Já se encontra em pré-venda o dvd de Velozes e Furiosos 7, o filme de maior sucesso da franquia estrelada por Vin Diesel. Com direção de James Wan (Invocação do mal, 2013), o sétimo capítulo da saga motorizada tornou-se a quarta maior bilheteria da história do cinema, embora até maio e meados de junho ocupasse o terceiro lugar que agora pertence à Jurassic World, novo filme que reinicia a saga dos dinossauros iniciada por Spielberg há mais de vinte anos. O estrondoso sucesso de Velozes 7 (leia aqui) talvez se deva à ótima homenagem prestada ao ator Paul Walker, que morreu tragicamente em 2013. Claro que também deve-se levar em conta a presença de astros de peso do cinema de ação como Dwayne Johnson e Jason Statham, além da interessante trama da extensa saga.
Novo filme estrelado por Schwarzenegger faz um interessante reinício e tenta dar novo fôlego à mítica franquia
Em 1984, exatos 31 anos atrás estreava nas telas mundiais do cinema um dos melhores filmes de sci-fi de todos os tempos, Terminator (1984) comandado por um jovem diretor canadense chamado James Cameron, pouco ou nada conhecido e que tanto quanto sua obra cinematográfica tornara-se de certo modo uma lenda entre os grandes cineastas de Hollywood. Em 1991 Cameron retorna atrás das câmeras para comandar uma sequencia muito aguardada pelos fãs, O Exterminador do Futuro 2: O julgamento final (Terminator 2: The judgment day) que novamente foi um sucesso estrondoso e é considerado um dos melhores filmes de ação de todos os tempos.
Com base sólida nas duas obras àcima citadas, eis que surge agora em 2015, uma espécie de reboot ou pode ser visto mesmo como uma sequencia intitulada Exterminador do futuro: Gênesis (Terminator: Gênesys), desta vez comando por Alan Taylor, que em 2013 dirigiu Thor - o mundo sombrio. Ao agregar elementos dos dois primeiros filmes respeitando sabiamente a cronologia, este novo exterminador pode até ser considerado, ainda que forçadamente uma terceira sequência dos filmes de Cameron, pois ignora completamente os eventos de Exterminador 3 e 4.
Roteirizado por Laeta Kalogridis e Patrick Lussier, a trama se passa no futuro que fora previsto nos filmes anteriores da franquia onde ocorre a tal batalha entre humanos e máquinas em meio ao mundo devastado e sucateado pela guerra. John Connor, interpretado pelo astro em ascenção Jason Clarke, lidera fortemente a resistência humana com soldados altamente treinados e leais. Mas Connor decide que é necessário fazer uma viagem no tempo de volta ao passado, mais precisamente no ano de 1984, para impedir os planos dos inimigos que enviaram não apenas um, mas dois exterminadores para matar sua mãe, a jovem Sarah Connor para mais uma vez impedir que ele nasça e torne-se o grande líder que é, e mais uma vez o escolhido para tal missão é o fiel soldado Kyle Reese.
John Connor
Kyle Reese
Viagens ao passado e depois ao futuro trazem interessantes reviravoltas em Gênesys, e é surpreendente ver Schwarzenegger na pele de um velho exterminador e mais interessante ainda é vê-lo enfrentar o exterminador jovem dos anos 80 obviamente recriado com computação gráfica, realmente surpreendente ainda mais pelo fato de o velho exterminador proteger a jovem Sarah que já é uma garota valente e astuta, interpretada por Emilia Clarke (Game of Thrones), razoavelmente parecida com Linda Hamilton.
