terça-feira, 20 de março de 2012

moda em ação

Entre armas e ação:
a moda no cinema


 
Naiá Aiello
  A moda está presente nos mais diversos âmbitos da vida em sociedade, no cotidiano, no passado e também nas artes. E, quem diria, está também nos filmes de ação, destinados a um público que não se liga muito no assunto: os homens.
 Embora ainda seja alvo de preconceito e acusada de assumir facetas frívolas, a moda encontra na arte a justificativa de sua importância. No cinema, pode caracterizar – e também descaracterizar – um personagem, pode distinguir épocas e demarcar tribos, sejam elas quais forem. E na tribo dos apaixonados pelos filmes de ação, adrenalina e sobressaltos no peito, a moda está (muito!) presente. E posso provar! 

O Exterminador do Futuro


jaqueta Perfecto
  Em “O Exterminador do Futuro”, é possível identificar no muitos itens usados pelos matadores do cinema, como as jaquetas de couro e os óculos escuros. Para entendermos a importância da moda na caracterização do personagem, a cena inicial do segundo filme da saga é emblemática. Quando volta do futuro, o exterminador surge próximo a um bar e completamente nu. Ao entrar no estabelecimento, analisa as medidas das pessoas dos presentes e encontra um correspondente ao seu tamanho: um motoqueiro do qual Schwarzenegger pega as roupas, as botas e a moto. E, no final da cena, o exterminador ainda pega a cereja do bolo do figurino: os óculos escuros. Um figurino que se configura como um exemplo de como o vestuário pode se relacionar com o estilo de vida, estereótipo e imagem que o indivíduo deseja transmitir ao outro, principalmente em um filme em que a força mostra-se como qualidade mais importante.
  O couro, por exemplo, é um dos materiais quase unânimes: transmite imediatamente uma sensação de força e poder e, talvez por isso, seja eleito o material oficial dos roqueiros, motoqueiros e, claro, dos protagonistas de filmes de ação. Arnold Schwarzenegger ainda combina o couro com outro clássico: a jaqueta perfecto , que também faz parte do figurino dos amantes do rock n roll e daqueles que amam andar sobre duas rodas. E vale lembrar que a modelagem perfecto voltou com tudo no último inverno, fez a cabeça das mulheres e apareceu não só no preto: deu as caras em todas as cores possíveis e imagináveis.  E ainda promete ficar por muitas estações seja no armário masculino, seja no feminino. Eu, lógico, tenho a minha perfecto de couro preta no armário só esperando o inverno voltar. 

Matrix

  Algumas variações dos casacos pretos foram vistas em outros clássicos do gênero de ação, com materiais e modelagens diferentes. Um exemplo é o filme Matrix, que, como a maioria dos filmes de ação, usa e abusa da cor preta como tonalidade principal do figurino de seus personagens. Neo (Keanu Reeves), o protagonista da trilogia, tem como marca registrada o sobretudo preto de lã, mas engana-se quem pensa que o couro é deixado de lado: é usado por Morpheus (Lawrence Fishburne) e aparece em materiais similares, como o verniz, usado pela personagem Trinity (Carrie-Anne Moss). É possível identificar nos personagens dos filmes do gênero uma outra similaridade: os óculos escuros, que quase nunca deixam de compor o visual dos personagens e se destaca como acessório preferido dos killers da telona.
 007
  Ele pode ser Sean Connery, Pierce Brosnan, Daniel Craig ou qualquer outro ator que tenha interpretado James Bond, o agente secreto mais famoso do cinema. A questão é que nenhum outro protagonista transmitiu tanta elegância quanto aqueles que deram vida ao eterno James Bond, o 007, sempre clássico em seu smoking e a inseparável gravata borboleta. Além do indefectível e garboso figurino, Bond já trocou o traje icônico por outros não menos elegantes, como o conjunto de terno e gravata da cor preta.
  A influência da moda no figurino dos filmes de 007 começa pelos grifes que assinam as peças usadas nos filmes: Givenchy, Giorgio Armani, Thierry Mugler, Prada, Cavalli e Oscar de la Renta. Sem esquecer de Tom Ford, responsável pelo figurino do de Quantum of Solace (2008) e que vai repetir a parceria Skyfall, próximo filme de 007 com estreia ainda este ano. As roupas de Bond fizeram tanto sucesso ao longo da história que, a partir deste mês, começa uma exposição de mais de 100 peças e croquis dos figurinos usados pelo agente. A exposição vai acontecer na Barbican Gallery, em Londres e comemora também os 50 anos de adaptação do clássico de Ian Flemming para o cinema.


