terça-feira, 23 de junho de 2015

homenagem

CHRISTOPHER LEE

O vilão dos vilões

O homem partiu, mas o mito deixou um inigualável legado para a sétima arte


  Christopher Frank Carandini Lee é o nome completo do homem que ainda em vida tornou-se uma lenda do cinema em todos os tempos, e que o mundo conhece melhor como Christopher Lee, um  ator britânico de grande talento, que ao longo de sua vastíssima carreira construiu uma invejável galeria de personagens, em sua maioria vilões, detalhe que definiu a carreira do astro e o tornou por excelência o grande intérprete de personagens anti-heróicos. 
  Nascido em 27 de maio de 1922, Christopher Lee assim como vários atores britânicos, iniciou sua carreira no teatro, e por sinal seus primeiros papéis foram de malfeitores, sendo que o primeiro foi Rumpelstiltskin, originário de um conto dos irmãos Grimm, e a formação literária do ator o auxiliou muito em toda a sua carreira artística.
  Entretanto, no final dos anos 30, o ator interrompeu sua carreira para dedicar-se à outras atividades, que naquele momento eram de maior importância que seu talento artístico. Lee se voluntariou para lutar ao lado dos finlandeses contra os soviéticos durante a Guerra de Inverno, no ano de 1939. E durante a Segunda Guerra Mundial serviu como oficial da inteligência britância na Força Aérea Real.

  Após os tensos períodos de guerra, Lee retomou sua carreira de ator não chegando a ter grande destaque embora tenha atuado em cerca de 30 produções. Porém, o seu futuro como ator de cinema e astro mundial de filmes de horror começara a se definir quando em meados da década de 1950, assinou contrato com a então estreante Hammer Films, companhia britânica que surgia com o intuito de produzir apenas filmes de horror, como entretenimento. O primeiro filme em que Lee atuou por meio do estúdio foi A Maldição de Frankenstein (The curse of Frankenstein, 1957), sob a direção de Terence Fisher, a produção inaugurou a Hammer e foi um grande sucesso de público e crítica, trazendo Peter Cushing como o protagonista Dr. Victor Frankenstein e Christopher Lee no papel da assombrosa criatura baseada no  famoso livro de Mary Sheley.

Lee na pele da criatura de Frankenstein
 Mas apesar do enorme sucesso que Lee alcançara ao interpretar a lendária criatura feita de restos humanos, o personagem que marcou para sempre a carreira do ator britânico veio em 1958 na película O vampiro da noite (Horror of Drácula), dirigido novamente por Terence Fisher,  um sucesso estrondoso que tornou Lee um grande astro de horror e por mais que o ator se empenhasse em fazer vários outros papéis interessantes, por insistência dos estúdios e também dos fãs ele voltou a interpretar Drácula por mais 7 vezes nos filmes Drácula, o príncipe das trevas (1966), Drácula - perfil do diabo (1968), O conde Drácula (1970),  O sangue de Drácula (1970), Drácula A.D. 1972 (1972), Os ritos satânicos de Drácula (1974) - por sinal, em pouco tempo Christopher Lee logo passou a ser considerado o melhor interprete do conde vampiro, honra que antes pertencera ao ator húngaro Bela Lugosi.

Lee na pele do vampiro

  Entre vários personagens que o lendário ator britânico interpretou, destaca-se também A múmia (1958) e como se pode claramente notar as produções da Hammer eram releituras ou refilmagens de de grandes sucessos feitos pela Universal Studios tais como Drácula (1931), interpretado por Bela Lugosi, Frankenstein (1931) e A múmia (1932), ambos estrelados por Boris Karloff. Entretanto os clássicos dos estúdios da Universal pertenciam à época da fotografia em preto e branco, enquanto que a Hammer Studios oportunamente filmou suas películas em technicolor, aproveitando-se da nova tecnologia em filmagem para dar cores às suas obras de horror, o que obviamente tornou os monstros bem mais assustadores a partir de então.

