terça-feira, 25 de janeiro de 2011

dossiê: anos 90



Ação anos

90





Novas frentes de batalha
O cinema de ação moderno tem suas raízes na década de oitenta. Conceitos e atributos que moldaram as personagens de ação conforme conhecemos hoje originaram-se de idéias surgidas naquela época divertida e criativa e perduraram até o final da década. Mas os anos 90 não foram tão diferentes assim, de modo que inicialmente o gênero ganhou novos contornos e passou a ser encenado por atores que incorporaram novas performances ao moderno cinema-testosterona, o que enriqueceu ainda mais a cultura pop do cinema físico.
 Schwarzenegger e Stallone continuaram como grandes astros e ícones físicos. A década abria-se com o sucesso estrondoso de Exterminador do futuro 2 – O Julgamento Final (Terminator 2 – The Judgement Day) de 1991, super produção mais uma vez comandada por James Cameron revolucionado o conceito de efeitos visuais de modo que Terminator 2 foi naquela época, o filme mais caro de todos os tempos.

 

  A partir de 1993, Stallone começava a estrelar filmes que modificaram seu perfil nas telas – o astro de Rambo e Rocky investia em novos conceitos de modo que atuou pela primeira vez uma aventura de ficção cientifica, O Demolidor (Demolition Man, 1993) e também apostou em personagens mais humanos e menos brutais, como nos filmes Risco Total (Cliffhanger, 1993) em que interpreta um alpinista ou no excelente DayLight (Daylight, 1996), no qual ele vive um ex chefe de serviços médicos que luta pela sobrevivência ao lado de um grupo de pessoas aprisionadas dentro de um túnel rodoviário, sob a ótima direção de Rob Cohen.

 Em 1994, Cameron e Schwarzenegger surpreendiam novamente público e crítica num dos filmes mais fantásticos da década, True Lies, uma óbvia homenagem aos filmes espetaculares da década anterior e uma sátira ao gênero.
 É inevitável lembrar que Stallone experimentou o fracasso e a total decadência por sua atuação em Cop Land (Cop Land) que ele estrelou em 1997 e mesmo sendo um excelente drama/policial, a queda de Stallone foi inevitável e ele jamais voltou ao topo de astro.

 

  Mas a ação dos anos 90 não ficou só por conta de musculosos. As artes marciais ganharam novos contornos nas perfomances de dois artistas marciais surgidos nas telas pouco antes do final da década de 80, o belga Jean Claude Van Damme e o norte americano Steven Seagal, afinal a carreira de Chuck Norris já não engrenava mais nas telas do cinema e um de seus últimos filmes lançado no ínicio da década, Comando Delta 2 – A Conexão Colombia (Delta Force 2, The Colombian Conection, 1990), não emplacou tanto nas bilheterias mesmo sendo uma ótima produção e posteriormente seus filmes passaram a ser lançados direto para o mercado de vídeo, bem como os filmes de Dolph Lundgren cujas produções tornaram-se mais conhecidas no formato VHS.
  Em 1992, Norris resolveu presentar os fãs com um filme de despedida de sua carreira cinematográfica, Unidos Para Vencer (Sidekicks), sob a direção de seu irmão Aaron Norris, que também dirigiu Comando Delta 2, Sidekicks conta a história de um garoto interpretado por Jonathan Brandis, praticante de artes marciais que sonha em conhecer seu maior ídolo, o próprio Chuck Norris. 



 
  
 Em contrapartida, Van Damme invadiu as telas em meio a chutes e socos em belas coreografias que popularizaram o kickboxing, um estilo marcial que tornou-se modismo até meados da década, e admirado nas telas por filmes como Kickboxer – o desafio do dragão (Kickboxer, 1989). O belga estrelou várias aventuras para todos os gostos, desde ficção científica em Soldado Universal (Universal Soldier, 1992), drama/ação em Vencer ou Morrer (Nowhere to Run, 1993) ou policial em Risco Máximo (Maximum Risk, 1996). Mas o momento máximo da carreira do astro foi em 1993, quando Van Damme estrelou O Alvo (Hard Target), dirigido por John Woo, o mestre chinês da ação.
 