Naiá Aiello é Jornalista e editora do blog http://modapossivel.com/





sábado, 25 de fevereiro de 2012

western pós-moderno

ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ
Uma reinvenção pós-moderna do faroeste
  Uma negociação mal feita entre quadrilhas resultando em um confronto brutal com várias mortes, uma maleta cheia de dólares; um temível criminoso numa busca incansável pelo dinheiro; um homem comum fugindo com a maleta que encontrou por acaso; um xerife perseguindo a ambos. A descrição àcima é muito semelhante a um enredo de filme de faroeste, apresentando vários elementos comuns ao gênero numa trama repleta de suspense e perseguições ambientada no Texas. Realmente trata-se de um faroeste, mas não da época colonial dos Estados Unidos, pois ambienta-se no início da década de 80 do século XX e tal reinvenção é creditada primeiro ao escritor norte-americano Cormac McCarthy, que escreveu o famoso livro   e depois pelos irmãos Coen, que adaptaram a obra para as telas do cinema com grande sucesso. 
  O enredo em questão é bem mais do que uma trama policial texana, mas trata-se de um  minucioso estudo de personagens, o que se pode notar na caracterização ou representação dos tipos que compõem a obra. Llewlyn Moss, interpretado por Josh Brolin é um sujeito comum, que vive num trailer com sua esposa Carla Jean Moss (Kelly McDonald) , trabalha com algo relacionado a solda e nas horas vagas, caça cervos nas pradarias próximas da região em que mora, quando num dia inesperado ele encontra em um lugar deserto e bem afastado, alguns carros e caminhonetes estacionados a esmo e em volta alguns cadáveres - tudo resultado de uma transação de drogas mal sucedida que resultou em várias mortes e para sua grande sorte, diga-se de passagem, Moss encontra uma maleta repleta de dólares, provavelmente milhões, que seriam negociados naquele local. 
As belas paisagens do oste texano retratadas pelo fotógrafo Roger Deakins
são um cenário perfeito para a ambientação da obra de McCarthy

O escritor Cormac McCarthy ao lado dos irmãos Coen

  O xerife Ed Tom Bell, interpretado por Tommy Lee Jones encarrega-se das investigações, deparando-se com circunstancias incomuns que ele nunca vira antes em toda sua carreira de xerife, mesmo tendo tendo uma bagagem de muitos anos de profissão. "Ele é um espírito velho e viu poucas mudanças" como bem define Tommy Lee Jones a respeito de seu personagem nos extras do dvd do filme, pois Ed Tom vem de uma época em que as coisas eram menos difíceis no combate ao crime e a despeito da violência crescente, ele nunca imaginou que a criminalidade chegaria a um nível tão incontrolável e aterrador, pois a partir de então o velho xerife nunca vira crimes tão difíceis de compreender quanto este, o qual esta investigando e outros que acontecem em sequência. É interessante notar como o xerife Ed Tom é um contraponto na carreira de Jones, que inúmeras vezes interpretou policiais determinados e implacáveis. 

  A trama do filme se passa em um período crucial para os Estados Unidos, pois o tráfico de drogas na fronteira com o México estava ficando cada vez mais brutal e velhos homens da lei como o xerife Ed Tom, não estavam prontos para a nova onda de violência e criminalidade que surgiria a partir de então - e crimes violentíssimos, muitos até inexplicáveis retratam-se nas ações brutais do misterioso Anton Chigurh, "o mal encarnado" numa interpretação impecável do ator espanhol Javier Bardem, o que lhe rendeu o oscar de melhor ator coadjuvante. Chigurh seguramente esta entre os melhores vilões da história do cinema, não só por sua frieza inigualável mas também por seus métodos um tanto exóticos de cometer assassinatos, o que se faz notar no seu hábito de utilizar uma arma para abater gado, que consiste em um cilindro com ar comprimido com uma mangueira e um gatilho na extremidade  que ao ser acionado dispara uma rajada de ar forte o suficiente para perfurar o cranio de um boi, ou nesse caso, da vítima de Chigurh.  

