domingo, 31 de agosto de 2014

drama familiar

TUDO POR JUSTIÇA

Cristian Bale retorna às telas em drama sobre justiça e vingança


  O cineasta Scott Cooper, que dirigiu o drama Coração Louco, retorna em mais uma história dramática, e desta vez explora o talento de Cristian Bale para contar a estória de um homem que se vê numa jornada em busca de justiça a fim de manter o que resta de sua dignidade. Out of the furnace, lançado recentemente em dvd e Blu Ray traz Bale na pele de Russell Haze, um sujeito honesto que vive uma pequena cidade cuja principal fonte de economia é uma usina metalúrgica na qual ele trabalha, de certo modo herdando o oficio de seu pai que passou metade da vida trabalhando no mesmo local. 
   Leonardo Di Caprio que é um dos produtores do longa e chegou a ser cotado para interpretar Russell, mas felizmente deixou o papel para Bale, decisão mais do que certa para o roteiro escrito por Scott Cooper e Brad Ingelsby, que narra a estória de pessoas que vivem numa pequena cidade do interior, onde pouca coisa acontece e não há muitas opções de buscar algo melhor na vida além do que a cidade oferece. Neste cenário de simplicidade, Rodney (Casey Affleck), o irmão caçula de Russell tenta buscar um norte melhor para sua vida desde que não seja um trabalho na velha usina, e então se envolve em lutas clandestinas promovidas por John Petty, interpretado por Willem Dafoe, dono de um bar e que mantém algumas atividades obscuras para ganhar mais dinheiro.




  Rodney que é um ex-combatente da guerra do Iraque, representa muito bem uma situação constante nos Estados Unidos, o drama de soldados que voltaram da guerra e não conseguem melhores oportunidades na vida. Russell, na qualidade de irmão mais velho se sente responsável em cuidar para que seu irmão caçula não se meta em grandes encrencas. Porém, Russell se mete numa grande encrenca ao envolver-se num acidente de carro com vítimas, numa noite qualquer após tomar algumas cervejas e por conta disso passa cerca de 1 ano na prisão.
  A vida de Russell parece virar do avesso após sair da prisão, pois além de ser abandonado por Lena (Zoe Saldana), a mulher que amava e convivia, enfrentar a dor da perda de seu pai adoentado que havia morrido recentemente, ele ainda terá de lidar com o sumiço de Rodney, que junto com Jhon Petty desapareceu após envolver-se em mais uma luta clandestina, negociada com Harlan Degroat (Woody Harrelson), um sujeito desajustado e perigoso que habita numa região isolada em colinas um pouco afastadas da cidade e lidera uma quadrilha de tráfico de drogas e vários negócios ilícitos.





  O drama de Russell é o fio condutor da trama muito bem representando na interpretação de Bale que expressa o sofrimento de um homem que aos poucos perde tudo o que dá sentido à vida e que pela lentidão da autoridades, resolve investigar o caso do sumiço e morte de seu irmão e fazer justiça a seu próprio modo e assim passa por um tipo de redenção que o leva a decidir o que fazer de seu próprio destino: ficar de braços cruzados esperando pela investigação da polícia ou agir sozinho movido por sua honra e o que lhe resta de dignidade.


  Embora a discussão sobre que é justiça e o que é vingança seja um tema batido e já muito explorado no cinema, continua rendendo bons filmes, principalmente quando conduzido por um diretor talentoso como Scott Cooper e um elenco afiado de ótimos atores como Harrelson, Bale, Dafoe e o jovem Affleck (irmão de Ben). O resultado costuma ser satisfatório.

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Tudo por Justiça (Out of the Furnace, 2013)

Roteiro: Scott Cooper e Brad Ingelsby

Direção: Scott Cooper

Elenco: Cristian Bale, Casey Affleck, Zoe Saldana, Willem Dafoe, Woody Harrelson


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

super dicas

LANÇAMENTOS EM DVD E BLU RAY


DANGO LIVRE - EDIÇÃO ESPECIAL




 Já está disponível desde junho em todas as lojas físicas e virtuais o dvd duplo de Django Livre, sucesso de Quentin Tarantino exibido nos cinemas em 2013. Além do filme, o dvd traz extras exclusivos sobre a produção, do figurino às idéias mirabolantes de Tarantino numa verdadeira jornada gênero western que é uma das grandes paixões do cultuado diretor pop.  