Irreconhecível em A múmia
O ator considerava o vilão de O homem de palha (1973), o
melhor papel de sua carreira

Novos Tempos


Conde Dookan
 O ator também agraciou os estúdios de Hollywood com ótimas atuações em vários filmes normalmente como vilão,  embora algumas vezes tenha feito personagens de boa índole até mesmo na Hammer em filmes como O cão dos Baskervilles (1959) e A górgona (1964). Nos Estados Unidos, além de participações em produções menores e menos conhecidas, Lee teve destaque em grandes produções como a trilogia O senhor dos anéis e a recente trilogia O hobbit, ambas comandadas pelo cineasta Peter Jackson, que revelou-se um grande fã do lendário ator, tanto quanto Tim Burton, grande admirador e amigo de Lee também contando com a presença do lendário ator em vários filmes de sucesso como A lenda do cavaleiro sem cabeça (1999), A fantástica fábrica de chocolate (2005) e Sombras da noite (2012). Claro que não se pode esquecer de sua participação em Star Wars episódios II e III (2002 e 2005), por sinal inesquecível no papel de conde Dookan.

Lee na pele do terrível mago Sarumam; o ator chegou a 
conhecer o saudoso escritor J.R.R. Tolkien, autor dos livros O Senhor dos anéis
 Por incrível que pareça, Lee também foi um notável cantor emprestando sua voz imponente até mesmo para álbuns de heavy metal da banda Manowar e da banda italiana Rhapsody of fire. Apesar de nunca ter um ganho nenhuma indicação ao oscar, Lee teve grande reconhecimento em sua longevidade chegando a receber em seu país, Inglaterra em 2009 o título de Cavaleiro Real, honra concedida pela rainha. Casado com a ex-modelo dinamarquesa Gitte Lee com quem teve uma filha chamada Christina Erika Lee, o artista falecido recentemente em 7 de junho de 2015, viveu intensamente sua vocação artística de modo que atuou em mais de 300 filmes e é difícil descrever toda a sua obra em um simples post como este, pois o legado desse incrível homem é maior do que sua própria vida e nem é necessário dizer que foi um dos maiores atores da história do cinema em todos os tempos. Um mito que brilhará eternamente. (R.A.)






segunda-feira, 15 de junho de 2015

jornada final

MAD MAX - ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO

Em 1985 a saga do guerreiro das estradas chegava ao final



 O futuro caótico criado por George Miller nos dois filmes anteriores ganha forma definitiva em Mad Max - Beyond Thunder dome (1985) de modo que a civilização regrediu totalmente à um estado de barbarismo conforme fora mostrado no filme anterior e nesse terceiro capítulo já não existe mais o asfalto que ainda podia ser visto no segundo filme. Agora é só deserto e um horizonte de incertezas vislumbrado por Max que caminha à pé na vastidão poeirenta e arenosa de um mundo completamente desolado e aparentemente desabitado.
  Em sua longa caminhada Max Rockatansky chega à uma cidade chamada Bartertown, localizada em um ponto qualquer do infinito deserto e muito bem estruturada para dar algum conforto à seus habitantes. A tal cidade é comandada por uma imponente mulher chamada tia Entity, muito bem interpretada pela cantora Tina Turner que revela-se uma boa atriz e além de exibir um corpo escultural, seu charme já conhecido dos palcos enriquece sua personagem que na verdade é a vilã da estória, além de assinar a música tema We don´t need another hero.


  Ao chegar à Bartertown, Max faz questão de conhecer a líder da cidade e consegue, embora com certa persuasão. Entity, ao perceber a força e agilidade do estranho visitante, resolve confiar-lhe uma missão que parece não ser muito difícil para um sujeito tão destemido como ele - terá de aceitar um combate em uma arena fechada conhecida como cúpula do trovão, que por sinal dá o título ao filme embora não seja algo tão relevante assim no decorrer da trama. O combate é até a morte, mas no final da luta Max recusa-se a matar o adversário ao descobrir que este é um deficiente mental e portanto tem a mentalidade de uma criança apesar de ser um homem alto e bem mais forte.