Van Damme e o diretor John Woo


     









 Steven Seagal conquistou milhares de fãs pelo mundo torcendo pulsos, quebrando braços e encenando tiroteios com um certo realismo. O mestre do Aikido e especialista em armas de fogo, deixou sua marca em Hollywood em filmes de ação policial como Difícil de Matar (Hard to Kill, 1990), Marcado para a morte (Marked for death, 1990), Fúria Mortal (Out for Justice, 1991) ou Em Terreno Selvagem (On Deadly Ground, 1994), tendo alcançado o estrelato com A Força em Alerta (Under Siege, 1992), o maior sucesso de sua carreira que posteriormente teve uma sequência, A Força em Alerta 2 (Under Siege 2: Dark Territory), porém sem muito sucesso.


 













Ação Oriental

  Ainda no início da década de 90 o cinema de ação chinês começava a despontar nas telas do ocidente. Histórias de ação policial com tramas inteligentes e violência extrema conquistavam cada vez mais fãs fora do oriente, especialmente o público que frequentava video-locadoras. Filmes como Fervura Máxima (Hard Boiled, 1992), O Matador (The Killer, 1990) e Zona de Assassinos (Peace Hotel, 1995) dirigidos pelo cineasta John Woo e estrelados por Chow Yun Fat, tornaram o cinema físico do oriente cada vez mais conhecido pelo mundo afora e despertou o interesse de Hollywood em contratar diretores asiáticos.

 

John Woo
  Reza a lenda que executivos de Hollywood após assistirem The Killer e Fervura Máxima, decidiram contratar John Woo para dirigir O Alvo, estrelado por Jean Claude Van Damme - daí em diante, o mestre chinês da ação migrou para os estúdios de Hollywood e ao longo da década de 90 até o início dos anos 2000, ele teve uma trajetória bem sucedida nos cinemas ocidentais, dirigindo astros de primeira linha como John Travolta e Nicolas Cage em produções blockbusters como A Última Ameaça (Broken Arrow, 1996) e A Outra Face (Face Off, 1997). John Woo também dirigiu Dolph Lundgren num interessante filme chamado Black Jack (Black Jack, 1998).  


Novos Tempos

 Por volta da segunda metade dos anos 90 o cinema físico aperfeiçoou a estética e novos conceitos surgiram. Como em alguns exemplos àcima citados, atores de maior densidade dramática começaram a despontar no gênero - a figura clássica do herói quase indestrutível começava a mudar e nas performances de atores mais talentosos, os heróis ganharam contornos mais humanos e um perfil mais realista, o que depertou a atenção da crítica especializada e principalmente do público que não aprecia o cinema físico, algo semelhante ao que ocorreu na década de oitenta, com a diferença de que naquela época o gênero de ação ganhou contornos mais cômicos.  

  No ano de 1995, Mel Gibson faturava os oscar de direção e melhor filme com o maravilhoso épico Coração Valente (Braveheart) que elevou ainda mais seu status de astro e ajudou a definir sua futura carreira de cineasta. Dois anos antes, em 1993 Harrison Ford estrelava o excelente O Fugitivo (The Fugitive) que faturou o oscar de ator coadjuvante para Tomy Lee Jones e também indicado para as categorias de melhor filme, roteiro, fotografia, efeitos sonoros, edição, trilha sonora e som - fatos que comprovam o potencial artístico do gênero de cinema físico.  
 O resultado disso não foi muito positivo para ícones truculentos como Schwarzenegger e Stallone, de modo que seus filmes ganhavam cada vez menos atenção e mesmo o público ávido por ação passou a admirar o novo formato no qual se desdobrava o cinema físico. De forma inusitada atores amados pela crítica despontavam em produções de ação como por exemplo Sean Connery, que num passado remoto foi um ícone do gênero por ter interpretado 007, mas nos 90 o lendário astro surpreende público e crítica ao estrelar um filme de ação, mesmo tendo mais de sessenta anos de idade - a produção A Rocha (The Rock, 1996) foi um grande sucesso de bilheteria e trazia no elenco os também astros Nicolas Cage e Ed Harris e a direção de Michael Bay. Igualmente surpreendente foi ver o grandioso Anthony Hopkins numa explosiva produção de aventura, A Máscara do Zorro (The Mask of Zorro, 1998) ao lado de Antonio Bandeiras e da musa Catherine Zeta Jones, recriando a lenda do clássico herói mascarado, e claro que foi sucesso absoluto de bilheteria.



