quarta-feira, 25 de maio de 2016

alto mar

NO CORAÇÃO DO MAR

Último filme de Ron Howard reconta história real que 

serviu de inspiração para o clássico livro Moby Dick

   Em dezembro do ano passado estreava no cinemas brasileiros o drama / aventura marítimo No Coração do Mar (2015) com direção de Ron Howard, cineasta com um currículo dinâmico e admirável com vários filmes que trazem uma variedade de histórias que vão desde o suspense policial visto em Cortina de Fogo (1991), passando pelo thriller político Frost/Nixon (2008), o western Desaparecidas (2003) e o recente drama automobilístico Rush: no limite da emoção (2013). Quem conhece a filmografia de Howard percebe facilmente que In The Heart Of  The Sea não foge à regra de ser mais ótima história a entrar para a rica galeria do versátil cineasta. 
  Ambientado em 1820, época em que a navegação era uma atividade fundamental, o roteiro escrito por Charles Leavitt narra a trajetória do baleeiro de nome Essex que partia numa expedição em alto mar para caçar baleias, já que a extração de óleo dos gigantescos animais era na época de fundamental importância para a vida moderna de então, pois era utilizado para vários fins, principalmente na produção de azeite e na iluminação das casas e das cidades.


   No coração do mar é adaptado do livro homônimo escrito por Nathaniel Philbrick, o qual narra a história verídica do baleeiro que durante uma típica expedição em alto mar foi abatido por um enorme cachalote, uma baleia branca que se chocou contra o casco da embarcação provocando o famoso naufrágio do qual restaram poucos sobreviventes. Algumas décadas mais tarde tal relato serviu de inspiração para o livro Moby Dick, romance escrito por Herman Melville e publicado em 1851.
  Chris Hemsworth protagoniza o longa ao interpretar Owen Chase, um experiente pescador que demonstra profundo conhecimento de caça à baleias e que a bordo do Essex acaba por entrar em iminente conflito com George Pollard (Benjamin Walker), capitão da embarcação de postura altiva e um tanto autoritária. Pollard não possui tanto conhecimento quanto Chase a cerca do mar e o clima entre eles torna-se bastante tenso perante a tripulação de um modo que ambos parecem disputar os rumos da expedição enquanto não se dão conta do perigo que os aguarda em relação ao monstruoso peixe o qual pretendem abater.
  Apesar da boa interpretação de Hemsworth (na verdade acima da média), a narrativa do longa é conduzida por Thomas Nickerson, personagem sobrevivente de Brendan Gleeson que narra os eventos ocorridos no passado ao jovem escritor Herman Melville (Ben Wishaw), que algum tempo depois escreveria o romance Moby Dick.


  Mais do que uma aventura marítima, In The Heart Of The Sea revela-se um drama profundo e comovente ao retratar o sofrimento da tripulação que após sobreviver ao naufrágio encontram abrigo em uma praia deserta na qual passam dias e semanas alimentando a esperança de conseguirem regressar para seus respectivos lares... ou ao menos tentarem, o que parece ser impossível dadas às circunstancias da desastrosa expedição na qual se meteram. Como se não bastasse tamanho azar e sofrimento, o monstruoso peixe branco parece rondá-los em suas tentativas de voltar em alto mar em barcos improvisados. Um terror com mais de 10 metros de comprimento sempre à espreita.



  Possivelmente este é o primeiro filme no qual Ron Howard trabalha com efeitos digitais já que neste caso são extremamente necessários para retratar a baleia branca bem como compor boa parte das paisagens sendo que o filme foi gravado em estúdio e não exatamente no mar. A baleia surgindo sempre imponente como um enorme monumento branco em meio as águas do oceano parece ter uma personalidade própria, como se estivesse querendo dizer algo aos seus pretensiosos caçadores ou simplesmente demostrar que toda aquela extensão é seu território e de mais ninguém - um argumento que expressa bem o embate homem vs natureza e de certo modo torna a baleia um personagem respeitável e não apenas uma fera assassina dos mares como normalmente ocorre nos filmes hollywoodianos. Em outras palavras o imenso peixe não é um vilão.



