o seu rival, o traficante Jeremias e o policial corrupto Marco Aurélio, ótimo vilão interpretado por Antonio Calloni, que não existe na letra da música. 




  René Sampaio demonstra notável talento na direção de atores, todos talentosos por sinal, Fabrício Boliveira traz a energia e o carisma necessários para compor o João de Santo Cristo tanto quanto Ísis Valverde tem o charme e a sensibilidade de Maria Lucia, e a química do casal dá o tom adequado para o romance que remete fielmente à letra da canção. Felipe Abib por sua vez, compõe Jeremias como um autêntico cafajeste além de ser um dos "playboyzinhos da cidade" como diz a música. 




  Além da ação de ótima qualidade o ponto alto da película obviamente é o esperado duelo final que faz jus ao título Faroeste Caboclo, pois Sampaio filma o confronto dos antagonistas como num autêntico western e não há como negar sua homenagem ao mestre Sergio Leone pelo modo como retrata os atores com closes extremos em seus rostos ou o enquadramento mostrando ambos encarando-se como num ritual em campo aberto aberto prestes a sacarem suas armas para o destino final de suas vidas. Entretanto, mais uma vez com a liberdade poética do roteiro, não há público para ver o confronto ao contrário do que diz a música, apenas Maria Lucia que tal como na canção intervém no destino de ambos. 
  Mesmo com um retrato um pouco diferente e por vezes suave em relação à letra original, o filme mantém o espírito da canção embora visualmente seja mais uma estória policial do que propriamente um faroeste - entretanto a jornada de João de Santo de Cristo, do sertão à cidade grande é o itinerário certo para a bela estória escrita e interpretada por Renato Russo. Só é difícil saber se o filme seria agradável ao artista tanto quanto os 168 versos de sua inesquecível música.


   
TRAILER




Faroeste Cabloco (2013)

Direção: René Sampaio

Roteiro: Victor Atherino e Marcos Berstein

Elenco: Fabrício Boliveira, Ísis Valverde, Felipe Abib, Antonio Calloni, César Trancoso, Alex Sander, Marcos Paulo, Cinara  Leal, Rodrigo Pandolfo


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

notas

LANÇAMENTOS EM BLU-RAY


                                             Círculo de Fogo

 Grande sucesso nos cinemas, dirigido por Guillermo Del Toro, Círculo de fogo (resenha) chega aos formatos digitais. Num futuro próximo, monstros gigantescos chamados de kaijú, saídos de uma fenda temporal localizada no fundo do Oceano Pacífico invadem a Terra causando uma destruição apocalítptica. Para proteger a humanidade, as forças militares desenvolvem robôs gigantescos chamados de Jaegers para enfrentar as temíveis criaturas a fim de evitar a destruição de nosso mundo. 




                              
                             O Homem de aço


  Reinício da franquia Super-Man, O Homem de aço reconta a origem do maior super-herói de todos os tempos da forma mais realista possível e contando com muitos elementos científicos para recriar e justificar os poderes do herói. Nos momentos decisivos de uma guerra que culminará na destruição do planeta Krypton, Jo-rel envia Kal-Lel, seu único filho em uma cápsula rumo ao planeta Terra, onde ele será encontrado e criado por humanos. A aventura dirigida por Zack Snyder traz um elenco de peso: Russel Crowe, Amy Adams, Kevin Costner, Michael Shannon, Diane Lane e Henry Cavill.




                              O Hobbit

  Chega às lojas edição especial em 3D de O Hobbit, primeira parte que é o prelúdio de O Senhor dos Anéis e narra a jornada de Bilbo Bolseiro, acompanhado de Gandalf e do grupo de anões guerreiros  para impedir a ascenção do mal que pode destruir a Terra Média.



