domingo, 1 de maio de 2011

relatório: justiça em dobro




Castle & Castle
As duas faces de um Justiceiro











 
  A primeira década do século XXI foi profundamente marcada por diversas adaptações de histórias em quadrinhos, especialmente de super-heróis. Personagens dos quadrinhos da editora Marvel invadiram maciçamente as telas do cinema tais como Homem-Aranha, Hulk e X-Men, e até personagens desconhecidos do grande público ganharam espaço no imaginário popular daqueles que não são familiarizados com quadrinhos tais como Motoqueiro Fantasma, Demolidor e Elektra - e dentre tais desconhecidos encontra-se Frank Castle, mais conhecido pela alcunha de Justiceiro ou The Punisher.
 Inicialmente nos quadrinhos, o Justiceiro era apenas um personagem coadjuvante que apareceu pela primeira vez nas aventuras do Homem – Aranha ganhando destaque e fama e ao longo do tempo conquistou uma legião de fãs que admiravam as façanhas do implacável caçador de criminosos. The Punisher, criado por Gerry Conway, Ross Andru e John Romita acabou então ganhando publicação própria e destacou-se nas publicações Marvel como uma das HQ’s mais bem vendidas e respeitadas dentre os títulos secundários da editora.



  Em 2003 The Punisher teve sua adaptação para as telas de Hollywood, comandada com maestria pelo diretor Jonathan Heinsleigh e estrelada pelo então pouco conhecido Thomas Jane, que se preparou intensamente para encarnar o personagem da mellhor forma possível, realizando treinamento com as forças especiais no manejo de armas de fogo e técnicas marciais de defesa pessoal, o que lhe conferiu uma ótima performance no papel, além da boa semelhança física que o ator alcançou em relação ao personagem.





Gary Hymes

 Com um orçamento reduzido, o diretor Heinsleigh esforçou-se ao máximo para tornar o filme visualmente atraente, pois não poderia utilizar efeitos visuais de ponta e até aceitou o pequeno orçamento oferecido pelos produtores, pois ele tinha a intenção de utilizar técnicas antigas dos filmes de ação clássicos, tais como próteses de silicone ou borracha para simular ferimentos, explosões reais sem jamais utilizar truques em CGI e várias outras técnicas que consagraram o cinema físico nas décadas anteriores.
 Para filmar as cenas de perseguição automobilística, Heinsleigh prudentemente contratou um dos maiores dubles de Hollywood, o lendário Gary Hymes, famoso por seu trabalho com cenas envolvendo carros e que gentilmente colaborou nesta produção numa das melhores cenas do longa.

Heinsleigh e Thomas Jane

Castle enfrentando o gigante Russo








   Obviamente grande parte do orçamento do filme deve ter sido utilizado para bancar o cachê do maior astro da produção, pois o ator John Travolta com muita disposição interpretou o vilão Howard Saint, um cruel mafioso que manda matar a família de Castle em retaliação à morte de seu filho, morto em uma emboscada realizada pelo então policial infiltrado Frank Castle no início do filme. Outro vilão de destaque é o capanga Quentin Glass, braço direito de Saint, interpretado pelo ator Will Patton que pontua as cenas mais violentas da película.  



Howard Saint
Quentin Glass


  Após ver sua família ser massacrada diante de seus olhos e sobreviver quase miraculosamente, Castle mune-se de um completo arsenal de diversas armas e parte para a vingança caçando os homens de Saint e armando ciladas para destruir o império e a organização do mafioso.
  Com uma trama bem construída e personagens cativantes rendendo até mesmo momentos de humor, O Justiceiro apresenta-se como um entretenimento completo e eficaz e a despeito da violência que move o personagem, o filme não é tão sangrento quanto poderia ser, pois Jonathan Heinsleigh prudentemente valoriza bem mais os aspectos técnicos do longa, tais como composição fotográfica e coreografias bem encenadas, além de uma ótima trilha sonora que homenageia claramente filmes clássicos de western, o que porém, não foi suficiente para afastar o filme das criticas negativas que recebeu. 
 Parte do fracasso do filme pode-se dever ao fato de que um personagem justiceiro é algo muito comum no cinema de ação e desde a década de setenta até o final dos anos noventa, Hollywood tem criado “justiceiros” de diversos tipos e para todos os públicos, o que porém não desmerece The Punisher como um notável personagem de ação de historias em quadrinhos e que merece lugar de destaque nos estúdios de cinema.