  Com um ótimo elenco que traz Ben Wishaw, Michelle Fairley, Cillian Murphy e Tom Holland (o novo Homem-Aranha), Howard consegue fazer uma bela aventura de época e também um retrato da força da natureza representado na fúria do mar e na onipresença da baleia branca. Embora tenha fracassado injustamente nas bilheterias trata-se de mais uma obra na diferenciada filmografia de Ron Howard, um novo clássico para ser bem apreciado nos formatos digitais. (R.A.)

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No Coração do Mar (In The Heart of the Sea, 2015)

Roteiro:Charles Leavit

Direção: Ron Howard

Elenco: Chris Hemsworth, Brendan Gleeson, Cillian Murphy, Ben Wishaw, Benjamin Walker, Michelle Fairley, Tom Holland.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

herói "real"

CORPO FECHADO

Um pouco antes dos grandes super-heróis dominarem as telas do cinema, Bruce Willis interpretava 

um quase improvável super-herói


  Em meados do ano 2000 estreava nos cinemas um dos melhores filmes do início do século XXI, dirigido por M. Night Shyamalan e estrelado por Bruce Willis em um dos seus melhores momentos até então, já que este era o segundo filme do astro em parceria com o diretor indiano após o estrondoso sucesso de O Sexto Sentido (The Sixt Sense, 1999), um dos melhores filmes do final dos anos 90.
  Roteirizado por Shyamalan, jovem cineasta que despontava naquele período como diretor autoral, Corpo Fechado (Unbreakable) concebia a idéia de apresentar um ser humano que parecesse alguém superior e quase indestrutível, em outras palavras um super-herói, mas com a proposta de realismo. E coube a Bruce Willis a difícil tarefa de compor Davi Dunn, o personagem melancólico que vive uma vida normal e aos poucos vai descobrindo que não é um ser humano comum, especialmente após ser o único sobrevivente de acidente de trem que vitimou 131 pessoas.


  Samuel L. Jackson que co-estrela o filme, interpreta Elijah Price, o sujeito mais misterioso da trama cujo visual o torna uma figura um tanto sinistra já que o personagem sempre se veste com roupas escuras mas com um leve tom de roxo, o que parece ressaltar sua natureza sombria. Elijah é portador de uma grave doença que enfraquece os ossos, chamada osteogenese imperfeita, o que de certo modo o impediu ter uma vida considerada normal, de modo que seus colegas de infância o apelidaram de senhor vidro devido a fragilidade de seus ossos.


   No entanto, a fragilidade física de Price não foi mais forte do que sua força de vontade e inteligência, pois sua paixão desde a infância por histórias em quadrinhos o tornou um grande especialista chegando a montar uma galeria de arte baseada em HQ´s de super-heróis com o sugestivo nome de Edição Limitada. As naturezas opostas de Dunn e Price conferem o tom genial da trama que faz uma bela homenagem ao universo das histórias em quadrinhos, já que obviamente as circunstancias da trama  levam o senhor vidro a conhecer o agente de segurança de modo a descobrir que este pode ser um homem dotado de poderes que o tornam quase indestrutível.


  Composto de elementos comuns que dizem respeito ao cotidiano que todos bem conhecemos, Shyamalan concebe seu filme de modo bastante crível ao retratar David Dunn como um homem comum que tenta refazer seu casamento com a esposa Audrey interpretada pela ótima Robin Wright Penn e o cuidado de ambos com o garoto Joseph (Spencer Treat Clark), o único filho do casal que passa a ter um apego especial pelo pai por acreditar que ele tem algum dom especial após ter presenciado uma conversa entre David e Elijah. Em síntese o  possível super-homem concebido por Shyamalan é acima de tudo um homem simples com uma vida normal, mas contudo tem algo maior em sua essência, algo que o fez sobreviver ao fatal desastre de trem que abre a narrativa do filme.