  Todo o elenco de Onde os Fracos Não tem Vez esta muito bem afinado em seus respectivos papéis - Josh Brolin encarna com naturalidade o texano Llewlyn Moss, bem como a atriz escocesa Kelly Mcdonald como Carla Jean Moss, esposa de Llewlyn, que conferem momentos sutis de descontração num filme aparantemente violento. Llewlyn consegue mostrar-se merecedor da sorte de ter encontrando a maleta cheia de dinheiro, pois consegue fugir por uma longa distancia com o dinheiro, até a fronteira do México, mesmo tendo sido encontrado por Chigurh, pois conseguiu milagrosamente escapar do assassino, afinal Moss serviu por duas vezes no Vietnã, adquirindo conhecimento e treinamento militar o suficiente para se cuidar em uma situação de perigo. 
  Embora não seja um filme de ação, estritamente falando, a obra dos Coen não deixa nada a desejar aos melhores filmes de ação de Hollywood, pois a trama de suspense policial tem momentos empolgantes com algumas cenas bastante tensas como na perseguição que Chigurh empreende à Llewlyn numa noite num quarto de hotel e logo em seguida nas ruas escuras e um tanto desertas -  tal cena surpreende pelos tiros inesperados e certeiros que parecem vir do "nada", fazendo com que Moss fuja desesperadamente e ainda revide com a mesma eficácia de seu perseguidor, tudo enriquecido por uma ótima edição de som e o extremo cuidados dos Coen em manter o nível exato de suspense psicológico da obra, respeitando o enredo original do livro de McCarthy, inclusive nas falas dos personagens e em toda a descrição narrativa. 





  Vencedor do Oscar de melhor filme em 2008 e também de roteiro adaptado, No Country for Old Men mostra-se nada menos que uma obra genial e até original, ao retratar uma caçada e uma perseguição implacável entre três homens que jamais conseguem se encontrar efetivamente, embora o xerife Ed Tom pareça ser o menos determinado por sentir-se vencido pelo passagem do tempo e pelas brutais mudanças sociais advindas dessa passagem, algo que subverte as expectativas em torno de uma obra de gênero. Como um western autenticamente pós-moderno, a obra de McCarthy consegue reverter a lógica dos westerns clássicos pois aqui o homem que parece indestrutível é nada mais que o onipresente vilão, o que o eleva à condição de mito, ao contrário do cansado e conformado xerife, já convencido de que jamais poderá vencer tal batalha. A exemplo da realidade que tristemente já conhecemos, os "fortes" nem sempre são homens da lei bem como a sorte não pode ser decidida num simples jogo de cara ou coroa, e como o xerife Ed Tom descobre, sobreviver não é mais uma questão de força, mas sim de coragem. 

Trailer



Título original: (No Country for Old Men)


Lançamento: 2007 (EUA)
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Atores: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson.
Duração: 122 min

Gênero: Drama/Policial






quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

notas

Lançamentos em DVD

  • Um boxeador aposentado (Steve Austin) tenta ajustar um novo aluno, Matthew Miller (Daniel Magder), que está sendo alvo de bulling. Enquanto aprende a boxear e a enfrentar seus agressores, o jovem precisa aprender como enterrar seu tumultuado passado. Mais uma divertida aventura estrelada pelo grandalhão Steve Austin. Um típico filme de sessão da tarde. 






     Gigantes de Aço é estrelado por Hugh Jackman no papel de Charlie Kenton, um lutador decadente que perdeu sua chance de ganhar um título quando robôs de aço de mais de 900 quilos e mais de dois metros e quarenta de altura entraram no ringue. Charlie, então um mero e insignificante promotor, ganha apenas o suficiente, juntando sucatas de metal de robôs, para passar de uma arena de boxe para outra. Quando Charlie chega ao fundo do poço, ele relutantemente se une a seu filho afastado, Max (Dakota Goyo), para construir e treinar um competidor para disputar o campeonato. Conforme as apostas na brutal arena sem limites aumentam, Charlie e Max, contra todas as probabilidades, têm uma última chance de dar a volta por cima.





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

trhiller rodoviário

SEQUESTRO RÊLAMPAGO

Uma longa estrada de perigo e tensão


  As estradas rodoviárias sempre serviram de cenário para muitas produções cinematográficas e os gêneros se desdobraram ao longo da história do cinema em filmes ambientados em rodovias que serviram como cenário ou tema de tramas repletas de suspense, drama e obviamente ação. Carros possantes, caminhões e motos guiados por todo tipo de indivíduos já trafegaram em ótimos roteiros desde a década de setenta do século passado até os dias atuais. Filmes como Encurralado (Duel, 1971), que é um dos primeiros filmes de Spielberg, Corrida contra o Destino (Vanishing Point, 1971) e Mad Max (1979) são precursores do cinema físico ambientado em rodovias.