CAPITÃO AMÉRICA 2 - O SOLDADO INVERNAL


Acaba de ser lançado nos formatos digitais a segunda aventura do vingador patriótico, Capitão América 2 - O Soldado invernal. A aventura traz Steve Rogers trabalhando para a Shield após os eventos vistos em Os Vingadores, e desta vez o passado da Segunda Guerra vem à tona na misteriosa aparição de um assassino conhecido como Soldado invernal, e obscuros segredos da Shield emergem numa engenhosa trama de conspiração política. 






THE NEED FOR SPEED


 Acaba de ser lançado em dvd e blu ray o filme The Need for Speed (2014), inspirado na famosa série de jogos da empresa canadense Eletronic Arts. Na trama do filme, Tobey Marshal (Aaron Paul) passa 2 anos na prisão por ter sido considerado culpado pela morte de um amigo durante um racha. Após cumprir pena, ele decide participar de uma corrida ilegal a fim de acertar contas com Dino, um rival do passado.

sábado, 9 de agosto de 2014

ação esportiva

FUGA PARA A VITÓRIA

No início dos anos 80, Stallone, Pelé e Michael Caine entravam em campo pela disputa da liberdade




  Em 1981 estreava nos cinemas um dos filmes mais inusitados daquela época, Victory, dirigido pelo lendário cineasta norte-americano John Huston (1906-1987) que em décadas anteriores comandou obras que logo tornaram-se clássicas como por exemplo A Bíblia (1966), Moby Dick (1956) e Freud - Além da alma (1962). É difícil saber ao certo qual a razão para Huston dirigir um filme sobre futebol: seria ele fã do esporte ou dirigiu somente por razões artísticas? A resposta não é nada óbvia, mas o importante é que tal idéia resultou num filme interessante e até certo ponto surpreendente, tanto pela escolha do elenco reunindo conhecidos astros como Stallone, Michael Cane e Max Von Sydow, além da presença do rei futebol Pelé, pela primeira vez em um filme de Hollywood. 

John Huston e Pelé

  Ambientado num campo de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial, Fuga para a Vitória mostra o cotidiano dos prisioneiros de guerra, combatentes capturados que durante as horas vagas costumam jogar partidas amistosas de futebol inglês, sob o comando e a orientação do capitão John Colby (Michael Cane), que demonstra entender muito bem do esporte, até pelo fato de ser inglês. Stallone vive o capitão Robert Hatch, e talvez por ser norte-americano não demonstra afinidade alguma com o futebol inglês, chegando ao ponto de ser expulso do time por algum tempo - Hatch é obcecado pela idéia de fugir, pois passa o tempo todo estudando minuciosamente cada detalhe e cada canto da base a fim de encontrar brechas que possibilitem sua escapada. 

John Colby e Hatch

  O major alemão Karl Von Steiner, interpretado por Max Von Sydow (O Exorcista, 1973), que é o oficial responsável pelos prisioneiros de guerra, nutrindo simpatia pelo esporte e dotado de ideais pacificistas sugere ao capitão Colby que o time dele jogue uma partida amistosa com soldados alemães. Entretanto sob um estranho acordo vindo do comando nazista de que se os alemães ganhassem a partida, os prisioneiros seriam libertados na Suíça, e se os prisioneiros ganhassem, poderiam ser executados. 


  Ainda assim, Colby e seus homens aceitam o desafio e passam a treinar com afinco todos os dias, determinados, independente de qual fosse o resultado da partida - e a presença de Pelé vivendo Capitão Luiz Fernandes, obviamente o jogador mais habilidoso torna-se um grande incentivo para o time de prisioneiros ao exibir sua notável afinidade com a bola em campo. Todavia é estranho que no filme Pelé não seja brasileiro, e por razões do roteiro escrito por Evan Jones e Yabo Yablonsky, o personagem é originário de Trinidad & Tobago.


  Conta-se que Pelé ajudou na criação das coreografias da partida de futebol, e Stallone teve que passar por treinamento intensivo para o seu personagem chegando a ser treinado por um goleiro da Inglaterra, que foi vencedor da Copa do Mundo. A partida que acontece nos momentos finais do longa consegue a proeza de reproduzir as emoções de uma jogada real, pois não por acaso a tela é preenchida com um time de craques, vindos de vários países do mundo como Osvaldo Ardiles, da Argentina, Bobby Moore, da Inglaterra e vários outros, e todos brilham em campo tanto quanto o rei Pelé. E o final ainda que seja alegórico ou mesmo surreal, é a perfeita definição de que a melhor guerra é aquela que acontece dentro esporte. E disso não resta dúvida. 