 
  Contando com ótimas interpretações Unbreakable se completa com uma bela fotografia de cores frias, porém ressaltando um tom mais forte em algumas cores que remetem ao universo dos quadrinhos como tons azulados e vermelho, além da belíssima trilha sonora composta por James Newton Howard cuja composição sabiamente remete à trilhas dos filmes do Super Homem. Por fim, é surpreendente perceber que David Dunn pode ser  maior contraponto na carreira de Willis, afinal quem diria que seu personagem fisicamente mais forte seria psicologicamente o mais frágil? Um mérito de Shyamalan que conseguiu compor uma obra genial e análoga deixando um inevitável questionamento: realismo revestido de fantasia ou uma fantasia revestida de realismo?.. Basta assistir para crer. (R.A.)

TRAILER



 

Corpo Fechado (Unbreakable, 2000)

Roteiro e Direção: M. Night Shyamalan

Elenco:Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Robin Wright Penn, Spencer Treat Clarck


quarta-feira, 11 de maio de 2016

video dicas

PRÉ-LANÇAMENTOS EM DVD E BLU-RAY



  Já se encontra em pré-venda na internet o filme que certamente é o mais hilário deste e dos últimos anos: Deadpool. O (anti) herói mais tagarela, maluco e irreverente da Marvel já começa a invadir os formatos digitais para a alegria dos fãs que o curtiram no cinema ou para quem ainda não viu. Dirigido por Tim Miller, o cômico personagem é interpretado pelo carismático Ryan Reinolds, mas desta vez da forma correta e não do modo bizarro que o personagem foi apresentando em X-Men Origens: Wolverine (2009), filme que é melhor nem comentar. Deadpool conta com a presena da  atriz brasileira Morena Baccarin e da campeão norte-americana de MMA Gina Carano, além da presença dos x-men Colosso e Negasonic. Uma aventura divertidíssima e espetacular. 





  Outra pré-venda aguardadíssima é sem dúvida O Regresso (The Ravenant), a obra prima do diretor mexicano Gonzales Iñarritu estrelada pelo agora oscarizado Leonardo Di Caprio e co-estrelada por Tom Hardy. A história verídica do caçador de peles Hugh Glass e seus companheiros que exploravam as densas florestas da América do norte é uma grande fonte de inspiração para todas as gerações, cujo roteiro foi adaptado do livro homônimo de Michael Pumpke. O resultado é um filme poderoso e visceral em todos os sentidos, indicado ao oscar de melhor filme e sucesso absoluto de público. 








segunda-feira, 9 de maio de 2016

confronto épico

CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

Maior evento da Marvel nos quadrinhos ganha as telas do cinema e anuncia nova fase para os filmes dos super-heróis


   A maior batalha que os heróis Marvel já enfrentaram nas HQ´s finalmente tem início nas telas do cinema em Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War) que teve estréia internacional há cerca de 10 dias e vem liderando as bilheterias já repetindo de modo tradicional o sucesso dos filmes anteriores. Dirigido por Joe e Anthony Russo, os mesmos diretores de Capitão América: Soldado Invernal (2014) e roteirizado por Christopher Markus Stephen McFeely, o filme vem sendo considerado pelos fãs dos quadrinhos e pelo público em geral como o melhor da Marvel Studios até o momento.
  Dando sequência à jornada do soldado invernal Bucky Barnes, sua trajetória iniciada em Capitão América 2 torna-se o argumento básico para a trama de guerra civil que no filme segue um rumo diferente do que foi estabelecido originalmente nos quadrinhos já que Bucky é caçado pelo governo como um terrorista. 
  O agora secretário de estado, general Ross comunica os Vingadores sobre uma decisão do governo norte-americano a respeito de uma legislação para registrar os heróis como agentes do governo em virtude dos muitos prejuízos que estes já causaram em vários países (como Sokóvia, o país europeu que serviu de campo de batalha em Vingadores 2), ainda que tenha sido em defesa da população mundial. 
O filme tem como a base a minissérie em 7 edições publicadas entre
2006 e 2007, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven 
  Assim como ocorreu nos quadrinhos, Capitão América não concorda com tal lei de registro que é contrária ao seu ponto de vista. Já Tony Stark concorda, pois acredita que isso trará maior respaldo aos super-heróis perante todas as nações. Além disso o Capitão pretende encontrar Bucky para descobrir o que há por trás dos atentados por ele cometidos, já que o soldado invernal não tem total controle sobre suas ações, conforme foi visto em Capitão 2, o que leva Steve Rogers (Chris Evans) a prosseguir nas investigações sobre organização Hidra, supostamente dissolvida, além do desejo de salvar seu melhor amigo, que ele considera como irmão. 