Sarah Connor
Reza a lenda que a empresa Nike refez o mesmo modelo de tenis utilizado em 1984 a pedido da produção do filme
Também é surpreendente ver que o T-1000 também está lá, em 1984 preparado para matar Sarah, Kyle Reese e quem mais estiver pelo caminho - assim como também é surpreendente apreciar toda a recriação de cenários do filme dos anos, até mesmo o tenis Nike que Kyle rouba quando invade uma loja. Mas... com todas essas surpresas muito agradáveis, o que exatamente pode ter dado errado? A resposta pode ser simples: reviravoltas demais. Afinal o roteiro de Terminator Genesys transita tranquilamente entre o passado e o futuro de um modo nunca visto antes na franquia, explorando mais a fundo o recurso de viagens no tempo.
Entretanto em tais viagens algumas coisas podem surpreender ou talvez provocar alguma indignação nos fãs mais nostálgicos, como por exemplo o fato de o próprio John Connor ser transformado em um exterminador cujo modelo chega a ser mais avançado que o T-1000, e convenhamos que é um tanto estranho ver o líder da resistência humana tornar-se uma máquina, embora seja um recurso inovador na saga. Além disso há também um excesso de informações, pois o velho T-800 resolve dar explicações da física quântica a respeito das viagens temporais, algo que não acrescenta muita coisa e pode ser dispensável ao personagem do velho e bom Schwarzie.
Essencialmente os exterminadores funcionam como máquinas de infiltração, algo que fica mais evidente neste filme
O longa que custou em torno de US$ 170 milhões vem tendo desempenho razoável nas bilheterias e vem dividindo opiniões, e infelizmente já não esta entre as grandes bilheterias de 2015 até porque estreou quase junto com Jurassic World que provavelmente é a maior bilheteria do ano. Contudo, fãs do filme clássico de 1984 e fãs de Schwarzie certamente não estão deixando de conferir Genesys nas telas do cinema nem que seja por mera curiosidade. Com certeza o filme facilmente encontrará um melhor caminho nos mercado de vídeo e quem sabe, novos e melhores capítulos virão para o os novos rumos desta nova saga... só o tempo dirá. (R.A.)
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Exterminador do futuro: Genesis (Terminator: Genesys, 2015)
Direção: Alan Taylor
Roteiro:Laeta Kalogridis e Patrick Lussier
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Jason Clarke, Emilia Clarke, Jai Courtney, Matt Smith
O homem partiu, mas o mito deixou um inigualável legado para a sétima arte
Christopher Frank Carandini Lee é o nome completo do homem que ainda em vida tornou-se uma lenda do cinema em todos os tempos, e que o mundo conhece melhor como Christopher Lee, um ator britânico de grande talento, que ao longo de sua vastíssima carreira construiu uma invejável galeria de personagens, em sua maioria vilões, detalhe que definiu a carreira do astro e o tornou por excelência o grande intérprete de personagens anti-heróicos.
Nascido em 27 de maio de 1922, Christopher Lee assim como vários atores britânicos, iniciou sua carreira no teatro, e por sinal seus primeiros papéis foram de malfeitores, sendo que o primeiro foi Rumpelstiltskin, originário de um conto dos irmãos Grimm, e a formação literária do ator o auxiliou muito em toda a sua carreira artística. Entretanto, no final dos anos 30, o ator interrompeu sua carreira para dedicar-se à outras atividades, que naquele momento eram de maior importância que seu talento artístico. Lee se voluntariou para lutar ao lado dos finlandeses contra os soviéticos durante a Guerra de Inverno, no ano de 1939. E durante a Segunda Guerra Mundial serviu como oficial da inteligência britância na Força Aérea Real.
Após os tensos períodos de guerra, Lee retomou sua carreira de ator não chegando a ter grande destaque embora tenha atuado em cerca de 30 produções. Porém, o seu futuro como ator de cinema e astro mundial de filmes de horror começara a se definir quando em meados da década de 1950, assinou contrato com a então estreante Hammer Films, companhia britânica que surgia com o intuito de produzir apenas filmes de horror, como entretenimento. O primeiro filme em que Lee atuou por meio do estúdio foi A Maldição de Frankenstein (The curse of Frankenstein, 1957), sob a direção de Terence Fisher, a produção inaugurou a Hammer e foi um grande sucesso de público e crítica, trazendo Peter Cushing como o protagonista Dr. Victor Frankenstein e Christopher Lee no papel da assombrosa criatura baseada no famoso livro de Mary Sheley.