  Desobedecendo as regras, Max perde qualquer privilégio que teria se matasse o rival, então pelas leis de Entity, o destino de Rockatansky será decidido no giro de uma roleta metálica que contém varias alternativas e assim a opção da roleta para o forasteiro é a expulsão.
  A produção orçada em US$ 12 milhões, ou seja bem mais que o dobro da anterior, traz novamente a genialidade característica de Miller que neste filme consegue fazer o retrato mais distópico possível daquilo que foi proposto nos dois primeiros longas, ou seja, se nos dois primeiros capítulos o argumento central era a disputa pelo combustível, em Beyond Thunder dome não existe mais o combustível derivado do petróleo, de modo que a evoluída cidade de Bartertown tem sua energia elétrica e combustível totalmente derivada de fezes de porco - algo engenhoso e simplesmente genial já que se no futuro não houver mais combustível fóssil, a melhor fonte de energia seria mesmo escrementos de suíno, que são uma riquíssima fonte de energia capaz de gerar combustível e eletricidade.
  A usina de suínos é mantida por trabalho escravo, pois tia Entity sendo uma uma espécie de tirana, obviamente não contrata trabalhadores, mas utiliza minorias para manter o funcionamento de sua cidade. Se Max tivesse matado o adversário na luta conforme o acordo, ele seria o novo feitor para coordenar e monitorar os trabalhadores da usina.
  Depois de ser expulso de Bartertown para o deserto, Max fica vagando por algum tempo de mãos amarradas e sentado no lombo de um cavalo, sem água e nem comida, abandonado para morrer, até que surge a última esperança quando ele é resgatado por um garoto que o leva para uma espécie de tribo de "índios" brancos (??). Minorias da extinta civilização, esses indígenas brancos extremamente jovens, em sua maioria crianças, creêm que Max seja um salvador de uma profecia, do qual eles aguardam para serem resgatados e levados para grandes e confortáveis cidades que acreditam ainda existir.

  No terceiro ato da trama contando com a ajuda dos "índios" brancos, Max retorna à Bartertown e secretamente invade a usina durante uma madrugada para libertar alguns trabalhadores escravos, talvez numa forma de retaliação à Entity ou apenas libertar prisioneiros que são mantidos ali de forma injusta. E como não poderia deixar de ser em relação aos filmes anteriores, a ação não deixa nada desejar e nos momentos finais ocorre uma longa e feroz perseguição pelo deserto empoeirado, pois Entity reúne seus guerreiros e parte para a caçada atrás de Max e dos prisioneiros. A perseguição não deixa muito a desejar ao segundo filme e a frota de carros completamente sucateados toma conta da tela do cinema com direito a um caminhão que se move sobre uma estrada de ferro com as rodas adaptadas aos trilhos.


  Mesmo com toda a engenhosidade do roteiro escrito por George Miller e Terry Hayes, Cúpula do trovão não tornou-se muito popular entre os fãs da franquia e muitos consideram o mais fraco da trilogia. Contudo, é um filme imperdível, afinal, a genialidade de Miller somada ao talentos de Mel Gibson e demais atores, a presença estonteante de Tina Turner e a trilha sonora assinada pelo grande músico francês Maurice Jarre não poderiam resultar de maneira alguma em um filme ruim. Assim, há 30 anos a saga do guerreiro das estradas encerrava-se de maneira digna e satisfatória, e a visão de mundo pós-apocalíptico nas telas do cinema jamais seria a mesma. (R.A)

Clipe de Tina Turner




TRAILER





Mad Max - Além da cúpula do trovão (Mad Max - Beyond thunderdome, 1985)