O possível vilão da trama que leva adiante os planos da Hidra é o
barão Zemo interpretado pelo ator Daniel Bruhl
 O roteiro com argumentos muito bem amarrados por Markus e McFeely consegue transpor para as telas o espírito da HQ original embora com várias modificações que seguem e justificam os eventos vistos em Capitão 2, Vingadores 1 e Era de Ultron. E a dinâmica entre os personagens ao longo da narrativa é simplesmente fantástica do modo como o roteiro expõe o perfil de cada um deles, suas motivações e convicções ideológicas que os levam a escolher um respectivo lado e se confrontarem numa batalha épica nunca vista antes nas telas do cinema.



  Guerra Civil traz atuações impecáveis em seu elenco, especialmente Robert Downey Jr. que ao compor um Tony Stark cada vez mais amadurecido demonstra seu notável talento não muito aproveitado nos filmes do Homem de Ferro, mas eficazmente utilizado aqui de modo que desde Era de Ultron o ator vem se transformando em Tony Stark e não o contrário como ocorria nos filmes solo do herói metálico. 



 A inserção de personagens agora conhecidos como Homem-Formiga e um juvenil Homem-Aranha (Tom Holland) reforçam o time de combatentes de ambos os lados da batalha tornando o esperado confronto absolutamente eletrizante em termos de ação e algumas piadas pontuais que soam de modo natural intercalando as cenas espetaculares.   

  E espetacular é a palavra que melhor pode definir a apresentação de T´Challa, o Pantera Negra - um herói africano príncipe de um país chamado Wakanda, personagem conhecido entre os leitores dos quadrinhos, mas um completo desconhecido para o público do cinema. Sua inserção na trama torna-se um dos principais argumentos para o início da guerra civil, e a ótima interpretação de Chadwick Boseman confirma isso de modo  muito satisfatório. 
Pantera negra utiliza uma armadura feita do metal vibranium
 Captain America: Civil War, vem alcançando números expressivos nas bilheterias brasileiras tendo atingido a quarta maior arrecadação da história, de modo que já superou o concorrente Batman Vs Superman. Entretanto ainda é cedo para dizer se atingirá os estimados 1 bilhão de dólares mundialmente como ocorreu com o primeiro Vingadores e Homem de Ferro 3. De todo modo, a guerra está iniciada e... que venham as próximas batalhas.  (R.A.)


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Capitão América: Guerra Civil

Direção: Joe & Anthony Russo

Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely

Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr. Scarlet Johanson, Paul Betany, Tom Holland

quarta-feira, 27 de abril de 2016

nostalgia policial

OPERAÇÃO FRANÇA

Há  45 anos estreava nas telas um clássico do

 cinema policial 


   Em 1971 uma obra de gênero marcou a história do cinema inovando a linguagem do típico filme policial, Operação França (The French Connection) estrelado por Gene Hackman e co-estrelado por Roy Scheider conquistava público e crítica com a adaptação de uma história verídica sob o comando de Willian Friedkin. Operação França narra o caso da maior apreensão de heroína ocorrida nos Estados Unidos até então, na cidade de Nova Iorque numa operação que dá título ao filme e conforme é mostrada na narrativa foi realizada pelos investigadores Jimmy "Popeye" Doyle e Buddy "Cloudy" Russo, respectivamente interpretados por Hackman e Scheider.
  O roteiro escrito por Ernest Tidyman baseado no livro escrito por Robin Moore apresenta logo no início da narrativa a dupla de policiais resolvendo um caso em algum canto violento de Nova Iorque com Cloudy e  Popeye disfarçado com uma roupa de papai noel (já que o mês é dezembro) perseguem um criminoso numa corrida a pé desenfreada até o alcançarem em um terreno baldio e o espancam duramente para depois interrogá-lo em um beco - uma demonstração de força um tanto exagerada, mas expressam a idéia do quanto a dupla de policiais é implacável não dando trégua para nenhum bandido como pode ser visto ao longo do filme.