Lee na pele da criatura de Frankenstein
Mas apesar do enorme sucesso que Lee alcançara ao interpretar a lendária criatura feita de restos humanos, o personagem que marcou para sempre a carreira do ator britânico veio em 1958 na película O vampiro da noite (Horror of Drácula), dirigido novamente por Terence Fisher, um sucesso estrondoso que tornou Lee um grande astro de horror e por mais que o ator se empenhasse em fazer vários outros papéis interessantes, por insistência dos estúdios e também dos fãs ele voltou a interpretar Drácula por mais 7 vezes nos filmes Drácula, o príncipe das trevas (1966), Drácula - perfil do diabo (1968), O conde Drácula (1970), O sangue de Drácula (1970), Drácula A.D. 1972 (1972), Os ritos satânicos de Drácula (1974) - por sinal, em pouco tempo Christopher Lee logo passou a ser considerado o melhor interprete do conde vampiro, honra que antes pertencera ao ator húngaro Bela Lugosi.
Lee na pele do vampiro
Entre vários personagens que o lendário ator britânico interpretou, destaca-se também A múmia (1958) e como se pode claramente notar as produções da Hammer eram releituras ou refilmagens de de grandes sucessos feitos pela Universal Studios tais como Drácula (1931), interpretado por Bela Lugosi, Frankenstein (1931) e A múmia (1932), ambos estrelados por Boris Karloff. Entretanto os clássicos dos estúdios da Universal pertenciam à época da fotografia em preto e branco, enquanto que a Hammer Studios oportunamente filmou suas películas em technicolor, aproveitando-se da nova tecnologia em filmagem para dar cores às suas obras de horror, o que obviamente tornou os monstros bem mais assustadores a partir de então.
Irreconhecível em A múmia
O ator considerava o vilão de O homem de palha (1973), o melhor papel de sua carreira
Novos Tempos
Conde Dookan
Oator também agraciou os estúdios de Hollywood com ótimas atuações em vários filmes normalmente como vilão, embora algumas vezes tenha feito personagens de boa índole até mesmo na Hammer em filmes como O cão dos Baskervilles (1959) e A górgona (1964). Nos Estados Unidos, além de participações em produções menores e menos conhecidas, Lee teve destaque em grandes produções como a trilogia O senhor dos anéis e a recente trilogia O hobbit, ambas comandadas pelo cineasta Peter Jackson, que revelou-se um grande fã do lendário ator, tanto quanto Tim Burton, grande admirador e amigo de Lee também contando com a presença do lendário ator em vários filmes de sucesso como A lenda do cavaleiro sem cabeça (1999), A fantástica fábrica de chocolate (2005) e Sombras da noite (2012). Claro que não se pode esquecer de sua participação em Star Wars episódios II e III (2002 e 2005), por sinal inesquecível no papel de conde Dookan.
Lee na pele do terrível mago Sarumam; o ator chegou a conhecer o saudoso escritor J.R.R. Tolkien, autor dos livros O Senhor dos anéis
Por incrível que pareça, Lee também foi um notável cantor emprestando sua voz imponente até mesmo para álbuns de heavy metal da banda Manowar e da banda italiana Rhapsody of fire. Apesar de nunca ter um ganho nenhuma indicação ao oscar, Lee teve grande reconhecimento em sua longevidade chegando a receber em seu país, Inglaterra em 2009 o título de Cavaleiro Real, honra concedida pela rainha. Casado com a ex-modelo dinamarquesa Gitte Lee com quem teve uma filha chamada Christina Erika Lee, o artista falecido recentemente em 7 de junho de 2015, viveu intensamente sua vocação artística de modo que atuou em mais de 300 filmes e é difícil descrever toda a sua obra em um simples post como este, pois o legado desse incrível homem é maior do que sua própria vida e nem é necessário dizer que foi um dos maiores atores da história do cinema em todos os tempos. Um mito que brilhará eternamente. (R.A.)