Roteiro: Terry Hayes, George Miller

Direção:George Miller

Elenco: Mel Gibson, Tina Turner, Bruce Spence, Adam Cockburn, Frank Thring, Robert Grubb








domingo, 31 de maio de 2015

jornada solitária

MAD MAX - A caçada continua

Em 1981 o guerreiro das estradas retornava às telas do cinema



 "Minha vida se esvai, minha visão se embaça. Tudo que me resta são recordações. Eu me recordo de uma época caótica, de sonhos arrasados, de uma terra devastada, mas acima de tudo, me recordo do guerreiro das estradas, um homem que chamávamos de Max"... - este trecho narrado por um narrador personagem dá abertura ao segundo filme da saga apocalíptica estrelada por Mel Gibson e novamente comandada por George Miller. Mad Max - The Road Warrior  dava sequência à jornada de Max Rockatansky iniciada no filme de 1979 e que pelo grande sucesso que fez, merecia uma continuação urgente, e que chegou no tempo certo para mais uma vez surpreender público e crítica numa nova aventura road movie.

  Escrito por George Miller e Terry Hayes, a película australiana trazia novamente Mel Gibson na pele de Max e a bordo de seu potente V8 e na companhia de um simpático cachorro, vagando pelas estradas desertas da Austrália em busca de combustível que normalmente pode ser encontrado no tanque de veículos tombados acidentalmente pelo caminho. Porém, logo no início d aventura, o herói solitário já se encontra em uma perseguição, fugindo de alguma gangue que quer o seu carro e seus pertences, mas graças à sua experiência e habilidades no volante, ele consegue intimidar seus perseguidores que logo desistem de caçá-lo.

As gangues que saqueiam viajantes nas estradas, agem e se
travestem como piratas
  Em sua caminhada ele encontra no deserto um sujeito atrapalhado chamado Gyro, que lhe indica a existência de uma pequena aldeia, onde parece haver uma refinaria de petróleo e portanto, combustível de sobra. Obviamente tal refinaria é visada pelas gangues de saqueadores que querem obter combustível e bens diversos à todo custo, espalhando o terror pelas estradas. Ao salvar a vida de um dos habitantes da aldeia na estrada, Max fica conhecendo os habitantes do local e em meio à varias circunstâncias, resolve ajudá-los a defenderem da gangue de saqueadores, o que resultará numa batalha entre ambos os grupos pela posse do petróleo.

Neste filme há uma mulher guerreira, idéia que foi melhor
explorada no filme de 2015, segundo Miller

A refinaria foi o maior set de filmagens do cinema
australiano na época
  Orçado em cerca de US$ 2 milhões foi até então a produção mais cara do cinema australiano, pois demandou muito investimento tanto na grande quantidade de veículos que preenchem as estradas nas perseguições quanto na concepção da refinaria no meio do deserto, uma idéia que remete muito aos "fortes", que eram bases militares das cavalarias do velho oeste norte-americano, o que reforça o argumento de faroeste pós-apocalíptico. As perseguições nas rodovias também remetem ao gênero faroeste, especialmente no final da trama numa longa cena que preenche pelo menos 14 minutos de ação ininterrupta com Max a bordo de um possante caminhão numa batalha contra a gangue de malucos à bordo de carros e motos sucateados e remodelados. Uma perseguição espetacular e possivelmente a mais longa já filmada até então.


A gangue liderada por um vilão misterioso
 Durante a premier de estréia de Mad Max - Fury Road (2015), George Miller comentou que no segundo filme da franquia há uma mulher guerreira na qual ele ficou pensando, e o que o levou a desenvolver a personagem Furiosa, interpretada por Charlise Theron - ou seja, revendo os filmes anteriores pode-se perceber que (quase) todas as idéias para o filme de 2015 já existiam o que demonstra que o universo apocalíptico criado por Miller é totalmente coeso embora o novo filme não seja uma sequência dos anteriores.

O visual de Mad Max 2 inspirou James Cameron
na concepção de Exterminador do futuro, segundo
o próprio cineasta canadense


 Sucesso de público e aclamado pela crítica como um dos melhores filme de 1981, Mad Max - The Road Warrior apresentou o herói Max de forma definitiva, com bem diz o subtítulo "o guerreiro da estrada", e a partir de então o personagem passou a habitar o imaginário popular em todo o mundo consagrando-se como um dos personagens mais marcantes do cinema oitentista tais como Rambo, Conan ou Indiana Jones, embora a franquia de Max não pertença aos estúdios de Hollywood. De qualquer maneira o mundo do cinema ganhou pela obra de Miller o maior guerreiro pós-apocalíptico. Uma nova estrada estava aberta para os novos rumos do cinema e até hoje os fãs agradecem. (R.A.)