Cartaz alternativo
Chad
    O filme Sequestro Relampago (Carjacked, 2011) traz a história de Lorraine, uma mulher sofrida e fragilizada por um casamento fracassado tentando reconstruir sua vida participando de uma terapia de grupo e dedicando-se exclusivamente ao pequeno Chad, seu único filho. Numa noite qualquer, ao voltar para casa junto com Chad, Lorraine terá a noite mais terrível de toda sua vida, ao sofrer um sequestro dentro de seu próprio carro durante uma parada em um posto de gasolina. O fugitivo Roy, interpretado de maneira intensa por Stephen Dorff é um criminoso fugitivo que ao entrar no carro de Lorraine e fazer ela e Chad de refens, exige apenas a colaboração de ambos e uma longa carona - Roy tem uma grande quantia em dinheiro proveniente de assalto e precisa fugir da policia e o melhor destino para tal fuga é o México.

Roy
  O roteiro escrito por Sherry Compton e Michael Compton prende totalmente a atenção com bastante suspense e algumas reviravoltas que surpreendem ao longo da narrativa, algo esperado nos melhores trhillers, e a ambientação por vezes remete à A Morte Pede Carona (The Hitcher, 1986), grande sucesso da década de 80. O desconhecido diretor John Bonito (?!!) demonstra talento na construção do suspense pois grande parte da narrativa se passa no interior do carro de Lorraine, o que faz aumentar cada vez mais o clima de tensão, mas que por vezes é atenuado pela dinâmica entre os personagens, pois Roy faz o possível para controlar a situação sem usar violência, algo já visto antes no cinema no excelente filme Colateral, do diretor Michael Mann. O diretor John Bonito comprova que também entende de ação, quando nos momentos finais Roy e Lorraine empreendem uma perseguição brutal, uma verdadeira caçada humana que relembra um pouco Breakdown - Implacável Perseguição (1997), sucesso de Kurt Russel. 
Lorraine


Maria Bello
Stephen Dorff
  O talentoso Stephen Dorff infelizmente nunca tornou-se astro, sendo apenas conhecido como o vilão Frost do filme Blade - O Caçador de Vampiros (1998). Porém o ator sempre consegue participações especiais como coadjuvante em grandes produções de Hollywood, tais como  o policial Inimigos Públicos (Public Enemies, 2009) ou o recente épico Os Imortais (The Immortals, 2011) - além disso, os filmes que Dorff estrela são lançados diretamente em DVD, como os ótimos Felon e XIII - A Conspiração, ambos de 2008. A ótima Maria Bello também não alcançou o estrelato, mas construiu uma carreira de destaque, pois chegou a trabalhar no seriado Plantão Médico (ER) na temporada de 2008 como uma das médicas da equipe, e já foi vista em vários filmes de sucesso tais como Assalto à 13º DP (Assault on Precinct 13, 2005), Marcas da Violência (A History of Violence, 2005) e A Múmia: A Tumba do Imperador Dragão, de 2008. Dorff e Maria Bello são atores de grande potencial e mesmo que não sejam astros, ambos constroem carreiras sólidas em filmes de grande qualidade.


  Embora relembre vários outros filmes que se ambientam em estradas desertas ou rodovias, Sequestro Rêlampago não deixa nada a dever aos filmes citados, trazendo todos os elementos normalmente utilizados neste tipo de produção com atores talentosos e experientes, além de um bom diretor que preza pelo realismo nas cenas físicas não se rendendo aos exageros de efeitos visuais ou sonoros, além de empreender uma narrativa segura como pode ser conferido nas ótimas interpretações do elenco. Lamentável é que filmes como este continuem sendo excluídos das salas de cinema, dando espaço muitas vezes à produções medíocres e duvidosas, apenas por trazerem grandes astros no elenco. Mas, tal como as rodovias, o percurso de um filme pode ser longo e o reconhecimento merecido pode chegar por vias alternativas. Afinal, muitos cult´s podem se formar por trajetos diferentes. 
  