Em 1985 a saga do guerreiro das estradas chegava ao final
Ofuturo caótico criado por George Miller nos dois filmes anteriores ganha forma definitiva em Mad Max - Beyond Thunder dome (1985) de modo que a civilização regrediu totalmente à um estado de barbarismo conforme fora mostrado no filme anterior e nesse terceiro capítulo já não existe mais o asfalto que ainda podia ser visto no segundo filme. Agora é só deserto e um horizonte de incertezas vislumbrado por Max que caminha à pé na vastidão poeirenta e arenosa de um mundo completamente desolado e aparentemente desabitado.
Em sua longa caminhada Max Rockatansky chega à uma cidade chamada Bartertown, localizada em um ponto qualquer do infinito deserto e muito bem estruturada para dar algum conforto à seus habitantes. A tal cidade é comandada por uma imponente mulher chamada tia Entity, muito bem interpretada pela cantora Tina Turner que revela-se uma boa atriz e além de exibir um corpo escultural, seu charme já conhecido dos palcos enriquece sua personagem que na verdade é a vilã da estória, além de assinar a música tema We don´t need another hero.
Ao chegar à Bartertown, Max faz questão de conhecer a líder da cidade e consegue, embora com certa persuasão. Entity, ao perceber a força e agilidade do estranho visitante, resolve confiar-lhe uma missão que parece não ser muito difícil para um sujeito tão destemido como ele - terá de aceitar um combate em uma arena fechada conhecida como cúpula do trovão, que por sinal dá o título ao filme embora não seja algo tão relevante assim no decorrer da trama. O combate é até a morte, mas no final da luta Max recusa-se a matar o adversário ao descobrir que este é um deficiente mental e portanto tem a mentalidade de uma criança apesar de ser um homem alto e bem mais forte.
Desobedecendo as regras, Max perde qualquer privilégio que teria se matasse o rival, então pelas leis de Entity, o destino de Rockatansky será decidido no giro de uma roleta metálica que contém varias alternativas e assim a opção da roleta para o forasteiro é a expulsão.
A produção orçada em US$ 12 milhões, ou seja bem mais que o dobro da anterior, traz novamente a genialidade característica de Miller que neste filme consegue fazer o retrato mais distópico possível daquilo que foi proposto nos dois primeiros longas, ou seja, se nos dois primeiros capítulos o argumento central era a disputa pelo combustível, em Beyond Thunder dome não existe mais o combustível derivado do petróleo, de modo que a evoluída cidade de Bartertown tem sua energia elétrica e combustível totalmente derivada de fezes de porco - algo engenhoso e simplesmente genial já que se no futuro não houver mais combustível fóssil, a melhor fonte de energia seria mesmo escrementos de suíno, que são uma riquíssima fonte de energia capaz de gerar combustível e eletricidade.
A usina de suínos é mantida por trabalho escravo, pois tia Entity sendo uma uma espécie de tirana, obviamente não contrata trabalhadores, mas utiliza minorias para manter o funcionamento de sua cidade. Se Max tivesse matado o adversário na luta conforme o acordo, ele seria o novo feitor para coordenar e monitorar os trabalhadores da usina.
Depois de ser expulso de Bartertown para o deserto, Max fica vagando por algum tempo de mãos amarradas e sentado no lombo de um cavalo, sem água e nem comida, abandonado para morrer, até que surge a última esperança quando ele é resgatado por um garoto que o leva para uma espécie de tribo de "índios" brancos (??). Minorias da extinta civilização, esses indígenas brancos extremamente jovens, em sua maioria crianças, creêm que Max seja um salvador de uma profecia, do qual eles aguardam para serem resgatados e levados para grandes e confortáveis cidades que acreditam ainda existir.