TRAILER





Mad Max 2 - A Caçada continua (Mad Max - the road warrior, 1981)

Roteiro: George Miller, Terry Hayes

Direção: George Miller

Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Michael PrestonMax Phipps, Vernon Wells, Virginia Hey, Emil Minty


quinta-feira, 28 de maio de 2015

caçada rodoviária

MAD MAX

Em 1979 tinha início uma caçada futurista nas estradas australianas 


  Bem no final da década de 70 surgia dos confins da Austrália uma modesta produção que inovou de modo surpreendente o gênero de ação e a concepção de filmes futuristas. A película Mad Max comandada pelo diretor estreante George Miller trazia uma estória aparentemente simples ambientada num futuro distópico e quase mergulhado no caos. Uma crise de falta de petróleo desencadeia uma recessão aparentemente mundial e o resultado disso é uma desordem social provocada por gangues de motoqueiros que percorrem as rodovias para saquear viajantes a fim de roubar combustível e o que mais lhes interessar, causando assim pânico e terror cujo cenário retratado no filme são as estradas australianas.
  Neste futuro caótico a única força de resistência para combater tais gangues a fim de proteger inocentes e tentar manter alguma ordem, é a polícia rodoviária denominada Main Force Patrol (MFP) que age mantendo uma vigilância intensa nas estradas, dispostos a matar ou até mesmo morrer para fazer cumprir o que ainda resta da lei, pois já estão vivendo em meio à uma guerra urbana não declarada. Dentre vários policiais corajosos e até certo ponto muito bem preparados para a batalha está Max Rockatansky, um jovem agente considerado o melhor dentro da corporação.

Mel Gibson numa estréia triunfal

  A breve descrição àcima expôe o argumento do roteiro nada menos que genial concebido por George Miller, e o que torna o filme uma obra genial e singular foi sem dúvida a habilidade que o australiano demonstrou na direção de seu longa de estréia, feito com pouquíssimos recursos, mas que ainda assim alcançou resultados satisfatórios visualmente em cenas de perseguição belamente elaboradas com direito à diversas capotagens e explosões, além de ser um dos primeiros filmes australianos gravado em formato anamórfico.

 Para combater tal batalha nas auto-estradas com a máxima eficácia, nada mais justo que os patrulheiros pilotassem os carros de maior potência possível, equipados com motor V8, tal como é visto nos momentos iniciais quando o agente Max está a bordo de seu carro de patrulha chamado de Interceptor e que na verdade é um Ford Falcon XB GT.


Joe Toecutter, o grande vilão da trama

  Devido ao orçamento um tanto "apertado", cerca de  US$ 300 mil, Miller chegou a utilizar seu próprio veículo, uma van que obviamente ficou destruída numa cena violenta nos momentos iniciais da trama. O diretor demonstrou também uma notável inventividade tanto nas perseguições em alta velocidade filmando em primeira pessoa, ou seja, com a camêra simulando o olhar do piloto, quanto como nos efeitos improvisados, especialmente na cena dos "olhos arregalados" que anunciam desastres prestes a acontecer.

  "Se eu ficar muito tempo na estrada, vou ficar igual eles, louco de pedra. E o meu distintivo de bronze é que me torna bonzinho", é o que diz Max ao seu chefe quando este lhe pergunta porque ele quer se demitir da polícia, pois Max ficou assustado e um tanto perturbado após ver no hospital como ficou o agente Goose, seu parceiro de trabalho e melhor amigo que foi surpreendido por alguns motoqueiros na estrada e queimado vivo dentro de um carro. Entretanto, mais tarde Max terá de enfrentar vários outros motoqueiros malucos da mesma gangue que atacou seu amigo, até porque a mesma gangue o encontrará e atingirá o que ele tem de mais precioso: sua esposa e filho.