   Hackman e Scheider demonstraram uma química perfeita em seus personagens e dada à época da produção do filme, pode-se notar que serviu de modelo para as diversas produções do gênero policial até os dias de hoje em que se vê uma dupla de policiais que se completam em seus atributos. Neste caso nota-se claramente que Popeye é o casca grossa que dá porrada nos bandidos enquanto que Cloudy é mais ponderado e investigativo.
  Willian Friedkin explora o submundo das drogas em Nova Iorque de uma maneira nunca vista antes de modo que os verdadeiros policiais Doyle e Cloudy levaram a equipe de produção do filme para conhecer uma espécie de centro de consumo de drogas, onde usuários frequentam e todos ficaram chocados ao verem pessoas com seringas penduradas nos braços e o mais espantoso foi saber que tal local é em plena área central da cidade de Nova Iorque, algo que sem dúvida reforçou bem mais a motivação dos personagens na investigação do tráfico.


  Conta-se que Gene Hackman não gostava de seu personagem já que este é muito grosseiro e racista além do que o ator não simpatizou com o Popeye da vida real e também teve alguns desentendimentos com o diretor, mas felizmente Hackman aceitou e permaneceu no filme, o que enriqueceu muito a obra de Friedkin com seu talento e presença marcante, e é até difícil imaginar outro ator no papel e que combinasse tão bem com o parceiro Cloudy, vivido por Roy Scheider.

  A dupla de policiais investiga dois figurões franceses que estão hospedados na cidade e tem comportamento um tanto suspeito, o que leva Popeye a desconfiar de um forte esquema de transação de drogas que ocorre em pleno centro nova iorquino - daí o título da investigação que dá nome ao filme: operação França. A intrigante investigação rende ótimos momentos de suspense como na cena extremamente tensa em que Popeye persegue o suspeito francês no metro e é surpreendido pela inesperada esperteza do mesmo.
   Mas o grande e esperado momento do filme é sem dúvida a longa perseguição que Popeye faz a outro francês que toma de sequestro um trem cujos trilhos ficam suspensos acima das ruas da cidade e o policial dirigindo um carro a mais de 100 km/h no conturbado trânsito persegue o trem numa corrida louca e desenfreada como nunca se viu até então - e aqui Friedkin mostra seu inigualável talento para filmar perseguições, algo que o tornou muito famoso, pois ele pretendia fazer a melhor cena de perseguição da história do cinema, algo que até então o público só vira no filme Bullit (1968), sucesso de Steve McQueen. Para tal feito o diretor pegou um carro com um motorista no banco da frente e um câmera no banco de trás para filmar tudo a cerca de 140 km/h.


Friedkin recebendo o Oscar
    The French Connection ganhou nada menos que 5 premiações no Oscar de 1972 sendo que foram 8 indicações e ainda levou o premio de melhor filme. Willian Friedkin foi o diretor mais jovem a ganhar um oscar na história do cinema, pois na época tinha apenas 36 anos de idade. Dois anos mais tarde o diretor tornara-se bem mais famoso por comandar o estrondo sucesso O Exorcista (1973), o filme de horror mais polêmico de todos os tempos. Porém, infelizmente Friedkin não se tornou um dos diretores mais requisitados de Hollywood apesar de seu insuspeitável talento, de modo que não conseguiu repetir a fórmula de sucesso que o consagrou na década de 70. Entretanto, de um modo geral grandes diretores sempre são lembrados por poucos filmes e... felizmente Friedkin é um deles.  (R.A.)