No terceiro ato da trama contando com a ajuda dos "índios" brancos, Max retorna à Bartertown e secretamente invade a usina durante uma madrugada para libertar alguns trabalhadores escravos, talvez numa forma de retaliação à Entity ou apenas libertar prisioneiros que são mantidos ali de forma injusta. E como não poderia deixar de ser em relação aos filmes anteriores, a ação não deixa nada desejar e nos momentos finais ocorre uma longa e feroz perseguição pelo deserto empoeirado, pois Entity reúne seus guerreiros e parte para a caçada atrás de Max e dos prisioneiros. A perseguição não deixa muito a desejar ao segundo filme e a frota de carros completamente sucateados toma conta da tela do cinema com direito a um caminhão que se move sobre uma estrada de ferro com as rodas adaptadas aos trilhos.
Mesmo com toda a engenhosidade do roteiro escrito por George Miller e Terry Hayes, Cúpula do trovão não tornou-se muito popular entre os fãs da franquia e muitos consideram o mais fraco da trilogia. Contudo, é um filme imperdível, afinal, a genialidade de Miller somada ao talentos de Mel Gibson e demais atores, a presença estonteante de Tina Turner e a trilha sonora assinada pelo grande músico francês Maurice Jarre não poderiam resultar de maneira alguma em um filme ruim. Assim, há 30 anos a saga do guerreiro das estradas encerrava-se de maneira digna e satisfatória, e a visão de mundo pós-apocalíptico nas telas do cinema jamais seria a mesma. (R.A)
Clipe de Tina Turner
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Mad Max - Além da cúpula do trovão (Mad Max - Beyond thunderdome, 1985)
Roteiro: Terry Hayes, George Miller
Direção:George Miller
Elenco: Mel Gibson, Tina Turner, Bruce Spence, Adam Cockburn, Frank Thring, Robert Grubb
Em 1981 o guerreiro das estradas retornava às telas do cinema
"Minha vida se esvai, minha visão se embaça. Tudo que me resta são recordações. Eu me recordo de uma época caótica, de sonhos arrasados, de uma terra devastada, mas acima de tudo, me recordo do guerreiro das estradas, um homem que chamávamos de Max"... - este trecho narrado por um narrador personagem dá abertura ao segundo filme da saga apocalíptica estrelada por Mel Gibson e novamente comandada por George Miller. Mad Max - The Road Warrior dava sequência à jornada de Max Rockatansky iniciada no filme de 1979 e que pelo grande sucesso que fez, merecia uma continuação urgente, e que chegou no tempo certo para mais uma vez surpreender público e crítica numa nova aventura road movie.
Escrito por George Miller e Terry Hayes, a película australiana trazia novamente Mel Gibson na pele de Max e a bordo de seu potente V8 e na companhia de um simpático cachorro, vagando pelas estradas desertas da Austrália em busca de combustível que normalmente pode ser encontrado no tanque de veículos tombados acidentalmente pelo caminho. Porém, logo no início d aventura, o herói solitário já se encontra em uma perseguição, fugindo de alguma gangue que quer o seu carro e seus pertences, mas graças à sua experiência e habilidades no volante, ele consegue intimidar seus perseguidores que logo desistem de caçá-lo.
As gangues que saqueiam viajantes nas estradas, agem e se travestem como piratas
Em sua caminhada ele encontra no deserto um sujeito atrapalhado chamado Gyro, que lhe indica a existência de uma pequena aldeia, onde parece haver uma refinaria de petróleo e portanto, combustível de sobra. Obviamente tal refinaria é visada pelas gangues de saqueadores que querem obter combustível e bens diversos à todo custo, espalhando o terror pelas estradas. Ao salvar a vida de um dos habitantes da aldeia na estrada, Max fica conhecendo os habitantes do local e em meio à varias circunstâncias, resolve ajudá-los a defenderem da gangue de saqueadores, o que resultará numa batalha entre ambos os grupos pela posse do petróleo.