Créditos finais



TRAILER





Fuga para a Vitória - (Victory, 1981)

Roteiro: Evan Jones e Yabo Yablonsky

Elenco: Sylvester Stallone, Michael Caine, Max Von Sydow, Pelé, Carole Laure


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

thriller aéreo

SEM ESCALAS

Liam Neeson enfrenta a dura missão de salvar centenas de passageiros em pleno ar


  Ao que parece Liam Neeson realmente firmou-se como astro de ação e mesmo no auge de sua maturidade aos 62 anos o ator irlandês tem se dedicado com afinco à papéis bastante físicos, como nos sucessos Busca Implacável 1 e 2, Esquadrão Classe A e Desconhecido. Entretanto em seu último filme, Sem Escalas (Non Stop, 2014) exibido nos cinemas em fevereiro e agora disponível em DVD e Blu Ray, o ator interpreta Neil Marks, que embora seja um agente de segurança de vôos, é também um personagem dotado de fragilidades, portanto um papel que resgata o talento de Neeson, trazendo o ator à uma ação mais psicológica do que propriamente física sob a direção do espanhol Jaume Collet Serra.
  A trama segue a rota de um vôo que sai de Nova Iorque com destino à Londres e não por coincidência o agente Neil Marks está entre os passageiros e logo após a decolagem recebe uma estranha mensagem via SMS em seu celular, dizendo que se uma quantia de US$ 150 milhões não for transferida para uma determinada conta bancária, um passageiro seria assassinado a cada 20 minutos.

Jaume Collet Serra

  Tal mensagem bem que poderia ser um trote, mas um agente federal que se preze não ignora nenhum tipo de ameaça, mesmo que pareça um trote - e durante todo o filme a viagem torna-se cada vez mais tensa e angustiante com a investigação que Marks empreende dentro do avião chegando ao ponto de revistar os passageiros, o que causa um grande desconforto em todos ali presentes e a tensão chega a um nível muito elevado quando finalmente alguém morre de acordo com o aviso da tal ameaça. E para a grande surpresa, a primeira vítima é  ninguém menos que o comandante do avião.



  O ótimo roteiro escrito por John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle oferece argumentos suficientes para um thriller policial eficiente e como se não bastasse o fato de a trama se passar dentro de um avião, o tal sequestrador pode estar entre os passageiros, o que de certa forma é uma maneira de brincar com  tramas sobre sequestro e terrorismo ainda que tudo seja feito de forma bem séria. Clichês tornam-se inevitáveis ou até propositais já que ironicamente há suspeitos que visualmente são bem óbvios como por exemplo um passageiro árabe que na verdade é apenas um médico, e a prestativa aeromoça que parece ser uma referência a um péssimo clichê da literatura de suspense onde o mordomo era acusado como principal suspeito.

Julianne Moore interpreta Jen Summers - passageira que
divide acento com Neil Marks e também torna-se suspeita

  Neeson representa claramente a fragilidade do personagem em sua aparência abatida de modo que vemos não exatamente um sujteito de ação, mas sim um homem que convive com suas dores internas, como a perda de uma filha pequena que morreu há anos, o que o levou ao vício da bebida, além dos cigarros que costuma fumar sempre que precisa "esfriar" a cabeça - ou seja, o protagonista é um personagem complexo que precisa lidar com uma situação complexa, pois as vidas de centenas de pessoas estão em jogo.

ameaças via SMS
  O cineasta Collet Serra, além de aproveitar o talento de Neeson e dos demais atores, demonstra ótima afinidade com o suspense ao retratar várias situações de angustia à bordo do fatídico vôo, como nos elaborados planos que mostram as mensagens SMS que o agente Marks troca com o sequestrador, bem como a atmosfera de desespero entre os passageiros. O talento de Serra para o suspense não chega a ser novidade já que o mesmo dirigiu A Órfã, sucesso de 2009. Non - Stop pode forçar um pouco a barra no ato final ao apresentar um argumento um tanto moralista para justificar a motivação do terrorista responsável pelo sequestro, o que felizmente não chega a comprometer o eficiente thriller que dá prosseguimento à atual carreira de Neeson.
  