 Mel Gibson em seu longa de estréia consegue interpretar sutilmente a transformação que seu personagem exige apesar de ser um ator ainda muito jovem com apenas 23 anos. Conta-se que a Miller procurava um ator que aparentasse ser bruto para o papel, e um dia antes do teste de elenco, Gibson envolveu-se em uma briga de bar levando um pequeno corte no rosto, algo que de certa forma o ajudou a conseguir o papel. Tal como o protagonista, o carro patrulha também passa por uma brutal transformação, na verdade o interceptor amarelo é trocado por um potente carro preto também com motor V8, mas com 600 cavalos de potência, ou seja, uma máquina à altura da fúria de seu condutor.


Ford Falcon XB - GT



 O filme foi lançado na América do Norte somente no ano seguinte, em 1980 e logo em seguida no restante do mundo alcançando grande sucesso. Consta no Guiness Book, o livro dos recordes que a obra de George Miller permaneceu até 1998 como o filme de baixo orçamento mais lucrativo da história tendo faturado cerca de US$ 100 milhões nas bilheterias mundiais, tornando Mel Gibson um astro precoce que em pouco tempo seria "fisgado" por Hollywood.


  A obra de Miller abriu as portas do cinema australiano para o mundo com alguns filmes de sucesso como Crocodilo Dundee (1986), além das duas sequências Mad Max - The Road Warrior (1981) e Mad Max Beyond Thunder Domme (1985). Enfim, o road movie australiano é um importante divisor de águas na história do cinema e portanto clássico obrigatório para todo cinéfilo que se preze! (R.A.)

TRAILER



Mad Max (Austrália, 1979)

Roteiro: George Miller, James McCausland

Direção: George Miller

Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keyas Byrne, Steve Bisley


quinta-feira, 21 de maio de 2015

caos revisitado

MAD MAX - ESTRADA DA FÚRIA

Após 30 anos, o guerreiro da estrada ressurge nas telas do cinema para a caçada mais brutal dos últimos tempos


 "O futuro pertence aos loucos", é o que diz a tagline de um dos cartazes de Mad Max - Estrada da Fúria (Mad Max - Fury Road, 2015), que estreou no dia 14 deste mês e vem alcançando números expressivos em todo o mundo e também nas bilheterias brasileiras de modo que já foi assistido por cerca de 700 mil espectadores. Ao que parece a "loucura" futurista novamente comandada por George Miller está contagiando as platéias e não é para menos, pois trata-se do retorno da franquia australiana que se tornou uma das obras mais relevantes da recente história do cinema nesses últimos 30 anos. 
George Miller
  Roteirizado por Miller, Brendan McCarthy e Nick Lathouris, Mad Max - Fury Road traz de volta o ex-policial rodoviário Max Rockatansky, cuja origem já contada no filme de 1979 estrelado por Mel Gibson não precisa ser recontada aqui. Fury Road traz o personagem já conhecido e logo no início Max foge de perseguidores que querem se apossar de seu possante carro V8 e o querem como prisioneiro, pois sendo um sujeito saudável ele poderá ser usado como "bolsa de sangue" para algum dos garotos guerreiros de uma tribo comandada por Immortan Joe, venerado como uma espécie de semi-deus tanto por seus jovens guerreiros quanto pelo pelas minorias subjugadas.

Os garotos de guerra são chamados de kamicrazys, uma óbvia
referência aos kamikazes, os soldados japoneses da Segunda Guerra mundial
  Como se pode claramente notar pela breve descrição do parágrafo anterior, o futuro pós apocalíptico criado por George Miller há mais de 30 anos ressurge mais distópico do que nunca trazendo novamente gangues de saqueadores disputando gasolina e água num mundo onde já não existe mais ordem social ou sistema econômico, regimes políticos e nem mesmo religiões, já que as minorias (o que resta de população) não vêem outra saída de salvação a não ser venerar e seguir ordens de alguém que tenha poder de liderança, e aqui o líder dominante e o grande vilão é Immortan Joe, uma figura sinistra e distorcida que respira por um espécie de balão de oxigênio fixado às suas costas e usa uma armadura para proteger sua pele maltratada por bolhas e feridas, além de ostentar uma estranha máscara que parece ser feita com dentes de cavalo. O vilão é interpretado por Hugh Keays-Byrne, ator que no filme de 1979 interpretou o vilão Joe Toecutter. 