Outros filmes que marcaram a década...

  Além de altamente prolífica, a década de 1990 foi extensa em seu acervo de filmes, especialmente em se tratando do cinema físico. É dificil e até impossível analisar todos os filmes neste mero artigo, mas os títulos mais relevantes certamente são citados aqui, de modo que o leitor terá uma visão geral sobre o cinema de ação dos anos 90. 


  O lendário gênero Western ressurgiu nas telas depois de muitos anos de "extinção" - o responsável por esta façanha não poderia ser ninguém menos do que o mito Clint Eastwood, o eterno cowboy durão do cinema "ressuscitou" literalmente um gênero que estava morto em Hollywood e Os Imperdoáveis (The Unforgiven, 1992) ainda faturou premios Oscar de melhor filme, diretor para Eastwood e ator coadjuvante para Gene Hackmann. No mesmo ano o diretor Michael Mann comandou uma aventura dramática também pertencente ao gênero western, O Último dos Moicanos (The Last of the Moicans, 1992).
  Dentre vários títulos de extremo sucesso convém lembrar honradamente, o retorno triunfal do agente James Bond no filme 007 Contra Goldeneye (Goldeneye) no ano de 1995. O maior espião de todos os tempos estava há 6 anos distante das telas de cinema e Goldeneye surpreendeu tornando-se o filme mais rentável da série com Pierce Brosnan no papel do agente que alçou sua carreira ao estrelato. Nos anos de 1997 e 1999 respectivamente, o espião inglês teve mais duas aventuras de muito sucesso, O Amanhã Nunca Morre (Tomorrow Never Dies, 1997) e O Mundo não é o Bastante (The World Is Not Enough, 1999).



  Bruce Willis que a exemplo de Schwarzenegger e Stallone é também um ícone do cinema-testorena, estrelou as duas sequências Duro de Matar 2 (Die Hard, 1990) e Duro de Matar 3 - A vingança (Die Hard 3, 1995), consolidando a franquia Duro de Matar como uma das melhores da recente história do cinema. Antes de Teminator 2, Schwarzenegger estrelou uma aventura/sci-fi de sucesso, hoje lembrada como cult - O Vingador do Futuro (Total Recall, 1990) baseada em conto de Philip K. Dick.