Trailer

Titulo Original: Carjacked

Gênero: Suspense
Duração: 89 min.
Origem: Estados Unidos
Estreia em DVD: 14 de Dezembro de 2011
Direção: John Bonito
Roteiro: Sherry Compton e Michael Compton
Distribuidora: PlayArte Pictures

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

western revisitado

TRUE GRIT

A “Bravura Indômita” de uma pequena mulher

  Nos atuais tempos em que a figura da mulher é exaltada em todas as esferas sociais, nada mais justo que o cinema cumpra seu papel de também homenagear as mulheres. E entre as várias produções do atual século que exaltam a figura feminina, um bom exemplo é o filme Bravura Indômita, sucesso nos cinemas em 2011, tendo sido indicado para 10 prêmios Oscar, incluindo melhor atriz coadjuvante para Hailee Steinfield, além da indicação de melhor ator  para a interpretação de Jeff Bridges.

Irmãos Coen
  Refilmado pelos irmãos Joel e Ethan Coen que também assinam o roteiro, Bravura Indômita (True Grit), conta a historia de Mattie Ross, uma garota de apenas 14 anos de idade, que parte numa jornada arriscada pelas terras selvagens do velho oeste para vingar a morte de seu pai, assassinado por um perigoso bandido chamado Tom Chaney, interpretado por Josh Brolin, em mais uma ótima parceria com os irmãos Coen, depois do grande sucesso Onde os Fracos Não tem Vez (No Country For Old Men, 2007), filme que ganhou o oscar de 2008. E para capturar o criminoso, Mattie contrata o serviço de um caçador de recompensas, Reuben “Rooster” Cogburn (Jeff Bridges), famoso por suas façanhas, mas ao mesmo tempo odiado ou temido por muitos. E além de Cogburn, Mattie terá também a ajuda do Texas ranger Laboeuf (Matt Damon), que também está empenhado em capturar Tom Chaney.  

A primeira versão é de 1969 e foi
protagonizada por John Wayne
A refilmagem

   O velho oeste americano é um lugar selvagem e muitas vezes inóspito retratado com cores frias que ressaltam o aspecto cinzento de uma época tão dificil quanto o temperamento de muitos de seus habitantes, como pode ser notado na bela composição fotográfica de Roger Deakins, habitual colaborador dos irmãos cineastas. Um submundo caracterizado por violência e selvageria e composto de personagens por vezes, ambíguos - o oeste sempre foi dominado por homens, mas em Bravura Indômita, a presença feminina é a diferença, representada na figura de uma simples adolescente. Mattie Ross, apesar da pouca idade, tem uma inteligência muito à frente de sua adolescência, o que se faz notar na articulação de suas falas ao negociar com pessoas adultas e supostamente muito experientes, porém incapazes de derrubar os argumentos da garota determinada e obcecada por justiça.   


As duas faces de Cogburn

Tom Chaney
   Jeff Bridges que em 2010 ja havia ganho o oscar de melhor ator pelo filme Coração Louco (Crazy Heart, 2009), recebe também uma indicação nesta obra dos Coen e poderia merecidamente também levar a estatueta pela magnifica composição de seu personagem - um velho caçador de recompensas que apesar de um cansaço aparente e ter a visão de apenas um olho, é um eficiente pistoleiro e implacável na caçada aos foras da lei e também é temido por eles. Igualmente brilhante é a composição de Josh Brolin na pele de Tom Chaney, que apesar dos rumores de que é um perigoso fora da lei dos mais temidos e procurados, tem uma aparência patética e até cômica, diga-se de passagem, trajando roupas desengonçadas e ostentando um aspecto rude e caipira, algo que destoa completamente da visão que se espera de um temido fora da lei. 

Livro
   Bravura Indômita (True Grit) é adaptado de um livro escrito em 1968 pelo jornalista norte-americano Charles Portis e que no ano seguinte foi adaptado para o cinema com direção de Henry Hathaway e com John Wayne no papel de Cogburn, tendo conseguido ganhar o oscar de melhor ator, o único de sua longa carreira. Mas segundo a crítica especializada em cinema, a obra de Hathaway é pouco fiel ao romance original em relação ao filme atual, pois os irmãos Coen investem um pouco mais na composição de Mattie Ross, de modo a exaltá-la como personagem feminina e equipará-la aos demais personagens adultos com quem ela interage.