TRAILER





Sem Escalas - Non-Stop (2014)

Direção: Jaume Collet Serra

Roteiro: John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle

Elenco:Liam Neeson, Juliane Moore, Lupita Nyong´o, Michelle Dockery, Scoot McNairy


quinta-feira, 31 de julho de 2014

relatório: festa dupla

Stallone & Schwarzenegger 

Mitos da ação sopram velinhas este mês


  Os dois maiores ícones do cinema físico nasceram no mês de julho, respectivamente, Sylvester Stallone em 1946, e Arnold Schwarzenegger um ano depois, em 1947 - os gigantes da ação chegam à segunda década do século XXI com tanta energia quanto nas décadas de 80 e 90, o que pode ser comprovado na explosiva franquia Os Mercenários, e também em suas respectivas carreiras. Para comemorar o aniversário destes titãs, nada melhor do que fazer um retrospecto de suas aventuras que preencheram as telas do cinema mundial ao longo de todas essas décadas. Seguem-se neste post pequenas análises de 5 filmes marcantes das carreiras de ambos os mitos. 

Sylvester Stallone
   
O primeiro filme que deu fama ao ator novaiorquino foi Rocky - um lutador(1976),
super sucesso de bilheteria e vencedor dos oscars de melhor filme, roteiro e direção - uma
 grande vitória já no início de carreira do futuro astro, que tornou-se uma franquia de
grande sucesso.

O estrelato definitivo chegou para Sly em 1982 com o estrondoso sucesso
de Rambo (First Blood), o soldado sobrevivente da guerra do Vietnã que
conquistou as platéias do mundo e a exemplo de Rocky, também ganhou
continuações ao longo da década de 80.


Para não deixar de citar filmes pouco conhecidos de Stallone, vale a pena
lembrar de um filme raro de 1981 intitulado Fuga para a Vitória (Victory), dirigido
por John Huston, que conta a história de uma  partida de futebol de um time de prisioneiros
 de guerra contra um time formado por soldados nazistas. Uma divertida e emocionante
aventura esportiva na qual Stallone é o goleiro do time de prisioneiros, Michael
Caine é o treinador e o craque Pelé é um dos atacantes.



O gênero policial sempre esteve presente na carreira do astro, e infelizmente
foi (in) justamente num filme policial que sua carreira declinou. Cop Land (1997)
dirigido por James Mangold, traz Sly numa das melhores interpretações de sua
carreira ao interpretar um xerife com problema de surdez e mentalmente limitado,
no comando de uma cidade pequena dominada por um grupo de policiais federais
corruptos.


Após as boas bilheterias de Rambo VI (2008) e Rocky Balboa (2006), Stallone recuperou
boa parte de seu prestígio como astro de ação; então Sly teve a ambiciosa idéia de
reunir vários ex-astros de ação das décadas de 80 e 90 na divertida aventura Os Mercenários
(The Expandables, 2010), cujo sucesso resultou em franquia, com uma sequencia ainda mais
explosiva em 2012, e a terceira que estreará agora em 2014.




Arnold Schwarzenegger

Schwarzie alcançou o estrelato nas telas na pele do guerreiro cimério em
Conan - O Bárbaro (Conan, The Barbarian, 1982), dirigido por John Milius. Anteriormente
o campeão de Fisiculturismo fizera alguns filmes na década de 70, mas sem muito sucesso.
Em 1984 Arnold estrelou Conan - O Destruidor (Conan, The Destroyer), dirigido por
Richard Fleischer e também um grande sucesso.

Em 1984, Schwarzenegger estrelou uma das maiores aventuras de ficção
científica de todos os tempos. O Exterminador do Futuro (The Terminator),
dirigido por James Cameron, que posteriormente voltou a dirigi-lo em Exterminador
do futuro 2 - O julgamento final. 
Em 1987 Schwarzenegger estrelou mais uma grande aventura Sci-Fi e que
também rendeu uma franquia de muito sucesso. Predador (Predator), dirigido
por John McTiernan trazia o astro na pele de Dutch, um militar que durante
uma missão de resgate numa selva da América Central, depara-se com
um adversário que não é deste mundo.