   A década de noventa não foi feita só de avanços e glórias para todos artistas. E uma das vítimas de um desmerecido fracasso foi o superastro Kevin Costner, que viveu dois momentos extremos em sua carreira - agraciado pelo tremendo sucesso de Robin Hood, O Príncipe dos Ladrões (Robin Hood, Prince of Thieves, 1991), provavelmente ele sequer imaginou que provaria o gosto amargo do fracasso quatro anos mais tarde ao estrelar WaterWorld, O Segredo das Águas (WaterWorld, 1995), uma éspecie de "Mad Max marítimo" e por sinal um ótimo filme e na época considerada a produção mais cara da história do cinema. Enfim, um fracasso injusto para um ator talentoso e até então rentável para a indústria do cinema.
  O sucesso absoluto de O Fugitivo gerou uma sequência interessante, U.S. Marshals, Os Federais (U.S. Marshals, 1997) e o personagem de Tommy Lee Jones torna-se protagonista desta aventura também estrelada por Wesley Snipes e Robert Downey Junior. Snipes estava em alta e em 1998 estreou uma adaptação de quadrinhos, Blade - O Caçador de Vampiros (Blade), oficialmente a primeira adaptação da Marvel Comics para os cinemas e o maior sucesso da carreira do ex-astro Wesley Snipes.
   No final da década e praticamente final do século XX, Hollywood jogou uma última cartada para finalizar os anos 90 com base nos temores que a população mundial tinha até então sobre o fim do mundo, embasado em supostas crendices religiosas. Schwarzenegger depois de um longo período de descanso e com popularidade muito em baixa, tentava uma nova empreitada em uma aventura recheada de elementos sobrenaturais - Fim Dos Dias (End Of Days, 1999) apresentava Schwarzie como um policial deprimido e amargurado tendo que enfrentar o apocalipse que se aproximava com a chegada do fim do milênio. Enquanto isso, Mel Gibson sempre em alta, também fechava a década com o filme O Troco (Payback, 1999). 
  A exemplo da década de oitenta, os anos 90 foram igualmente produtivos para os filmes de entretenimento e ambas as décadas se completam, pois o cinema dos anos 90 aperfeiçou o gênero popularizado na década anterior não só em aspéctos técnicos mas também artísticos e assim o cinema físico tornou-se cada vez mais "forte e robusto" para os fãs e mais ainda para a Cultura Pop.
 








 






quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

nota

Melhores de 2010

Mais um ano se inicia e também mais uma década. Como reza a tradição de todos os sites e blogs de cinema, o Action Club montou sua lista dos melhores filmes do ano anterior. E como vários internautas já devem saber, o blog não prioriza filmes de ação nesta lista, embora alguns possam constar, pois esta lista refere-se ao cinema em geral.



A Ilha do Medo


Um suspense arrepiante e surpreendente, contando a história de um detetive obcecado pela verdade tendo que enfrentar seus demônios interiores enquanto investiga um sanatório. Belíssima parceria entre Martin Scorcese e Leonardo Di Caprio que continua rendendo ótimos frutos.



Morte Negra


Na idade média, um grupo de cavaleiros são reunidos por um conselho da igreja católica e enviados em uma perigosa missão para caçar uma bruxa que possa ser punida devido à peste negra que dizimou grande parte da população. Um dos melhores épicos dos últimos tempos. Filme obrigatório para cinéfilos que curtem história medieval.


Chico Xavier


A vida do maior médium de todos os tempos retratada neste filme dirigido por Daniel Filho e com grande elenco.


VÍCIO FRENÉTICO 

Excelente interpretação de Nicolas Cage neste surpreendente remake sobre um policial viciado em cocaína, mas que tem a missão de combater o tráfico.


CONFÚCIO

O cinema chinês finalmente resolve filmar a biografia de Confúcio, o maior filósofo oriental interpretado pelo astro Chow Yun Fat.


Criação


A história de Charles Darwin e seus dramas pessoais retratados neste belo filme produzido pela BBC inglesa.


O Fim da Escuridão
Trhiller de primeira que marca o retorno de Mel Gibson numa trama recheada de suspense e ação.



A Origem


Suspense e ação neste surpreendente filme dirigido por Cristopher Nolan e estrelado por Leonardo di Caprio. Aconselhável jamais cochilar durante esse filme.



O Lobisomem


Refilmagem do clássico de horror da Universal Studios, com Benicio Del Toro no papel que fora de Lon Chaney sob uma pesada maquiagem e a presença sempre marcante de Antony Hopkins como coadjuvante.



A Epidemia


Refilmagem do clássico de George Romero, O Exercito do Extermínio, desta vez atualizado para os nossos tempos e seguindo a atual onda de filmes de zumbis.



2019 – O Ano da Extinção


Uma surpreendente visão futurista em que os vampiros tornam-se a espécie dominante em nossa civilização.