 



   A despeito das impecáveis interpretações de Jeff Bridges, Matt Damon e Josh Brolin, a atriz Hailee Steinfield consegue afinar-se aos experientes atores que compõem o elenco, ou em várias ocasiões da narrativa, roubar a cena com a surpreendente retórica de sua aparentemente frágil personagem, que demonstra uma capacidade de raciocínio bem mais rápida que os disparos das armas de seus companheiros. Contudo, mesmo com toda a inteligência que a garota demonstra e o cuidado dos irmãos Coen em retratar uma garota muito à frente de seu tempo, fica um pouco difícil de acreditar que uma menina de apenas 14 anos tenha tanta sagacidade e um grande poder de persuasão em sua negociações, ou seja, se Mattie Ross tivesse pelo menos 16 anos de idade poderia ser uma personagem ainda mais crível para até mesmo ser vista como uma mulher precoce. E seu amadurecimento precoce é algo realmente admirável como pode ser percebido na narração em off que a personagem faz durante a narrativa do filme valendo destacar a tocante frase que ela cita no início da trama para expressar o drama que vivera: "Nada é de graça, exceto a graça de Deus". Vale lembrar também que a excelente composição textual dos monólogos da personagem e dos diálogos da trama é algo corriqueiro nas obras dos irmãos cineastas.

   Bravura Indômita é um dos melhores faroestes dos últimos tempos, tendo conseguido uma boa bilheteria nos cinemas norte-americanos o que pode ser considerado um grande feito, pois como todos sabem o público em geral não aprecia faroestes, um gênero que outrora trouxe glórias ao cinema contribuindo até mesmo para elevar seu status de arte e que hoje é simplesmente desprezado pelo atual público, e assim a maioria desses filmes são lançados diretamente para o mercado de vídeo. É dificil dizer se o faroeste definitivamente renascerá em Hollywood como ocorreu com o gênero épico, mas ao menos esta obra resgata a dignidade deste gênero essencial na história do cinema. E o grande mérito é dos irmãos Coen.

TRAILER


Título original: (True Grit)

Lançamento: 2010 (EUA)

Direção: Joel Coen, Ethan Coen
Atores: Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin.

Duração: 110 min

Gênero: Faroeste









terça-feira, 17 de janeiro de 2012

notas

Lançamentos em DVD

SEQUESTRO RELÂMPAGO

 Lorraine é uma sofrida mãe solteira às voltas com as chantagens emocionais do violento ex-marido, que quer a guarda do filho do casal, Chad. Em uma noite aparentemente como outra qualquer, ela faz uma parada em um posto de gasolina e é surpreendida por Roy, que acaba de roubar um banco e quer seu carro para a fuga. O problema é que ele precisa dela e de Chad para passar pelos comandos, espalhados pela estrada. Apavorados, Lorraine e Chad terão que ser fortes e encontrar um jeito de saírem vivos dessa rota de completo desespero. Muito suspense e ação neste thriller "on the road".




PERIGOSA AMBIÇÃO
 Brian está desesperado, tentando encontrar um negócio que o coloque novamente no topo da lista dos mais importantes executivos das firmas de investimentos. Ele decide arriscar tudo em um negócio com traficantes de drogas que promete manter seu alto estilo de vida. Quando dois adolescentes interceptam, sem querer, o dinheiro da negociação, o "esquema" de Brian vai por água abaixo. Ele logo percebe que está na mais desesperadora situação de todas ao dever para o mais impiedoso dos traficantes. Ao mesmo tempo, os adolescentes se dão conta que roubaram da pessoa errada. O que segue é uma mistura de ambição, traição e mortes.



QUEBRANDO AS REGRAS 2
  O ex-boxeador Zack (Alex Meraz), o talentoso lutador de MMA Tim (Todd Duffee), o atendente de loja vítima de bullying Justin (Scott Epstein), e o lutador de luta-livre Mike (Dean Geyer) tem histórias muito diferentes, mas eles compartilham uma paixão pela ‘ciência selvagem’ e rapidamente se tornam leais a seu treinador nada ortodoxo, Case (Michael Jai White), um brilhante ex-campeão de UFC que anda na pior.Ensinando a eles muito mais do que a luta, Case prepara os jovens para uma competição chamada The Beatdown, comandada por um universitário e empresário de lutas local chamado Max (Evan Peters). Quando seu mentor cai numa armadilha de policiais, os jovens se unem para achar qual deles é o traidor.