A ficção científica perseguiu a carreira do ator  austríaco e em 1990 estreou nos cinemas
um de seus melhores filmes, O Vingador do Futuro (Total Recall, 1990),
baseado no livro de Philip Dick, o filme dirigido por Paul Verhoeven traz Schwarzie
à um futuro próximo numa trama conspiratória envolvendo implantes de memória
e viagens interplanetárias. 

Como todos sabem, Schwarzie ficou alguns anos afastado dos estúdios
de cinema em razão do cargo político que exerceu como governador da
Califórnia. Após participar de Mercenários 1 e 2, o mito da ação retornou
definitivamente à sua carreira em 2013, estrelando O Último Desafio, que
embora não tenha sido um sucesso de bilheteria, é um dos  melhores
filmes de sua extensa carreira.  

segunda-feira, 28 de julho de 2014

épico bárbaro

CONAN - O DESTRUIDOR

Há 30 anos um bárbaro retornava às telas do cinema para novas batalhas



Ps: este post foi publicado originalmente em agosto de 2013, e agora esta atualizado para comemorar os 30 anos do filme :-)

  Em 1984 um guerreiro bárbaro retornava em uma nova aventura: Conan, o Destruidor (Conan, The Destroyer) estreava nos cinemas estadunidenses, cerca de um ano e meio após o estrondoso sucesso de Conan, O Bárbaro (1982), trazendo os músculos de Arnold Schwarzenegger de volta à ação. Desta vez a direção ficou a cargo de Richard Fleisher, pois John Milius não pôde retornar porque estava envolvido em outros projetos e a produção ficou por conta de Raphaela de Laurentis, filha do produtor Dino de Laurentis (1919-2010). A nova aventura do cimério trazia bem mais ação que o filme anterior, porém um roteiro mais simples e até inferior ao do outro filme, embora bem elaborado por Stanley Mann e argumento concebido pelos quadrinhistas Roy Thomas e Gerry Conway.
  Logo no início da trama Conan é encontrado pela rainha Taramis em um lugar deserto e sua habilidade é colocada à prova, pois a rainha que vai pessoalmente ao encontro do guerreiro bárbaro leva uma escolta de soldados fortemente armados para capturá-lo ou testá-lo, já que obviamente ele mata todos utilizando apenas sua afiada espada e a admirável força de seus músculos, enquanto Malaki (Tracey Walter), seu frágil parceiro e alívio cômico da aventura, assiste a tudo escondido atrás de uma rocha quase o tempo todo.









  A história se passa em uma época que Conan era um ladrão e agia em parceria com Malaki - a rainha de Shadizar contrata o bárbaro, pois ela precisa de suas habilidades em combate e de sua perspicácia de ladrão para que ele roube uma gema mágica que está em poder do mago Toth-Amom, numa fortaleza de gelo localizada em um local distante. Taramis, que além de rainha é também feiticeira, promete a Conan que trará de volta à vida Valéria, sua amada morta no filme anterior. Tomado por certa ingenuidade e sem saber que está sendo manipulado para um plano maléfico da feiticeira, o bárbaro aceita a oferta e parte para a missão.



  O longa traz um elenco de ponta com rostos bem conhecidos da década de 80: Sara Douglas como rainha Taramis, famosa por sua participação em Super-Man II (1980); Mako volta à cena como o mago Akiro; a cantora e atriz Grace Jones no papel de Zula; a estreante Olívia d´Abo no papel de princesa Jehnna; e o campeão de basquete da NBA Wilt Chamberlain em esua estréia como ator ao interpretar o gigantesco guerreiro, Bombaata.

  O experiente diretor Richard Fleischer comanda a ação com maestria, conduzindo empolgantes cenas de batalhas mais violentas do que o filme anterior. Conta-se que no Reino Unido o longa sofreu alguns cortes devido ao excesso de violência; uma cena em que Conan derruba um cavalo com um soco no focinho do animal e uma outra em que ele derruba um camelo com um soco na cabeça, pois tais cenas parecem demonstrar crueldade com os animais. Entretanto, Conan, o Destruidor é a aventura que mais se aproxima do universo das histórias em quadrinhos do herói bárbaro, e além da violência, a história também é repleta de magia, o que exigiu o uso de efeitos visuais para dar vida à fantasia vista nas histórias do personagem.