Neste filme há uma mulher guerreira, idéia que foi melhor explorada no filme de 2015, segundo Miller
A refinaria foi o maior set de filmagens do cinema australiano na época
Orçado em cerca de US$ 2 milhões foi até então a produção mais cara do cinema australiano, pois demandou muito investimento tanto na grande quantidade de veículos que preenchem as estradas nas perseguições quanto na concepção da refinaria no meio do deserto, uma idéia que remete muito aos "fortes", que eram bases militares das cavalarias do velho oeste norte-americano, o que reforça o argumento de faroeste pós-apocalíptico. As perseguições nas rodovias também remetem ao gênero faroeste, especialmente no final da trama numa longa cena que preenche pelo menos 14 minutos de ação ininterrupta com Max a bordo de um possante caminhão numa batalha contra a gangue de malucos à bordo de carros e motos sucateados e remodelados. Uma perseguição espetacular e possivelmente a mais longa já filmada até então.
A gangue liderada por um vilão misterioso
Durante a premier de estréia de Mad Max - Fury Road (2015), George Miller comentou que no segundo filme da franquia há uma mulher guerreira na qual ele ficou pensando, e o que o levou a desenvolver a personagem Furiosa, interpretada por Charlise Theron - ou seja, revendo os filmes anteriores pode-se perceber que (quase) todas as idéias para o filme de 2015 já existiam o que demonstra que o universo apocalíptico criado por Miller é totalmente coeso embora o novo filme não seja uma sequência dos anteriores.
O visual de Mad Max 2 inspirou James Cameron
na concepção de Exterminador do futuro, segundo
o próprio cineasta canadense
Sucesso de público e aclamado pela crítica como um dos melhores filme de 1981, Mad Max - The Road Warrior apresentou o herói Max de forma definitiva, com bem diz o subtítulo "o guerreiro da estrada", e a partir de então o personagem passou a habitar o imaginário popular em todo o mundo consagrando-se como um dos personagens mais marcantes do cinema oitentista tais como Rambo, Conan ou Indiana Jones, embora a franquia de Max não pertença aos estúdios de Hollywood. De qualquer maneira o mundo do cinema ganhou pela obra de Miller o maior guerreiro pós-apocalíptico. Uma nova estrada estava aberta para os novos rumos do cinema e até hoje os fãs agradecem. (R.A.)
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Mad Max 2 - A Caçada continua (Mad Max - the road warrior, 1981)
Roteiro: George Miller, Terry Hayes
Direção: George Miller
Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Michael PrestonMax Phipps, Vernon Wells, Virginia Hey, Emil Minty
Em 1979 tinha início uma caçada futurista nas estradas australianas
Bem no final da década de 70 surgia dos confins da Austrália uma modesta produção que inovou de modo surpreendente o gênero de ação e a concepção de filmes futuristas. A película Mad Max comandada pelo diretor estreante George Miller trazia uma estória aparentemente simples ambientada num futuro distópico e quase mergulhado no caos. Uma crise de falta de petróleo desencadeia uma recessão aparentemente mundial e o resultado disso é uma desordem social provocada por gangues de motoqueiros que percorrem as rodovias para saquear viajantes a fim de roubar combustível e o que mais lhes interessar, causando assim pânico e terror cujo cenário retratado no filme são as estradas australianas.
Neste futuro caótico a única força de resistência para combater tais gangues a fim de proteger inocentes e tentar manter alguma ordem, é a polícia rodoviária denominada Main Force Patrol (MFP) que age mantendo uma vigilância intensa nas estradas, dispostos a matar ou até mesmo morrer para fazer cumprir o que ainda resta da lei, pois já estão vivendo em meio à uma guerra urbana não declarada. Dentre vários policiais corajosos e até certo ponto muito bem preparados para a batalha está Max Rockatansky, um jovem agente considerado o melhor dentro da corporação.