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Operação França (The French Connection, 1971)

Roteiro: Ernest Tidyman

Direção: Willian Friedkin

Elenco: Gene Hackman, Roy Scheider, Fernando Rey, Tony Lobianco, Marcel Bozzuffi


quarta-feira, 20 de abril de 2016

duelo épico

BATMAN VS SUPERMAN

A origem da justiça

Confronto entre os dois maiores heróis dos quadrinhos marca novos tempos da DC comics nas telas do cinema



  Por volta de 2013 quando foi anunciada a produção de Batman vs Superman gerou-se uma expectativa geral entre os fãs em todo o mundo, já que se tratava de uma idéia bastante ousada e até inesperada, um confronto nas telas do cinema entre os dois maiores ícones das histórias em quadrinhos sob o comando de Zack Snyder que há pouco tempo dirigira O Homem de Aço (Man of Steel, 2013), produção executiva de Christopher Nolan, famoso por dirigir a trilogia Cavaleiro das trevas.
  Escrito por David S. Goyer (trilogia Batman) e Chris Terrio, o roteiro cumpre bem sua função em relação à expectativa do tão esperado confronto dos icônicos heróis tal qual foi amplamente divulgada nos trailers e pelo menos disso os fãs não podem reclamar, de fato um grande momento à altura das Hq´s da DC comics, editora à qual pertencem os hérois.
  Como todos sabem ou já notaram a DC comics está muito atrasada nos cinemas em relação à Marvel que já vem há um bom tempo dominando bilheterias e conquistando cada vez mais legiões de fãs nas salas de cinema tanto quanto a enorme legião de fãs da mídia dos quadrinhos. Afinal, as grandes adaptações da DC no cinema já estão um pouco distantes no tempo: Superman (1978), Superman II (1980), Batman (1989), de modo que as produções mais recentes tratam-se de reboot´s, os já citados trilogia Cavaleiro das trevas (2005, 2008, 2012) e O Homem de Aço (2013), e bem... Superman Returns e Lanterna Verde não são exatamente filmes memoráveis.

O confronto entre os heróis tem como base a HQ Batman - O Cavaleiro das trevas
escrita por Frank Miller em 1986
  Portanto a tão esperada transição de vários heróis da DC para as telas do cinema começa oficialmente com este confronto entre Batman e Super-Homem que inevitavelmente se enfrentam cada um acreditando que o outro é uma ameaça à sociedade ou ao mundo - Batman vê o homem de aço como uma ameaça ao planeta já que Bruce Wayne presenciou o rastro de destruição provocado pela batalha entre o Super Homem e  General Zod. Clark Kent por sua vez vê o homem-morcego como uma ameaça à sociedade já que este praticamente faz justiça a seu próprio modo colocando-se quase àcima da lei.
  Em meio a esse confronto surge uma ameaça bem maior e que realmente pode por em risco o planeta. Lex Luthor, um jovem magnata da cidade de Metropolis produz uma estranha criatura a partir do DNA de Zod e o que se segue no terceito ato da trama é uma batalha tão colossal quanto a que foi vista em Man of Steel (2013), porém mais empolgante com direito à participação da Mulher Maravilha interpretada pela belíssima Gal Gadot.


  Entretanto, embora traga um interessante argumento para o duelo entre os heróis, o roteiro também traz alguns problemas como o jovem Lex Luthor, interpretado por Jesse Isenberg e como era de se esperar não convence como o grande vilão da trama e futuro arquiinimgo do Super Homem, não tanto por ser jovem demais, mas a interpretação de Isenberg deixa a desejar, pois seu personagem mais parece uma versão alternativa do Coringa do que um jovem Luthor. O monstro criado pelo vilão também não foi o que se pode chamar uma boa idéia já que embate entre os demais personagens é muito mais interessante e já era o bastante para render um ótimo filme, exceto pelo fato de que o monstro justifique a presença da Mulher Maravilha embora esta merecesse uma participação melhor.