 A fotografia á assinada por Jack Cardiff (1914-2009), um dos melhores fotógrafos de Hollywood e as locações que compõem as paisagens da aventura ocorreram no México, onde há vários lugares desertos e rochosos. Novamente a trilha sonora é assinada pelo músico greco-americano Basil Poledouris (1945-2006) e fica evidente que seu trabalho é uma derivação da trilha de Conan - O Bárbaro, pois traz alguns sons característicos, porém num ritmo mais agitado - e embora não seja tão grandiosa quanto quanto a do filme anterior, é também envolvente bem ao estilo da aventura.


  Orçado em US$ 18 milhões, o longa arrecadou cerca de US$ 31 milhões nos cinemas estadunidenses, menos dinheiro que a aventura anterior que fez um pouco mais de US$ 39 milhões segundo dados do IMDB. O filme tornou o personagem ainda mais icônico e popular e por mais que os produtores se esforçaram para convencer Schwarzenegger a estrelar um terceiro filme para contar como foi o reinado de Conan, o que fecharia a saga fílmica com chave de ouro, o astro sempre recusou as propostas. Entretanto, recentemente, o ator agora envelhecido garantiu que realmente fará um terceiro filme do guerreiro bárbaro e o mostrará também envelhecido na aventura que será intitulada The Legend of Conan, e segundo boatos está prevista para estrear em 2014. Mas esta é uma outra história a ser contada...



TRAILER




Conan - O Destruidor (Conan, The Destroyer, 1984)

Direção: Richard Fleischer

Roteiro: Stanley Mann

Elenco: Arnold Schwarzenegger, Sara Douglas, Grace Jones, Mako, Tracey Walter, Olivia d´Abo, Wilt Chamberlain

quinta-feira, 24 de julho de 2014

dossiê: clássico policial

DESEJO DE MATAR

Há 40 anos, Charles Bronson iniciava uma caçada solitária nas ruas mais escuras de Nova Iorque



  Em 1974 estreava nas telas estadunidenses e logo em seguida em todo o mundo Desejo de matar (Death Wish), filme dirigido pelo inglês Michael Winner, e que alçou Charles Bronson ao estrelato na América do norte e marcou para sempre o gênero policial, bem como o cinema físico como um todo.  Bronson vinha de uma carreira bem sucedida na Europa, onde era aclamado como astro, admirado pelo público e pela critica, tendo atuado nas produções francesas O Passageiro da chuva (Le Passager de la Pluie, 1970), Cold Sweat (1970), ou em produções italianas como Cittá Violenta (1970), e o mítico faroeste Era Uma vez no Oeste (Cera Uma volta i´l West, 1968).
  Desejo de matar surgia num momento em que a cidade de Nova Iorque enfrentava uma forte onda de violência com suas ruas e becos aterrorizados por gangues, ladrões e até estupradores e desde então e por muito tempo chegou a ser considerada a metrópole mais violenta do mundo – nesse contexto brutal, o filme acendia uma polêmica que decisivamente impulsionaria o sucesso de bilheteria, a aclamação do público e o ódio da critica especializada: a justiça com as próprias mãos. A idéia de que um cidadão comum pudesse armar-se de uma pistola e executar criminosos à noite era algo inspirador e ao mesmo tempo muito perigoso, pois não cabe ao cidadão (de nenhuma sociedade) as funções de júri, juiz e carrasco.

Michael Winner orientando Bronson


Hope Lange
  O roteiro de Death Wish foi escrito por Wendell Mayes, com base no livro homônimo escrito por Brian Garfield, romance e escritor desconhecidos até hoje pelo grande público. E como normalmente acontece, a adaptação teve algumas alterações em relação ao material original, pois o personagem principal que no livro se chama Paul Benjamim, teve seu nome alterado para Paul Kersey, e sua profissão também foi alterada de contabilista para arquiteto, mas os motivos que transformam o personagem num justiceiro são os mesmos tal como é visto no filme, o protagonista perde a esposa Joana, de maneira brutal e tem sua filha Carol violentada por 3 marginais que invadem o apartamento, respectivamente interpretadas por Hope Lange e Kathleen Tolan numa cena revoltante que chegou a provocar escândalo na época de lançamento do filme. Carol ficou em estado catatônico e após ser medicada teve de ser encaminhada à um hospital psiquiátrico para a tristeza de seu pai Paul e de seu marido Jack Toby, interpretado por Steven Keats.