Mel Gibson numa estréia triunfal
A breve descrição àcima expôe o argumento do roteiro nada menos que genial concebido por George Miller, e o que torna o filme uma obra genial e singular foi sem dúvida a habilidade que o australiano demonstrou na direção de seu longa de estréia, feito com pouquíssimos recursos, mas que ainda assim alcançou resultados satisfatórios visualmente em cenas de perseguição belamente elaboradas com direito à diversas capotagens e explosões, além de ser um dos primeiros filmes australianos gravado em formato anamórfico.
Para combater tal batalha nas auto-estradas com a máxima eficácia, nada mais justo que os patrulheiros pilotassem os carros de maior potência possível, equipados com motor V8, tal como é visto nos momentos iniciais quando o agente Max está a bordo de seu carro de patrulha chamado de Interceptor e que na verdade é um Ford Falcon XB GT.
Joe Toecutter, o grande vilão da trama
Devido ao orçamento um tanto "apertado", cerca de US$ 300 mil, Miller chegou a utilizar seu próprio veículo, uma van que obviamente ficou destruída numa cena violenta nos momentos iniciais da trama. O diretor demonstrou também uma notável inventividade tanto nas perseguições em alta velocidade filmando em primeira pessoa, ou seja, com a camêra simulando o olhar do piloto, quanto como nos efeitos improvisados, especialmente na cena dos "olhos arregalados" que anunciam desastres prestes a acontecer.
"Se eu ficar muito tempo na estrada, vou ficar igual eles, louco de pedra. E o meu distintivo de bronze é que me torna bonzinho", é o que diz Max ao seu chefe quando este lhe pergunta porque ele quer se demitir da polícia, pois Max ficou assustado e um tanto perturbado após ver no hospital como ficou o agente Goose, seu parceiro de trabalho e melhor amigo que foi surpreendido por alguns motoqueiros na estrada e queimado vivo dentro de um carro. Entretanto, mais tarde Max terá de enfrentar vários outros motoqueiros malucos da mesma gangue que atacou seu amigo, até porque a mesma gangue o encontrará e atingirá o que ele tem de mais precioso: sua esposa e filho.
Mel Gibson em seu longa de estréia consegue interpretar sutilmente a transformação que seu personagem exige apesar de ser um ator ainda muito jovem com apenas 23 anos. Conta-se que a Miller procurava um ator que aparentasse ser bruto para o papel, e um dia antes do teste de elenco, Gibson envolveu-se em uma briga de bar levando um pequeno corte no rosto, algo que de certa forma o ajudou a conseguir o papel. Tal como o protagonista, o carro patrulha também passa por uma brutal transformação, na verdade o interceptor amarelo é trocado por um potente carro preto também com motor V8, mas com 600 cavalos de potência, ou seja, uma máquina à altura da fúria de seu condutor.
Ford Falcon XB - GT
O filme foi lançado na América do Norte somente no ano seguinte, em 1980 e logo em seguida no restante do mundo alcançando grande sucesso. Consta no Guiness Book, o livro dos recordes que a obra de George Miller permaneceu até 1998 como o filme de baixo orçamento mais lucrativo da história tendo faturado cerca de US$ 100 milhões nas bilheterias mundiais, tornando Mel Gibson um astro precoce que em pouco tempo seria "fisgado" por Hollywood.
A obra de Miller abriu as portas do cinema australiano para o mundo com alguns filmes de sucesso como Crocodilo Dundee (1986), além das duas sequências Mad Max - The Road Warrior (1981) e Mad Max Beyond Thunder Domme (1985). Enfim, o road movie australiano é um importante divisor de águas na história do cinema e portanto clássico obrigatório para todo cinéfilo que se preze! (R.A.)
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Mad Max (Austrália, 1979)
Roteiro: George Miller, James McCausland
Direção: George Miller
Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keyas Byrne, Steve Bisley