Alice

Recriação e sequência inédita da historia de Alice no país das maravilhas, sob o comando de Tim Burton em mais uma ótima parceria com Johnny Depp, desta vez com a tecnologia 3-D e efeitos em CGI de última geração.



Homem de Ferro 2

Sequência explosiva do sucesso de 2008, trazendo mais uma vez Robert Downey Junior sob a armadura do vingador dourado, provando que o herói metálico já é um dos personagens mais carismáticos da atualidade.



Jonah Hex


Adaptação do cowboy durão dos quadrinhos da DC Comics, trazendo uma visão divertida e inovadora do velho oeste norte-americano, com as presenças mágicas de Josh Brolin, John Malkovich e até Megan Fox.



Predadores

Finalmente Hollywood decide produzir a sequência verdadeira da franquia Predador. Encabeçado por um elenco de peso, Adrien Brody, Alice Braga, Danny Trejo e Lawrence Fishburne, o ET com cara de crustáceo prova que ainda é um dos melhores personagens de ficção científica do cinema.



Os Mercenários
Stallone realiza o sonho de várias gerações e reúne um super time de brutamontes para compor o elenco dessa explosiva aventura.


PS: Menção honrosa para Tropa de Elite 2


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

retrospectiva

Falando de ação

Um olhar sobre 2009 e 2010



 Os anos de 2009 e 2010 foram bastante produtivos para o cinema físico, pois este biênio foi marcado por produções que alimentaram o cinema de entretenimento, mas que também renovaram os gêneros de ação e aventura, principalmente em termos de tecnologia, haja vista a revolução do velho recurso 3D, que depois do sucesso de Avatar, está apenas (re) começando a dar um novo formato ao cinema moderno para a próxima década do atual século. O aprimoramento na concepção de efeitos em CGI também ganhou novo fôlego, a exemplo da ousada obra de James Cameron, e também de outros filmes que utilizaram recursos digitais na elaboração de suas cenas físicas, tais como o reboot Star Trek, a adaptatação da HQ Watchmen (ambos de 2009) e o remake de Fúria de Titãs (Clash of the Titans, 2010).

   
 Inovações de personagens clássicos também deixaram marcas positivas no cinema físico, a exemplo do detetive inglês Sherlock Holmes, encarnado com energia e bom humor por Robert Downey Junior, sob a cuidadosa lente de Guy Ritchie ou ainda a tripulação de Jornada nas Estrelas, vivida com muito entusiasmo por atores bastante talentosos e a direção magistral de J. J. Abrams, cineasta talentoso e criador do famoso seriado Lost. A recriação de personagens mitológicos ganhou novo fôlego com o turbinado remake de Fúria de Titãs, que sob a direção de Louis Leterrier rendeu ótimas cenas de ação e efeitos visuais de ponta.











 O gênero policial também rendeu uma obra de destaque sob a direção de Michael Mann e uma bela interpretação de Johnny Depp, no filme Inimigos Públicos (2009) que traz uma história de gangsters como há muito tempo não se via em Hollywood, com uma ação realista e belamente coreografada pelo olhar de Mann. E ação não falta no trhiller que marca o retorno de Mel Gibson – O Fim da Escuridão (Edge of Darkness), sob a competente direção de Martin Campbel e a interpretação cada vez melhor de Gibson. Em clima de nostalgia, o cinema da década de oitenta ganhou uma divertida e explosiva releitura sob a ótica bacana de Stallone, que reúne um time truculento de veteranos para compor o elenco de Os Mercenários (The Expendables, 2010) - o cineasta Robert Rodrigues conseguiu fazer algo semelhante em seu curioso filme Machete (2010), ao reunir o mais estranho elenco para um filme de ação, Robert DeNiro, Steven Seagal, Jessica Alba, Michele Rodrigues e o mexicano Danny Trejo como protagonista. E o clima de nostalgia ganha mais fôlego com a explosiva adaptação de Esquadrão Classe A para o cinema, série de TV oitentista de grande sucesso, provavelmente o filme de ação mais divertido deste ano.
 