Kathleen Tolan









Jeff Goldblum a esquerda
  É interessante notar que no trio de jovens marginais que atacam as mulheres há um ator em início de carreira que mais tarde, na década de 80 tornaria-se um astro por sua interpretação no grande sucesso A Mosca (The Fly, 1986), Jeff Goldblum, à época com 22 anos de idade.




A adaptação para as telas

  O livro apesar de não ter grande sucesso nas vendas, chamou a atenção de dois produtores de cinema, Hal Landers e Bobby Roberts, que em 1972, mesmo ano de lançamento do livro, compraram os direitos para uma possível adaptação às telas do cinema, e a obra encontrou um caminho certeiro nas mãos do cineasta Michael Winner, do lendário produtor Dino De Laurentis e dos estúdios United Artists, únicos a se interessarem pelo projeto.


 Consta que também foi um grande problema encontrar o ator certo para o papel que foi recusado por atores bem mais cotados na época como Steve McQueen, Clint Eastwood e até o cantor Frank Sinatra - e também Henry Fonda que chegou a considerar o papel como "repulsivo". Felizmente, Bronson aceitou o papel após ler o roteiro que Winner lhe ofereceu não à toa, pois o ator já havia trabalhado com o diretor anteriormente em 3 ótimos filmes, Renegado Impiedoso (Chato´s Land, 1972), Assassino a preço fixo (The Mechanic, 1972) e Jogo Sujo (The Stone Killer, 1973). Portanto, Death Wish concretizou a continuidade da ótima parceria entre o diretor e o ator.

Kersey ganha de presente de um amigo uma pistola 
Colt Positive. 32, durante uma viagem ao Arizona

  Bronson, à época com 52 anos de idade foi a escolha mais do que certa para o papel e ao contrário dos atores citados no parágrafo àcima ainda não era um astro para o público de seu país, sendo apenas um ator popularmente conhecido pelos bons filmes que fizera recentemente em Hollywood, além dos filmes europeus que não atraíam muito a atenção das platéias norte-americanas. Era chegada então a hora de Charles Bronson brilhar intensamente nas telas de seus país.


  Embora Death Wish tenha marcado o ator para sempre como um sujeito eternamente "durão", Bronson era bastante versátil e tinha um bom domínio de interpretação como já demonstrara anteriormente no obscuro filme francês Alguém atrás da porta (Quelqu'un derrière la porte /  Someone behind the door, 1971) e em The Bull of the West (1972), um western dramático feito para a Tv. E o ator interpretou correta e humanamente, mesmo sem muito esforço, a gradativa transformação de um cidadão comum e pacifista em um justiceiro frio e cada vez mais sanguinário - lembrando sempre que Death Wish não é exatamente um filme de ação, mas sim, um drama policial.

A repercussão

   A adaptação para as telas foi um grande sucesso de público com renda de mais US $ 22 milhões nas bilheterias para um orçamento de apenas US $ 3 milhões, segundo consta no IMDB. Contudo, o filme provocou bastante polêmica devido ao delicado tema e muitos críticos de cinema atacaram duramente a obra, inclusive rendeu críticas negativas do jornal The New York Times, mas também rendeu respostas inteligentes como a do carismático ator Vincent Gardenia: "Eu não aprovo o vigilantismo, mas também não aprovo que os marginais levem a melhor".
  No filme, Gardenia interpreta Frank Ochoa, o detetive que persegue Kersey para tentar desencorajá-lo. Afinal,  o trabalho do vigilante estimulou vários outros cidadãos comuns a se defenderem de modo que o crime reduziu cerca de 50% nas ruas da cidade, conforme revelava as estatística da imprensa e assim o vigilantismo ganhava cada vez mais força preocupando a polícia e também o prefeito de Nova Iorque.

No filme, o Inspetor Ochoa investiga os passos do vigilante 
e o persegue para atender ao pedido que o prefeito lhe fêz
pessoalmente: "assuste ele" 

  Convém lembrar que este clássico pertence à agitada década de 1970, período de grandes discussões e profundas transformações sociais, algo que refletiu, e muito nas telas do cinema. Desejo de matar nasceu polêmico e como tal, provocou debates e discussões como tantas outras obras setentistas, como o clássico absoluto do horror O Exorcista (1973), por sinal estreado no anterior, ou o complexo Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971), até hoje muito discutido, só para citar dois grandes exemplos de obras polêmicas.
  O sucesso de Desejo de matar gerou uma febre de vários filmes de justiceiros, o que não deixa de ser admirável embora o tema "justiça com as próprias mãos" nem fosse algo totalmente novo, já tendo sido abordado nas décadas anteriores em westerns e alguns thrillers. O que explica o enorme sucesso de Death Wish é o fato de o público ter se identificado rapidamente com o personagem Paul Kersey, um cidadão até então pacifista que após ter a família vitimada pela violência urbana resolve agir por conta própria a fim  de tentar reduzir a criminalidade em sua cidade.