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

ação mutante

WOLVERINE IMORTAL

Mutante das garras metálicas retorna em aventura ambientada no Japão 


  Finalmente o herói mutante mais amado dos quadrinhos ganha uma adaptação de maior respeito e verdadeiramente um filme solo - Wolverine Imortal (The Wolverine, 2013) é a aventura que todo fã das HQ´s realmente esperava e desta vez sem vínculo com a franquia X-Men ao contrário do filme anterior cujo título, X-Men Origens: Wolverine revela-se apenas mais um capítulo da franquia retratando o herói de maneira pouco satisfatória. Com roteiro baseado no arco de estórias da minissérie Eu, Wolverine, escrita por Chris Claremont e desenhada por Frank Miller nos anos 80, o filme consegue se aproximar do mito eternizado nas histórias em quadrinhos da editora Marvel, para o deleite dos fãs e do público em geral.

  O diretor James Mangold, experiente em contar tanto histórias dramáticas como a ótima biografia Johnny e June (Walk The Line, 2005) ou tramas de ação como o excelente faroeste Os Indomáveis (3:10 to Yuma, 2007) assume o comando desta aventura do mutante orçada em US$ 120 milhões que traz um notável elenco de atores japoneses a exemplo de Tao Okamoto no papel de Mariko Yachida e Hiroyuki Sanada como um guerreiro ninja.

Capa da HQ que
inspirou o filme
  O australiano Hugh Jackman retorna pela sétima vez ao personagem que ele ama interpretar e o diretor Mangold encontra na figura do ator o tom ideal para explorar mais a fundo a psicologia do personagem e expor sua fragilidade que embora noa quadrinhos muitos leitores já conhecem, no cinema entretanto o público em geral desconhece - a suposta imortalidade sugerida pelo roteiro e que nunca foi afirmada nas hq´s do herói torna-se um argumento perfeitamente aceitável para representar um sentimento de fraqueza diante passagem do tempo, pois Logan já vive há muitas décadas e talvez séculos e nessa vida demasiada longa já sofreu diversas perdas além da perda de um amor não consumado pela falecida mutante Jean Grey  (Famke Janssen) que constantemente aparece em seu sonhos e os transformam em pesadelos.



  Contudo, ao ser levado para o Japão após ser localizado pela filha de um militar japonês chamado Yachida (Hal Yamanouchi) que ele conheceu na época da Segunda Guerra, Logan encontrará um caminho de redenção, pois o veterano de guerra que agora é um homem muito velho e doente embora rico, oferece à Logan a possibilidade de tornar-se mortal e não mais ter que sofrer com a agonia de jamais morrer.

  O roteiro escrito por Mark Bomback e Scott Frank segue com uma ótima trama de conspiração e revela-se um trhiller muito eficiente e com ação de tirar o fôlego, como a ótima sequência que se passa no teto de um metrô em alta velocidade e várias outras cenas de luta no decorrer do filme. Entretanto, apesar das ótimas coreografias marciais é estranhíssimo ver um herói furando e rasgando seus adversários utilizando suas garras metálicas que jamais ficam manchadas de sangue, bem como as roupas dos vilões - provavelmente a ausência de sangue justifique uma censura mais leve, porém James Mangold prometeu uma versão mais sangrenta em blu-ray e dvd que já devem estar disponíveis nas lojas.



  O porte físico de Jackman que obviamente está mais avantajado do que em filme anteriores, foi obtido com muita malhação e uma dieta de seis mil calorias diárias durante 24 semanas antes do início das filmagens em 2012, devido à conselhos que ele obteve do astro Dwayne Johnson, dizem.
  O confronto final com o Samurai de Prata não chega a ser dos melhores pois as  lutas anteriores são mais fluídas e dinâmicas e aqui o personagem japonês foi transformado em uma espécie de ciborg gigantesco e com movimentos limitados, muito diferente dos quadrinhos nos quais ele é apenas um guerreiro com armadura que na verdade é feita de adamantium, o mesmo metal que compõe a estrutura óssea de Wolverine. Enfim, Wolverine Imortal é sem dúvida um dos melhores filmes de ação do ano tendo agradado não só o público em geral, mas principalmente os fãs dos quadrinhos, pois a dignidade foi devolvida ao personagem e sua honra está mais do que mantida.

TRAILER





Wolverine Imortal (The Wolverine, 2013)

Direção: James Mangold

Roteiro: Mark Bomback e Scott Frank

Elenco: Hugh Jackman, Tao Okamoto, Hal Yamanouchi, Hiroyuki Sanada, Famke Janssen, Svetlana Khodchenkova