 Velhos conceitos se renovaram em filmes muito interessantes que infelizmente foram pouco valorizados, tais como o britânico Harry Brown (2009), com Michael Caine na pele de um velho justiceiro que portando uma pistola, tenta limpar as ruas de sua cidade infestada por traficantes e delinqüentes em uma obra que pode ser considerada uma leitura moderna de Desejo de Matar. O futuro imaginado em Mad Max, ganha um reforço com O Livro de Eli, interpretado por Denzel Washington como um justiceiro solitário que carrega uma bíblia (o último exemplar disponível no mundo) e a participação de Gary Oldman no papel do vilão que quer se apossar da bíblia para dominar a população de uma pequena cidade com argumentos religiosos – a ação deste filme bem como a ambientação, o tornam uma espécie de “faroeste” moderno ou futurista, pois pode-se notar claras referências ao gênero western nos tiroteios e na concepção dos personagens – e o western propriamente dito, embora não consiga se reerguer no cinema atual, continua rendendo ótimas produções como o divertido Jonah Hex, adaptação dos quadrinhos da DC comics com Josh Brolin, John Malcovich e Megan Fox.


 Artes marciais também marcaram presença em boas produções que também são pouco lembradas, como o brasileiro Besouro (2009), filme que conta a história do maior capoeirista de todos os tempos e que viveu na época da escravidão no Brasil. O filme traz toda a riqueza da capoeira bem como o folclore afro-brasileiro nesta obra autêntica e surpreendente do cinema nacional. Do outro lado mundo, este ano o cinema chinês produziu dois filmes muito interessantes para narrar a biografia de Yip Man, lendário mestre de Kung-Fu que defendeu bravamente a população chinesa contra a invasão dos japoneses na década de 1930 e que no restante do mundo ficou conhecido por treinar o mito Bruce Lee - O Grande Mestre I e II.

 












  A ficção científica deu novos contornos ao cinema de ação e os efeitos visuais alcançaram um nível extremo de realismo em um filme produzido por Peter Jackson, Distrito 9 (District 9, 2009)- filme politizado com elementos de sci-fi que narra uma história de invasão alienígena na África do Sul e um confronto entre humanos e aliens concebido de forma surpreendente e ação realista nesta co-produção entre Nova Zelândia e África do Sul. Em 2010, Hollywood decide dar continuidade à franquia Predador, e o resultado foi Predadores (Predators), com produção de Robert Rodriguez e um elenco bem conhecido, Adrien Brody como protagonista e Alice Braga, Danny Trejo e Laurence Fishburne como coadjuvantes numa caçada sem tréguas nas florestas de um planeta desconhecido.

 











 Como pode-se notar, os dois últimos anos foram prolíficos para o cinema físico tanto em termos de tecnologia quanto de idéias, algo que pode definir novos rumos para a próxima década e quem sabe, estimular os novos roteiristas na concepção de idéias que possam ajudar o cinema físico a renovar-se com mais criatividade. Com base nos filmes àcima citados, o cinema de ação e aventura esta cada vez melhor. E que venha 2011, com punhos erguidos, bala na agulha, muita diversão e bom humor:)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

clássico

Lutador de rua – um sucesso nocauteante dos "Tempos Difíceis"