  Entretanto, é bom notar que o filme não retrata Paul Kersey como um herói, mas sim um anti-herói que aos poucos se torna tão frio e violento quanto os marginais que ele caça. Mas infelizmente grande parte do público o viu como uma espécie de herói revolucionário, um sujeito acima da lei com motivos o suficiente para sair matando todos os criminosos que encontra pela noite. E este pensamento do público se estende até os dias atuais, pois em 2007 aqui no Brasil a platéia aclamou o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite como um grande herói e não como o personagem complexo que Wagner Moura interpretou tão bem.

  Dentre várias cenas memoráveis destaca-se uma cena filmada nas escadarias de um parque, quando Kersey ao descer os degraus é abordado por 3 ladrões, um no alto da escada e mais dois no final dos degraus, e então travam um tiroteio e logo em seguida uma perseguição que leva aos momentos finais do longa. Numa das primeiras caçadas Kersey salva um sujeito desconhecido em um beco, matando 3 assaltantes. Um dos bandidos é interpretado por um desconhecido Denzel Washington com apenas 19 anos de idade e em pleno início de carreira.


  Até hoje o filme gera discussões polêmicas e há até quem acuse a obra de "racista", pois boa parte dos criminosos que Paul Kersey mata são negros. Entretanto, o roteiro do filme não foge da discussão sobre racismo e em certo momento numa cena que mostra uma importante festa, aparece um casal discutindo a respeito das ações do vigilante, de modo que o homem diz que: "vou lhe dizer uma coisa, o cara é racista. Já reparou que ele matou muito mais negros?", e a moça rapidamente responde: "Pelo amor de Deus! Existem muito mais assaltantes pretos do que brancos! O que vc queria que ele fizesse?! Que aumentasse os assaltantes brancos pra termos uma igualdade racial?". Porém, se o filme propõe que criminosos não tem cor, isto fica a cargo da interpretação do espectador.
  Como ocorre com muitos filmes de sucesso, Desejo de Matar inevitavelmente virou franquia ganhando uma sequencia mediana no ano de 1982, e anos depois mais três sequencias desnecessárias e até desprezíveis que infelizmente chegam a ofuscar o brilho do primeiro filme que deveria ser único, e o personagem que Bronson compôs tão bem originalmente, transformara-se num mero e descartável anti-herói de ação.
  Death Wish nunca foi refilmado, exceto se considerarmos que um certo thriller policial intitulado Valente (The Brave One, 2007), estrelado pela atriz Jodie Foster e dirigido por Neil Jordan trata-se de uma refilmagem disfarçada, trocando Paul Kersey por uma mulher chamada Erica Brain, e que resolve caçar criminosos à noite, também na cidade de Nova Iorque, após perder o noivo de forma violenta, inclusive com direito a uma cena que se passa no vagão do metrô, muito parecida com a cena do filme de Michael Winner.

  Em 2008, quando estreou nos cinemas Rambo IV, Stallone chegou a dizer em entrevistas que tinha interesse em refilmar Death Wish, ambientado nos dias atuais. Felizmente o interesse de Sly ficou só na promessa, pois refilmar uma obra tão enraizada na década de 70 seria algo muito arriscado - afinal, atualmente Nova Iorque já não é uma das cidades mais violentas do mundo e ambientar tal história em outro lugar poderia não surtir o mesmo efeito. E para todos os efeitos, desde que Paul Kersey resolveu fazer caçadas noturnas 40 anos atrás, os becos e ruas escuras jamais foram os mesmos. (R.A.)

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Desejo de matar - Death Wish, 1974

Roteiro: Wendell Mayes

Direção: Michael Winner

Elenco: Charles Bronson, Hope Lange, Kathleen Tolan, Steven Keats, Vincent Gardenia