 Immortan Joe é venerado como um deus e pai por seus guerreiros seguidores que
crêem que ele os encaminhará ao Valhalla, termo emprestado da mitologia nórdica
para designar o paraíso. 
  Imperator Furiosa, guerreira de confiança de Immortan Joe é designada para a missão de buscar suprimentos em locais distantes, mas Furiosa a bordo de um poderoso caminhão tanque desvia-se da rota para executar um outro plano: fugir junto com as garotas que são noivas de Joe, para um local conhecido como vale verde, na esperança de escaparem dos domínios do tirano e começarem uma nova vida longe do caos em que se encontram. Ao perceber a fuga, Joe e seus guerreiros iniciam uma brutal perseguição pelo infinito deserto a fim de punir Furiosa e resgatar suas noivas vividas pelas  belas atrizes Rosie Hutington Whiteley, Riley Keough, Abbey Lee e Zoe Kravitz. 


  Além do retorno de Max Rockatansky, agora interpretado pelo astro em ascenção Tom Hardy, o filme surpreende ao exaltar a figura feminina de uma forma nunca mostrada na franquia original, de modo que Charlize Theron torna-se a estrela do longa ao encarnar Furiosa com uma vigorosa interpretação que o público certamente não esperava, principalmente os fãs da franquia original, o que vem gerando polêmicas a respeito do filme, inclusive com boatos que sugerem boicote. Entretanto convém observar que por mais valente que seja, Imperator Furiosa dificilmente conseguiria fugir de modo eficiente e até mesmo sobreviver sem a ajuda de Max, o que fica mais evidente ao longo da narrativa.


  Concebido como um faroeste pós-apocalíptico agregando as idéias da franquia original, Estrada da Fúria é sem dúvida o melhor filme de Miller até o momento e provavelmente o melhor filme da história do cinema australiano. O infinito deserto da Namíbia (África do Sul), local onde foram gravadas todas as cenas de perseguição, enriquece grandemente a fotografia retratada por John Seale com tons alaranjados que contrastam com o marrom levantado pela poeira das perseguições.


  O espetáculo das perseguições é belo e ao mesmo tempo brutal, protagonizado por dublês e atores em coreografias malabarísticas e pela grande frota de carros e caminhões sucateados e transformados em verdadeiras máquinas de guerra, graças à velha tecnologia do século XX, que é tudo o que se pode chamar de avançado neste futuro devastado. A ação belamente filmada por Miller constitui uma verdadeira lição para o cinema físico atual ao empregar longas tomadas que mostram detalhadamente tudo o que ocorre em cena com direito a várias capotagens seguidas de explosões, tudo real e sem uso (ou o mínimo) de efeitos de computação - inclusive, o CGI foi minimamente utilizado ao longo do filme para mostrar o braço mecânico de Furiosa e também a cena da tempestade de areia.


 Orçado em torno de US$ 150 milhões o novo Mad Max é um espetáculo imperdível em todos os sentidos e também uma obra fílmica inovadora tanto quanto a franquia original, mais uma vez demonstrando o talento inigualável do australiano George Miller que dirigiu poucas coisas além de sua obra futurista. Assim como ocorreu com o primeiro Mad Max de 1979, torçamos para que Estrada da Fúria seja apenas o início de mais uma saga surreal, louca e bela em todos os sentidos. E  sempre abençoada seja a loucura de Miller.  (R.A.)