 O cinema de ação da década de 1970 do século XX foi bastante produtivo e rendeu filmes importantes além de divertidos, sendo uma época bastante prolífica para o gênero de ação e o cinema em geral, pois a década setentista é considerada a segunda era de ouro da história do cinema. E nesta época, agora tão saudosa e nostálgica, brilhava nas telas um homem de aparência um tanto simples, mas de uma rudeza peculiar e um espírito indomável, que incendiava as telas do cinema físico. Seu nome era Charles Bronson. O artista que se tornou lenda tendo feito uma sólida carreira no cinema europeu e posteriormente retornou para Hollywood, no intuito de melhorar seus ganhos e alcançar reconhecimento em seu país natal, acabou por se tornar um astro de filmes de ação em gêneros variados, do faroeste a filmes policiais, Bronson alcançou fama de durão em meio a tiros e socos em muitas aventuras que bem definiram o cinema setentista.
  No ano de 1974, aos 54 anos de idade demonstrando pleno vigor, Bronson estrelava um dos seus melhores filmes, tanto em termos de produção como também de roteiro. Lutador de Rua (Hard Times) é uma história de época e sua ambientação é a emblemática década de 1930, nos anos que se seguiram logo após a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, período de recessão econômica na América do Norte que afetou seriamente a economia mundial. O filme dirigido pelo então estreante Walter Hill, traz em seu enredo, pessoas comuns tentando sobreviver em meio à depressão social, e para isto fazem o que sabem de melhor – no caso de Chaney, personagem de Bronson que viaja solitariamente buscando um norte para sua vida, ele utiliza a força de seus punhos, duros como pedra para nocautear seus adversários em lutas clandestinas a troco de um bom dinheiro.

Chaney se preparando para a luta
Chaney em combate
  




James Coburn como Speed

   Ao chegar em uma quieta e quase solitária Nova Orleans, Chaney conhece “Speedy” Weed, interpretado por James Coburn, um pequeno apostador que financia lutas clandestinas que geram muito dinheiro, pois atrai várias pessoas influentes que apostam nos lutadores que se confrontam em lugares improvisados e praticamente não seguem regras.
  Em suas andanças pelos bares da cidade, Chaney encontra alguém que como ele, sobrevive fazendo o que sabe de melhor. Lucy Simpson, uma bela prostituta, torna-se interesse romântico do lutador e os dois passam a se ver ocasionalmente, ora nos bares, ora na casa dela. Mas Lucy, interpretada por Jil Ireland, esposa de Bronson na vida real, parece não ter força o suficiente para “nocautear” o coração de Chaney, que se limita a vê-la poucas vezes, especialmente quando necessita de uma companhia feminina, o que deixa Lucy pouco satisfeita e um tanto frustrada, pois ela parece esperar uma atitude mais profunda do lutador de rua.

Jil Ireland como Lucy Simpson

Chaney e Lucy


  Bronson faz uma atuação segura e confiante, exibindo seu físico notável e demonstrando autoconfiança nas coreografias das lutas. Ele convence facilmente o público e também a critica especializada em cinema, de que é o valente lutador que trava duros combates nos Tempos Dificeis (Hard Times) sugeridos pelo titulo original do filme – título perfeitamente adequado à proposta do roteiro e mais expressivo do que o título que o filme teria originalmente, The Street Fighter. O nome teve de ser mudado, pois antes da estrear nas telas, um filme asiático de mesmo nome já estava sendo exibido nos cinemas norte-americanos, estrelado por Sony Chiba, astro de ação do cinema japonês.

Cartaz original


Catrtaz original





O combate mais difícil




A última luta



  






  Hard Times é um eficiente drama/ação de época e a exemplo dele vieram outros filmes de temática semelhante, contando a história de um homem aparentemente comum, mas dotado de grande força física e notável habilidade, bem como  de uma imensa “força interior” capaz de enfrentar e vencer qualquer adversário, fosse ele humano ou figurativo, como no caso de Lutador de Rua, o maior de todos os adversários é a depressão econômica dos Estados Unidos. Entre os sucessos posteriores e com ele parecidos, pode-se destacar Rocky – Um lutador (Rocky) de 1976, O Campeão (The Champ) de 1979, A Luta pela esperança (Cinderella Man) de 2005 e vários outros. Enfim, a melhor definição de Hard Times, coube ao elogio da revista Time – uma “forte, enxuta, meticulosa e pequena parábola sobre coragem e honra”.

veja o trailer


Lutador de Rua
título original: (Hard Times)


lançamento: 1975 (EUA)
direção:Walter Hill

atores:Charles Bronson, James Coburn, Jill Ireland, Strother Martin.
duração: 97 min
gênero: Drama