  Zack Snyder é o diretor certo para os filmes da DC, pelo menos por enquanto. O cineasta já demonstrou seu potencial para adaptações de quadrinhos como o épico 300 (2007), sucesso nos cinemas adaptado da HQ de Frank Miller e o injustiçado Watchmen, adaptado da HQ escrita pelo inglês Alan Moore.
  O respeito com que Snyder retrata os heróis é notável e os fãs de quadrinhos são as maiores testemunhas disso -  o retrato iconográfico que o diretor faz do Super-Homem é digno de aplausos ao representar o herói descendo dos céus em contraste com a luz do sol como se fosse um ser divino, e não é à toa que num certo momento é possível ver num vitral de uma capela a imagem do arcanjo Miguel com uma veste azul e capa vermelha numa inevitável comparação. A representação de Batman também é muito digna de elogios embora sua presença como um ser fantasmagórico remeta aos filmes de Christopher Nolan. Entretanto o uniforme do homem-morcego no filme Snyder é sem dúvida o melhor que todos os outros ja vistos nos filmes anteriores, com a típica cor cinza das HQ's e o enorme morcego estampado no peito.

Ben Affleck faz uma das melhores interpretações de Batman no cinema

  Ben Affleck surpreende interpretando um Bruce Wayne um pouco mais velho e um tanto ranzinza, algo que reflete em sua luta contra o crime, afinal na trama do filme faz 20 anos que o bilionário combate todo tipo de criminosos nas noites de Gotham, e assim seu personagem naturalmente foi se tornando frio e um pouco mais violento do que o Batman a que todos estão acostumados. Já Henry Cavill também interpreta um Super-Homem um tanto frio, algo que não combina com o carisma do personagem do personagem dos quadrinhos. Pelo visto, Christopher Reeve não será superado ou igualado tão cedo.
  O filme que estreou em 24 de março vem faturando alto nas bilheterias, cerca de 800 milhões de dólares no mundo todo, bem mais do que O Homem de Aço (Man of Steel) que arrecadou pouco mais de 500 milhões mundialmente. Entre as próximas estréias da DC nos cinemas estão os aguardados Esquadrão Suícida, Aquaman e Mulher Maravilha além do muito aguardado filme da Liga da Justiça. Aos poucos a DC vai ganhando forma definitiva nas telas do cinema e quem sabe ser uma forte concorrente da Marvel tanto quanto é nos quadrinhos. O tempo dirá. (R.A.)

TRAILER




Batman vs Superman - A origem da Justiça (2016)

Roteiro: David S. Goyer e Chris Terrio

Direção: Zack Snyder

Elenco: Ben Affleck, Hnery Cavill, Amy Adams, Jeremy Irons, Diane Lane, Gal Gadot, Jesse Isenberg, Laurence Fishburne. 

  

domingo, 13 de março de 2016

super dicas

PRÓXIMOS LANÇAMENTOS EM DVD E BLU-RAY



   Já se encontra disponível para pré-venda Victor Frankenstein, provavelmente o filme mais subestimado de 2015. Dirigido por Paul McGuigan e estrelado por James McAvoy e Daniel Radcliffe, o longa reconta a clássica história concebida por Mary Shelley em 1818, mas sob uma nova roupagem, repleta de ação e um pouco de investigação, o que torna a estória bem mais dinâmica para as novas gerações. Após assistir um espetáculo circense, em meio à uma confusão de um incendio, o Dr. Victor Frankenstein ajuda um corcunda a fugir do circo e resolve cuidar dele, que se torna seu ajudante nos experimentos para tentar recriar a vida.




Também já esta em pré-venda o sucesso Aliança do Crime, trama policial baseada em fatos reais e estrelada por Jhonny Depp. O filme narra a história do mafioso irlandês "Whitey" Bulger (Depp), que viveu nos Estados Unidos e na década de 70 colaborou com o FBI a fim de eliminarem um inimigo em comum para ambos: a máfia italiana. Dirigido por Scott Cooper, o filme é co-estrelado por Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch e Kevin Bacon.