A outra face

 Em 2008 mais uma vez Hollywood empreende uma nova tentativa de tornar o personagem mais conhecido nas telas do cinema, já que o filme estrelado por Thomas e Jane e John Travolta não teve merecido sucesso e nem mesmo os fãs dos quadrinhos do anti-herói gostaram do resultado final, pois o Frank Castle de Thomas Jane não chega a ser tão frio e violento quanto o personagem das HQ´s.  

Lexi Alexander

Ray Stenvenson
  O Justiceiro – Zona de Guerra (The Punisher – War Zone), prometia transpor para as telas toda a crueza e violência das histórias em quadrinhos do personagem e realmente o fez, ainda que em tom cartunesco. Desta vez, quem comandou o projeto foi nada mais nada menos que uma mulher, a cineasta alemã Lexi Alexander, fã incondicional do personagem que conseguiu retratá-lo com maior precisão do que o cineasta Jonathan Heinsleigh em relação às historias em quadrinhos. Lexi escalou um time de bons atores para compor o longa, começando pelo grandalhão Ray Stevenson que também teve treinamento físico intenso assim como Thomas Jane para viver o personagem. 

  Stevenson personificou literalmente Frank Castle a ponto de parecer uma encarnação do anti-herói, com uma aparência rude que lembrava muito as capas de edições famosas que consagraram o personagem nas publicações da Marvel. Dominic West encarnara o vilão Retalho (Jigsaw) numa interpretação um tanto exagerada, mas condizente com o estilo cartunesco do filme e Doug Hutchinson interpretou Loony Bin Jim, personagem que não existe nas hq´s, mas no filme é um irmão louco de Retalho.  

Dominic West

Loony Bin Jim e Retalho



 Além de uma edição ágil, o filme tem um roteiro igualmente ágil e bastante eficaz, de modo que a origem do personagem não precisa ser recontada, exceto por flashbacks que retratam o passado doloroso de Castle e que o tornou uma máquina de caçar criminosos – e no início da trama, quando o justiceiro invade a casa de um mafioso bem na hora do jantar e empreende um massacre, o público pode perceber claramente a essência das histórias em quadrinhos do personagem que são extremamente violentas, pois Frank Castle é um homem amargurado e movido pelo desejo de vingança, o que o leva a dedicar sua vida ao extermínio de todos os criminosos como única forma de aliviar sua dor.




 Entretanto esta película também fracassou nas bilheterias norte-americanas tendo custado $35.000.000,00 e arrecadado pouco mais de $4.000.000,00 e aqui no Brasil foi lançado diretamente para o mercado de vídeo, assim como o filme de Thomas Jane, isso sem falar que Punisher - War Zone teve vários problemas durante a produção e quase ficou engavetado.
  Ao que parece, o Justiceiro continua sendo um personagem incompreendido pelo público em geral, pois no início da década de noventa houve uma adaptação mediana estrelada por Dolph Lundgren, mas com pouco destaque e logo esquecida. Resta aos grandes fãs de ação valorizarem os dois filmes do maior caçador das histórias em quadrinhos, para que a justiça seja feita :-)

trailers





 O Justiceiro (Punisher, The, 2004) 
 Direção: Jonathan Hensleigh
 Roteiro: Jonathan Hensleigh, Michael France
 Gênero: Policial/Suspense
 Origem: Alemanha/Estados Unidos


 Duração: 124 minutos




O Justiceiro - Zona de Guerra (The Punisher: War Zone)

Elenco: Ray Stevenson, Dominic West, Julie Benz, Dash Mihok, Colin Salmon, Doug Hutchinson, T.J. Storm e Wayne Knight.
Direção: Lexi Alexander
Gênero: Ação
Distribuidora: Columbia Pictures


4 comentários:

  1. Thomas Alex Bastos2 de maio de 2011 09:39

    Você se esqueceu de falar do filme de 1989 estrelado por Dolph Lundgren, amigo!!!
    Gostaria de pedir uma matéria sobre esse filme, pode ser?

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  2. Ainda estou terminando a postagem Thomas. Quanto ao filme do Dolph Lundgren, posso fazer sim um artigo só pra ele. Abraço e até mais!!

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  3. O primeiro filme me lembra muito Mad Max,inclusive acena de morte da família dele com o Castle correndo na estrada é muito parecida.Acho que deve ser uma homenagem.Até a roupa é a mesma naquela altura.
    O estilo do carro e a perda dele também me lembra o clássico do Mel.

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  4. Interessante sua observação Punidor. Eu não tinha notado isso quando assisti o filme, rsr. Aceito sugestões e idéias. Seja sempre bem vindo ao Action Club!!

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