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Mad Max - Estrada da fúria (Mad Max - Fury Road, 2015)

Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy e Nick Lathouris

Direção: George Miller
Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Hugh Keays-Byrne, Rosie Hutington Whiteley, Riley Keough, Abbey Lee e Zoe Kravitz


terça-feira, 12 de maio de 2015

caçada noturna

NOITE SEM FIM

Liam Neeson e Ed Harris travam uma incansável perseguição nas ruas escuras de Nova Iorque


  Dando prosseguimento à sua atual carreira de astro de ação, Liam Neeson estréia o interessante filme policial Run All night (2015) que já é seu terceiro trabalho em parceria com o diretor espanhol Jaume Collet-Serra que o dirigiu nos sucessos Desconhecido (Unknown, 2010) e Sem Escalas (Non Stop, 2014). Aqui o cineasta e o astro repetem a parceira e Noite Sem Fim traz uma trama mais voltada para a construção do suspense, embora traga também uma boa dose de ação. 
  Neeson é Jimmy Conlon, um veterano matador de aluguel que há décadas trabalha para o mafioso Shawn Maguire (Ed Harris). Ambos são grandes amigos de infância, mas tal amizade será brutalmente abalada e desfeita, pois Shawn perderá o que tem de mais precioso: a vida de seu único filho Danny Maguire (Boyd Holbrook), tirada pelas mãos de Conlon. O motivo foi um tanto justo, por legítima defesa sendo que Danny iria matar Mike Conlon (Joel Kinnaman), filho de Jimmy, pelo fato de Mike ter visto Danny cometer um crime durante um acerto contas.


  Shawn fica sabendo da morte do filho por meio de um telefonema de Conlon, que honestamente lhe explica o que ocorreu, mas a partir de tal momento Shawn movido por desejo de vingança se vê forçado a encerrar sua amizade com Conlon e fará de tudo para caçá-lo e matá-lo e também matar Mike para que tenha uma vingança completa e sem testemunhas.
Jimmy e seu filho Mike

 Uma perseguição desenfreada ocorre então ao longo de uma única noite que como bem diz o título parece ser uma noite sem fim, na qual Jimmy fará uso de toda sua longa experiência de matador para proteger a si mesmo e principalmente ao seu filho Mike - e pai e filho ao longo dessa noite unirão forças e terão de superar desavenças que os manteve distantes por muito tempo, pois Mike nunca aceitou o estranho ofício de Jimmy que sempre foi um pai ausente e nada exemplar.




  Suspense corretamente construído pelas frágeis relações humanas trazidas pelo bom roteiro de Brad Ingelsby dá o tom trhiller criminal que se desenrola ao longo da trama também enriquecida pelos talentos de Liam Neeson que faz um matador tão fragilizado quanto o agente de Sem Escalas (2014), Ed Harris que também interpreta um personagem fragilizado embora sedento por vingança e o jovem ator sueco Joel Kinnaman que ano passado interpretou o novo Robocop e aqui interpreta Mike Conlon - a presença dos também talentosos Vincent D'onofrio e Boyd Holbrook confirmam o bom gosto de Jaume Collet-Serra para compor o elenco de seu filme.



  Cenas de perseguição na estação do metrô e violentos tiroteiros nas ruas filmados à noite confirmam o espanhol Serra como um dos melhores cineastas da atualidade para o gênero de ação, e pelo realismo demonstrado em Run all night percebe-se o cuidado do diretor com as cenas físicas, principalmente ao empregar tomadas dinâmicas e sem utilizar cortes muito bruscos de modo que o público entenda perfeitamente o que ocorre em cena mesmo em ambientes pouco iluminados. Noite Sem Fim pode ser o melhor filme da parceria Neeson e Serra até o momento, mas torçamos para que tal parceira dure por tempo tão indeterminado quanto o título do filme sugere.

TRAILER



Noite Sem Fim (Run all Night, 2015)

Direção: Jaume Collet-Serra

Roteiro: Brad ingeslby

Elenco: Liam Neeson, Ed Harris, Joel Kinnaman, Vincent D'onofrio, Boyd Holbrook